Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/02/08 23:20 / 138 Artigos publicados
 

De olho na Liga dos Campeões da UEFA:  (Futebol Internacional) escrito em segunda 08 fevereiro 2010 23:20

 

Nos próximos dias, a principal competição interclubes organizada pela UEFA inicia sua fase final, disputada em etapas eliminatórias. Com o inevitável afunilamento, a tendência é que só os fortes sobrevivam, embora não sejam incomuns duelos que nos remetem a histórias como a de Davi e Golias. De olho nas possibilidades, vamos a uma análise dos confrontos que devem agitar o Velho Continente:

Lyon x Real Madrid

Após investir pesado no início dessa temporada (ressuscitando inclusive o rótulo de “Galácticos”), os Merengues precisarão superar alguns tabus pessoais se quiserem chegar à próxima fase. Primeiro porque desde a edição 2003-04 a equipe não consegue alcançar às quartas-de-final. Além disso, nas duas últimas vezes em que cruzaram com o Lyon jogando pela Liga dos Campeões (2005-06 e 2006-07), os espanhóis acabaram fracassando fora de casa (derrotas de 3x0 e 2x0) e também no Santiago Bernabéu (empates por 1x1 e 2x2). Para quebrar essa escrita o time aposta suas fichas na volta por cima de seus principais jogadores, Kaká e Cristiano Ronaldo, que recentemente enfrentaram alguns problemas. O português causou polêmica após ser expulso em um jogo diante do Málaga, válido pela liga espanhola, quando quebrou o nariz do defensor Mtiliga e acumulou dois jogos de suspensão. Já o brasileiro teve detectada uma pubalgia crônica, que segundo a imprensa espanhola precisará ser tratada pelo resto de sua carreira. Como desgraça pouca é bobagem, o Real Madrid também não vai poder contar com o defensor luso-brasileiro Pepe, que rompeu o ligamento cruzado do joelho direito.

Mesmo assim as perspectivas são as mais otimistas possíveis, já que a equipe fez uma boa campanha na fase de grupos, terminando na liderança da chave com quatro pontos a frente do Milan, seu concorrente mais próximo. Além disso, nos três jogos disputados fora de casa, foram sete pontos conquistados em nove possíveis. Sem falar na motivação pessoal de atacantes como Raúl (maior artilheiro na história da Champions que pode ampliar sua marca atual de 66 gols) e Benzema (que vai ter a chance de reencontrar sua ex-equipe). Apesar de realizar uma campanha muito semelhante a dos espanhóis na fase de grupos (em seis jogos foram 13 pontos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota), o Lyon acabou na 2ª colocação de sua chave, atrás da Fiorentina. Nem por isso a campanha pode ser ignorada, já que o clube eliminou com méritos o tradicional Liverpool, franco favorito a uma das vagas. Mesmo assim a desconfiança é grande, já que os franceses não demonstram a mesma consistência de anos anteriores. Prova disso é a campanha morna na Ligue 1, onde o clube tem se esforçado para manter-se entre as quatro primeiras colocações (que valem vaga nas competições européias). Mesmo assim, o sonho do título parece distante, já que a diferença para o líder Bordeaux na tabela de classificação é muito grande.

Realidade que reforça a importância do jovem arqueiro Lloris, titular da seleção francesa e sondado pelo Manchester United na última janela de transferências. Sua inspiração pode ser decisiva para o êxito de sua equipe, assim como o talento do argentino Lisandro López, que chegou nessa temporada e rapidamente se firmou como um dos maiores ídolos da torcida. Brasileiros como o zagueiro Cris (capitão da equipe), além dos meias Ederson e Michel Bastos (que só é lateral na seleção) são igualmente importantes. Já Bafétimbi Gomis, festejado na pré-temporada como principal reforço para o ataque, ainda não mostrou todo seu potencial e continua devendo mais futebol. Grande ambição do Lyon para confirmar a estigma de “time grande”, a atual edição da Liga dos Campeões será definida no Santiago Bernabéu. Porém, para chegar até lá, primeiro os franceses precisarão superar a decisão diante do Real Madrid.

Milan x Manchester United

Um dos duelos mais esperados dessas oitavas-de-final, Milan e Manchester prometem um confronto equilibrado, que coloca frente a frente duas realidades semelhantes na atual competição. Os italianos conquistaram sete dos nove pontos que disputaram como visitantes na fase de grupos, complementando sua campanha com dois empates e uma derrota no San Siro (o que lhe valeu a 2ª colocação na chave). Já o United obteve vitória nos três jogos fora de casa (aliás, não perde uma eliminatória nessa condição desde as semifinais de 2006/07, quando foi eliminado justamente pelo Milan). Por outro lado, os ingleses conquistaram apenas quatro pontos nas partidas diante de sua torcida, desempenho que pode ser considerado abaixo da média, embora tenha lhe valido a liderança do grupo.

Após um início de temporada muito ruim, o esquadrão Rossonero foi se encontrando em meio a Serie A, quando o técnico Leonardo apostou em um esquema ofensivo (ao menos para os padrões italianos), bancando compatriotas como Dida e Ronaldinho Gaúcho no time titular. O arqueiro continua cometendo algumas de suas trapalhadas, mas ao menos aparenta ser a melhor opção disponível no elenco, enquanto o camisa 80 recupera sua melhor forma em sintonia com a equipe. Outro brasileiro fundamental no esquema do rubro-negro italiano é Alexandre Pato, que causou grande confusão entre os desinformados ao ser incluído pelo clube em uma lista B. Na verdade, o regulamento oficial da Liga dos Campeões permite que as equipes inscrevam atletas nascidos antes de 1º de janeiro de 1988 e que estejam em condições de jogo por seus respectivos clubes a pelo menos dois anos. Porém, essa lista B (que possibilita inscrições ilimitadas) não exclui a possibilidade de o jogador continuar atuando no torneio, como muitos estavam imaginando.

Um reforço importante para a sequência da competição será o meia David Beckham, que retorna do Los Angeles Galaxy em tempo de enfrentar o time que o revelou para o mundo. Esse “pequeno detalhe” apimenta ainda mais esse embate, principalmente para os ingleses, que historicamente tem um retrospecto desfavorável em relação ao adversário nas partidas válidas por competições européias. Por outro lado, o time de Alex Ferguson busca manter a escrita das três últimas edições do torneio, quando alcançou ao menos as semifinais. A saída de atletas importantes (como Cristiano Ronaldo e Tévez) colocou em xeque as possibilidades dos Red Devils na atual temporada, mas o matuto treinador escocês mais uma vez soube reinventar seu elenco com as peças que tinha em mãos. Nomes que vinham sendo pouco aproveitados passaram a contribuir imensamente nesse sentido, como nos casos emblemáticos de Fletcher ou Nani. As apostas de Ferguson também surtiram efeito, como revela o exemplo de Owen (um dos vice-artilheiros do torneio com quatro gols). Sem contar a espinha dorsal apoiada em Van der Sar, Rio Ferdinand, Giggs e Rooney (que está jogando o fino da bola e se destaca como um dos principais jogadores na atual temporada). Ingredientes para alimentar a teoria de um grande jogo não faltam. Resta saber se essa receita vai mesmo vingar na prática...

Bayern de Munique x Fiorentina

Outro gigante europeu que começou a atual temporada de forma oscilante foi o Bayern, agora treinado por Louis van Gaal. Após dispensar os serviços de gente importante, como Lúcio e Luca Toni, o holandês iniciou a reconstrução da equipe apostando na mescla de jovens valores (casos de Badstuber e principalmente Thomas Müller), novos contratados (Tymoshchuk, Robben e Mario Gómez), além de velhos conhecidos (Butt, Van Buyten, Demichelis, Lahm, Altintop, Van Bommel, Schweinsteiger, Olić e Klose). A fórmula demorou um pouco para surtir efeito, como ficou comprovado nas primeiras rodadas da Bundesliga, mas posteriormente os bávaros entraram nos trilhos e passaram a lutar pela liderança na liga nacional. Na fase de grupos da UCL essa história se repetiu e após uma vitória na estréia (diante do Maccabi Haifa), os alemães acumularam apenas um ponto nas três rodadas seguintes. O vacilo custou a 1ª colocação da chave (alcançada pelo surpreendente Bordeaux), mas a equipe ao menos acordou a tempo de garantir a segunda vaga com uma atuação de gala na última rodada, curiosamente diante de um rival italiano (a Juventus, que acabou eliminada com a derrota por 4x1 em pleno estádio Olímpico de Turim).

A Fiorentina por outro lado apresentou um aproveitamento impressionante nesse início de Liga dos Campeões, somando 15 pontos em seis jogos (cinco vitórias e apenas uma derrota, justamente na estréia, diante do Lyon), a 2º melhor campanha entre todos os participantes. Um resultado que contradiz a campanha discreta na Serie A, onde o time de Florença mantém-se no meio da tabela. Entre os trunfos do técnico Cesare Prandelli está o confiável arqueiro Sébastien Frey, além de defensores experientes, como o zagueiro Gamberini e o lateral Pasqual (que já vestiram a camisa da seleção italiana). No meio, Cristiano Zanetti e Marchionni (dois ex-jogadores da Juventus envolvidos na negociação por Felipe Melo) também se firmaram como titulares, ao lado de Montolivo e o lateral peruano Vargas (que na Fiorentina joga pela meia-esquerda). O romeno Mutu, que costuma completar o setor chegando à frente como segundo atacante, foi flagrado no exame antidoping pelo uso de substâncias proibidas e será um importante desfalque para a sequência do torneio. Para seu lugar, a diretoria aposta em Keirrison, que estava encostado no Benfica. Mas se o brasileiro ainda é uma incógnita, o montenegrino Jovetić já pode ser considerado uma certeza. Ao lado do matador Gilardino (grande referência ofensiva), ele representa a principal esperança de gols da torcida.

Após alcançar a vitória nas cinco últimas partidas que disputou pela Champions, os italianos agora buscam uma vingança pessoal diante do Bayern de Munique, que levou a melhor no duelo do ano passado, quando ambas as equipes se cruzaram ainda na fase de grupos do torneio. Naquela oportunidade, os alemães venceram em casa (3x0) e conseguiram um empate no estádio Artemio Franchi (1x1), afundando ainda mais a Fiorentina (que acabaria não se classificando). O problema é que desde a temporada 69-70 a Viola não chega às quartas-de-final e ainda por cima, o time nunca conseguiu vencer um rival alemão fora de casa. Mas ao deparar-se com um rival que somou apenas quatro pontos, em nove possíveis, jogando no Allianz Arena, não custa nada sonhar!

Porto x Arsenal

Um reencontro já manjado na Liga dos Campeões acontece entre Gunners e Dragões, que se cruzaram pela fase de grupos em 2006-07 e também na edição passada. Na primeira oportunidade, o Arsenal levou a melhor com uma vitória (2x0) e um empate (0x0), garantindo a 1ª colocação da chave, embora tenha terminado empatado em número de pontos com os portugueses. Já na temporada 2008-09, ambas as equipes fizeram a lição de casa (vitória inglesa por 4x0 no Emirates e derrota fora de casa por 2x0), mas dessa vez foi o Porto quem terminou na liderança com um ponto de vantagem em relação ao adversário.

Com uma equipe renovada, os Tripeiros andam em desvantagem em relação a concorrência na luta pelo título português. Mas durante a fase de grupos da Champions, o clube obteve uma classificação tranquila (com nove pontos de vantagem sobre seus concorrentes), o que não assegurou, porém a liderança da chave (que ficou com o Chelsea). O maior mérito da equipe comandada por Jesualdo Ferreira está no oportunismo de sua dupla de ataque, formada pelo colombiano Falcao García e o brasileiro Hulk (que juntos, marcaram seis dos oito gols portistas até aqui). Outros sul-americanos (como Hélton, Álvaro Pereira, Fernando, Guarín e Cristian Rodríguez) também costumam figurar entre os titulares, assim como os portugueses Bruno Alves e Raul Meireles (fundamentais no esquema dos azuis e brancos). O recém-chegado Rúben Micael, uma das grandes revelações da atual temporada portuguesa jogando pelo Nacional, também pode se tornar um importante reforço para essa sequência de Liga dos Campeões.

O Arsenal, como sempre, concentra suas atenções em um time jovem, de futebol ofensivo, mas que ainda convive com constantes contusões. As primeiras rodadas da Premier League revelaram uma equipe técnica, com um toque de bola envolvente e muita velocidade no ataque. Mas bastaram os primeiros confrontos contra adversários realmente gabaritados para se constatar os prejuízos causados pela inexperiência do grupo. Os duelos válidos pelo nacional diante do Manchester United foram emblemáticos nesse sentido. Ao menos na Liga dos Campeões os Gunners não encontraram problemas para garantir a liderança de sua chave (13 pontos em seis jogos), que com Olympiacos, Standard Liège e AZ era considerada uma das mais fracas da competição. Os desfalques também foram responsáveis por um constante revezamento na base da equipe e um total de 29 jogadores foram utilizados na fase de grupos. Alguns atletas que passaram um bom tempo no estaleiro voltam a ser relacionados (casos de Nasri, Rosický e Walcott), embora outros desfalques ainda atormentem o treinador Arsène Wenger (como Gibbs e principalmente Van Persie).

