Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/03/01 09:36 / 144 Artigos publicados
 

Guia da Libertadores 2010:  (Futebol Internacional) escrito em segunda 01 março 2010 09:36

A corrida pelo troféu mais cobiçado entre os clubes sul-americanos finalmente começou após a definição dos classificados para a fase de grupos da atual Libertadores. Os fracassos acumulados pelos brasileiros na última década (seis derrotas em finais contra equipes estrangeiras) desequilibraram ainda mais a superioridade dos argentinos em números de conquistas (22 contra apenas 13 do Brasil), o que reforça a importância do êxito tupiniquim em 2010, ainda mais após o “tri-vice” de Grêmio, Fluminense e Cruzeiro nas últimas três edições da competição.

 As expectativas para essa edição são otimistas, já que a qualidade de nossos candidatos (Flamengo, Corinthians, Internacional, São Paulo e Cruzeiro) contrasta com a ausência de figurões (como Boca Juniors ou River Plate) e a fase complicada enfrentada por alguns dos representantes argentinos (casos de Newell's Old Boys e Colón, que caíram ainda na fase preliminar). Mesmo assim é preciso abrir os olhos com quem ainda segue vivo na disputa, independente da nacionalidade, sejam eles grandes favoritos ou meros azarões.

Ainda mais porque esse ano são apenas 14 vagas para as oitavas-de-final (as duas restantes estão asseguradas a Chivas Guadalajara e San Luis, representantes mexicanos afastados justamente nessa fase em 2009, devido à crise causada pela Gripe Suína). Confira na sequência um especial sobre a Copa Libertadores 2010:

Pré-Libertadores:

Deportivo Táchira (VEN) x Libertad (PAR): 1x0 – 1x3*
Juan Aurich (PER) x Estudiantes Tecos (MEX): 2x0 – 2x1
Colón (ARG) x Universidad Católica (CHI): 3x2 – 2x3**
Real Potosí (BOL) x Cruzeiro (BRA): 1x1 – 7x0
Newell's Old Boys (ARG) x Emelec (EQU): 0x0 – 1x2
Atlético Junior (COL) x Racing (URU): 2x2 – 0x2

*Classificado pelos critérios de desempate (gols marcados fora de casa).
**Classificado nos pênaltis (5x3).

Saiba tudo sobre as equipes classificadas para a Fase de Grupos:

- Parte 1

- Parte 2

- Parte 3

- Parte 4

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Guia da Libertadores 2010 (Parte 1):  (Futebol Internacional) escrito em segunda 01 março 2010 09:27

Grupo 1

Favorito: Corinthians
Quem corre por fora:
Cerro Porteño e Independiente Medellín
Azarão:
Racing

Tornou-se clichê na imprensa nacional afirmar que essa é a Libertadores “mais fácil dos últimos anos”, uma expectativa que vem de encontro à realidade do Corinthians. Completando 100 anos, o alvinegro espera repetir Vasco (1998) e Olímpia (2002), únicas equipes a conquistarem o principal torneio interclubes da América do Sul em seus respectivos centenários. Está aí o maior adversário do Timão, que precisará suportar pressão de todos os lados se quiser quebrar o maior tabu de sua história.

De fato, a equipe parece qualificada para a missão e ainda vai contar com a vantagem de não precisar jogar no estádio dos rivais nessa fase de grupos (o campo do Cerro Porteño está interditado, o do Independiente Medellín será sede dos jogos sul-americanos e o do Racing não possui capacidade mínima exigida pela CONMEBOL).

No banco de reservas está Mano Menezes, que apesar de só ter disputado uma edição do torneio, chegou ao vice-campeonato com o Grêmio em 2007. E o elenco, que já contava com Ronaldo, ganhou mais um “galáctico” para a atual temporada: o lateral Roberto Carlos. Jogadores experientes e que devem chamar a responsabilidade. O sistema defensivo continua fortalecido com a manutenção de Felipe, Chicão, William e Elias, além de Marcelo Mattos e Edu, repatriados em meio à última temporada. O meio ganhou dois jogadores para cadenciar o jogo (Tcheco e Danilo) e acionar os velozes Dentinho, Defederico ou Jorge Henrique.

Outro que desembarca no Parque São Jorge é o veterano Iarley, que ganhou o apelido de “Mr. Libertadores” graças às boas atuações na edição de 2003 (quando ainda jogava pelo Paysandu) e conquistou rapidamente a confiança dos corinthianos. Resta saber se na ausência de River Plate e Palmeiras (cada um responsável por duas eliminações do Timão na Libertadores), o Corinthians finalmente interrompe sua sina ou se encontra um novo algoz pelo caminho...

Time Base: Felipe; Alessandro, Chicão, William, Roberto Carlos; Ralf (Marcelo Mattos), Elias, Tcheco (Danilo); Iarley (Defederico), Jorge Henrique, Ronaldo. Técnico: Mano Menezes.

O título sul-americano não é uma obsessão apenas para os corinthianos. Clube que mais vezes disputou a Libertadores sem nunca ter conquistado a taça (com 33 participações é o 4º colocado no quadro geral de aparições), o Cerro Porteño chega a atual edição credenciado pela manutenção da base que faturou o Apertura paraguaio (mas ficou de fora da Libertadores 2009) e chegou as semifinais da última Sul-Americana (embora tenha encerrado o Clausura na modesta 6ª colocação).

A participação na Sul-Americana inclusive ainda rende prejuízos ao Ciclón, que cumpre suspensão pelos incidentes na eliminação diante do Fluminenese e precisará mandar seus jogos no estádio Defensores Del Chaco. O time comandado pelo ex-volante Pedro Troglio (que esteve no mundial de 90 com a seleção argentina) destaca-se justamente pelo setor defensivo, muitas vezes tão truculento quanto seu treinador nos tempos em que ainda era jogador. Não por acaso sofreu apenas 11 gols em 22 jogos na campanha do título paraguaio do ano passado.

As maiores estrelas (em um grupo que conta com oito argentinos) são o goleiro Barreto (que deve estar na Copa do Mundo com o Paraguai) e a dupla de zaga formada por Torrén e Herner, dois dos compatriotas de Troglio. O meio-campo, que perdeu Celso Ortiz para o futebol holandês, mescla jovens valores (como Burgos e Brítez) a jogadores mais experientes, como nos casos de Villarreal e Julio dos Santos (ex-Atlético Paranaense). Outro velho conhecido dos torcedores brasileiros é o veterano César “El Tigre” Ramirez, que já passou pelo Flamengo e aos 33 anos consiste na principal referência ofensiva Azulgrana. E com a contratação de reforços (como Zeballos, Cardozo e Ereros), a perspectiva é que as carências do ataque ao menos sejam amenizadas.

Time Base: Barreto; Irrazábal, Herner, Torrén, Mendoza; Cáceres, Villarreal, Brítez, Zeballos (Burgos); Nanni (Zeballos) e César Ramírez. Técnico: Pedro Troglio.

Apesar da eliminação precoce na última Libertadores, quando caiu ainda na fase de grupos, o Independiente Medellín teve momentos de brilho no torneio, como as vitórias diante de adversários tradicionais, casos de Peñarol (derrotado por 4x0 ainda na fase preliminar) e São Paulo (que perdeu por 2x1 na Colômbia e empatou em 1x1 no Morumbi). A qualidade daquele time ficou comprovada durante o Finalización (torneio nacional que encerra a temporada colombiana), onde El Poderoso de la Montaña sagrou-se campeão após liderar a tabela de ponta a ponta e bater o Atlético Huila na decisão.

Foi justamente aí que começaram os problemas do DIM, que ficou sem seus dois principais atacantes: Luis Fernando Mosquera (que estava emprestado pelo Independiente Santa Fé) e principalmente Jackson Martínez (artilheiro do último colombiano), ambos negociados com o mexicano Jaguares de Chiapas. As baixas diminuíram consideravelmente o poderio ofensivo do clube, como se notou nas primeiras rodadas do Apertura, onde a equipe marcou apenas dois gols em três jogos (ambos na vitória diante do Atlético Nacional, com quem o Independiente realiza o clássico de Medellín). Outro desfalque importante será o polivalente Cuadrado, defensor promissor que rumou para a Udinese.

Mesmo assim o técnico Leonel Álvarez, ex-volante da seleção nacional e considerado o grande nome da nova safra de treinadores colombianos, ainda possui bons nomes para sonhar com a classificação a próxima fase. Entre eles, destaque para o arqueiro paraguaio Bobadilla (ídolo da torcida), além dos laterais Calle e Cortés, constantemente acionados. O mineiro Anselmo de Almeida, desconhecido por aqui, foi contratado junto ao Deportivo Pereira e também já se firmou na zaga.

No meio-campo, a experiência do volante Restrepo e de Tressor Moreno (que chega a frente como um segundo atacante) será fundamental para as pretensões do clube, assim como o ímpeto de revelações como Arias e Pardo (que assumem as responsabilidades ofensivas). Se o Medallo repetir a campanha de 2003 (quando chegou as semifinais da Libertadores), a maior torcida da Colômbia ao menos poderá se dar por satisfeita.

Time Base: Bobadilla; Ricardo Calle, Jiménez, Anselmo (Ortiz), Cortés; Restrepo, Juan López (Valencia), Arias, Moreno; Pardo e Valoyes. Técnico: Leonel Álvarez.

A maior surpresa da chave é o Racing, clube de Montevidéu que apesar de possuir 90 anos, nunca conquistou um título uruguaio. Após retornar a elite nacional na temporada 2008-09, a equipe se deu por satisfeita com o 5º lugar na classificação geral que lhe valeu uma vaga na Liguilla (competição classificatória para a Libertadores e a Sul-Americana). Lá os Racinguistas se superaram, obtendo a segunda colocação e uma inédita classificação para o principal torneio interclubes da América do Sul.

Méritos para o inexperiente treinador Juan Verzeri, que conseguiu armar um time jovem e difícil de ser batido, apostando suas fichas no forte poder de marcação da defesa e na velocidade dos contragolpes puxados por seus atacantes. Dessa forma surpreendeu o favorito Atlético Junior na fase preliminar após conquistar um empate em 2x2 na Colômbia e uma heróica vitória por 2x0 diante de pouco mais de cinco mil torcedores no Uruguai. Como o Parque Osvaldo Roberto (campo oficial do clube) não possui a capacidade mínima exigida pela CONMEBOL para abrigar jogos de Libertadores, os Cerveceros serão obrigados a mandar suas partidas no mítico estádio Centenário. Uma adversidade para a sequência da competição, já que a torcida do time não se destaca por sua numerosidade.