Stuttgart x Barcelona

Atuais campeões do torneio, os espanhóis são francos favoritos no duelo diante dos alemães. Basta ressaltar que os catalães mantêm seu futebol em alto nível, apoiados em estrelas como os laterais Daniel Alves e Abidal (equilibrados entre o apoio e a resguarda), o defensor Puyol (um ícone do clube), os meias Xavi e Iniesta (que ditam o ritmo do setor), além dos atacantes Henry e Ibrahimović (dois dos maiores atacantes da Europa). Apesar de não brilhar com a mesma intensidade da última temporada, Lionel Messi, o grande astro do elenco, continua sobrando em campo (é o atual artilheiro de La Liga) e ganhou a companhia do promissor Pedro Rodríguez. Aliás, a afirmação de jovens valores (o grupo ainda conta com Piqué, Busquets ou Bojan) deixa a torcida blaugrana ainda mais otimista em relação ao futuro dessa equipe.

A força do conjunto espanhol pode ser confirmada tanto na liga nacional (onde o clube está invicto, mantendo a liderança com uma boa margem de diferença em relação aos rivais), quanto na própria Champions (como ficou evidente na fase de grupos, quando o Barça terminou na 1ª posição dois pontos a frente da Inter de Milão). Para complicar ainda mais a vida do Stuttgart, os Culés não perdem há nove jogos fora de casa em partidas válidas pela Liga dos Campeões, muito menos nos seis últimos confrontos contra clubes da Alemanha atuando como visitante.

Para quebrar essa escrita, as esperanças do VfB estão depositadas principalmente na capacidade do talentoso meia bielorrusso Aliaksandr Hleb (que está emprestado ao time justamente pelo Barcelona) e do brasileiro naturalizado alemão Cacau. Quem também pode ser importante é o meia sérvio Kuzmanović, além da dupla de ataque formada pelo romeno Marica e o russo Pogrebnyak, decisivos nas vitórias sobre Rangers e Unirea Urziceni, que marcaram a arrancada do Die Roten nas duas últimas rodadas da 1ª fase e foram fundamentais na conquista do 2º lugar da chave. Outro jogar de frente que conta com a simpatia do treinador suíço Christian Gross é o jovem Schieber, que coleciona passagens pelas seleções de base alemã (assim como o meia Khedira, que também possui ascendência turca). Porém, a partir de agora o sistema defensivo também pode fazer grande diferença e por isso será fundamental que titulares como Boka, Tasci ou o capitão Delpierre estejam inspirados. Apesar da saída do meia Hitzlsperger ser considerada um importante desfalque, as notícias sobre as contusões dos rivais Daniel Alves e Yaya Touré também foram recebidas com otimismo em Stuttgart. Mas fica a pergunta: um time que terminou atrás do Sevilla e que também faz campanha mediana na Bundesliga terá bala na agulha suficiente para desbancar a maior sensação do futebol europeu?

Olympiacos x Bordeaux

Enquanto as atenções de toda Europa estavam voltadas para os gigantes do Velho Continente, eis que um clube francês emplaca a melhor campanha na fase de grupos da atual Liga dos Campeões. Trata-se do Bordeaux, atual campeão da Ligue 1 e que caminha a passo largos para faturar também a edição 2009-10. Comandados pelo ex-zagueiro Laurent Blanc, que tem tudo para se tornar um dos treinadores mais bem-sucedidos dessa nova geração, Les Girondins surpreenderam favoritos como Bayern de Munique e Juventus perdendo apenas dois dos 18 pontos que disputaram (graças a um empate fora de casa na estréia contra a Vecchia Signora). Jogando no Chaban-Delmas, os franceses tiveram 100% de aproveitamento, sofrendo apenas um gol. A solidez do sistema defensivo (que foi vazado apenas mais uma vez, obtendo o melhor desempenho da fase inicial) se deve a atletas como o goleiro Carrasso, o defensor Ciani (que joga pela seleção de Guadalupe e já marcou duas vezes na atual competição) e o lateral-esquerdo Trémoulinas (um dos líderes em assistências no campeonato francês), além dos volantes Alou Diarra e Fernando Menegazzo, que contribuiram imensamente para o excelente desempenho apresentado. Mas a qualidade do setor ofensivo também foi fundamental nesse sentido. Pelo meio, figuram as principais engrenagens do Bordeaux, como o tcheco Plašil, o brasileiro Wendel (sempre perigoso nas bolas paradas), além de dois dos jovens mais promissores dessa nova leva de jogadores franceses: a dupla Gouffran e Gourcuff. Mais isolado na frente está o marroquino Chamakh, que vive grande fase e foi uma das principais ausências na última Copa Africana de Nações. Outras opções de ataque são Bellion e o argentino Cavenaghi, que não costumam comprometer quando requisitados.

Em contraste ao clima favorável vivenciado pelos franceses está o momento conturbado que o Olympiacos vem enfrentando. Após um início animador na liga nacional, o clube assistiu a ascensão do arqui-rival Panathinaikos, que assumiu a liderança e desponta como grande favorito para a conquista doméstica. Nessa Champions, mesmo com uma campanha instável (foram três vitórias, duas derrotas e um empate na 1ª fase), o clube conseguiu a segunda vaga do grupo H com cinco pontos de vantagem em relação ao 3º colocado graças a um triunfo sobre o líder Arsenal na última rodada, o que gerou uma falsa expectativa de estabilidade. Mas após uma sequência de quatro partidas sem vitórias no campeonato grego, os dirigentes resolveram demitir o técnico Zico, que curiosamente durou apenas quatro meses no comando do clube. Para seu lugar chegou o ex-defensor bósnio Božidar Bandović (um velho conhecido dos torcedores), que conta com uma base bastante globalizada onde se destacam os brasileiros Dudu Leonardo e Diogo (ambos ex-Lusa), além de Dudu Cearense; os argentinos Ledesma e Galletti (para não falar de Dátolo, recém-contratado junto ao Napoli); os espanhóis Raul Bravo (ex-Real Madrid) e Óscar; o italiano Maresca; o polonês Michał Żewłakow; além do sueco Mellberg. Entre os gregos, os nomes mais conhecidos são os do veterano arqueiro Nikipolidis, o meia Stoltidis (da seleção local), além do jovem atacante Mitroglou, que se aproveitou das contusões dos concorrentes para firmar-se entre os titulares.

CSKA Moscou x Sevilla

Outro duelo pouco badalado, mas que também promete muito equilíbrio ocorre entre CSKA e Sevilla. Enquanto alguns gigantes do futebol europeu (como Milan, Manchester United, Internazionale e Chelsea) estão sujeitos a uma eliminação precoce já nas oitavas-de-final, russos e espanhóis têm uma chance real de ficar ao menos entre as oito melhores equipes do continente na atual temporada. No caso dos sevillistas, seria mais uma boa chance de peitar os grandes, como tem sido nos últimas edições do campeonato espanhol. Na fase de grupos, o time fez sua parte e liderou um dos grupos mais fracos da competição. Com quatro vitórias e um empate em seis jogos, o maior destaque dos Rojiblancos foram as vitórias fora de casa sobre o Rangers (4x1) e Stuttgart (3x1), quando os comandados de Manolo Jiménez fizeram valer seu poder de contra-ataque. A base que mistura atletas velozes (como Adriano e Romaric), jovens valores (casos de Jesus Navas e Diego Capel), atacantes oportunistas (Luis Fabiano, Kanouté, Negredo), além de figurinhas carimbadas (principalmente no setor defensivo, que abriga Palop, Escudé, Squillaci, Dragutinović, Fernando Navarro, Duscher, Zokora e Renato), precisará superar o desfalque de Konko, que com problemas musculares, é dúvida para o confronto. Mesmo assim tem potencial de sobra para fazer valer sua força (como ocorre na atual Copa do Rei, onde o Sevilla eliminou o Barcelona e deve fazer a final contra o Atlético de Madrid).

Já o clube de Moscou (que pela 1ª vez conseguiu superar a fase de grupos da Liga dos Campeões), sonha em continuar fazendo história, a exemplo do que aconteceu em 2005, quando o CSKA se tornou a primeira equipe da Rússia a faturar uma Copa da UEFA. De certa forma, o desempenho na fase de grupos dessa Champions teve momentos de heroísmo que nos remetem aquela conquista. Depois de somar apenas três dos primeiros nove pontos que disputou (sendo que dois desses jogos foram em casa), o clube do exército fez valer suas origens, superando verdadeiras batalhas, como o empate diante do Manchester United em pleno Old Trafford, a vitória em casa sobre o Wolfsburg (favorito a 2ª vaga da chave), além do triunfo como visitante frente ao Beşiktaş (que definiu a classificação dos russos). Entre os nomes que realmente contribuíram para esse desempenho, destacam-se os meias Krasić e Dzagoev, que juntos foram responsáveis por sete dos dez gols que o CSKA marcou na 1ª fase. No ataque, que conta com Daniel Carvalho (ex-Inter) e Guilherme (revelado no Cruzeiro), outro brasileiro que já fez muito sucesso nos gramados russos seria bem-vindo, mas como Vágner Love prefere o sol carioca, quem se firmou (e abraçou o inverno de Moscou) foi o jovem tcheco Necid. Difícil é explicar o péssimo desempenho defensivo (com dez gols sofridos, foi o pior entre os demais classificados) de uma equipe que conta com os selecionáveis Akinfeev, Ignashevich, Aldonin e os irmãos Aleksei e Vasili Berezutskiy (todos constantemente convocados por Guus Hiddink), assim como o lituano Šemberas e o bósnio Rahimić, além de Schennikov e Mamaev (que integram as seleções de base russa).

Internazionale x Chelsea

Complementando essa disputa, Inter e Chelsea realizam o “clássico azul”, uma das disputas mais interessantes da atual Liga dos Campeões e que também recoloca frente a frente velhos conhecidos. Ex-treinador dos Blues, com quem fracassou na Champions em três oportunidades, o português José Mourinho agora estará do outro lado, unindo um de seus maiores objetivos a uma obsessão dos interistas. Porém, vencer o torneio com a equipe de Milão, que nas últimas três edições caiu nas oitavas-de-final (sendo duas delas diante de clubes ingleses), poderia ser considerado tão surpreendente como o título do Porto em 2003-04 (quando o próprio Mourinho era quem comandava os Dragões). O italiano Carlo Ancelotti, agora no Stamford Bridge, também vai reencontrar um velho inimigo, já que durante oito anos treinou o Milan, eterno rival da Inter. Nesse período, o treinador obteve bom aproveitamento nos confrontos diretos, conquistando dez vitórias e três empates em 18 jogos. Uma retrospectiva favorável para quem também precisa lidar com o sonho de consumo de Roman Abramovich: um título que coloque o Chelsea no mesmo patamar dos gigantes europeus.

A campanha inglesa na fase de grupos realmente foi mais convincente e por enquanto o time ainda se mantém invicto na competição. Em seis jogos, foram quatro vitórias e dois empates, o último deles em casa, frente ao modesto APOEL (lanterna da chave). Na Premier League, o clube tem se firmado cada vez mais na corrida pelo título, o que reforça a confiança dos torcedores para a disputa continental. Sob o comando de Ancelotti, os Blues apresentam um sistema defensivo ainda mais consistente, além de uma diversificação maior no revezamento de jogadores. A defesa conserva velhos conhecidos como o goleiro Čech ou os defensores Ricardo Carvalho e Ashley Cole, mas trás caras novas, como Ivanović (que assumiu a lateral direita). O sérvio preencheu uma lacuna aberta com a contusão de Bosingwa e mais recentemente, Belletti (que também vinha sendo aproveitado pelo meio). Mas os problemas enfrentados pelo o capitão John Terry (envolvido em mais um escândalo, que dessa vez lhe custou à braçadeira do English Team) ainda preocupam. O volante Essien, espécie de “dínamo” do setor, retornou contundido da Copa Africana das Nações e pode representar um sério desfalque para este confronto. Mas opções são o que não faltam ao Chelsea para compor seu meio-campo, entre elas Ballack, Joe Cole, Deco, Malouda, Obi Mikel ou Zhirkov. No ataque, Drogba vive excelente fase e até aqui, tem mostrado grande sintonia com Anelka nessa Champions League (cada um já marcou três gols). O suplente Salomon Kalou também anda afiado e vem logo atrás com dois tentos anotados. Juntos esse trio marcou oito dos onze gols do clube nessa 1ª fase e precisará continuar funcionando se quiser alcançar as quartas-de-final.

A Inter não fez uma campanha muito empolgante na faze de grupos, sucumbindo perante o Barcelona na briga pela liderança e encontrando dificuldades nas partidas do Giuseppe Meazza (onde obteve apenas uma vitória). Perspectiva muito diferente da vivenciada na atual temporada da Serie A, onde os Nerazzurri caminham a passos largos para mais um título nacional. Os destaques começam pelas traves, onde Júlio César vive grande fase e pode ser facilmente incluído na lista dos melhores arqueiros do mundo. A defesa nessa Liga dos Campeões tem se baseado em uma combinação de laterais e zagueiros sul-americanos: os brasileiros Maicon e Lúcio, além dos argentinos Samuel e Javier Zanetti. Com a saída de Vieira (que vinha sendo pouco aproveitado), Cambiasso e Thiago Motta formam outro dueto “portenho-tupiniquim” na contenção do meio-campo, aliados ao ganês Muntari. Porém, quem dita o ritmo do setor são os “motores” Stanković (que impressiona pela regularidade) e Sneijder (em grande fase desde que trocou Madrid por Milão). Na frente, a revelação Balotelli ganhou oportunidade em cinco dos seis jogos da Inter até aqui, mas precisa abrir os olhos (e não perder mais suas lentes de contato) se não quiser queimar-se com Mourinho. Sorte dos torcedores que a dupla formada por Diego Milito (um dos artilheiros do campeonato italiano) e Eto’o (decisivo para o Barcelona na campanha dos títulos continentais) parece sempre pronta para decidir qualquer parada. Como se já não bastasse, Pandev ainda desembarcou em Milão na última janela de transferências e parece totalmente adaptado ao novo clube. Se repetir o desempenho apresentado na Serie A, será um grande reforço para o confronto de duas equipes que lutam conta sua própria sina no torneio continental!