Outra dúvida que paira sobre o clube é se o limitado elenco vai resistir à disputa simultânea de duas competições. As primeiras rodadas do atual campeonato nacional revelaram um grupo desgastado e para piorar, o volante Diego Scotti (um dos principais jogadores do Racing e irmão do defensor Andrés, da seleção uruguaia) acabou negociado com o futebol espanhol. Entre os poucos reforços, destaque para o defensor Pallas, que estava no futebol mexicano e deve fortalecer o setor ao lado de bons nomes como Brasesco e Hernández.

O goleirão Contreras também é uma figura importante, mas adora sair jogando com os pés, o que rende constantes emoções a torcida. Pelo meio, Mirabajes é a principal aposta na ligação com o ataque, onde jovens valores como Cauteruccio e Quiñonez (grande destaque da fase preliminar) se revezam com atletas mais experientes, casos de Cuello e Silva. É comendo pelas beiradas, como fez até aqui, que La Academia pretende continuar surpreendendo seus adversários para quem sabe chegar ainda mais longe.

Time Base: Contreras; Brasesco Pallas, Hernández, Tejera; Reyes (Vega), Ostolaza, Flores, Mirabajes; Cauteruccio (Cuello) e Quiñonez (Silva). Técnico: Juan Verzeri.

Grupo 2

Favorito: São Paulo
Quem corre por fora:
Once Caldas e Monterrey
Azarão:
Nacional

A edição desse ano marca a 15ª participação do São Paulo na Libertadores, o que faz do clube paulista o recordista entre os representantes nacionais nesse quesito, assim como no número de títulos conquistados, já que nenhum outro clube brasileiro conseguiu o tricampeonato da América. Mas em sua sétima aparição consecutiva, o Tricolor luta para fugir de uma sina que se estabeleceu nos últimos quatro anos: a eliminação diante de um rival caseiro. Um fardo tão pesado que custou o emprego do tricampeão brasileiro Muricy Ramalho em 2009.

Está aí o maior desafio de Ricardo Gomes, que ganhou credibilidade no ano passado ao comandar uma reação rumo ao tetracampeonato nacional que no final das contas acabou não se concretizando. Situação que o treinador já sabe que não pode se repetir na Libertadores, verdadeira obsessão da turma do Morumbi. Por isso não mediu esforços em poupar seus atletas durante as rodadas iniciais do Paulistão, onde também realizou alguns testes no esquema de jogo.

Não é segredo que o desejo de Gomes era fazer o time jogar no 4-4-2, mas bastaram algumas tentativas para perceber que não seria fácil fugir do 3-5-2 implantado desde os tempos de Cuca. O excesso de opções no meio-campo também é um fator motivante nesse sentido, ainda mais após o abastecimento de reforços. O setor que já contava com Richarlyson, Hernanes e Jorge Wágner ganhou ainda Rodrigo Souto, Léo Lima, Cléber Santana, além de Carlinhos e Marcelinho Paraíba. Com a contratação de Cicinho, que preenche uma velha lacuna na lateral-direita, Jean também volta a brigar por posição em sua função de origem.

Para o ataque, está mantida a dupla Dagoberto e Washington, mas a ausência de reservas do mesmo nível pode ser um problema. Fernandinho (ex-Barueri) ainda se recupera de contusão e por isso a diretoria insiste em um velho sonho: Fernandão, atualmente no Goiás. A maior interrogação está na defesa, que perdeu André Dias e se apóia em Miranda e no ídolo Rogério Ceni (que no ano passado não apresentaram a mesma regularidade de sempre). Aléx Silva foi repatriado, mas está no departamento médico, enquanto caras novas como Xandão e André Luís ainda consistem em grandes interrogações...

Time Base: Rogério Ceni; Aléx Silva, Renato Silva (Xandão), Miranda; Cicinho, Jean (Rodrigo Souto), Richarlyson (Cléber Santana), Hernanes, Jorge Wágner; Dagoberto (Marcelinho Paraíba) e Washington. Técnico: Ricardo Gomes.

Campeão da Libertadores 2004, o Once Caldas regressa ao torneio disposto a fazer bonito mais uma vez. A classificação veio graças ao título do último Apertura colombiano, onde a equipe de Manizales demonstrou grande poder de reação. Classificado na bacia das almas (se garantiu com a 8ª colocação) para a fase final, El Blanco superou as expectativas ao impor-se em seu grupo e derrotar com propriedade o Atlético Junior na final após duas incontestáveis vitórias (com direito a 3x1 na casa do rival). Mas para a atual temporada já não conta com dois jogadores extremamente importantes naquela campanha: o atacante peruano Johan Fano (vice-artilheiro do Apertura 2009 com 13 gols) e o meia Jhon Viáfara (uma das estrelas daquele time que conquistou a Libertadores em 2004). E após uma campanha decepcionante no Finalización, quando o clube acabou na preocupante 16ª colocação, a diretoria resolveu se mexer e saiu em busca de reforços.

Para o banco de reservas chegou Juan Carlos Osorio, reconhecido por ser ex-auxiliar de Kevin Keegan no Manchester City e por ter desenvolvido bons trabalhos no Millionários e também no futebol dos Estados Unidos. Adepto de um futebol ofensivo, com passes longos e jogo vertical, o treinador promete uma equipe bem diferente daquela de 2004, que se caracterizava pelo poderio defensivo. Por isso confia na experiência de atletas mais rodados (casos dos meias Dayron Pérez e Valencia), para liderar um tridente ofensivo formado por jovens talentosos como Hernández, Cárdenas e Uribe.

Entre as contratações, destaque para o retorno de figurinhas carimbadas, como o experiente goleiro Martínez (que estava na Turquia) e o meia Castrillón (repatriado junto ao futebol chinês). O atacante Dayro Moreno, que não fez muito sucesso em suas passagens por Atlético Paranaense e Steaua Bucareste da Romênia, também é um velho conhecido da torcida. A defesa não foi esquecida e ganhou as aquisições de Vizcarrondo (da seleção venezuelana) e o lateral-esquerdo Vélez. Outra força do clube está no fator campo: em 17 partidas disputadas pela Libertadores na altitude do estádio Palogrande, o Once venceu 11 e empatou seis. Um retrospecto que o faz sonhar com (mais) uma boa campanha na competição.

Time Base: Martínez (Landázuri); Nuñez, Henríquez, Vizcarrondo, Vélez; Castrillón, Dayron Pérez (Cárdenas), Valencia, Hernández; Uribe e Dayro Moreno (Tagliabúe). Técnico: Juan Carlos Osorio.

Na última temporada, o Monterrey faturou o terceiro nacional de sua história ao conquistar o Apertura mexicano, resultado que lhe garantiu participação na Liga dos Campeões da CONCACAF 2010/11. Porém, antes de encarar esse desafio, os Rayados têm a chance de disputar sua segunda Libertadores, tentando apagar a má impressão deixada em 1999, quando foram eliminados ainda na fase de grupos. A vaga desse ano veio com o triunfo sobre o América na InterLiga, um torneio classificatório para a Libertadores disputado pelo clubes mexicanos nos Estados Unidos.

Uma oportunidade de ouro para o técnico Víctor Manuel Vucetich preparar sua equipe para a disputa continental que se inicia no próximo semestre, verdadeira ambição de La Pandilla. Tanto que o treinador deve priorizar a disputa nacional ao invés do torneio sul-americano. Mesmo assim, o clube tem totais condições de incomodar seus adversários e brigar por uma das vagas a próxima fase.

O estádio Tecnológico se destaca por ser um dos maiores caldeirões do México e o Monterrey costuma impor-se jogando diante de sua torcida. Além disso, o esquema de Vucetich privilegia um time bem armado na defesa, que tem no contra-ataque sua principal característica. E apesar de ter perdido seu principal jogador (o chileno Humberto Suazo) para o Zaragoza, o elenco da equipe ainda é apontado pela imprensa local como um dos melhores do país. Na defesa, o goleiro Orozco e o zagueiro Davino (que possui mais de 80 convocações para a seleção mexicana) são as maiores estrelas e estiveram entre os melhores de suas respectivas posições no último campeonato nacional. Outro defensor importante é o argentino José Basanta, revelado pelo Estudiantes.

Pelo meio, a rodagem de Galindo, Luis Pérez, Arellano e o equatoriano Ayoví contrasta com o potencial de jovens valores, como o paraguaio Martínez e o argentino Neri Cardozo (revelado pelo Boca Juniors e contratado junto ao Jaguares de Chiapas), formando o setor mais forte da equipe. Na frente, a responsabilidade recai sobre Aldo De Nigris, irmão do atacante Antonio De Nigris (que passou pelo Santos e faleceu precocemente no ano passado). O brasileiro Val Baiano também foi contratado, mas precisará superar nomes como Sergio Santana e Careño se quiser jogar com regularidade.

Time Base: Orozco; Sergio Pérez, Davino, Basanta, Paredes; Luis Pérez, Galindo (Martínez), Ayoví, Cardozo; Sergio Santana (Carreño) e De Nigris. Técnico: Víctor Manuel Vucetich.

Assim como Portuguesa e América no Brasil, o Nacional é uma espécie de segundo clube de todos os torcedores paraguaios. Não por acaso ganhou o simpático apelido de “Nacional Querido", que ilustra bem o carisma de um time que só retornou a elite local em 2004 (após um período de cinco temporadas na segundona) para encerrar um jejum de 63 anos com a conquista do último torneio Clausura.

Um dos grandes responsáveis por esse feito foi o treinador Ever Hugo Almeida, uruguaio naturalizado paraguaio que possui larga rodagem em Libertadores, já que é o recordista de partidas disputadas (113) ainda em seus bons tempos de arqueiro. A experiência do técnico será importante para que o time não cometa os mesmos erros de suas recentes participações, como em 2006 (quando acabou eliminado ainda na fase preliminar) ou no ano passado (onde até teve lampejos, como a goleada de 4x2 sobre o River Plate, mas acabou na lanterna de sua chave). Assim como ocorreu nessas edições, o Nacional será obrigado a mandar seus jogos no Defensores del Chaco, já que seu estádio não possui a capacidade mínima exigida pela CONMEBOL.

Além disso, Almeida não poderá contar com alguns titulares da conquista do 7º título paraguaio na história do clube, como o goleiro Ignacio Don. Para seu lugar foram contratados o experiente Ever Caballero, além do jovem argentino Germán Caffa. A defesa, que também perdeu o veterano Cañiza (negociado com o futebol mexicano), é o calcanhar de Aquiles do clube tricolor e por isso requer atenção especial, sendo composta normalmente por três zagueiros. Por outro lado, o meio-campo continua sendo um dos destaques de La Academia, contando com apoiadores que costumam sair para o jogo, como Melgarejo e Riveros.

As contratações dos volantes Mazzacotte e Celso González, além dos meias Irala e Morinigo (campeão da Libertadores com o Olímpia em 2002), fortalecem ainda mais o setor. Na frente, as apostas são nos típicos “homens de área”, como nos casos de Guilhermo Beltrán e o recém-chegado Fabián Caballero, o que reforça a necessidade de atenção dos adversários nas jogadas pelo alto.