*Agora é sua vez de palpitar, meu caro leitor. Quem são seus favoritos nos confrontos da UEFA Champions Legue? Contribua com sua opinião deixando um comentário!!! 

permalink

Temporada 2010: Perspectivas e probabilidades  (Futebol Nacional) escrito em quinta 21 janeiro 2010 10:29

Com o início dos estaduais as principais equipes do país começam a se movimentar, oferecendo aos fãs do futebol uma prévia de suas possibilidades para o primeiro semestre de 2010. Reforços e planejamento fazem parte da expectativa de qualquer torcedor... Mas será que sua equipe realmente acertou nesse sentido ou ainda está lhe devendo um pouco de otimismo? Confira uma análise sobre os principais clubes do Brasil e saiba o que esperar desse começo de temporada:

Atlético Mineiro:

Principais Reforços: Vanderlei Luxemburgo (T-Santos), Muriqui (A-Avaí), Jairo Campos (Z-LDU/EQU), Fabiano (M-Sport), Leandro (LE-Vitória), Hugo (M-Sport), Marcelo Nicácio (A-Fortaleza), Reinaldo (A-Botafogo), Obina (A-Palmeiras).

Principais Baixas: Celso Roth (T), Tchô (M-Marítimo/POR), Yuri (M-Marítimo/POR), Márcio Araújo (V-Palmeiras), Éder Luís (A-Benfica/POR), Rentería (A-Braga/POR), Alex Bruno (Z-Nacional/POR), Pedro Oldoni (A-Nacional/POR), Thiago Feltri (LE).

Pitacos: Após naufragar na reta final do Brasileirão 2009, o Galo resolveu demitir Celso Roth e aposta em Vanderlei Luxemburgo para conseguir aquele “algo mais” que ficou faltando na última temporada. Em baixa depois da saída de Marcelo Teixeira do Santos, o técnico chega ao novo clube com um objetivo em comum: recuperar o prestigio perdido nos últimos anos. E se não vai poder contar com algumas peças importantes que acabaram negociadas (casos de Márcio Araújo, Éder Luís e Rentería), ao menos ganhou reforços de sua confiança (como Leandro e Fabiano) para remontar o time. A defesa (um dos pontos fracos no ano passado) preocupa mesmo após a chegada do equatoriano Campos e por isso a diretoria especula nomes como Edmílson (do Palmeiras), Adaílton (ex-Santos), além do paraguaio Cáceres (que já jogou no Atlético). No setor ofensivo, a esperança é que o artilheiro Diego Tardelli (que foi mantido) mantenha a boa fase. Contratações como Kléber Pereira foram cogitadas, mas quem realmente chegou para disputar uma vaga no ataque foram Muriqui, Reinaldo e Obina. Sonhando em retornar a vitrine do futebol nacional, a equipe deve concentrar suas atenções na disputa estadual e principalmente na Copa do Brasil. Se atletas como Renan Oliveira (uma eterna promessa) ou Ricardinho (contratado em meio ao ano passado, mas que ainda não parece adaptado ao novo clube) encontrarem seu melhor futebol, as chances de sucesso podem crescer ainda mais...

Time base: Carini; Coelho, Wélton Felipe (Werley), Jairo Campos, Júnior (Leandro); Carlos Alberto (Jonílson), Corrêa, Evandro (Fabiano), Ricardinho; Reinaldo (Obina) e Diego Tardelli. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Botafogo:

Principais Reforços: Sebastian Abreu (A), Renato Cajá (M-Grêmio), Somália (V-América-RN), Léo Guerreiro (A-Botafogo-DF), Marcelo Cordeiro (LE-Internacional), Antônio Carlos (Z-Atlético-PR), Edson (Z-Figueirense), Diguinho (M-América-RJ), Herrera (A-Grêmio), Fábio Ferreira (Z-Vitória), Vinicius (Flamengo).

Principais Baixas: Michael (M-Flamengo), Jônatas (V-Dispensado), Reinaldo (A-Atlético-MG), Juninho (Z-Samsung/CDS), Thiaguinho (LD-Fluminense), Laio (A-Macaé), Castillo (G-Deportivo Cali/COL), Emerson (Z-Avaí), Batista (V-Avaí), Victor Simões (A-Al-Ahli/ARS), Jean Coral (A-Ceará).

Pitacos: Apesar de se salvar do rebaixamento de forma emocionante nas rodadas finais do no último Brasileirão, a campanha botafoguense foi um forte indício de que alguma coisa precisava mudar em General Severiano. E por sorte, reinventar-se não tem sido problema para o Alvinegro nesses últimos anos. A diretoria resolveu dar um voto de confiança a Estevam Soares, que chegou no meio de 2009 e agora tem a oportunidade de comandar o planejamento desde o início. Porém, a saída de alguns titulares (Thiaguinho, Juninho, Victor Simões e André Lima) e outros medalhões que não estavam rendendo o esperado (Castillo, Michael e Reinaldo) enfraqueceu uma base que já era contestável. A reposição ao menos tem sido inteligente, aproveitando bons jogadores disponíveis no mercado (a nova dupla de ataque, composta pelo argentino Herrera e o uruguaio “El Loco” Abreu, é o maior exemplo nesse sentido). Mas a defesa ainda precisa de mais atenção. Por isso, alguns nomes sondados (como Betão e Danny Morais) seriam muito bem-vindos. Como sonhar não custa nada, a diretoria apresentou até um projeto para contratar Ronaldinho Gaúcho. Mas o que o Botafogo realmente precisa em 2010 é fincar os pés nos chão.

Time base: Jefferson; Alessandro, Wellington, Antônio Carlos (Fábio Ferreira), Marcelo Cordeiro; Fahel, Leandro Guerreiro, Lúcio Flávio, Renato Cajá (Eduardo); Herrera e Abreu. Técnico: Estevam Soares.

Corinthians:

Principais Reforços: Danilo (M-Kashima Antlers/JAP), Roberto Carlos (LE-Fenerbahce/TUR), Tcheco (M-Grêmio), Iarley (A-Goiás), Ralf (V-Barueri), Moacir (V e L-Sport), Leandro Castan (Z-Barueri).

Principais Baixas: Marcelo Oliveira (V-Barueri), Marcelinho (A-Monte Azul), Bruno Bertucci (LE-São Caetano), Moradei (V-São Caetano), Diego (Z-Ceará), Henrique (A-Vitória de Setúbal/POR), Denis (LD-Náutico), Acosta (A-Oeste).

Pitacos: Não é segredo para ninguém que a obsessão corinthiana no ano de seu centenário é a Libertadores. Por ela, a equipe sacrificou todo segundo semestre em 2009, após um início de temporada arrasador (quando faturou o estdual e a Copa do Brasil). É verdade que a negociação de alguns destaques (como André Santos, Cristian e Douglas) também prejudicou o desempenho do time, mas desde então a diretoria vem trabalhando para manter o Corinthians forte em 2010. Após muitos boatos em torno de Riquelme, a chegada de Roberto Carlos foi o grande trunfo da pré-temporada e a expectativa é que essa contratação seja bem-sucedida como foi a de Ronaldo no ano passado. O técnico Mano Menezes também buscou soluções para as demais posições enfraquecidas: Tcheco e Danilo são os principais candidatos a organização do meio-campo, enquanto Iarley pode cavar uma vaga na frente. O setor defensivo ganhou opções (como Moacir, Leandro Castan e Ralf), mas o treinador ainda espera a chegada de um zagueiro no nível dos titulares (falou-se em Henrique, Aléx Silva e Lima). Contratações que chegaram em meio a última temporada, mas ainda não se acertaram (casos de Marcelo Mattos, Edu e Defederico) também podem ser importantes na formação de um grupo que pretende quebrar o maior tabu da história do Timão!

Time base: Felipe; Alessandro, Chicão, William, Roberto Carlos; Marcelo Mattos (Edu), Elias, Danilo (Tcheco); Dentinho (Iarley), Jorge Henrique (Defederico) e Ronaldo. Técnico: Mano Menezes.

Cruzeiro:

Principais Reforços: Anderson Lessa (A-Náutico), Pedro Ken (M-Coritiba).

Principais Baixas: Gustavo (Z-Vasco), Andrey (G-Portuguesa), Athirson (LE-Portuguesa), Jancarlos (LD-Dispensado), Patric (LD-Avaí), Wanderley (São Caetano), Thiago Martinelli (Z-Vasco).

Pitacos: Depois do frustrante vice-campeonato na última Libertadores, os cruzeirenses precisaram de algum tempo para reencontrar seu melhor futebol. E a arrancada no 2º turno do Brasileirão mostrou que o time celeste ainda tinha “bala na agulha”. Além de garantir um lugar na principal competição interclubes do futebol sul-americano em 2010, a Raposa ainda teve o gostinho de superar o Atlético, comprovando o significado da expressão “quem ri por último, ri melhor”! Passada a festa, pode-se dizer que as contratações para a nova temporada foram discretas se comparadas aos anos anteriores. Falou-se em Ayala, Macnelly Torres, Valdívia e Kléber Pereira, mas os únicos reforços a desembarcar no Cruzeiro por enquanto foram os jovens Pedro Ken e Anderson Lessa. Por outro lado, muitos atletas que não estavam correspondendo às expectativas foram liberados. Uma possível baixa seria Kléber (teoricamente insatisfeito no clube e assediado pelo Palmeiras), mas a diretoria mineira bancou a permanência do jogador, contando com um desempenho melhor que o do último semestre (quando o Gladiador passou boa parte do tempo lesionado). Sinal de que não deve haver grandes mudanças na Toca da Raposa e que Adilson Batista vai ter de se virar com o material humano que já possui em mãos (o que convenhamos não chega a ser um problema levando em consideração a qualidade do elenco).

Time base: Fábio; Jonathan, Cláudio Caçapa (Thiago Heleno), Leonardo Silva, Diego Renan; Henrique, Marquinhos Paraná (Fabinho), Fabrício, Gilberto (Guerrón); Wellington Paulista (Thiago Ribeiro) e Kléber. Técnico: Adilson Batista.

Flamengo:

Principais Reforços: Fernando (V-Goiás), Léo Medeiros (M-Bahia), Michael (M-Botafogo), Vágner Love (A-Palmeiras).

Principais Baixas: Aírton (V-Benfica/POR), Diego (G-Sem Clube), Maxi Biancucchi (A-Cruz Azul/MEX), Éverton (M-Tigres/MEX), Zé Roberto (M-Schalke/ALE), Marlon (Z-Duque de Caxias).

Pitacos: Atual campeão brasileiro, o Flamengo viveu dias conturbados nessa virada de ano. A transição na presidência do clube trouxe algumas mudanças para a realidade Rubro-Negra, o que colaborou para a indefinição na renovação com o treinador Andrade (um dos grandes responsáveis pela conquista nacional), deixando a torcida apreensiva em relação às possibilidades da equipe para 2010. Valorizado, o técnico acabou permanecendo após muita negociação, chegando a um acordo que agradou a todos os lados (ele próprio, a diretoria e principalmente a torcida). Porém, alguns atletas não tiveram o mesmo destino e acabaram deixando a Gávea, como por exemplo, Aírton e Zé Roberto, ambos titulares no último Brasileirão. Os reforços limitavam-se ao retorno de alguns jogadores emprestados (casos de Léo Medeiros e Obina), além de discretas aquisições, como os contestáveis Fernando e Michael. Mas a poucos dias do início da temporada o clube anunciou a contratação de Vágner Love, que estava insatisfeito no Palmeiras e desembarcou na Gávea fazendo juras de amor ao novo time. Se não extrapolar com Adriano nas tabelinhas extra-campo, o novo atacante flamenguista tem totais condições de recuperar seu melhor futebol e ajudar o Urubu no principal objetivo de 2010: comprovar que o sucesso obtido no último semestre não foi apenas uma “fase passageira”.

Time base: Bruno; Leonardo Moura, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Maldonado, Willians, Kléberson (Toró), Petkovic; Vágner Love e Adriano. Técnico: Andrade.

Fluminense:

Principais Reforços: Thiaguinho (LD-Botafogo), Julio Cesar (LE-Goiás), David (M-Náutico), Ewerton (M-Barueri), Willians (M-Palmeiras), Leandro Euzébio (Z-Goiás), Matheus (A-São Caetano).

Principais Baixas: Luiz Alberto (Z-Dispensado), Edcarlos (Z-Cruz Azul/MEX), Fabinho (V-Sem Clube), Wellington Monteiro (V-Goiás), Augusto (LE-Ceará), Urrutia (V-LDU/EQU), Ruy (LD-Boavista), Radamés (V-Botafogo/SP), Roni (A-Dispensado), Leandro Amaral (A-Sem Clube), João Paulo (LE-Figueirense), Carlos Eduardo (M-Barueri), Paulo César (LD-Dispensado), Tartá (M-Atlético-PR).

Pitacos: Em 2009, o Fluminense contrariou a lógica dos matemáticos e permaneceu de forma heróica na elite do futebol nacional. Apontado como “virtual rebaixado” após um 1º turno medíocre, o Tricolor teve forças para uma impressionante arrancada na reta final do torneio, sobrevivendo ao pessimismo alheio. Nem por isso o técnico Cuca deixou de fazer uma faxina no elenco, dispensando os serviços de muitos jogadores que andavam devendo bom futebol pelos lados das Laranjeiras (entre ele, medalhões como Ruy, Luiz Alberto, Edcarlos, Paulo César, Fabinho, Wellington Monteiro, Urrutia, Roni e Leandro Amaral). A idéia é apostar naqueles que vestiram literalmente a camisa durante os momentos de crise, ganhando não só a confiança do treinador, como também dos torcedores. As novas contratações se destacam justamente nesse sentido: atletas pouco badalados, mas reconhecidamente eficientes, como os meias Ewerton e Willians. Talvez o nome mais conhecido seja o do lateral Júlio César, que apesar das excelentes campanhas com o Goiás ainda não brilhou em um grande centro. Porém, as maiores esperanças continuam depositadas na inspiração do argentino Conca e no faro de gols do artilheiro Fred (que espera manter a boa fase do ano passado para sonhar com uma vaga na seleção). Quem sabe assim, o Fluminense tenha ambições maiores (e realmente o que comemorar!) em 2010...

Time base: Rafael; Mariano (Thiaguinho), Dalton, Gum, Júlio César; Diguinho, Thiaguinho (Marquinho), Ewerton, Conca, Willians; Fred. Técnico: Cuca.

Grêmio:

Principais Reforços: Maurício (Z-Palmeiras), Silas (T-Avaí), Leandro (A-Verdy Tokio/JAP), Henrique (V-Campinense), Ferdinando (LD-Avaí), Hugo (M-São Paulo), Borges (A-São Paulo), William (A-Avaí).

Principais Baixas: Maxi López (A), Léo (Z-Palmeiras), Renato Cajá (M-Botafogo), Tcheco (M-Corinthians), Paulo Autuori (T-Al-Rayyan/CAT), Herrera (A-Botafogo), Douglas Costa (M-Shakhtar Donetsk/UCR), William Thiego (Z-Kyoto Purple/JAP).

Pitacos: Na última temporada, o Grêmio pagou pela indefinição no comando técnico. Após decidir que o trabalho de Celso Roth não servia, o clube foi buscar um treinador mais experiente. O problema é que enquanto a diretoria fechava com Paulo Autuori, o time engrenava sob o comando do interino Marcelo Rospide, realizando a melhor campanha na 1ª fase da Libertadores. Na transição, o Tricolor seguiu vivo até as semifinais, quando acabou eliminado pelo Cruzeiro. A confirmação de que o trabalho do novo técnico não tinha dado liga veio no Brasileirão, quando os gaúchos realizaram uma campanha caseira, mantendo-se na parte intermediária da tabela ao longo da competição. O que levou os gremistas a apostarem no trabalho do promissor Silas, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do Avaí nos últimos anos. Após a saída de peças importantes (como Tcheco, Herrera e Máxi López) e jovens valores (casos de Thiego e Douglas Costa), o novo treinador ao menos ganhou reforços interessantes, entre eles Hugo, Leandro e Borges (com passagens recentes pelo São Paulo), além de Ferdinando e William (que trabalharam com ele em SC). Mas ainda será preciso quebrar a cabeça para resolver alguns problemas, como a lateral direita (onde Vitor e o argentino Angeleri são os sonhos de consumo). A possível chegada de Douglas (ex-Corinthians) também fortaleceria consideravelmente o novo poderio ofensivo gremista, que na atual temporada espera alçar vôos mais altos do que no ano passado!

Time base: Victor; Mário Fernandes, Réver, Maurício (Rafael Marques), Fábio Santos (Lúcio); Adílson, Fábio Rochemback, Souza, Hugo; Leandro e Borges. Técnico: Silas.

Internacional:

Principais Reforços: Thiago Humberto (A-Barueri), Bruno Silva (LD-Ajax/HOL), Adriano (A-Vasco), Ramon (LE-Vasco), Muriel (G-Portuguesa), Titi (Z-Vasco), Nei (LD-Atlético-PR), Jorge Fossati (T-LDU/EQU), Wilson Mathias (V-Monarcas/MEX), Guto (A-Sport).

Principais Baixas: Clemer (G-Aposentado), Bolaños (A-Barcelona-EQU), Alan Kardec (A-Benfica-POR), Marcelo Cordeiro (LE-Botafogo), Michel Alves (G-Sem Clube).

Pitacos: Depois da saída de Tite no ano passado, a diretoria do Colorado foi buscar Mário Sérgio para comandar a equipe durante a reta final do Campeonato Brasileiro. Apesar de providencial, a medida quase deu certo, já que o Internacional terminou a competição na vice-colocação. Nem por isso esse trabalho teve sequência e para a atual temporada a bola da vez é o uruguaio Jorge Fossati, que se destacou no futebol sul-americano em 2009 ao faturar a Recopa e a Sul-Americana pela LDU. A expectativa da torcida é que o novo treinador mantenha a fase vitoriosa e recoloque os gaúchos na trilha dos títulos. O elenco a disposição não sofreu grandes alterações em relação ao ano passado. Entre as contratações, destaque para Nei, Bruno Silva, Wilson Mathias e Thiago Humberto, além de alguns jogadores que retornam de empréstimo e poderão ser aproveitados (como Muriel, Ramon ou Adriano). Ao menos por enquanto, as saídas limitam-se a atletas que não vinham jogando com regularidade, o que não deve causar maiores impactos no esquema de jogo alvirrubro. Porém, o interesse em estrelas como Guiñazú (assediado pelo São Paulo), Sandro (que interessa ao Tottenham) e D’Alessandro (cogitado no River Plate) preocupa muita gente pelos lados do Beira-Rio...

Time base: Lauro; Bolívar, Fabiano Eller, Índio; Bruno Silva (Nei), Guiñazú, Sandro, D’Alessandro (Andrezinho), Edu (Taison), Kléber; Alecsandro. Técnico: Jorge Fossati.

Palmeiras:

Principais Reforços: Léo (Z-Grêmio), Marcio Araújo (V-Atlético Mineiro), Willian (M-Vitória), Eduardo (LE-Guarani), Edinho (V-Lecce/ITA).

Principais Baixas: Maurício (Z-Grêmio), Jumar (V-Vasco), Ortigoza (A-Sol de America/PAR), Obina (A-Atlético/MG), Marcão (Z-Sem Clube), Jefferson (LE-Barueri), Willians (M-Fluminense), Vágner Love (A-Flamengo), Edmílson (Z-Sem Clube).

Pitacos: Passada a ressaca causada pelo fracasso no último Campeonato Brasileiro, o Palmeiras inicia 2010 juntando os cacos. O objetivo dos comandados de Muricy Ramalho é recomeçar do zero, ainda mais após ficar de fora da Libertadores e ter de focar suas atenções na disputa doméstica durante o 1º semestre. A última conquista alviverde se deu há dois anos, justamente no Paulistão. E não se pode negar que aquele triunfo serviu para amenizar o ego do torcedor, devolvendo confiança a nomes como Marcos e Pierre, além de fortalecer jogadores como Valdívia e Kléber (que se firmariam como ídolos no Palestra Itália). E Muricy sabe que no atual momento, o que o Verdão mais precisa é recuperar a credibilidade perdida ao longo do último semestre. Por isso mesmo não fez questão de manter no elenco jogadores desgastados com a famosa “turma do amendoim” (casos de Marcão, Maurício, Jefferson, entre outros). A reposição defensiva foi extremamente satisfatória, com as contratações de Léo, Edinho e Márcio Araújo, porém, as baixas na frente enfraqueceram consideravelmente o setor ofensivo. E sem Obina, Ortigoza e principalmente Vágner Love, a responsabilidade recai sobre Diego Souza (que deve jogar mais adiantado) e Robert. A diretoria sonha com o retorno de Kleber, correndo atrás de possibilidades mais concretas (como Marcelo Moreno ou Val Baiano), mas por enquanto a camisa 9 segue como o grande “calcanhar de Aquiles” palmeirense em 2010.

Time base: Marcos; Léo, Maurício Ramos, Danilo; Figueroa, Pierre, Edinho (Márcio Araújo), Cleiton Xavier, Diego Souza, Armero; Robert. Técnico: Muricy Ramalho.

Santos:

Principais Reforços: Giovanni (M-Mogi Mirim), Durval (Z-Sport), Dorival Junior (T-Vasco), Marquinhos (M-Avaí), Bruno Aguiar (Z-Guarani), Bruno Rodrigo (Z-Portuguesa), Roberto Brum (V-Figueirense), Luciano Castán (Z-União São João), Maranhão (LD-Guarani), Zé Eduardo (M-ABC), Wesley (A-Atlético-PR), Arouca (V-São Paulo).

Principais Baixas: Emerson (V-Sem Clube), Kléber Pereira (A-Sem Clube), Vanderlei Luxemburgo (T-Atlético Mineiro), Wagner Diniz (LD-São Paulo), Fabão (Z-Sem Clube), Eli Sabiá (Z-Paulista), Felipe Azevedo (M-Paulista), Adaílton (Z-Sem Clube), Douglas (G-Ipatinga), Robson (M-Avaí), Sérgio (G-Sem Clube), Paulo Henrique Rodrigues (Z-Atlético Goianiense), Astorga (Z-Sem Clube), Triguinho (LE-São Caetano), Luizinho (LD-Ipatinga), Jean (A-Sem Clube), Rodrigo Souto (V-São Paulo).

Pitacos: Após o fim da “era Marcelo Teixeira” (que durou dez anos), era inevitável que ocorressem drásticas mudanças no Santos. E foi justamente o que aconteceu após o início do mandado de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Preocupado em manter as contas do clube em dia, o novo presidente recebeu com um sorriso no rosto a notícia de que Vanderlei Luxemburgo também abandonava o barco, abrindo as portas da Vila Belmiro para Dorival Júnior. Credenciado pela reestruturação do Vasco, o novo técnico ainda teve de iniciar uma faxina no elenco, que vitimou diversos medalhões (entre eles, Fabão, Adaílton, Emerson e Kleber Pereira). Além disso, Dorival sabe que não pode esperar contratações renomadas de um clube em dificuldades financeiras e o jeito é se virar com as opções disponíveis no mercado. Para a defesa, chegam o promissor Maranhão, além do experiente Durval. Pelo meio, a inevitável saída de Rodrigo Souto foi transformada em uma troca por Arouca, que por sua vez deverá jogar ao lado de Roberto Brum (que retorna ao alvinegro). Ao contrário de seu antecessor, Dorival Junior deve apostar todas suas fichas em Paulo Henrique e Neymar, os novos “meninos da Vila”. Mas sabe que a experiência de atletas mais rodados, como Marquinhos e Giovanni (homem de confiança do novo presidente), serão fundamentais nesse processo. A contratação de um “homem de área” (falou-se em Keirrison e Marcel) também seria importante, já que no momento a vaga pertence ao contestável André.

Time base: Fábio Costa; George Lucas (Maranhão), Durval, Edu Dracena, Léo; Roberto Brum, Arouca, Paulo Henrique, Mádsón (Marquinhos), Neymar; André (Giovanni). Técnico: Dorival Júnior.

São Paulo:

Principais Reforços: Rodrigo Souto (V-Santos), André Luís (Z-Barueri), Marcelinho Paraíba (A-Coritiba), Fernandinho (A-Barueri), Xandão (Z-Barueri), Léo Lima (M-Goiás), Wagner Diniz (LD-Santos), Roger (A-Vitória), Carlinhos Paraíba (M-Coritiba).

Principais Baixas: Fabiano (G-Santo André), Rodrigo (Z-Dínamo Kiev/UCR), Hugo (M-Grêmio), Borges (A-Grêmio), Saavedra (Z-Atlético Goianiense), Arouca (V-Santos).

Pitacos: No último Campeonato Brasileiro, o torcedor são-paulino despediu-se de Muricy Ramalho, comandante do tricampeonato nacional. A justificativa da diretoria era de que a relação entre treinador e jogadores já estava desgastada, mas os seguidas eliminações na Libertadores para adversários brasileiros pesou consideravelmente nessa decisão. A aposta foi em Ricardo Gomes, que se enquadrava no perfil “moderno” idealizado pela cúpula Tricolor, mas demorou algum tempo para conseguir impor sua filosofia de trabalho no Morumbi. Assimilado o estilo do novo comandante, o São Paulo até esboçou uma reação na luta pelo título, mas acabou fraquejando nos momentos decisivos (o que não costumava acontecer nos tempos de Muricy). Dadas as circunstâncias, nenhum torcedor ficou muito decepcionado, mas por outro lado, a expectativa de como o novo São Paulo de Ricardo Gomes deve se sair em 2010 já é grande! A base dos últimos anos continua mantida, a exceção das saídas de Rodrigo, Arouca, Hugo e Borges (todos suplentes). Porém, os reforços para essa temporada não causaram impacto como em anos anteriores. Jogadores questionáveis, como André Luis e Léo Lima, consistem em apostas arriscadas e alguns nomes que retornam de empréstimo (Wagner Diniz e Roger) não tem credibilidade com a torcida. O jeito vai ser torcer para que os velhos conhecidos (entre eles o veterano Marcelinho Paraíba, que retorna ao Morumbi) entrem nos eixos e retomarem o caminho das vitórias.

Time base: Rogério Ceni; Jean, André Dias, Miranda, Jorge Wágner; Richarlyson, Hernanes, Léo Lima (Renato Silva ou Rodrigo Souto), Marcelinho Paraíba; Dagoberto e Washington. Técnico: Ricardo Gomes.