Time Base: Ever Caballero (Caffa); Piris, Miranda, Miers; Riveros, Mazacotte, Celso González (Aldo Paniagua), Irala, Melgarejo; Beltrán e Fabián Caballero. Técnico: Víctor Manuel Vucetich.

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Guia da Libertadores 2010 (Parte 2):  (Futebol Internacional) escrito em segunda 01 março 2010 08:54

Grupo 3

Favorito: Estudiantes
Quem corre por fora:
Alianza e Bolívar
Azarão:
Juan Aurich

Uma das grandes metas de Verón era repetir a trajetória de seu pai, que enquanto jogador fez parte do histórico time do Estudiantes que a partir de 1968 conquistou por três vezes consecutivas a América (chegando ainda a final de 71). Feito alcançado de maneira heróica no ano passado, quando os Pincharratas se superaram diante do Cruzeiro em pleno Mineirão, faturando o tetracampeonato da Libertadores em sua 10ª participação no torneio. Capitão e líder do time, La Brujita foi fundamental durante aquela campanha, que culminou com o vice-campeonato mundial no final de 2009, quando os argentinos endureceram diante do poderoso Barcelona de Messi e companhia.

E mesmo sem algumas peças importantes da vitoriosa campanha do ano passado (casos do goleiro Andújar, do zagueiro Schiavi, além do veterano atacante Calderón), o rótulo de atual campeão somado as ausências de conterrâneos de peso fazem novamente do Estudiantes um dos grandes postulantes ao título mais cobiçado da América.

A maior parte da base comandada por Alejandro Sabella foi mantida, começando pela defesa, onde Cellay e Desábato permanecem no miolo de zaga. Nas laterais, Angeleri retorna pela direita após um longo período recuperando-se de contusão, enquanto o perigoso Clemente Rodríguez (que voltou a ser convocado para seleção por Maradona) é um considerável reforço pela esquerda. Outra contratação importante foi a do goleiro Orión (ex-San Lorenzo), que chega para acabar com a insegurança que rondou a meta do time durante o Mundial Interclubes, quando Albil foi promovido a titular.

No meio, permanecem além de Verón, nomes importantes como os incansáveis Braña, Enzo Pérez e Benítez. Sem falar nos repatriados Carrusca e Sosa, contratados ainda em 2009 e que devidamente readaptados consistem em excelentes reforços. Assim como o atacante Gastón Fernández, que trava verdadeira batalha com o Tigres do México para retornar ao seu ex-clube. Na frente, a expectativa de gols fica por conta da estrela Mauro Boselli, cada vez mais assediado pelo futebol europeu. Resta saber se a fórmula que prosperou no ano passado vai repetir a liga em 2010...

Time Base: Orión; Angeleri, Desábato, Cellay, Clemente Rodriguez; Braña (Carrusca), Enzo Pérez, Verón, Benítez; Sosa e Boselli. Técnico: Alejandro Sabella.

Veterano na disputa da Copa Libertadores (essa será a 20ª participação do clube), o Alianza luta contra uma sina que persiste nos últimos seis anos: a eliminação precoce ainda na 1ª fase. Único grande de seu país que nunca chegou à final do torneio (seu melhor desempenho foram as semifinais de 76 e 78), os Blanquiazules já ficariam satisfeitos com uma vaguinha nas oitavas-de-final, o que não ocorre desde 1998.

Mas para isso será preciso superar algumas adversidades. As saídas de Corzo e Contreras, somadas a contusão do uruguaio Fleitas, fragilizam ainda mais a defesa da equipe, que por outro lado foi buscar Prado, Walter Vílchez e o paraguaio Héctor Sosa para recompor o setor. Ao lado do goleiro Forsyth, eles devem ser as grandes referências defensivas, assim como os volantes Jayo e Ciurlizza (ex-Botafogo), que durante muitos anos foram presença constante na seleção peruana.

Na ligação com o ataque, atenção para o colombiano Montaño, que jogou vários anos no futebol italiano e costuma municiar os atacantes com passes precisos. Outro jogador talentoso é Henry Quinteros, que deve jogar um pouco mais adiantado devido aos problemas com o argentino Velásquez e o paraguaio Ovelar no setor ofensivo. Enquanto o primeiro ainda sofre com uma contusão na coxa direita, o segundo luta para se recuperar da Dengue que contraiu no início dessa temporada.

Situação que reforça a importância do centrovante Wilmer Aguirre no esquema do técnico argentino Gustavo Costas. Bicampeão peruano em sua primeira passagem pelo Alianza (2003 e 2004), o treinador levou o time ao vice-campeonato do Descentralizado na última temporada, quando acabou derrotado na final pelo Universitário. A meta agora é aproveitar o nivelamento dos demais concorrentes (com exceção do Estudiantes) para superar os recentes fracassos no torneio sul-americano.

Time Base: Forsyth; Prado, Solís, Walter Vílchez (Héctor Sosa), Villamarín; Jayo, Ciurlizza, Montaño, Quinteros (González); Sánchez (Ovelar) e Aguirre (Velázquez). Técnico: Gustavo Costas.

A crise vivenciada pelo futebol boliviano nos últimos anos ficou evidenciada com greve dos atletas profissionais na última partida da seleção nacional contra o Brasil, válida pelas eliminatórias da Copa de 2010. Não por acaso os clubes locais andam em baixa no futebol sul-americano, sem conseguir superar a fase de grupos da Libertadores desde 2001 (sendo que 18 das 22 participações nesse período resultaram em lanterna da chave).

A esperança de uma reviravolta nessa situação está depositada no Bolívar, clube mais popular e tradicional do país, que garantiu sua vaga graças ao título do Apertura 2009. Após o triunfo, o treinador Gustavo Quinteros (ex-defensor que esteve com a Bolívia no mundial de 1994) acabou se desentendendo com a diretoria e deixou o comando da equipe, sendo substituído por Santiago Escobar (que por sua vez é irmão do zagueiro Andreas Escobar, assassinado após o fracasso colombiano na Copa dos Estados Unidos).

A transição no comando técnico (que também alterou o esquema 4-4-2 para o 3-5-2) não impediu que Los Celestes mantivessem a regularidade, terminando na vice-colocação do Clausura e também do Play-Off na sequência do ano. Na pré-temporada, La Academia Paceña continuou prosperando ao faturar o bicampeonato da Copa Aerosur, mesmo após a saída de jogadores importantes, como os defensores Miguel Hoyos e Alejandro Schiapparelli. A base está apoiada em atletas que figuram constantemente nas convocações da Bolívia, como o goleiro Arias, os defensores Parada e Rivero, os alas Limbert Méndez e Didi Torrico, além dos meias Aléx da Rosa (brasileiro naturalizado boliviano) e os xarás Abdón e Leonel Reyes.

Alguns estrangeiros também incrementam o elenco, como os uruguaios Ithurralde (que surgiu como promessa em seu país) e William Ferreira (referência na frente) ou os brasileiros Charles da Silva (meia) e Anderson Gonzaga (atacante com passagem pelo futebol grego). O português André Martins, recém-chegado do Caracas, se junta a essa trupe. Se fizer valer a força de sua camisa e também da altitude de La Paz, quem sabe o Bolívar possa recuperar um pouco do prestígio que o futebol de seu país vem perdendo ao longo dos últimos anos...

Time Base: Arias; Rivero, Ithurralde (Luis Torrico), Parada; Limbert Méndez (Flores), Abdón Reyes, Leonel Reyes, Aléx da Rosa (Charles da Silva), Didi Torrico; Rios (Anderson Gonzaga) e William Ferreira. Técnico: Santiago Escobar.

Depois de realizar a melhor campanha na primeira fase do último nacional, o Juan Aurich acabou sucumbindo diante do Alianza na Liguilla A (um dos octogonais que define os finalistas do Campeonato Peruano), terminando em 3º na classificação geral. A regularidade inicial valeu uma vaga na fase preliminar da Libertadores, o que também representou o retorno do Ciclón del Norte ao torneio sul-americano após 41 anos de ausência. Na sequência, a equipe comandada pelo colombiano Luis Fernando Suárez (o mesmo que levou o Equador as oitavas da última Copa) continuou surpreendendo e eliminou com propriedade o favorito Tecos (com direito a uma vitória por 2x1 na casa do adversário).

A meta agora é vingar-se do algoz e conterrâneo Alianza, além de se impor diante do Bolívar, para tentar garantir uma inédita classificação à próxima fase. Uma das armas do time será o fator campo, mas não pela pressão de sua pequena torcida e sim pelo gramado artificial do estádio Elías Aguirre, onde o Juan Aurich está acostumado a jogar.

O esquema do time se apóia na defesa, apostando sempre na capacidade dos contra-ataques armados por uma linha de frente extremamente rápida. No sistema defensivo, destaque para os recém-contratados Jorge Araujo e Diego Morales (goleiro que estava no Argentinos Juniors), além do remanescente e capitão Jesús Álvarez. Como o treinador gosta de armar o time em um 4-5-1, a movimentação dos homens de meio é fundamental na versatilidade do esquema. Nesse sentido, a grande estrela é o jovem Reimond Manco, emprestado pelo PSV da Holanda e que assim como o colombiano Ciciliano, chega para suprir a saída de Mayer Candelo, vice-artilheiro da equipe na última temporada.

Outra baixa considerável foi o matador Sergio Ibarra, maior goleador da história do campeonato peruano. Mas abastecido pelo dinheiro do presidente Edwin Oviedo, o Juan Aurich não encontrou dificuldades para contratar o panamenho Tejada e o perigoso Zuñiga (que se destacou na última temporada atuando pelo Melgar). Ao lado do rodado Ascoy, eles esperam garantir os gols que El Manchester del Norte precisa para continuar surpreendendo nessa competição.

Time Base: Morales; Guizasola, Jorge Araújo, Álvarez, Rivas (Vásquez); Espejo, La Rosa, Manco, Ascoy, Zuñiga; Tejada. Técnico: Luis Fernando Suárez.

Grupo 4

Favorito: Lanús
Quem corre por fora:
Libertad e Universitario
Azarão:
Blooming

Apesar de possuir a Copa CONMEBOL de 1996 no currículo, foi só a partir da conquista do Apertura 2007 que o Lanús passou a consolidar seu nome no cenário argentino. Tido como um clube mediano em seu país, desde então El Granate passou a figurar entre os protagonistas do torneio, tanto que carimbou seu passaporte para Libertadores 2010 graças à pontuação obtida no somatório dos torneios Clausura e Apertura da última temporada. A fórmula é simples: apostar na prata-da-casa. Para orgulho dos torcedores, mais da metade do time titular foi formado no próprio Lanús, o que acarreta em grande identificação com os atletas. Porém, se em âmbitos locais essa receita vem prosperando, não se pode dizer o mesmo em termos continentais.

Essa será a terceira participação (de forma consecutiva) dos argentinos na Libertadores, mas os desempenhos anteriores não foram grande coisa. Em 2008, ano de sua estréia, o clube se classificou para oitavas, mas acabou eliminado pelo mexicano Atlas. No ano passado a campanha foi ainda mais frustrante: sem obter sequer uma vitória, a equipe ficou na lanterna de uma chave que ainda contava com Caracas, Chivas Guadalajara e Everton.

A expectativa do jovem técnico Luis Zubeldía é que os erros cometidos nesse período (como o baixo aproveitamento dos pontos disputados dentro de casa) não se repitam na atual temporada. Ex-volante do próprio Lanús entre 98 e 2004, o treinador passou pelas seleções de base da Argentina e teve sua promissora carreira interrompida devido a uma lesão no joelho. Aos 29 anos é o técnico mais jovem entre os clubes da 1ª divisão de seu país. Zubeldía aposta na coluna vertebral formada por alguns remanescentes do histórico título de 2007, como o zagueiro Hoyos e o lateral-esquerdo Velásquez, mas principalmente o trio de meio-campo formado pelos volantes Pelletieri e Fritzler, além do cerebral Sebastián Blanco, responsável pela ligação com o ataque.

As saídas de Valeri, Salvio e Sand enfraqueceram consideravelmente a linha de frente, onde devem figurar o paraguaio Salcedo, além dos jovens Lagos e Castillejos (comprado do Rosário Central por 2 milhões de dólares). No gol, a saída do ícone Bossio também deixou a posição em aberto: o promissor, porém irregular Marchesín disputa a posição com Caranta, campeão da Libertadores 2007 com o Boca Juniors.

Time Base: Caranta (Marchesín); Grana, Hoyos, Jádson Vieira, Velásquez; Fritzler, Pelletieri, Ledesma, Blanco; Salcedo e Lagos (Castillejos). Técnico: Luis Zubeldía.

Nos últimos anos, o Libertad deixou os tradicionais Olímpia e Cerro Porteño para trás e se firmou como principal representante paraguaio na Libertadores. Prova disso é que desde 2003 o clube esteve presente em todas as edições do torneio, emplacando boas campanhas (como em 2006, quando chegou às semifinais). Porém, dessa vez os Gumarelos chegam sem tanta credibilidade, após um desempenho abaixo das expectativas na última temporada, onde foram eliminados pelo Estudiantes nas oitavas da Libertadores e acumularam dois vice-campeonatos no Apertura e Clausura local.

Os torcedores ficaram ainda mais ressabiados com a postura da diretoria, que sem muito dinheiro em caixa resolveu apostar na manutenção da base, economizando na aquisição de reforços. Entre as baixas, destaca-se o experiente arqueiro uruguaio Bava, que rumou para o Rosário Central e será substituído por Medina. Apoiado em um 3-5-2, Los Repolleros tem como principal referência defensiva o veterano Pedro Sarabia, que aos 34 anos de idade conta com duas Copas do Mundo (98 e 2002) pela seleção paraguaia na bagagem. No meio, Víctor Cáceres é presença certa no time que vai ao próximo mundial, já que vem sendo constantemente convocado para La Albirroja. Além dele, destaque para o experiente Sergio Aquino e o jovem ala esquerdo Miguel Samudio.

A única contratação para atual temporada foi a de Jorge Moreira junto ao 2 de Mayo, enquanto outros dois atletas retornaram ao clube depois de empréstimos bem sucedidos, casos do meia-atacante Roberto Gamarra (que se destacou no futebol colombiano jogando pelo Cúcuta), além do jovem Pablo Velázquez, destaque na surpreendente campanha do Rúbio Ñu em 2009 e que chegou a ser cogitado no Palmeiras esse ano. Uma dupla que se mostrou essencial na suada classificação diante do Deportivo Táchira, válida pela fase preliminar.

Após uma derrota na Venezuela, o Libertad ainda saiu atrás no jogo do Defensores Del Chaco, mas conseguiu uma virada heróica por 3x1 graças a atuação inspirada de seus atacantes. Agora, a expectativa do treinador argentino Javier Torrente é que a equipe continue se superando para buscar a classificação a próxima fase em uma das chaves mais fracas dessa Libertadores. Resultado que deixaria Nicolás Leóz, presidente da CONMEBOL e torcedor mais ilustredo clube, muito satisfeito.

Time Base: Medina; Benegas, Caballero (Román), Sarabia; Victor Ayala (Cristaldo), Robles, Victor Cáceres, Aquino, Samudio; Gamarra e Velázquez. Técnico: Luis Zubeldía.

Na última temporada, o Universitario (clube com maior número de adeptos em seu país) faturou mais um título peruano ao bater o Alianza, consolidando a diferença em relação ao rival no número de títulos conquistados (atualmente em 25 a 22). A campanha foi incontestável e além de derrotar o adversário nas duas partidas da decisão, La U obteve cinco pontos de vantagem na classificação geral. Com a vaga garantida para a disputa da 26ª Libertadores de sua história, o clube (que em 1972 chegou ao vice-campeonato) completará o expressivo número de 200 partidas na atual edição e espera que essa tradição possa pesar a seu favor na busca por uma vaga a próxima fase.

Mas a saída do ídolo Nolberto Solano, figurinha carimbada na seleção peruana e autor do gol que garantiu o nacional do ano passado, vem de encontro a essa perspectiva. Ainda mais porque o jogador rumou para o Leicester, que disputa a segundona inglesa, devido a uma proposta financeira mais atraente. Outra baixa foi o atacante Ronaille Calheira, que apesar do nome é nascido no Brasil, onde defendeu o Colo-Colo da Bahia.

A postura da diretoria merengue também arrastou a renovação dos contratos de Rainer Torres e do mexicano Rodolfo Espinoza, essenciais ao funcionamento do meio-campo,assim como dificultou a chegada de reforços. Entre as caras novas, quatro jogadores participaram da péssima campanha do Coronel Bolognesi no ano passado (com destaque para o meia Luis Ramirez, que já se firmou entre os titulares), enquanto o uruguaio Víctor Píriz Alves ainda precisa se recuperar de uma lesão no joelho.

Comandados pelo ex-defensor Juan Reynoso, Los Cremas confiam no potencial do goleiro Fernández, que por sua vez é protegido por uma dupla de zaga gabaritada, formada por Galliquio (que está em sua terceira passagem pelo clube) e o argentino Galván (velho conhecido dos torcedores de Santos e Atlético Mineiro). No ataque, atenção para Labarthe (artilheiro do time no último peruano) e seu companheiro, o garçom Piero Alva. Após ficar de fora das oitavas na última Libertadores devido aos critérios de desempate (o San Luís levou vantagem no saldo de gols), o Universitario espera melhor sorte para emplacar uma classificação na atual temporada.

Time Base: Fernández; Revoredo, Galliquio, Galván, Rabanal; Torres, Gonzalez (Carmona), Espinoza, Ramírez; Alva e Labarthe. Técnico: Juan Reynoso.

Após a conquista da 2ª divisão boliviana (em 1996), o Blooming demonstrou grande força em seu retorno à elite, faturando desde então quatro dos cinco títulos nacionais que possui em suas fileiras. O último deles na temporada passada, quando fez campanha discreta no Apertura (terminando na 9ª colocação), mas superou-se no Clausura (derrotando na final o então campeão Bolívar). Resultado que qualificou Los Pascaneros del Casco Viejo para a disputa de sua sétima Libertadores, após onze anos de ausência na fase de grupos.

Em sua última participação (2007), a equipe não conseguiu superar sequer a fase preliminar, sendo massacrado pelo Santos com direito a uma goleada de 5x0 sofrida na Vila Belmiro. Mesmo assim os torcedores do time não se cansam de bater no peito para lembrar que o Blooming foi o primeiro clube do país a chegar à semifinal do torneio continental, mesmo que isso tenha acontecido no longínquo ano de 1985.

Para a edição desse ano, o treinador argentino Víctor Hugo Andrada (ex-jogador com passagem por diversos times bolivianos) precisará superar a saída de seu conterrâneo Hernán Boyero, artilheiro da equipe na última temporada e que acertou com o Millionarios da Colômbia. Além dele, deixaram o clube dois jovens valores: o lateral-esquerdo Verduguez e o meia Carlos Sabja. Outra baixa será o zagueirão Jáuregui, que ainda cumpre suspensão de um ano após agredir covardemente Leonardo Medina do Oriente Petrolero em uma partida do ano passado. 

Mas também chegaram reforços interessantes, como o defensor Imperiale, o meia Villalba e os atacantes Sillero e Castillo (que recentemente teve uma passagem apagada pelo Atlético Mineiro), todos em condições de assumir uma vaga no time titular. O restante do elenco é composto por velhos conhecidos, como o ala Lorgio Álvarez e os meio-campistas Alejandro Gómez e Jaime Robles, presentes na seleção local em algumas partidas das últimas eliminatórias. Dois brasileiros ainda complementam o grupo: o defensor Fabrício Brandão e o meia-atacante Luis Carlos Vieira. O Blooming só não poderá contar com a temida altitude, já que Santa Cruz de La Sierra está apenas 439 metros acima do nível do mar. Um desfalque considerável para qualquer equipe boliviana!

Time Base: Jemio; Zabala (González), Imperiale, Fabrício Brandão, Álvarez (Sánchez); Robles, Chávez (Villalba), Gómez, Luis Carlos Vieira (Farías); Suárez (Akerman) e Castillo (Sillero). Técnico: Victor Hugo Andrada.

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Guia da Libertadores 2010 (Parte 3):  (Futebol Internacional) escrito em segunda 01 março 2010 08:28

Grupo 5

Favorito: Internacional
Quem corre por fora:
Deportivo Quito e Emelec
Azarão:
Cerro

Em 2007, a última vez em que esteve na Libertadores, o Internacional iniciou a competição ostentando não apenas o rótulo de campeão continental, como também o título mundial conquistado diante do Barcelona de Messi e até então Ronaldinho Gaúcho. Porém, o Colorado acabou se complicando, caindo de maneira precoce ainda na fase de grupos. De volta à principal competição da América do Sul, a diretoria do Inter resolveu não arriscar e investiu na contratação do uruguaio Jorge Fossati, que na última temporada prosperou no comando da LDU, onde conquistou a Recopa (curiosamente, em cima do Colorado) e a Sul-Americana.