Vasco:

Principais Reforços: Thiago Martinelli (Z-Cerezo Osaka/JAP), Dodô (A-Sem Clube), Márcio Careca (LE-Barueri), Rafael Coelho (A-Figueirense), Élder Granja (LD-Sport), Léo Gago (V-Avaí), Gustavo (Z-Cruzeiro), Caíque (M-Guarani), Geovane Maranhão (A-Artsul), Jumar (V-Palmeiras), Vágner Mancini (T-Vitória), Rafael Carioca (V-Spartak/RUS).

Principais Baixas: Amaral (V-Sem Clube), Adriano (A-Inter), Dorival Junior (T-Santos), Ramon (LE-Inter), Vilson (Z-Madureira), Benítez (M-Cerro Porteño/PAR), Pará (LE-Paraná), Rafael Morisco (Z-Chapecoense), Aloísio (A-Sem Clube), Paulo Sérgio (LD-Portuguesa), Alex Teixeira (A-Shakhtar Donetsk/UCR), Vilson (Z-Vitória).

Pitacos: Superado o calvário da Serie B, o Vasco finalmente retorna a elite do futebol nacional. E para consagrar definitivamente essa volta, nada como uma campanha convincente em 2010. Apesar de perder o treinador responsável pela reestruturação do clube (Dorival Junior), o otimismo continua em alta pelos lados de São Januário. Isso porque diretoria aposta em Vágner Mancini, que já comprovou sua qualidade quando teve a tranquilidade necessária para desenvolver seu trabalho (o que não aconteceu no ano passado). Apesar de perder algumas peças importantes do título na 2ª divisão nacional (casos de Paulo Sérgio, Ramón, Adriano, Aloísio e principalmente a revelação Alex Teixeira), Mancini não pode reclamar da diretoria na busca por reforços. Afinal, mesmo sem muito dinheiro em caixa, o Gigante da Colina tem demonstrado inteligência na reposição. Atletas como Elder Granja, Gustavo, Thiago Martinelli, Jumar, Rafael Carioca e Léo Gago são opções interessantes na composição da defesa. Na frente, o sonho de repatriar Juninho Pernambucano ainda não se confirmou, mas ao menos a estrela Carlos Alberto está mantida, assim como o artilheiro Élton (que permanece após uma frustrada negociação com o futebol ucraniano). Ao lado de Rodrigo Pimpão, Caíque, Rafael Coelho e Dodô, eles formarão um setor ofensivo de respeito. Não fosse a eleição de Eurico Miranda (para presidência do Conselho Benemérito do clube) e o Vasco só teria motivos para sorrir nesse início de 2010...

Time base: Fernando Prass; Elder Granja, Gian (Gustavo), Fernando (Thiago Martinelli), Márcio Careca; Nílton, Souza (Jumar), Rafael Carioca (Léo Gago), Carlos Alberto; Dodô e Élton. Técnico: Vágner Mancini.

Pelo Brasil afora:

Entre as equipes paulistas que disputam a 1ª divisão do Campeonato Brasileiro, um dos destaques (mas infelizmente negativo) é a transferência do Grêmio Barueri para Presidente Prudente, devido ao rompimento do vínculo entre os diretores do clube e o poder público da cidade de Barueri. Além da incoerência geográfica presente no nome da equipe, a nova medida abre uma discussão sobre a influência dos interesses econômicos no futebol. O Guarani, que conseguiu um heróico acesso na Série B em 2009, perdeu alguns jogadores importantes, como os laterais Eduardo (cedido ao Palmeiras) e Maranhão, o zagueiro Bruno Aguiar (ambos negociados com o Santos), além do atacante Caíque (atualmente no Vasco). Mas como disputa a 2ª divisão do estadual nesse primeiro semestre, espera que a base remanescente seja o suficiente para garantir mais um acesso. Clubes tradicionais, como a Portuguesa, investiram pensando em longo prazo, mais especificamente no 2º semestre, quando sonham em carimbar o passaporte de volta a elite do futebol nacional. A Lusa investiu em atletas qualificados, como o lateral Paulo Sérgio, o zagueiro Gladstone, além do atacante uruguaio Biscayzacu, sem falar em velhos conhecidos que foram repatriados (casos de Athirson, Marcos Paulo e Celsinho). A Ponte Preta seguiu o mesmo caminho apostando na volta de Finazzi, sem falar nas aquisições de Eduardo Martini (um dos melhores goleiros do último brasileirão) e Octacílio Neto (ex-Corinthians).

Em Minas Gerais, o América renasceu das cinzas após o retorno a elite estadual e a conquista da Série C. O alicerce do time continua baseado na experiência do arqueiro Flávio (que vai ter Gleuguer como concorrente), dos defensores Evanílson, Preto e Wellington Paulo, dos meias Luciano Ratinho e Irênio, além dos atacantes Euller e Fábio Bala. Em Goiás, o Atlético está em festa com a volta a 1ª divisão nacional e além de segurar seu artilheiro Marcão, ainda foi buscar os reforços como o defensor chileno Saavedra (que não teve oportunidades no São Paulo) e os atacantes Rodrigo Tiuí e Washington (ex-São Caetano). O Vila Nova, que vem de uma temporada discreta, continua em baixa e tem como maior ambição repatriar o ídolo Wando. Por sua vez, o Goiás, se orgulha de ter segurado Fernandão apesar das investidas rivais, mas não teve a mesma sorte com Leandro Euzébio, Júlio César, Léo Lima e Iarley. Entre as caras novas, destaque para Jadílson (que retorna ao Serra Dourada), Wellington Monteiro e Angel Rojas (ex-Universidad do Chile).

No sul do país, o Juventude espera voltar aos dias de glória mesclando a experiência de jogadores rodados (como o goleiro Silvio Luiz, o volante Lauro e o atacante Marcos Dener) ao futebol de suas revelações (casos do promissor Zezinho e de alguns garotos que se destacaram na última Copa São Paulo). Em Santa Catarina, o Avaí recomeça sua vida após a saída do técnico Silas (substituído por Péricles Chamusca) e mais da metade do time que realizou ótima campanha no último Brasileirão (Eduardo Martini, Fabinho Capixaba, Léo Gago, Ferdinando, Marquinhos, Muriqui e William). Para amenizar esse quadro, a diretoria trouxe figurinhas carimbadas como o volante Batista e o atacante Vandinho, além de jogadores renomados (casos de Frédson, Dinélson e o veterano Sávio). No arqui-rival Figueirense, a expectativa é pelo desempenho da dupla de argentinos Cattaneo (ex-Tigre) e Gastón Ada (que estava no Argentino Juniors). Depois de uma temporada ruim no ano passado, o Criciúma não tem grandes perspectivas após poucos investimentos e a demissão do técnico Itamar Schulle. Pelos lados do Paraná, o Atlético (único remanescente na 1ª divisão) precisa abrir os olhos se não quiser seguir os passos dos principais inimigos. Além de ter feito uma campanha discreta no nacional, o clube ainda perdeu jogadores importantes, como Galatto, Nei, Rafael Miranda e Marcinho. O jeito vai ser torcer para que os colombianos Vanegas (defensor) e Serna (atacante) façam tanto sucesso quanto o compatriota Ferreira. Além deles, também chegam Tartá (ex-Fluminense), Bruno Mineiro (que estava no Náutico) e o ídolo Alan Bahia (que retorna a Baixada). O Coritiba é outro que vai precisar de muita motivação para alcançar seus objetivos em 2010. Rebaixado no último Brasileirão, a equipe acena com as discretas chegadas dos meias Rafinha e Enrico, ao mesmo tempo em que assistiu a saída de 16 jogadores (entre eles Pedro Ken e a dupla Carlinhos e Marcelinho Paraíba). A permanência (ainda incerta) dos atacantes Marcos Aurélio e Ariel por enquanto segue como a melhor notícia. O Paraná, como de costume, realizou uma troca impactante em seu elenco: enquanto 11 jogadores deixaram a Vila Capanema, 12 foram contratados para a atual temporada. Roberto Cavalo também cede lugar a Marcelo Oliveira no comando técnico da equipe.

Pelos lados do Nordeste, o Vitória abriu mão do trabalho de Vágner Mancini para promover seu ex-auxiliar Ricardo Silva. Junto com o treinador, saíram mais de 11 atletas, entre eles Apodi, Leandro, Jackson, Leandro Domingues, Roger e Derlei. Pelo visto, o 1º semestre deve ser de economias, o que limita consideravelmente as possibilidades de reposição. Entre os recém-contratados, os nomes mais conhecidos são os defensores Marcos Pimentel, Vílson e Egídio, o meia Marcinho (que estava no Corinthians), além dos atacantes Schwenck e Índio. E o rubro-negro precisa mesmo se cuidar, já que o rival Bahia sonha em se reerguer e para tanto trouxe nomes de peso: no banco de reservas o comandante será Renato Gaúcho, enquanto o pentacampeão Edílson, que volta ao futebol após dois anos parado, será a principal referência dentro de campo. Alguns jogadores que já trabalharam com Renato também desembarcam na Fonte Nova, entre eles os meias Mateus e Abedi. O Ceará retorna a primeira divisão sem o comandante do acesso, PC Gusmão, que acabou substituído por Renê Simões. Apesar de boas contratações para o sistema defensivo, como o goleiro Eduardo (ex-Náutico), o zagueiro Diego (que estava no Corinthians), além do volante Douglas Silva (rebaixado com o Coritiba no último Brasileirão), será preciso atenção especial com o ataque, que perdeu Geraldo, Sérgio Alves e Mota. Embora o maior rival Fortaleza não assuste tanto após a vexatória campanha na Serie B do ano passado (que resultou na queda para terceira divisão). As equipes de Pernambuco também amargaram insucessos em 2009. O Sport começa sua recuperação apostando em uma reformulação para manter a hegemonia estadual. Para isso contratou jogadores com passagens por grandes clubes, como o lateral Eduardo Ratinho, os meias Eduardo Ramos e Ricardinho, além do atacante Nádson. O Náutico também mandou muita gente embora, como os atacantes Kuki, Tuta e Acosta. Um dos poucos a se salvar nessa barca foi Carlinhos Bala, que agora vai ter a companhia dos laterais Dênis (ex-Corinthians) e Zé Carlos (que estava no Goiás). Correndo por fora estará o Santa Cruz, que confia no trabalho do treinador Lori Sandri, além de ex-ídolos do arqui-rival Sport, como o meia Jackson e o atacante Gaúcho.

Fique por dentro do mercado de contratações:

- Uol

- Terra

- IG

- Globoesporte.com

permalink

A prata da casa em meio ao garimpo do ouro  (Visão de Jogo) escrito em sexta 15 janeiro 2010 07:29

 

Em 2010, a Copa São Paulo de Futebol Júnior chega a sua 41ª edição, consolidando-se como torneio mais tradicional da categoria, embora o prestígio que sempre caracterizou a disputa diminua a cada ano. Com a criação do Campeonato Brasileiro Sub-20, a Federação Paulista resolveu padronizar a Copinha desde 2008, admitindo apenas atletas com até 18 anos. Mas apesar da cobertura competente realizada por alguns veículos especializados, como o site Olheiros (clique aqui e aqui), a sensação é de que o campeonato não possui a mesma visibilidade e nem empolga o torcedor como em um passado recente. Aliás, o romântico sonho de chegar à vitrine do futebol nacional, que todo garoto projetava no certame, cedeu lugar aos interesses de empresários, preocupados principalmente com negociatas e transações vantajosas. O que já explica muita coisa...

Um dos pontos que prejudica (e muito!) a Copa São Paulo é seu regulamento, que precisa solucionar a vida de um torneio cada vez mais inchado. A edição desse ano conta com 92 participantes, divididos em 23 chaves, onde além dos líderes, classificam-se os nove melhores colocados por índice técnico. As equipes representam estados de todo o país. Mesmo assim, os critérios para a escolha dos participantes não é a ideal (veja mais) e clubes tradicionais acabam cedendo lugar para times “voltados à formação de jogadores” (curiosamente, sempre bancados por algum empresário). Em 2010, Paysandu, Sport, Náutico, Santa Cruz, Criciúma e América de Natal foram algumas das equipes ausentes, enquanto os paulistas Pão de Açúcar, Olé Brasil ou Primeira Camisa (cujo proprietário é o zagueiro Roque Júnior) estiveram na disputa. O nome de outro participante, o Desportivo Brasil Participações Ltda (clube de Barueri) define bem essa realidade. A participação de equipes estrangeiras (uma prática comum durante as décadas de 80 e 90) foi retomada, embora a campanha do saudita Al-Hilal não tenha sido empolgante e assim como todos os gringos que já disputaram a taça, os asiáticos caíram ainda na primeira fase (confira).