Embora os atletas ainda precisem se adaptar ao novo sistema de jogo de Fossati (que prefere trabalhar em um 3-6-1), não devem faltar opções para o treinador escalar a equipe. Além de manter a base do ano passado, a diretoria também foi buscar alternativas para o elenco, como o volante Wilson Matías (que estava no futebol mexicano) e o atacante Thiago Humberto (ex-Barueri). A inconstância do goleiro Lauro também resultou na contratação do tarimbado “Pato” Abbondanzieri (ex-jogador do Boca Juniors e seleção argentina), que chega para assumir a meta.

Na defesa, Bolívar, Índio e Fabiano Eller, remanescentes da histórica conquista de 2006, formam um trio de zaga firme e seguro, que ainda conta com o uruguaio Sorondo como opção. A velha lacuna na lateral-direita foi preenchida com a aquisição de Bruno Silva (outro conterrâneo de Fossati) e Nei, que conquistou rapidamente a confiança do treinador. Na esquerda, Kléber voltou a jogar em alto nível e Eltinho chegou para ocupar a reserva. Pelo meio, os incansáveis volantes Sandro e Guiñazú permanecem, apesar das respectivas investidas de Tottenham e São Paulo. D’Alessandro também foi cogitado no River Plate, mas permanece no time, embora precise se recuperar de uma fissura no malar sofrida em uma partida contra o Juventude.

Mesmo assim, ainda restam certezas como Andrezinho e Edu ou os promissores Taison e Giuliano. No ataque, o titular Alecsandro ganhou a forte concorrência de Kléber Pereira e nessa briga pela camisa 9 quem ganha é o Colorado. Com um time de alma “castellana”, a torcida só espera não ficar no quase, como foi na Copa do Brasil e no Brasileirão do ano passado, quando os gaúchos terminaram na 2ª colocação.

Time Base: Abbondanzieri; Bolívar, Fabiano Eller, Índio; Nei (Bruno Silva), Guiñazú, Sandro, Giuliano (Taison), D’Alessandro, Kléber; Alecsandro (Kléber Pereira). Técnico: Jorge Fossati.

O sucesso internacional que a LDU vem obtendo nos últimos anos contrasta com o domínio imposto pelo arquiinimigo Deportivo Quito em âmbitos locais. Atual bicampeão equatoriano, o clube Azulgrana agora sonha repetir os passos do rival, como já deixou claro o técnico argentino Rubén Dario Insúa (vice-campeão da Libertadores 2008 com o Barcelona). Na última temporada, a equipe (que voltava ao torneio após 11 anos de ausência) acabou sucumbindo ainda na fase de grupos, quando encarou Cruzeiro e Estudiantes, que posteriormente chegariam à decisão. O foco em 2010 é chegar ao menos as oitavas, feito alcançado em uma única oportunidade (1989). Um objetivo plausível diante da falta de tradição do Cerro, além de um velho conhecido (o conterrâneo Emelec).

As maiores armas de La Academia nesse desafio são seus atacantes. Após as saídas de Mandra e do colombiano Preciado, ainda em meio ao ano passado, os argentinos Niell, Pirchio e Borghello se firmaram como principais referências ofensivas. Pelo meio, o jovem Arroyo gosta de partir para cima dos rivais na base da velocidade, enquanto o chileno Donoso costuma cadenciar mais o jogo. Já Edwin Tenório e Saritama (que estiveram com o Equador no na última Copa) são os dois “motores” do setor, ditando sempre o ritmo da equipe.

A maior fragilidade está na defesa, apontada pela imprensa do país como “calcanhar de Aquiles” dos Chullas. Por isso, a renovação de contrato do rodado zagueiro Iván Hurtado foi muito comemorada pela torcida. Detentor do recorde de convocações para a seleção nacional, ele tem a missão de comandar o setor ao lado do guarda-metas Ibarra (outro ícone do clube), até porque a inconsistência de seus companheiros gera um constante revezamento nas demais posições.

Time Base: Ibarra; Esterilla (Minda), Iván Hurtado, Caicedo (Checa), Ángel Escobar (Aguirre); Edwin Tenório, Saritama, Arroyo, Donoso; Niell (Pirchio) e Borghello. Técnico: Rubén Dario Insúa.

No último campeonato equatoriano, o Emelec até começou de forma empolgante, realizando a melhor campanha da 1ª fase, mas na sequência da competição perdeu forças, prolongando um jejum que perdura desde 2002. Credenciado para disputa do 3º lugar, que também valia um lugar na fase preliminar da Libertadores 2010, El Bombillo teve de enfrentar a favorita LDU, que vinha de grandes resultados em nível internacional. Dentro de campo, porém, prevaleceu a superação do time de Guayaquil, que contrariando todos os prognósticos venceu ambos os confrontos por 1x0 e assegurou sua 19ª classificação para o torneio continental. Mesmo assim a diretoria não ficou satisfeita e na virada do ano resolveu fazer algumas mudanças, a principal delas na comissão técnica. Desgastado, o argentino Gabriel Perrone cedeu lugar ao seu conterrâneo Jorge Luis Sampaoli, conhecido por uma filosofia de trabalho que privilegia o futebol ofensivo.

Junto com ele, desembarcaram diversos reforços, vindos principalmente para composição do ataque, carente desde a saída de Escalada (que só não deixou saudades em sua passagem pelo Botafogo). Destaque para os meias Pedro Quiñonez (jovem promissor que estava no futebol mexicano) e Giménez (paraguaio, ex- Universidad de Concepción), além dos atacantes Jaime Ayoví (que retorna de empréstimo) e Biglieri (vindo do Lanús).

Entre os remanescentes, chamam a atenção nomes como David Quiroz (artilheiro do time no nacional do ano passado) e o polivalente Joao Rojas, que transita pelos lados do campo como um autêntico winger, chegando à frente com facilidade (o que também altera o esquema de um 3-5-2 para um 3-3-1-3 dependendo da necessidade). Mas quem realmente fez diferença na heróica classificação diante do Newell's Old Boys foi a defesa (onde se destaca o zagueirão uruguaio Fleitas, com larga experiência no futebol do Equador), essencial no empate sem gols conquistado em pleno estádio Marcelo Bielsa, na Argentina.

No duelo de volta, Los Electricos fizeram valer o fator casa (ampliado pela altitude), mas nem por isso a atuação do goleiro Elizaga deixou de ser fundamental. Com defesas precisas ele ajudou sua equipe a superar não só a Pré-Libertadores, como também o descrédito geral. O desafio agora é brigar por uma das vagas na fase de grupos e o Emelec espera continuar surpreendendo para prosperar.

Time Base: Elizaga; Achilier (Zambrano), Fleitas, Mariano Mina; Carlos Quiñonez, Pérez (Valencia), Joao Rojas, Quiróz, Pedro Quiñonez; Peirone (Giménez) e Biglieri. Técnico: Jorge Luis Sampaoli.

Um dos grandes azarões dessa Libertadores é o Cerro, pequeno clube de Montevidéu que nunca conquistou sequer um título uruguaio. Na verdade, até 1997, o maior orgulho da equipe era nunca ter caído para 2ª divisão, escrita interrompida após a perca de pontos (motivada por incidentes causados pela pequena, mas fanática torcida) naquela temporada. A aventura na segundona foi passageira e no ano seguinte os Villeiros garantiram seu retorno à elite. Porém, na temporada 2005-06 a tragédia voltou a se repetir e o Cerro mais uma vez precisou se reconstruir para retornar a 1ª divisão.

Após uma campanha discreta no Apertura do ano passado, quando fizeram uma campanha mediana e terminaram na 7ª colocação, os Cerrenses se recuperaram, obtendo uma vaga na Liguilla graças ao 3º lugar do Clausura (e na classificação geral). Na disputa do torneio classificatório para a Libertadores, o Cerro mostrou força e terminou na liderança, obtendo a vaga direta para a competição continental pela segunda vez em sua história.

Curiosamente, a estréia em 95 também só foi possível graças ao bom desempenho na Liguilla, mas naquela edição os uruguaios terminaram na lanterna de uma chave que ainda contava com os gigantes argentinos River Plate e Independiente, além do Peñarol. A participação rendeu ao menos algumas ampliações na estrutura do Luis Tróccoli, destacado pelos dirigentes locais como primeiro estádio particular utilizado na Libertadores por um clube do país. Contudo, o campo está interditado e não poderá abrigar a equipe esse ano.

Em busca de uma participação mais honrosa em 2010, o time foi buscar reforços para fortalecer um elenco limitado, que perdeu grande parte de seu diferencial com a saída do matador Boghossian (atualmente no Newell's Old Boys). O técnico Pablo Repetto trouxe consigo um pacotão de reforços, que incluiu nomes como Suárez, Alvaro Mello (velho conhecido da torcida), Walter Ibáñez, Amarilla e Rodrigo Mora. Eles se juntam aos defensores Leites e Pablo Melo (ambos ex-Nacional), além dos meias Pellejero e Dadomo na composição da espinha-dorsal que dá sustentação ao esquema. Pouco para quem sonha com a classificação, mas o suficiente para fazer do Cerro o “fiel da balança” nessa chave.

Time Base: Frascarelli; Asconeguy, Carreño (Ibañez), Pablo Melo, Leites; Suárez, Caballero (Alvaro Mello), Pellejero, Dadomo; Lombardi e Rodrigo Mora (Alves). Técnico: Pablo Repetto.

Grupo 6

Favorito: Nacional
Quem corre por fora:
Banfield e Morelia
Azarão:
Deportivo Cuenca

Tradicional equipe do futebol uruguaio, o Nacional voltou a figurar como protagonista na Libertadores do ano passado, quando eliminou o Palmeiras e só caiu nas semifinais diante do futuro campeão Estudiantes. A força do conjunto então comandado por Gerardo Pelusso também se refletiu no Campeonato Uruguaio, onde os Tricolores levaram a melhor sobre o Defensor e acumularam o 42º título de suas fileiras. Garantido em mais uma edição da competição sul-americana, os Bolsos vão ter a chance de ampliar ainda mais seu número de partidas pelo torneio continental, atualmente em 311 (o recorde da Libertadores).

Mas se quiser manter o mesmo nível da última temporada, o Nacional precisará mostrar que já superou algumas saídas importantes, como o versátil Matías Rodríguez (que rumou com Pelusso para o Universidad de Chile), Arismendi (negociado com o futebol inglês ainda no ano passado) e principalmente Nicolás Lodeiro (maior revelação do futebol uruguaio, que foi para o Ajax). Além deles, suplentes como Filgueira e Florentín também não fazem mais parte do elenco.

A missão de reorganizar esse conjunto cabe ao ex-defensor Eduardo Acevedo (presente com a Celeste no mundial de 1986), que deve apostar na rodagem de alguns atletas para manter a competitividade do time em alta. O nome mais conhecido do sistema defensivo é o de Lembo (que esteve com o Uruguai na Copa de 2002), embora o arqueiro Muñoz e o zagueiro Coates sejam bons coadjuvantes. Pelo meio, figuram dois Morales essenciais ao esquema: enquanto o capitão Oscar é responsável pela contenção, Ángel é quem dita o ritmo, distribuindo o jogo.

O volante Guigou é outro titular que esteve com a seleção uruguaia em sua última participação em mundiais, assim como a dupla de ataque formada por Varela e Regueiro. Porém, falta uma referência na área, como “El Loco” Abreu, que foi sondado durante a pré-temporada, mas acabou no Botafogo. Sem um centroavante clássico para decidir as partidas, o jeito é contar com a fanática torcida nos jogos do Parque Central, um dos caldeirões mais temidos do país.

Time Base: Muñoz; González, Lembo, Coates, Goñi; Oscar Morales, Ferro, Ángel Morales, Mauricio Pereyra; Varela e Regueiro. Técnico: Eduardo Acevedo.

Em 2009, o Banfield interrompeu um jejum de 113 anos e se tornou o mais novo membro na galeria de campeões argentinos. Apostando em um esquema solidário que valoriza o jogo coletivo, o treinador Julio César Falcioni (ex-goleiro que jogava no América de Cali no “tri-vice” da Libertadores entre 85 e 87) conseguiu dar personalidade ao clube alviverde, que se destaca pelo padrão de jogo definido (tanto dentro quanto fora de casa) e o excelente aproveitamento nas bola paradas. Dessa forma, levou El Taladro à inédita (e dramática) conquista do Apertura, que só foi possível graças a derrota do concorrente Newell´s Old Boys para o San Lorenzo na última rodada.

Passada a ressaca do título nacional, o pequeno clube da província de Buenos Aires agora espera repetir o sucesso em nível sul-americano, aproveitando a ausência de seus principais conterrâneos (a exceção do Estudiantes) para tentar superar as quartas-de-final da Libertadores (seu melhor desempenho, obtido em 2005, nas duas únicas vezes em que disputou o torneio).

A base é praticamente a mesma que prosperou no ano passado, embora o elenco tenha perdido dois atletas muito importantes: o zagueiro Sebastián Méndez, considerado um dos melhores da última temporada argentina, aproveitou o título nacional para anunciar sua aposentadoria aos 32 anos, enquanto o uruguaio Santiago Silva (que teve passagem apagada pelo Corinthians), artilheiro do Apertura com 16 gols, retornou ao Vélez Sársfield. O experiente Daniel Bilos poderia ser um substituto importante nesse sentido, mas cansado de lutar contra as lesões, também decidiu abandonar o futebol em meio à última temporada.

Entre as certezas, destaque para o goleiro Lucchetti, que conta com a proteção dos laterais Barraza e Bustamante, além do central Víctor López. Complementando a defesa, a aposta é em Jonathan Maidana (ex-Boca Juniors), que estava jogando no futebol ucraniano. O meio segue inalterado e enquanto Bustos executa o trabalho “sujo”, Quinteros e o jovem colombiano James Rodríguez (estrangeiro mais jovem a marcar um gol na elite argentina) jogam mais abertos pelas laterais do campo. A referência é Walter Erviti, que costuma se movimentar por todo setor e é responsável por conduzir a bola até o ataque. Na frente, Sebastián Fernández (que formou uma dupla mortal com Silva na última temporada) é a principal esperança de gols, mas sem o companheiro e compatriota, terá de se virar ao lado de Rubén Ramírez.

Time Base: Lucchetti; Barraza, Maidana, Víctor López, Bustamante; Bustos, Quinteros, James Rodríguez, Erviti; Sebastián Fernández e Rubén Ramírez. Técnico: Julio César Falcioni.

Apesar de não possuir grande tradição em seu país (o título mais expressivo que já conquistou foi o Torneio de Inverno em 2000), o Morelia chega a sua segunda participação na Libertadores cercado de otimismo. Bancado pela TV Azteca (segunda maior rede de televisão mexicana), o clube pertencente ao estado de Michoacán fez uma campanha de destaque na última edição do Torneio Apertura, quando chegou às semifinais e terminou em uma honrosa 3ª colocação.

Em sua terceira passagem pelo clube, o técnico Tomás Boy Espinoza (ex-jogador que esteve com o México na Copa de 86) é considerado o grande responsável por esse feito e aposta em um time de toque de bola e ofensivo para continuar surpreendendo. De fato, os principais jogadores dos Monarcas são os que compõem sua linha de frente, uma verdadeira legião estrangeira.

Pelo meio, o chileno Droguett joga ao lado do argentino Gabriel Pereyra (camisa 10 emprestado junto ao Atlante). Quem costuma correr por essa dupla é o colombiano Ramírez, enquanto seu conterrâneo Luis Gabriel Rey faz a função de segundo homem na frente, jogando em função do matador Sabah. Maior aposta de Javier Aguirre na Copa Ouro 2009, o atacante de 30 anos foi o grande nome do México na campanha do título, terminando o torneio como artilheiro da competição. O Morelia ainda conta com um reserva de luxo para a posição. Trata-se do veterano Jared Borgetti, maior artilheiro da seleção mexicana com 46 gols e que aos 36 anos defende o 11º clube de sua carreira.

E se no ataque sobram imigrantes, a defesa é composta basicamente por atletas do país, entre eles o arqueiro Muñoz, os laterais Cabrera e Aldrete, além dos zagueiros Sánchez e Salazar. No entanto, o capitão Romero, maior destaque do setor, também é importado. Resta saber como um time que tem pouca rodagem internacional vai reagir em uma competição como a Libertadores. Na única vez em que participaram do torneio (em 2002), esse fator não representou necessariamente um problema, já que os Purepechas chegaram até as quartas-de-final, caindo justamente diante de um conterrâneo (o América).

Time Base: Muñoz; Cabrera, Salazar (Sánchez), Romero, Aldrete; Aldo Ramírez, Jorge Hernández, Pereyra (Elias Hernández), Droguett; Rey e Sabah. Técnico: Tomás Boy Espinoza.

Após o título equatoriano de 2004, o Deportivo Cuenca iniciou uma trajetória de ascensão em seu país, terminando ao menos entre os três primeiros colocados da tabela de lá para cá. Até então, os maiores feitos alcançados pelo clube eram os vice-campeonatos nas edições de 76 e 77, resultado que já se repetiu três vezes só nos últimos cinco anos. Em 2009, o Expreso Austral também fez bonito em sua 6ª participação na Libertadores: na fase preliminar, mostrou grande capacidade de reação frente aos venezuelanos do Deportivo Anzoátegui ao conquistar uma vitória por 3x0 em casa depois de uma derrota por 2x0 na estréia.

Os jogos na altitude de 2.550 metros da cidade de Cuenca também foram fundamentais na fase de grupos, onde o clube fez a lição de casa obtendo vitórias frente ao Deportivo Táchira (3x1), Guaraní (4x0) e o poderoso Boca Juniors (1x0). Um único ponto somado como visitante foi o suficiente para que os Morlacos garantissem a inédita classificação para as oitavas-de-final, onde mais uma vez triunfaram em seus domínios (2x1), mas não resistiram no duelo de volta, sendo eliminados após a goleada de 4x0 frente ao Caracas.

Mesmo assim, a torcida não deixou de festejar o melhor desempenho na história do clube e espera que essa fórmula “caseira” continue dando resultados em 2010. A maior força do conjunto está no sistema defensivo, que não sofreu baixas e tem como pilares o goleiro Dreer e o zagueiro Ianiero, ambos argentinos. Mais a frente, o conterrâneo Méndez faz companhia a um velho conhecido da torcida: Giancarlo Ramos, que disputa sua 7ª temporada no clube.

A grande incógnita está no ataque, que perdeu peças importantes como Ismael Villalba (devido a problemas internos), Edison Preciado (negociado com o El Nacional) e Rodrigo Teixeira (que abandonou a equipe), mas ganhou reforços como o baixinho Ladines (de apenas 1,65m) e Escalada (outro argentino que ganhou credibilidade no país em suas passagens por Emelec e LDU).

Time Base: Dreer; Narváez (España), Ianiero, Ayoví, Bohórquez (Chila); Ramos, Matamoros, García, Méndez; Ladines e Escalada. Técnico: Paulo Vélez.

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Guia da Libertadores 2010 (Parte 4):  (Futebol Internacional) escrito em segunda 01 março 2010 07:55

Grupo 7

Favorito: Cruzeiro
Quem corre por fora:
Vélez Sársfield e Colo-Colo
Azarão:
Deportivo Italia

Após o frustrante vice-campeonato na última edição da Libertadores, o Cruzeiro levou algum tempo para se reencontrar no Brasileirão, onde chegou a frequentar a zona de rebaixamento. Porém, a arrancada no 2º turno (que culminou com uma vaga no torneio continental) comprovou a qualidade da equipe celeste. Sem falar no bônus de superar o Atlético na reta final e ainda assistir de camarote o arqui-rival perder a vaga no G-4 (onde o Galo se manteve durante grande parte do torneio).

Agora, em sua terceira participação consecutiva na Libertadores, os mineiro têm mais uma chance de lutar pelo tão sonhado tri-campeonato da América e o maior trunfo da equipe comandada por Adilson Batista nesse sentido é o entrosamento do grupo, praticamente inalterado em relação ao ano passado. Para se ter uma idéia, 15 dos 25 atletas inscritos esse ano, disputaram a edição do ano passado. Entre as baixas, apenas jogadores que não estavam correspondendo às expectativas, como os laterais Jancarlos e Athirson ou os zagueiros Gustavo e Thiago Martinelli, todos suplentes.

Por outro lado, a família Perrella também economizou nos reforços. Várias contratações de peso foram cogitadas (entre elas Ayala, Macnelly Torres, Valdívia e Kléber Pereira), mas os poucos a chegar foram os jovens Pedro Ken e Anderson Lessa. O nome mais conhecido a desembarcar na Toca da Raposa é o de Roger, que retorna ao futebol nacional após passagem pelo Catar. Se conseguir se firmar entre os titulares, deve complicar a vida de Adílson, já que o treinador vem escalando Gilberto (que está de volta a seleção brasileira) pelo meio, o que também garante uma vaga na lateral esquerda para a jovem revelação Diego Renan.

A permanência do artilheiro Kléber também pode ser comemorada como um reforço, já que o “Gladiador” era dado como certo no Porto, negociação que acabou melando de última hora. Recuperado das lesões, o atacante já mostrou que continua afiado nas primeiras partidas da temporada e foi importante na goleada de 7x0 frente ao Real Potosí, que garantiu a classificação na Pré-Libertadores. Agora cabe aos remanescentes do Cruzeiro justificar a confiança recebida em uma das chaves mais complicadas do torneio.