A falta de estrutura e fragilidade de alguns participantes também contribui para a queda do nível técnico. A diferença entre alguns times é gritante e pode ser medida através de resultados bizarros, como a goleada de 14x0 aplicada pelo Santo André no Santana do Amapá ou os 8x0 impostos por Paulista e Portuguesa respectivamente a Taubaté e Atlético/RR. Aliás, o clube de Roraima mostra que nem os clubes que deveriam dar exemplo estão livres do amadorismo e das falcatruas existentes nas categorias de base. Maior campeão profissional em seu estado, o Tricolor da Mecejana viu-se envolvido em denúncias feitas pelos seus próprios jogadores. Eles acusam o treinador João Araújo de forçá-los a algumas atividades em troca de chance no time e também de fazer corpo mole na última rodada diante da Portuguesa. Segundo o empresário de 18 dos 22 jogadores do grupo (o time de Roraima sequer possuía uma base com atletas locais, recrutando o elenco em São Paulo e Minas Gerais a poucos dias da disputa), o técnico ainda cobrava uma mensalidade de R$ 500 por atleta (clique aqui). O grande problema é que tais informações só vieram à tona porque João Araújo resolveu comprar uma briga com a equipe do Globo Esportes, proibindo os meninos de dar entrevistas. A resposta veio rapidamente. Mas a questão é: será que se todos os participantes fossem investigados com o mesmo afinco, mais irregularidades não seriam descobertas? Outra denúncia esteve relacionada ao América de Minas Gerais, que estaria utilizando um jogador (Aldeflan) com idade adulterada, segundo denúncias do Americano do Maranhão (confira). Justiça seja feita, esse foi mais um furo de reportagem da galera do Olheiros. A Federação Paulista de Futebol agora investiga o caso, que reascende a polêmica sobre os “gatos” no futebol nacional.

Em campo, a evolução do preparo físico distância ainda mais os garotos. Em muitos jogos foi comum assistir o equilíbrio parcial se desfazer em meio às etapas complementares, onde cãibras vitimaram constantemente meninos que ainda não se tornaram atletas. As equipes com maior estrutura se sobressaíram nesse quesito, embora o excesso de preciosismo por parte de alguns de seus jogadores evidencie a influência negativa da supervalorização precoce. Nem por isso a fase de grupos deixou de apresentar algumas surpresas e gratas revelações. Além de diversas histórias pitorescas que reforçam ainda mais o caráter mambembe do futebol nacional e da Copa São Paulo (veja mais). Mesmo assim fica a sensação de que é preciso resgatar certos valores, comuns a essência do futebol e ainda mais importantes que os interesses alheios envolvidos na modalidade atualmente (principalmente nas categorias de base). Antes de formar o atleta, o ídolo, é preciso formar o cidadão, o homem. Em minha visão, já seria um grande passo na luta por um futebol mais digno!

permalink

Guia da Copa Africana de Nações 2010:  (Seleções) escrito em domingo 10 janeiro 2010 14:22

Para desespero do futebol europeu, tem início nesse final de semana a CAN 2010, disputada em Angola.  Principais exportadores da mão-de-obra africana, os clubes do Velho Continente reclamam pelo fato da competição ser disputada de dois em dois anos e ainda por cima em janeiro, ou seja, em meio à temporada européia. O atentado terrorista ocorrido em Cabinda (uma das sedes do torneio), que vitimou fatalmente três membros da delegação togolesa (além de ferir dois atletas), coloca ainda mais em dúvida as condições do campeonato. Mas também não se pode negar que essa disputa será uma boa prévia do que as principais seleções do continente podem aprontar na Copa do Mundo da África do Sul (que, aliás, nem se classificou para a atual edição da Copa Africana de Nações). Confira uma análise dos grupos e conheça um pouco mais sobre as seleções envolvidas na disputa:

Grupo A:

Entre os integrantes dessa chave, o maior destaque fica por conta da Argélia, única das seleções participantes que estará no próximo mundial. Um dos grandes responsáveis por esse feito foi o técnico Rabah Saadane, que curiosamente também comandava a equipe na Copa do Mundo de 86 (última participação argelina no torneio). Apostando em atletas experientes, que em sua grande maioria atuam no futebol europeu, as Raposas do Deserto superaram uma verdadeira guerra de nervos contra os egípcios nessas eliminatórias, vencendo um jogo-extra que entrou para a história do continente. O time possui um sólido sistema defensivo, onde se destacam nomes como Bougherra, Yahia e Belhadj. No meio-campo, as estrelas são Ziani e o capitão Mansouri, mas Saadane ainda busca outras opções, dando oportunidade a atletas que se naturalizaram recentemente, como no caso de Meghni, habilidoso meia da Lazio que nasceu na França (passou inclusive pelas seleções de base do país), mas é filho de argelinos. Outro atleta nas mesmas condições seria o volante Medhi Lacen (do Racing Santander), que acabou ficando de fora da convocação final. Esse episódio abriu uma discussão no país sobre a necessidade ou não de se contar com os “naturalizados”, um fato que o técnico argelino conhece bem, já quem em 86 decidiu levar ao mundial jogadores nas mesmas condições (Chebal, Kourichi, Maroc e Benmabrouk). Segundo a imprensa argelina, tal atitude dividiu o grupo na época, já que ídolos locais (como Madjer e Belloumi) não ficaram nada satisfeitos com a medida. Atualmente, a história estaria se repetindo e segundo alguns veículos locais, os atletas teriam se voltado contra o técnico, fato que acabou desmentido pela federação local. Disputas a parte, o ataque está muito bem servido com o veterano Saïfi, além de Ghezzal e Bouazza. Uma surpresa foi a inclusão de Ziaya, que desbancou Ghilas e Djebbour (jogadores que disputaram a maior parte das eliminatórias), na disputa por um lugar no time.

Quem também tem boas chances de classificação nessa 1ª fase é Angola, que joga em casa e vê na competição sua única oportunidade de brilhar em 2010, já que não obteve vaga na Copa do Mundo. Após a boa campanha no mundial da Alemanha em 2006 (quando vendeu cara sua derrota para Portugal e conquistou empates diante de México e Irã), a seleção angolana ainda conseguiu chegar às quartas-de-final da última Copa Africana de Nações. Mas de lá para cá, entrou em declínio e nunca mais conseguiu reeditar bons resultados. Para se ter uma idéia, se não fosse país-sede, Angola não teria sequer se classificado para a competição, já que nas eliminatórias caiu precocemente, ainda na 2ª fase, em um grupo aparentemente fácil, que contava com Benin, Uganda e Niger. Após o fracasso, a federação resolveu demitir o treinador Luís Oliveira Gonçalves (ídolo em seu país), mas contratou um substituto a altura. Trata-se do português Manuel José, que possui relativa experiência no futebol africano após passagens bem-sucedidas pelo futebol egípcio. O novo comandante aposta em um trabalho de renovação e não por acaso, 12 dos 23 convocados farão sua estréia em competições internacionais. Além disso, 11 atletas atuam no futebol local, o que reforça a idéia de um time “caseiro”. Após a aposentadoria do goleiro João Ricardo, a meta ficou a cargo de Lama (embora Carlos Fernandes também dispute a posição), que ainda conta com a proteção de Rui Marques e Kali na defesa. Mesmo assim o setor parece ser o ponto fraco do time, ainda mais após a confirmação das ausências do lateral Yamba Asha e do volante e capitão André Macanga. Outras ausências importantes são Mendonça e o veterno Figueiredo, ignorados por Manuel José na convocação final. A responsabilidade deve recair sobre os meias Zé Kalanga (atleta veloz e habilidoso) e Gilberto (que tem moral com o treinador desde os tempos em que trabalharam juntos no Al Alhy). Na frente, após a aposentadoria do ídolo Akwa, surgiram novos nomes como Djalma e Manucho (um pouco queimados com o novo técnico devido a atos de indisciplina), embora figurinhas carimbadas como Mantorras e Flávio ainda façam parte do time.

Correndo por fora, mas com boas chances, estará a seleção de Mali, que possui atletas de destaque nos principais clubes do futebol europeu, mas não consegue emplacar bons resultados em nível internacional. Nem mesmo após a contratação do competente treinador nigeriano Stephen Keshi, que classificou Togo para a Copa de 2006. Nas últimas eliminatórias, os malineses começaram bem, superando equipes como Congo e Sudão, mas na fase final acabaram sucumbindo diante de Gana e Benin. Situação que frustrou os torcedores locais, que não devem assistir uma de suas mais promissoras gerações na disputa de um mundial. O que também reforça a necessidade do país desempenhar um bom papel nesse torneio continental. Embora alguns atletas importantes tenham ficado de fora da convocação (casos dos defensores Adama Coulibaly e Sammy Traoré, do meia Drissa Diakité, além do atacante Mamady Sidibé), as principais estrelas de Mali estarão presentes na disputa. Na defesa, o principal destaque é Diamoutene, zagueirão com larga experiência no futebol italiano, que conta com a proteção de dois volantes de primeiro nível: Mahamadou Diarra (Real Madrid) e Mohamed Sissoko (da Juventus). O jovem Abdou Traoré, que joga no Bordeaux (atual campeão francês), também é uma boa opção. Já Seydou Keita (do Barcelona) costuma ter maior liberdade para chegar à frente, atuando mais adiantado. No setor ofensivo, a principal referência é o matador Kanouté, que forma dupla de ataque com Luis Fabiano no Sevilla.

Sem muita experiência internacional, o Malauí deve apenas fazer figuração nessa chave. O principal trunfo na classificação para a disputa dessa Copa Africana de Nações esteve sem dúvida alguma no fator casa, onde o país somou 13 dos 16 pontos conquistados durante as eliminatórias. O maior mérito do conjunto malauiense foi desbancar adversários reconhecidamente superiores, como a República Democrática do Congo (ainda na 2ª fase) e Guiné (já na fase final), em sua caminhada até a disputa do segundo torneio continental de sua história (o primeiro foi em 1984). Para não fazer feio, o técnico Kinnah Phiri (ex-jogador que brilhou pelo país no fim da década de 70) aposta em uma base concentrada no futebol africano (principalmente em clubes locais e da África do Sul). Um dos destaques é o capitão Mponda, defensor com mais de 60 partidas com a camisa da seleção. Os dois únicos jogadores a atuar no futebol europeu são os atacantes Mwafulirwa (que joga na Suécia) e Kanyenda (que na Rússia é chamado de “Mamba Negra”). Porém, quem brilhou nas últimas eliminatórias foi o novato Msowoya (que aos 21 anos joga no APR de Ruanda), artilheiro do time com seis gols. Outro jovem promissor é Kamwendo, meia de 23 anos que enverga a camisa 10 e atua no Orlando Pirates (um dos principais clubes da África do Sul).

Grupo B:

Nenhuma chave ilustra tão bem a nomenclatura “grupo da morte” como essa. E não pense que a expressão se refere ao clima de Cabinda (sede que vive um momento conturbado após o ataque promovido por rebeldes), mas sim ao nível dos integrantes envolvidos na disputa. Dois deles já estão garantidos na próxima Copa do Mundo e apresentam-se como grandes candidatos ao título. O futebol praticado pela Costa do Marfim tem sido apontado pela imprensa especializada como o mais vistoso do continente na atualidade, levando muitos otimistas a crer que os Elefantes podem ser finalmente o primeiro selecionado africano na final de um mundial. Exageros a parte, talento é o que não falta para o conjunto marfinense, onde apenas um dos convocados não atua no futebol europeu (no caso, o goleiro Vincent Angban, que joga no local ASEC Mimosas). Sem nenhum jogador contundido, o treinador bósnio Vahid Halilhodžić se deu ao luxo de excluir da convocação atletas importantes, como os atacantes Sekou Cissé, Romaric e Sanogo. Nem por isso deixou de privilegiar o setor ofensivo, principal arma de sua equipe. A estrela Drogba (candidato a artilharia do torneio) contará com a companhia de Salomon Kalou (seu companheiro no Chelsea), o talismã Bakari Koné, Dindane (que volta a ser convocado com regularidade), além da revelação Gervinho. No meio, Yaya Touré (recentemente eleito como melhor jogador do país) é o grande carregador de piano, enquanto o motorzinho Zokora dita o ritmo do setor. Na defesa também figuram velhos conhecidos da torcida, como Méïté, Boka e Demel, além dos renomados Eboué e Kolo Touré (todos eles presentes na última Copa). Falta apenas um grande goleiro, já que apesar de não comprometer, Barry fica devendo para antigos titulares como Gouamené (ídolo na conquista da Copa Africana de 1992) ou Tizié (que esteve no mundial de 2006). Porém, nada que abale o favoritismo da Costa do Marfim...

Outra força do continente é Gana, que ao lado do Egito foi a seleção que mais vezes chegou a decisão do torneio. Porém, em sete participações, os ganenses conquistaram quatro títulos, contra seis do rival, que atualmente detém a hegemonia continental. A edição desse ano pode ser uma boa oportunidade de equilibrar as coisas, mas as Estrelas Negras precisarão superar alguns problemas internos se quiserem retornar ao lugar mais alto do pódio (o que não ocorre desde 1982). Recentemente, alguns jogadores não se apresentaram para a disputa de um amistoso (entre eles Essien e Muntari, além de Gyan), o que desagradou o treinador sérvio Milovan Rajevac. Após se recusar a pedir desculpas, Muntari (que atua na Inter de Milão) acabou ignorado na convocação para CAN, o que gerou grande polêmica entre os torcedores. Isso porque o meio-campo ganês também não vai ter a disposição outro de seus destaques: Stephen Appiah, que sofre há um longo tempo com as contusões. Mas nem tudo são problemas, já que Rajevac também conta com jovens revelações presentes na conquista do último mundial sub-20, entre eles o goleiro Daniel Adjei, o lateral Inkoom, o volante Agyemang-Badu, além dos atacantes André Ayew (filho do ídolo local Abedi Pelé), Ransford Osei e Dominic Adiyiah (recentemente contratado pelo Milan). Para liderar essa garotada, o treinador confia na rodagem dos atletas mais experientes, entre eles o já citado Essien (que assume o posto de capitão, mas ainda é dúvida para estréia), o arqueiro Kingson, os defensores Eric Adoo e Sarpei, além da dupla de ataque composta por Gyan e Amoah, todos titulares no Mundial da Alemanha.

Já a participação do Togo nessa Copa Africana de Nações é uma incógnita, ainda mais após o atentado sofrido a dois dias da estréia no torneio. O ônibus que transportava os togoleses foi atacado por rebeldes de Cabinda quando cruzava a fronteira entre Congo e Angola. No episódio, os passageiros ficaram mais de 30 minutos em meio ao fogo cruzado, o que resultou na morte de três integrantes da delegação. Dois atletas também foram atingidos: o zagueiro Akakpo (que joga na Romênia) e o goleiro Obilalé (que atua no futebol francês e necessita de maiores cuidados). Abalado, o país ameaçou retirar-se da competição, mas voltou atrás no último minuto. Como o time vai reagir após esse episódio ninguém sabe, mas é fato que as perspectivas em relação à participação nessa CAN já não eram das melhores. Desde a inédita classificação para a última Copa do Mundo, os Gaviões nunca mais entraram nos eixos e muito disso se deve a desorganização de sua federação local. Após uma campanha irregular nessas eliminatórias, quando quase caíram na 2º fase (diante de Zâmbia e a inexpressiva Suazilândia), superando posteriormente o Marrocos na disputa por uma das vagas na competição continental (em uma chave que ainda contava com Gabão e Camarões), os dirigentes togoleses resolveram demitir o treinador belga Jean Thissen, nomeando em cima da hora o interino Hubert Velud. Para se ter uma idéia, nos dois últimos anos, cinco técnicos passaram pelo comando da seleção. Velud causou ainda mais polêmica entre os torcedores ao ignorar nomes experientes em sua lista, casos dos defensores Nibombé e Tchangai, os meias Olufadé e Cherif Touré, além do atacante Mohamed Kader (atleta com maior número de convocações e gols com a camisa da seleção). A espinha dorsal deverá ser composta pelo arqueiro Kossi Agassa, o defensor Mamah, os meias Romao, Amewou e Salifou (principal referência no setor), além dos atacantes Dossevi e Adebayor (principal esperança de gols).  Entre as caras novas, atenção para Assimiou Touré (do Bayer Leverkusen) e Serge Gakpé (do Monaco).

Complementando o grupo está Burkina Faso, que pode ser considerada a seleção mais inexperiente da chave se comparada aos demais componentes. Sem nunca ter participado de uma Copa do Mundo, o país se animou com essa possibilidade nas últimas eliminatórias, quando foi a grande surpresa do continente. Comandados pelo português Paulo Duarte, os burquinenses surpreenderam a Tunísia com uma das melhores campanhas da 2ª fase, mas deram o azar de cair justamente no grupo da Costa do Marfim na fase final. Não fossem as duas derrotas para os Elefantes, a campanha seria irretocável, já que nos jogos diante de Malauí e Guiné, o país obteve 100% de aproveitamento. Restou como consolo o 2º lugar do grupo e uma vaga na CAN, a sexta participação no torneio continental (nas últimas sete edições, Burkina Faso esteve presente em cinco), onde quis o destino que os Garanhões cruzassem novamente o caminho dos marfinenses. A meta agora é vingar-se do rival e quem sabe superar a 1ª fase, fato que a seleção conseguiu uma única vez (em 1998, quando sediou a competição e terminou em 4º lugar). Apostando em uma equipe ofensiva, Paulo Duarte convocou oito atacantes para essa disputa e confia no faro de gols do matador Dagano para surpreender. E já que o nome de Bancé (que disputa a Bundesliga pelo Mainz) acabou ignorado nessa lista, outros como Yaméogo, Zoundi, Issouf Ouattara ou Yssouf Koné prometem lutar pela segunda vaga do ataque. Pelo meio, Kaboré (volante do Marseille) é quem faz o trabalho pesado para que Pitroipa (meia do Hamburgo) possa desfilar toda sua categoria. Na defesa, destaque para o arqueiro titular Diakité, além dos zagueiros Moussa Ouattara (que retorna a seleção) e Panandétiguiri (jogador do União de Leria).

Grupo C:

Após ficar de fora da última Copa do Mundo, a Nigéria retorna a elite do futebol internacional em 2010 na expectativa de recuperar o prestígio que adquiriu durante a década de 90, quando superou em duas oportunidades a fase de grupos do mundial (94 e 98), além de conquistar uma medalha de ouro olímpica (96). O início da caminhada nessas eliminatórias foi mesmo promissor: melhor campanha da 1ª fase, as Super Águias obtiveram 100% de aproveitamento em seus seis jogos, marcando 11 gols e sofrendo apenas um. Além disso, eliminaram a África do Sul precocemente, tirando do país que abrigará o mundial a chance de disputar o torneio continental. Até então tudo eram flores, mas na fase final os nigerianos não apresentaram o mesmo desempenho e acabaram tropeçando nas próprias pernas ao ceder um empate em casa para a Tunísia nos minutos finais. O resultado obrigava as Super Águias a vencer seu último confronto fora de casa (diante do Quênia), além torcer por um tropeço dos tunisianos contra Moçambique. E não é que o improvável aconteceu e a classificação acabou caindo no colo dos nigerianos?! Nem por isso o treinador Shaibu Amodu tem escapado da pressão e levando em conta o amadorismo dos dirigentes locais, não seria surpresa se seleção mudasse a comissão técnica as vésperas da Copa em caso de fracasso nessa CAN. Apesar de escalar uma equipe ofensiva, o treinador é acusado de não estabelecer um esquema de jogo, deixando a nação a mercê de suas estrelas. Com todos os convocados atuando fora do país, os maiores destaques ficam por conta do goleiro Enyema (considerado o melhor jogador do futebol israelense em 2009), os defensores Yobo e Taiwo (que tem um potente chute de perna esquerda), os meias Olofinjana e Obi Mikel, além dos atacantes Martins (herói da classificação que Amodu insiste em deixar no banco), Yakubu, Odemwingie, Obinna e Kanu (figurinha carimbada na seleção). Na última hora, Eneramo acabou cedendo lugar a Obasi, em um setor que não irá contar com Makinwa (da Lazio) e o contundido Ikechukwu Uche (Zaragoza).

Atual bicampeão africano e maior vencedor na história da competição, o Egito mais uma vez sofreu com a sina de sucumbir nas eliminatórias para o mundial e acabou deixando escapar a classificação em uma tumultuada decisão diante dos argelinos. O fracasso não apenas tirou dos Faraós a chance de estar na próxima Copa do Mundo como pode ter colocado fim a uma das mais vitoriosas gerações do futebol egípcio nas últimas décadas. Alguns nomes importantes serão graves desfalques para o time de Hassan Shehata nessa competição, como os meias Barakat e Aboutrika (que acabaram se contundindo) ou a dupla de ataque formada por Mido e Amr Zaki (ambos do Zamalek), que foi ignorada pelo treinador. Porém, não se pode esquecer a força que o país tem dentro de seu continente, motivo que coloca os egípcios entre os favoritos a mais uma conquista. Na Copa das Confederações do ano passado, apesar de não passar da 1ª fase, a seleção endureceu diante de rivais tradicionais, vendendo cara sua derrota para o Brasil, além de aprontar para cima da Itália. Os maiores trunfos dos Faraós concentram-se na experiente defesa, onde figuram peças importantes como os veteranos El-Hadary (goleiro), Hany Saïd, Gomaa e El Saka (ambos zagueiros), além dos laterais Fathy e Moawad, todos jogando com regularidade na seleção há um bom tempo. No meio-campo, a responsabilidade de ditar o ritmo do time deve ficar por conta do capitão Ahmed Hassan, embora a participação de coadjuvantes como Ghaly e Hosny também seja fundamental nesse sentido. Shawky, que atua no futebol inglês, foi outro atleta que acabou de fora da convocação, para desespero dos torcedores. O ataque é o setor mais enfraquecido, mas ainda conta com jogadores de alto nível, como Zidan (que atua na Bundesliga) e Moteab, que devem formar a dupla titular. Resta saber se o Egito terá forças para faturar mais uma Copa Africana de Nações em sua história...

Correndo por fora, na expectativa de surpreender os favoritos, estão duas seleções emergentes. Uma delas é Moçambique, que sob o comando do holandês Mart Nooij apresentou grande evolução e obteve resultados notáveis nas últimas eliminatórias. Embora o começo tenha sido irregular (principalmente nas partidas em casa), a classificação em um grupo que ainda contava com a Costa do Marfim (além de Madagascar e Botsuana) foi muito comemorada pelos adeptos moçambicanos, que durante muitos anos assistiram seus principais jogadores se naturalizarem por Portugal (Eusébio é um caso emblemático nesse sentido, embora em sua época o país ainda fosse uma colônia lusitana). Na fase final, os Mambas assimilaram as lições e cresceram de produção, dessa vez fazendo valer o fator casa, onde permaneceram invictos diante de seleções tradicionais como Nigéria e Tunísia (além do Quênia), apostando sempre em um corajoso esquema ofensivo. Os resultados não foram suficientes para lutar pela inédita classificação a Copa, mas garantiram a equipe em sua 4ª disputa continental (nos anos 80 e 90 a seleção teve participações discretas no torneio, sendo sempre eliminada na 1ª fase). A base da equipe é formada por atletas que atuam no futebol africano (a maioria joga na liga local e na África do Sul) e os poucos jogadores que atuam na Europa curiosamente não se concentram em Portugal (o defensor Mexer é o único a jogar na Liga Sagres). No gol, Kapango desbancou o antigo titular Marcelino (que sequer foi convocado), enquanto a defesa conta com bons valores, entre eles o versátil Simão Junior, jovem promissor de apenas 21 anos que atua no Panathinaikos. Os laterais Fanuel e Paíto, além do zagueiro Dario Khan, complementam o setor (Miro também pode aparecer no time titular). Pelo meio, nomes como Genito, Hagi e Mano costumam correr para que o habilidoso Domingues (ídolo do Mamelodi Sundowns, uma das principais equipes sul-africanas) tenha maior liberdade para jogar. Mas a grande força de Moçambique está no ataque, onde figuram dois ídolos locais: o capitão Tico-Tico, além de Dario, maior artilheiro e jogador que mais vezes vestiu a camisa de seu país.

A outra surpresa da chave é o Benin, considerado por muitos uma das maiores zebras nas últimas eliminatórias. Sem grande representatividade internacional até então, o país melhorou muito durante a última década, quando conseguiu classificar-se para suas únicas participações na disputa continental. Porém, tanto em 2004 quanto em 2008, os beninenses acabaram eliminados na fase de grupos. A perspectiva é superar esse quadro na atual edição da CAN, ainda mais após os excelentes resultados conquistados nesse qualificatório. Após eliminar Niger, Uganda e a favorita Angola na 2ª fase, os Esquilos caíram em um grupo complicado ao lado de Gana, Mali e Sudão, adversários reconhecidamente mais experientes. Mas dentro de campo, o que se viu foi uma equipe voluntariosa, sem nenhum grande destaque individual, mas apresentando grande força coletiva. Dessa forma, Benin conseguiu impor-se, garantindo o 2º lugar do grupo. O sonho de estrear em mundiais acabou não se concretizando, mas os torcedores já se deram por satisfeitos ao ficar entre os primeiros 60 colocados do ranking da FIFA, a frente de potências do continente como África do Sul e Marrocos. A base da equipe comandada pelo francês Michel Dussuyer (ex-goleiro de Cannes e Nice durante os anos 80 e 90) é composta pelo jovem arqueiro Djidonou (de 23 anos), o defensor Chrysostome (que joga no futebol turco), os meias Ahouéya (do Sion) e Sessegnon (atleta do PSG), além do atacante Omotoyossi (que atua no Metz). Porém não se pode ignorar o serviço de operários como Adenon, Boco, Tchomogo, Ogunbiyi e Mickaël Poté, que também costumam figurar no time titular. Entre as ausências na lista de Dussuyer, o maior desfalque é o de Adjamossi (que joga na Espanha). O treinador ainda tentou convencer Jonathan Tinhan (nascido na França, mas com ascendência beninense) a defender os Esquilos, mas não foi bem sucedido nessa iniciativa.

Grupo D:

Primeira seleção africana a se classificar para as quartas-de-final de uma Copa do Mundo, Camarões nem de longe lembra aquele futebol alegre e o ofensivo apresentado no mundial de 90. Pelo contrário, com um esquema que privilegia a forte marcação, os Leões Indomáveis atualmente fazem valer o vigor físico de seus atletas, mas nem por isso perderam em competitividade. Ainda mais após a chegada do treinador francês Paul Le Guen, que assumiu a equipe em um momento delicado e conseguiu contornar essa situação. Após ficarem de fora da última Copa (perdendo a classificação de forma dramática, diga-se de passagem), os camaroneses (então comandados por Otto Pfister) estrearam bem nas eliminatórias, superando com sobras uma chave que ainda contava com Cabo Verde, Tanzânia e Maurício. Porém, na fase seguinte o time passou a oscilar, acumulando resultados negativos e se complicando diante de Gabão, Togo e Marrocos. Motivos que levaram a cartolagem local a demitir Pfister na reta final da disputa para só depois constatar que o interino Thomas N’Kono não daria conta do recado. Em meio a esse pesadelo, Le Guen assumiu o comando e em pouco tempo impôs sua filosofia de trabalho, conquistando sucessivas vitórias, assumindo a ponta da tabela e garantindo o passaporte para o mundial africano. Apesar de não realizar grandes mudanças na base titular, o técnico conseguiu modificar a mentalidade de seu conjunto, que assimilou bem a proposta do francês. Na baliza, Kameni está entre os melhores goleiros da liga espanhola e é garantia de segurança. A defesa sofreu desfalques importantes com as contusões de dois atletas do Tottenham (o zagueiro Bassong e o lateral-esquerdo Assou-Ekotto), mas ainda mescla a juventude de N'Koulou (que aos 19 anos é um dos mais promissores atletas do Monaco) e a experiência de Rigobert Song (caminhando para a disputa de sua oitava CAN). Enquanto isso, atletas renomados, como Atouba e Womé, parecem fora dos planos. No meio, o veterano Geremi tem a companhia de operários como Alexandre Song (Arsenal), M’Bia (Marseille), Emana (Lyon) e Makoun (Real Betis). O jovem Joel Matip, que joga no Schalke 04 e tem apenas 18 anos, é uma das apostas, embora enfrente problemas burocráticos para se apresentar a seleção. Outro desfalque será M’Bami, jogador do Almería da Espanha. Na frente, Webó é o coadjuvante perfeito para que a estrela Samuel Eto’o (agora capitão do time) possa brilhar. E é confiando nos gols do artilheiro que os Leões Indomáveis sonham em voltar ao topo do futebol africano. O único problema de Le Guen é não ter substitutos a altura de sua dupla de ataque titular.