Time Base: Fábio; Jonathan, Gil (Caçapa), Leonardo Silva, Diego Renan (Gilberto); Henrique, Marquinhos Paraná, Fabrício, Gilberto (Roger); Wellington Paulista (Thiago Ribeiro) e Kléber. Técnico: Adílson Batista.

Ao lado dos clubes brasileiros e do conterrâneo e atual campeão Estudiantes, o Vélez Sársfield é sem dúvida alguma um dos principais candidatos ao título dessa Libertadores. Assim como o Corinthians, o Fortín comemora seu centenário em 2010 e espera brindar a torcida com a conquista continental (que já faturou em 1994, quando contava com lendas como o treinador Carlos Bianchi e o arqueiro paraguaio Chilavert).

Uma das maiores forças de seu país na atualidade, o clube se destacou na temporada passada com o título do Clausura, conquistado de forma dramática apenas na última rodada, graças a uma vitória sobre seu concorrente direto, o Huracán. O treinador Ricardo Gareca, atacante que disputou três decisões consecutivas de Libertadores com o América de Cali no final dos anos 80 sem nunca ter sido campeão, assumiu o clube justamente nesse período e parte para o segundo ano no comando da equipe.

Embora não conte com um grande guarda-metas (Montoya), o técnico soube montar uma defesa sólida, apoiada em Gastón Diaz (lateral presente na conquista do ouro olímpico argentino em 2008), além de Sebá Dominguez (ex-Corinthians), Otamendi e Papa, todos convocados por Maradona para seleção principal. Eles ainda contam com a proteção de um meio-campo “pegador”, onde figuram Zapata (que jogou vários anos no River Plate), Somoza (velho conhecido da torcida que teve passagem apagada pelo futebol espanhol, onde defendeu Villarreal e Real Betis), Cubero (atualmente, o sétimo jogador que mais jogou pelo Vélez), além do pequenino Maximiliano Moralez (revelado pelo Racing e com passagem pelas seleções de base do país). Cabrera também é outro que pode pintar pelo setor, conforme a necessidade de Gareca.

Na frente, atacantes de respeito garantem artilharia pesada ao Fortín. O uruguaio Hernán López agora ganhou a companhia de “El Tanque” Santiago Silva, que retorna de empréstimo do Banfield, onde faturou um título nacional e se consagrou como artilheiro da última temporada. Além dele, Rolando Zárate é outro que está de volta à equipe, disposto a fazer história em um ano que pode ser glorioso (ou terrível!) para o clube.

Time Base: Montoya; Gastón Díaz, Sebá Dominguez, Otamendi, Papa; Somoza, Zapata, Cubero, Moralez; Hernán López e Santiago Silva (Rolando Zárate). Técnico: Ricardo Gareca.

Após a traumática eliminação na fase de grupos da Libertadores 2009 (frente ao Palmeiras, nos minutos finais da última rodada), o Colo-Colo buscou conforto nos gramados locais, assegurando a conquista do Clausura chileno (o sexto título nacional de 2006 para cá) frente ao Universidad Católica. Renovado os ânimos, a expectativa era dar a volta por cima na disputa continental desse ano, mas por ironia do destino, os Caciques caíram novamente em uma das chaves mais complicadas do torneio e o sonho de repetir a histórica conquista de 1991 (única vez em que os Albos conquistaram a América) ficou ainda mais distante.

Há 18 anos sem um título internacional (o mais próximo que chegou disso foi o vice-campeonato da Copa Sul-Americana em 2006), o clube sabe da expectativa de sua torcida (a maior do país) e por isso não economizou na contratação de reforços para disputa da Libertadores. Foram gastos quase US$ 5 milhões em contratações, visando principalmente o setor defensivo, único a sofrer baixas em relação ao ano passado.

No gol, o time fez uma troca pro empréstimo com o Huachipato, enviando o experiente Muñoz e recebendo em troca o promissor Veloso (que espera aproveitar a vitrine para assegurar uma vaga na convocação de Bielsa para a Copa do Mundo). Na zaga, saiu o venezuelano Rey (jogador com maior número de convocações pela seleção de seu país), mas chegou o uruguaio Andrés Scotti, nome certo na equipe Celeste que vai ao próximo mundial. Eles devem compor a defesa ao lado dos laterais Magalhaes e Cereceda, além dos zagueiros Riffo, Luis Mena e Toro. Pelo meio, o elenco também conta com boas opções. Na contenção, o experiente Meléndez (que durante anos defendeu a camisa de La Roja) tem a companhia de Sanhueza, que por sua vez sofre forte concorrência do ascendente "The Prince” Charles Aránguiz. O colombiano Macnelly Torres (sondado por vários clubes brasileiros) é fundamental na criação, enquanto Rodrigo Millar tem mais liberdade para se movimentar e chegar à frente.

E mesmo perdendo seus maiores atacantes nos últimos anos para o futebol estrangeiro (caso de Humberto Suazo, que jogou no clube até 2007, além de Barrios, negociado na última temporada), El Eterno Campeón conseguiu encontrar uma nova dupla de respeito, composta por Esteban Paredes e o argentino Miralles (artilheiro do Colo-Colo na última temporada). Na reserva, Graf e o paraguaio Bogado também estão sempre prontos para entrar em ação. Bom para o treinador Hugo Tocalli (campeão mundial com a seleção argentina sub-20 em 2007), que vai mesmo precisar de muito poder de fogo se não quiser que sua equipe morra mais uma vez na praia!

Time Base: Prieto (Veloso); Magalhaes, Scotti, Toro (Riffo), Cereceda; Meléndez, Sanhueza (Aránguiz), Macnelly Torres, Rodrigo Millar; Paredes e Miralles. Técnico: Hugo Tocalli.

Otimismo e nostalgia. Essas são as palavras de ordem para o Deportivo Italia em 2010. Fundado no final dos anos 40 por um grupo de nove imigrantes italianos radicados na Venezuela, o clube viveu seu apogeu entre 1958 e 1978, quando conquistou quatro vezes a Primeira Divisão local (1961, 1963, 1966 e 1972), três Copas da Venezuela (1961, 1962 e 1970), além de se tornar o primeiro representante do país na Copa Libertadores (que disputou seis vezes entre 1964 e 1972). Foi justamente nesse período, conhecido como “A era dourada D'Ambrosio” (homenagem ao sobrenome dos irmãos Mino e Pompeo, que comandavam o clube nessa época), que Los Azules conseguiram um dos maiores feitos de sua história: uma vitória sobre o Fluminense válida pela Libertadores de 1971 em pleno Maracanã, resultado que foi chamado pela imprensa do país de “Pequeno Maracanazo”.

Porém, na década de 80 o time caiu em declínio até se fundir com o Deportivo Chacao FC em agosto de 1998, dando origem ao Fútbol Club Deportivo Italchacao AS. Como o resultado não foi o esperado, a equipe retornou ao seu nome original na temporada 2006-07 e como em um passe de mágica, o resgate das origens resultou no título do Apertura venezuelano 2008-09.

A conquista credenciou o time para a decisão contra o Caracas (vencedor do Clausura daquela temporada), no Clásico capitalino de Fútbol,  onde El Italia acabou sucumbindo após uma vexatória goleada em casa por 5x0. Mesmo assim o clube não desanimou e de lá para cá já acumulou o vice-campeonato do último Apertura, além de se manter na briga pela liderança da atual edição do Clausura.

Os maiores trunfos do treinador Eduardo Sarago são o defensor Mcintosh, os meias Jiménez e Urdaneta, além do arisco Cristian Cásseres, todos com passagem pela seleção venezuelana. O zagueiro argentino Maidana e o atacante Blanco também são fundamentais ao esquema do técnico, que ganhou alguns reforços importantes, como o goleiro boliviano José Carlo “El Gato” Fernández, de 40 anos. O maior problema está na ausência de peças de reposição do mesmo nível que os titulares, o que pode comprometer o desempenho da equipe em uma competição como a Libertadores. De volta ao torneio após 25 anos, o Deportivo Italia tem reduzidas chances de classificação, mas pode ser decisivo no grupo roubando pontos preciosos de quem vacilar.

Time Base: José Fernández; López, Mcintosh, Maidana, Diez (Lobo); Di Julio (Morales), Jiménez, Giroletti (Hernández), Urdaneta; Blanco e Cristian Cásseres. Técnico: Eduardo Sarago.

Grupo 8

Favorito: Flamengo
Quem corre por fora:
Universidad de Chile e Universidad Católica
Azarão:
Caracas

Atual campeão nacional, o Flamengo luta contra uma sina na atual edição da Libertadores. A última equipe do país que conseguiu emendar essa “dobradinha” foi o Vasco, entre 97 e 98. De lá para cá, Cruzeiro (em 2004), Santos (2005), Corinthians (2006) e São Paulo (desde 2007) sequer conseguiram terminar como representante brasileiro mais bem classificado no torneio. O Rubro-Negro tem ainda outro agravante: chegou às oitavas-de-final como favorito nas duas últimas vezes em que disputou a Libertadores (2007 e 2008), mas acabou surpreendido. Em ambas as ocasiões realizou a 2ª melhor campanha na fase de grupos, sendo eliminado respectivamente por Defensor e América (com direito a uma derrota por 3x0 em pleno Maracanã, após vencer o primeiro confronto no México por 4x2).

A transição na presidência do clube durante a virada do ano não afetou drasticamente o planejamento para 2010, tanto que a nova diretoria renovou o contrato do treinador Andrade (um dos heróis na conquista do Brasileirão) e manteve praticamente a mesma base que prosperou em 2009. As maiores baixas foram o Airton (negociado com o Benfica) e Zé Roberto (que retornou ao Schalke), ambos titulares no último Brasileirão.

Mesmo assim, permanecem destaques como o guarda-redes Bruno, a dupla de laterais Léo Moura e Juan, os zagueiros Álvaro e Ronaldo Angelim, os cães-de-guarda William e Maldonado (que se recupera de contusão), o “selecionável” Kléberson, além das estrelas Petkovic e Adriano. Após fechar a última temporada de forma brilhante, o sérvio envolve-se em uma polêmica no começo do ano ao discutir com Marcos Braz (vice-presidente de futebol) e ficar afastado do time titular. Já o “Imperador” promete ser um dos principais destaques da competição, onde brilhou em 2008 (quando marcou seis gols jogando pelo São Paulo).

Eles agora contam com a companhia de Vágner Love, principal contratação para 2010 e que desembarcou na Gávea mostrando faro de gols. O nome do goleador também ameniza a escassez de contratações, limitadas aos discretos Fernando, Michael, Rodrigo Alvim e Ramón, mas não esconde o fato de que a equipe não conta com substitutos a altura para o ataque. A nação rubro-negra só espera que o talento de seus titulares seja o suficiente para voltar também ao topo da América.

Time Base: Bruno; Léo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Maldonado, William, Kléberson, Petkovic; Vágner Love e Adriano. Técnico: Andrade.

Entre os gigantes de seu país, o Universidad de Chile é o que possui menor representatividade internacional. Enquanto o Colo-Colo faturou a Libertadores de 1991 e o Universidad Católica ficou com o vice dois anos depois, o melhor desempenho de La U em suas 15 participações no torneio foram os vice-campeonatos nas edições de 1970 e 1996. No ano passado, a equipe foi eliminada logo nas oitavas pelo Cruzeiro e no segundo semestre acabou caindo nas quartas-de-final da Copa Sul-Americana diante do Fluminense.

Em âmbitos locais, o clube até começou bem ao faturar seu 13º título nacional com a conquista do Torneio Apertura sobre o Unión Española. Porém, durante o Clausura ficou muito aquém do esperado, terminando na 10ª colocação da fase classificatória (resultado que o deixou de fora do Playoff decisivo). O desempenho custou à cabeça do técnico José Basualdo, ex-meia que vestiu a camisa da seleção argentina durante os anos 90. Para o seu lugar a diretoria resolveu apostar no trabalho do uruguaio Gerardo Pelusso, que em 2009 chegou as semifinais da Libertadores com o Nacional.

A expectativa é que o novo treinador repita o sucesso e consiga levar os Chunchos a uma campanha de destaque em nível continental. Para isso a diretoria não mediu esforços e investiu pesado na contratação de dez reforços, entre eles o argentino Matías Rodríguez e o ponta Eduardo Vargas, além do goleiro Conde e do meia Álvaro Fernández (ambos compatriotas de Pelusso). Entre os atletas que já estavam no clube, destaque para o goleiro Miguel Pinto, além dos defensores Victorino, Contreras, Olarra e Iturra (os três últimos com relativa experiência na seleção chilena).

Mais a frente, o prata-da-casa Felipe Seymour é responsável pela marcação, enquanto Estrada e Montillo apresentam maior mobilidade no setor de criação. No ataque, Vargas e Rivarola disputam uma vaga para jogar ao lado da grande referência ofensiva do elenco: o também uruguaio Juan Manuel Oliveira, que se consagrou como artilheiro do time na última temporada. Contando com o apoio de sua fanática torcida, o clube tem boas chances de beliscar uma classificação. Isso se não voltar a tropeçar na própria sina...

Time Base: Miguel Pinto (Conde); Contreras, Victorino, Olarra, José Rojas (Martín Rodríguez); Seymour, Álvaro Fernández, Estrada, Montillo; Vargas (Rivarola) e Oliveira. Técnico: Gerardo Pelusso.

O Universidad Católica chega a sua 22ª participação em Libertadores (competição da qual já foi finalista em 1993, quando acabou derrotado pelo São Paulo) sob a desconfiança de muitos em seu país. Na última temporada, a equipe fez campanhas convincentes tanto no Apertura (quando caiu nas semifinais), quanto no Clausura (onde realizou a melhor campanha da fase classificatória e acabou derrotado na final diante do Colo-Colo), mas a sina de sucumbir nos momentos decisivos deixou a torcida ressabiada para os duelos válidos pela fase preliminar da Libertadores, diante do argentino Colón.

Na primeira partida, La Católica perdia por 3x1, mas a menos de dez minutos do apito final reduziu seu prejuízo para 3x2. Já no duelo de volta, após sair na frente, sofreu uma virada em dois minutos, mas ainda sim teve forças para reagir e chegar aos 3x2 que levaram a decisão da vaga para os pênaltis. Nela, os Cruzados se saíram melhor (vitória por 5x3) e afastaram parcialmente o descrédito geral.

Agora, a missão do treinador Marco Antonio Figueroa (eleito o melhor do Chile em 2009) é superar a fase de grupos em meio a profundas mudanças na direção do time, que se tornou clube-empresa. Algumas baixas importantes como Zenteno, Imboden e principalmente Roberto Gutiérrez (todos negociados), além de Marcos González e Sebastián Barrientos (que se recuperam de contusão) foram recompensadas com as aquisições de oito jogadores, entre eles o meia Carreño e os defensores Ismael Fuentes e Ponce, ambos com passagens pela seleção chilena.

Os experientes Valenzuela e Mirosevic, que também foram figurinhas carimbadas em La Roja durante muito tempo, são os grandes pilares do meio-campo ao lado do cão-de-guarda Ormeño, enquanto Toloza e Damián Díaz têm maior liberdade para chegar à frente. A responsabilidade de marcar os gols cabe a Juan José Morales, que não decepcionou durante a Pré-Libertadores, anotando três gols nas partidas diante do Colón. Resta saber se na sequência da competição o Universidad Católica irá manter essa inspiração ou se vai voltar a tropeçar nos momentos decisivos como fez na última temporada.

Time Base: Garcés; Fuentes, Henríquez (Ponce), Martínez; Ormeño (Carreño), Silva, Mirosevic, Valenzuela, Toloza, Damián Díaz; Morales. Técnico: Marco Antonio Figueroa.

Fundado em 1967 como Yamaha Football Club, o Caracas só ganhou a nomenclatura atual em 86, quando teve parte de seus direitos adquiridos pela Radio Caracas Televisión (RCTV), a mais antiga emissora de TV do país. Dois anos depois a equipe conquistaria seu primeiro título expressivo, a Copa da Venezuela, mas foi a partir da década de 90 que o clube passou a se firmar como grande potência do futebol local. De lá para cá foram dez títulos nacionais, além de mais quatro copas, sem falar nas dez participações em Libertadores e uma final da extinta Copa Merconorte (1999).

Essa ascensão foi coroada na última temporada, quando Los Rojos del Avila realizaram sua melhor campanha na principal competição interclubes da América do Sul e chegaram até as quartas-de-final, caindo bravamente diante do Grêmio. Se ressaltarmos que essa foi apenas a segunda vez na história do torneio em que um clube da Venezuela conseguiu superar as oitavas (a outra foi com o Deportivo Táchira em 2004), o feito do Caracas merece ainda mais créditos. Isso explica o otimismo exacerbado da imprensa do país, que acredita ser possível superar esse desempenho já que o clube montou um elenco ainda mais forte para este ano.

Efetivado no comando da equipe desde o fim da temporada 2001-2002, o técnico Noel Sanvicente aposta em um 4-4-2 clássico, onde figuram diversos jogadores com histórico pela seleção venezuelana. A defesa, por exemplo, é um dos pontos fortes e conta com os goleiros Vega e Toyo, além dos defensores Alejandro Cichero e Rey (que retorna de empréstimo do Colo-Colo).

Mais a frente, os grandes destaques são o argentino Figueroa e o capitão Luis Vera (que atualmente se recupera de contusão), enquanto o ídolo Castellín (maior artilheiro da história do clube) é o grande nome do ataque. Falta um companheiro a sua altura e como desgraça pouca é bobagem, o colombiano Trujillo (uma das apostas para essa temporada) já chegou ao chegou ao time machucado (o que deixa a posição em aberto para o mexicano Prieto). E se o sonho da classificação parece mais complicado do que no último ano, o Caracas pode ao menos se tornar um grande pesadelo para os rivais na busca por uma vaga às oitavas-de-final.

Time Base: Veja; González (Romero), Alejandro Cichero, Rey, Gabriel Cichero; Vera (Guerra), Piñango (Gómez), Jiménez, Figueroa; Prieto (Trujillo) e Castellín. Técnico: Noel Sanvicente.

Oitavas-de-Final:

O furor causado pelo surto da “gripe suína” fez com que a CONMEBOL excluísse os representantes mexicanos já classificados para as oitavas da Libertadores 2009. O impasse gerou um mal estar com a CONCACAF e estremeceu as relações entre as confederações que comandam o futebol das Américas. Para tentar “consertar” a situação, os sul-americanos resolveram incluir Chivas Guadalajara e San Luís na mesma situação em que deixaram o torneio na edição passada, ou seja, respectivamente como 13º e 14º colocados (o que diminui o número de vagas nas oitavas para apenas 14, tornando a fase de grupos desse ano ainda mais complexa).

O fato de não admitir estrangeiros faz com que o Chivas Guadalajara aposte principalmente em suas categorias de base, sendo responsável pela revelação de diversos jogadores nos últimos anos. Alguns figuram há muito tempo no time titular, como os defensores Reynoso e Araujo, o ala Esparza, o meia Medina e o matador Omar Bravo, a maioria com passagens pela seleção mexicana. Além deles, o clube possui estrelas como o goleiro Michel, o zagueiro Galindo e os atacantes Omar Arellano e Bautista, que também já defenderam as cores de seu país. Porém, a maior aposta para a atual temporada é o jovem Javier Hernández, de apenas 21 anos. Prata-da-casa, o garoto é apontado como uma das maiores revelações de seu país, sendo cogitado pela imprensa local para a próxima Copa do Mundo.

Na última temporada o desempenho dos Rojiblancos ficou abaixo da média e a equipe sequer se classificou para os Playoffs finais, tanto no Apertura, quanto no Clausura. Mas esse ano o time vem demonstrando grande potencial, obtendo 100% de aproveitamento nas primeiras sete rodadas do Campeonato Mexicano.

Time Base: Michel; Esparza, Galindo, Reynoso, Magallón; Araújo, Mejía (Baez), Medina; Bautista; Hernández e Omar Bravo. Técnico: José Luis Real.

Já o San Luís, que só disputou 10 vezes a 1ª divisão mexicana e estreou na Libertadores em 2009, conquistou sua vaga na “bacia das almas” após terminar a fase de grupos do ano passado empatado em número de pontos com o Universitário, mas levando vantagem nos critérios de desempate. Na última temporada a equipe também fez uma campanha interessante em âmbito local, caindo frente ao Toluca nas quartas-de-final do Apertura mexicano. Um dos grandes responsáveis por esse feito não está mais na equipe. Trata-se do treinador Miguel Angel López, que cedeu lugar ao inexperiente Ignacio Ambriz, ex-zagueiro do México na Copa de 1994. E desde que estreou, o treinador não tem encontrado moleza, enfrentando altos e baixos nas primeiras rodadas da liga nacional.

Apesar de não possuir um elenco forte, os Tuneros contam com bons estrangeiros, como o defensor Aguilar (paraguaio), os meias César González (venezuelano) e Rodríguez (uruguaio recém-contratado), além da dupla de ataque formada pelo argentino Moreno e o panamenho Blas Perez. Entre os nativos, destaque para o veterano Luna (que esteve nos mundiais de 98 e 2002) e o reforço Pineda (que por sua vez, disputou a Copa de 2006).

Time Base: Adrián Martínez; Daniel Martínez, Aguilar, Mascorro, Maya; Torres (Salinas), Pineda, González, Luna; Blas Perez (Rodríguez) e Moreno. Técnico: Ignacio Ambriz.

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