E se os camaroneses são candidatos ao lugar mais alto do pódio, a Tunísia precisa se cuidar para não ser uma das grandes decepções dessa Copa Africana de Nações. Após a tragédia das eliminatórias, o futebol do país entrou em parafuso e o atual momento é de crise. Comandada por Humberto Coelho, as Águias de Cartago complicaram-se já na 2ª fase, sendo superados pela Burkina Faso e se classificando graças ao índice técnico. Na fase final, os tunisianos caíram na chave da Nigéria (que havia realizado a melhor campanha da fase anterior) e após dois empates frente a esse rival, chegaram à última rodada na liderança do grupo, dependendo apenas de si para garantir a vaga na Copa. Porém, uma derrota nos minutos finais contra Moçambique colocou fim ao sonho do país, que esperava disputar seu quarto mundial consecutivo. O fracasso resultou na demissão de Coelho, substituído por Faouzi Benzarti, que já havia comandado a Tunísia em 1994 e estava na seleção líbia. Apesar de contar com a simpatia dos nativos, o novo técnico iniciou seu trabalho apostando em um processo de renovação. A convocação para o torneio abriu mão de jogadores experientes (como Jaidi, Ben Frej, Jemmali, Nafti e Mnari, que atuam no futebol europeu), além de excluir dois dos principais atletas tunisianos na atualidade: o meia Selim Benachour (afastado da seleção há um bom tempo) e o atacante Chikhaoui (que sofre com as contusões). Outras ausências sentidas serão a de jovens talentos como Belaid e Ben Yahia. Com tantas baixas, os resultados nos amistosos de preparação não foram nada satisfatórios, colocando em dúvida as possibilidades das Águias de Cartago na competição. A esperança recai sobre os pés do zagueirão Haggui e dos integrantes do setor ofensivo: os meias Ben Saada e Darragi, além dos atacantes Jemâa e Chermiti. Será o suficiente?

Quem está de olho em uma das vagas do grupo é a seleção de Zâmbia, que apesar de já ter disputado 13 vezes o torneio continental, nunca conseguiu um título. Além disso, desde 1998 os Chipolopolo não conseguem superar a fase de grupos, caindo precocemente em cinco oportunidades desde então. Nas eliminatórias, a equipe chamou a atenção por concluir a 2ª fase na frente do Togo (presente no mundial de 2006), além de iniciar a fase final obtendo grandes resultados, como o empate fora de casa contra os egípcios logo na estréia e a vitória diante de Ruanda na rodada seguinte, o que lhe valeu a liderança parcial do grupo. Porém, no decorrer do qualificatório os zambianos não apresentaram a mesma consistência (principalmente no ataque, que marcou apenas dois gols), sendo superados por Argélia e Egito na corrida por um lugar ao sol da África do Sul. Nenhuma novidade para uma nação que apesar de possuir relativa tradição no futebol de seu continente, nunca conseguiu se classificar para uma Copa do Mundo. A expectativa é que agora a seleção faça ao menos valer sua força em âmbito continental. A federação local aposta no trabalho do francês Hervé Renard, que está no cargo desde o início das eliminatórias e tem tido estabilidade para trabalhar, algo raro tanto aqui quanto acolá. Alguns resultados nos recentes amistosos de preparação, como a vitória por 4x2 diante da Coréia do Sul, encheram de confiança o torcedor, cujos principais ídolos são os irmãos Katongo: o meia Felix, que joga no Mamelodi Sundows, além de Christopher, atacante do Arminia Bielefeld. A inspiração dessa dupla vai ser determinante para as chances dos Chipolopolo, que também contam com bons coadjuvantes, casos do goleiro Mweene, os defensores Dennis Banda, Musonda e Mbola (de apenas 16 anos), o meia Kalaba (do União de Leiria), além dos atacantes Jacob Mulenga (que atua no futebol holandês) e Mbesuma (ex-Portsmouth).

Outra grande surpresa dessas eliminatórias africanas foi o Gabão, que surpreendeu na 2ª fase ao se garantir em uma chave que contava com Gana e Libía, além de ser uma das sensações da fase final, quando caiu no “grupo da morte” ao lado de potências como Camarões, Marrocos e Togo. Treinados pelo ex-jogador francês Alain Giresse e apoiados em uma jovem equipe, os gabonenses chegaram a liderar o grupo e sonhar com a inédita vaga ao mundial, mas nos momentos decisivos pecaram pela inexperiência, principalmente diante dos camaroneses, que venceram os dois confrontos diretos e ficaram com a vaga para Copa do Mundo. Mesmo assim não se pode desprezar os resultados obtidos pelos Panteras Negras, que agora pretendem fazer um bom papel no torneio continental. Durante as três vezes em que conseguiu a classificação para CAN (a primeira delas em 94), o Gabão só conseguiu superar a 1ª fase uma única vez (em 96, quando caiu nas quartas) e desde 2000 nunca mais tinha disputado o campeonato. Ao contrário do que muitos imaginam os grandes trunfos da equipe não se resumem ao faro de gols do atacante Daniel Cousin (que joga no Hull City). Giresse também deposita muita confiança em valores como seu arqueiro Ovono ou os defensores Ecuele Manga, Akouassaga e Moïse Brou, todos atuando no futebol francês, assim como os meias Kessany e N’Guéma. O treinador ainda aposta na rodagem de Mbanangoye e Moubamba, atletas mais experientes e que costumam ditar o ritmo entre a defesa e o ataque. Na frente, a maior arma é a velocidade de novatos como Roguy Méyé e Pierre-Emerick Aubameyang (duas das grandes revelações do país), embora Mouloungui e Fabrice Do Marcolino costumem ser opção frequente para o 2º tempo.

PS: Até a publicação deste conteúdo, a federação togolesa ainda não havia decidido definitivamente se abandonava (ou não) a disputa da Copa Africana de Nações 2010.

permalink

Retrospectiva 2009 (Parte 4)  (Visão de Jogo) escrito em quinta 07 janeiro 2010 11:04

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Fique ligado:

Futebol Internacional:

Pelos gramados internacionais, a crise da economia mundial refletiu-se no desenfreado mercado de contratações europeu, que desde a última temporada apresenta-se bem mais discreto que o de costume. O país que mais se destacou nesse sentido foi a Espanha, graças às aquisições milionárias de Florentino Pérez, que voltou ao poder no Real Madrid e iniciou uma nova era de galácticos com Cristiano Ronaldo e Kaká. Mesmo assim, quem continua dando as cartas em La Liga (mesmo que a diferença ainda seja pequena) é o Barcelona, que manteve sua base vitoriosa e continua jogando o futebol mais refinado do Velho Continente (embora alguns atletas estejam abaixo do rendimento apresentado na última temporada). E se perdeu o camaronês Eto’o, a equipe catalã repôs a altura, contratando Ibrahimovic, embora o sueco ainda esteja se acertando na nova casa.

Ainda nas primeiras posições está o Valencia, que vive um momento financeiro conturbado e agradeceu aos céus por conseguir segurar o artilheiro David Villa por mais algum tempo. Apostando em velhos conhecidos (Marchena, Albeda, Baraja e Joaquín) e jovens valores (Banega, David Silva e Juan Mata), os Murciélagos têm se mantido na zona de classificação a fase de grupos da UCL. E a chegada de reforços precisos, como o atacante argentino Alejandro Domínguez (que teve excelente passagem pelo futebol russo), anima ainda mais a torcida. Sevilla e Deportivo La Coruña têm se apresentado competitivos e são sérios candidatos a ficar com as vagas para a Europa League, ao contrário do Atlético de Madrid, que faz péssima campanha e tem brigado na metade de baixo da tabela. Quem também está preocupado com o rebaixamento é o Zaragoza, que acaba de retornar a elite espanhola. Outra surpresa é a campanha do Mallorca, que após uma surpreendente 9ª colocação na temporada passada, vem se superando em 2009 (mesmo com a saída de peças importantes, como o venezuelano Arango) na disputa pelas primeiras colocações.

Na Premier League, as principais equipes também apostaram na manutenção da base, alterando pouca coisa em relação ao nível de competitividade já conhecido pelos ingleses. Chelsea e Manchester United brigam pela liderança, a exemplo do que ocorreu na última temporada. Os Blues vêm prosperando sob o comando de Carlo Ancelotti, que manteve o excelente desempenho ofensivo, mas acrescentou maior capacidade defensiva ao esquema do time. Já os Red Devils, que perderam em talento com a saída de Cristiano Ronaldo e Tévez, têm demonstrado uma equipe voluntariosa, que faz do jogo coletivo sua maior força. Nomes como Anderson, Fletcher e Nani têm jogado mais (e melhor!) sob a batuta de Sir Alex Ferguson, assim como o veterano Giggs ou o repatriado (e recuperado) Owen. Sem falar que Rooney vive grande fase... Assim como a garotada do Arsenal, sempre desfalcado pelas contusões, mas apostando em um futebol alegre e ofensivo. Não por acaso os Gunners estão sempre brigando pelas primeiras posições, embora a falta de experiência ainda afete os meninos de Wenger em momentos cruciais (a derrota para o Mancheter United nesse 1º turno personifica tal afirmação). Mas a maior decepção fica por conta do Liverpool, que gerou na torcida a expectativa de colocar fim no jejum de 19 anos sem um título inglês, mas tem desperdiçado pontos preciosos em campo, ocupando posição irregular na tabela. Tanto que os críticos de Rafa Benítez pedem a cabeça do técnico imediatamente!

O Manchester City foi quem mais investiu na atual temporada inglesa, contratando nomes do peso como Adebayor, Kolo Touré, Santa Cruz, Lescott, Barry, além do já supracitado Carlitos. Após resultados animadores no início do ano, os Citizens viveram momentos de instabilidade durante o 1º turno, o que gerou a dispensa do treinador Mark Hughes (substituído pelo italiano Roberto Mancini). Mas com um pouco de boa vontade e uma dose extra de motivação (Robinho que o diga!), brigar por uma das vagas na UCL é o mínimo que uma equipe com a folha de pagamento do City pode almejar... Após uma temporada de recuperação em 2008/09, o Tottenham tem demonstrado um poder de competitividade ainda maior sob a batuta de Harry Redkanapp. Destaque para excelente fase do meia Lennon e do artilheiro Defoe (que briga por posição com Robbie Keane e Crouch). Outra equipe que mantém bom aproveitamento é o Aston Villa, mesmo após a saída de Barry, grande pilar de sustentação do meio-campo. A ascensão de jovens valores (casos de Milner e Agbonlahor) está diretamente ligada a esse desempenho e a meta agora é superar a 6ª colocação do último campeonato. O conterrâneo Birmingham City (recém-promovido a elite inglesa) também faz uma campanha digna, ao contrário de figurões como Everton e Blackburn (que ainda não engrenaram na tabela) ou o West Ham (seriamente ameaçado pelo rebaixamento). Quem já parece fadado a 2ª divisão é o Portsmouth, que deve recordar-se com nostalgia das boas contratações financiadas por Alexandre Gaymak alguns anos atrás.

Na Itália, o cenário apresentado em 2009 indica que a supremacia nerazzurri deverá ser mantida por mais uma temporada. Em campo, reforços como Lúcio, Sneijder e Eto’o estão devidamente adaptados, somando ainda mais qualidade em um elenco altamente capacitado. Não por acaso, os comandados de José Mourinho abriram boa vantagem em relação aos concorrentes, que por sua vez não demonstram consistência suficiente para ameaçar a Internazionale. É o caso do arqui-rival Milan, que teve um início preocupante sob o comando de Leonardo, mas conseguiu mostrar capacidade de reação graças a um esquema ofensivo (ao menos para os padrões italianos), com destaque para os brasileiros Ronaldinho Gaúcho (que voltou a jogar boas partidas) e Alexandre Pato (vivendo boa fase no calcio). Mas no geral, os rossoneri ainda não apresentaram a estabilidade necessária para convencer seu torcedor de que realmente podem entrar na disputa pelo título. Assim como a Juventus, que ingressou na competição cercada de otimismo após a chegada do meia Diego. Ambos começaram muito bem, até o brasileiro se contundir e nunca mais voltar a ser o mesmo. Coincidentemente, o desempenho de La Vecchia Signora também passou a oscilar e a confiança nunca mais foi a mesma. Grande parcela da culpa pelos resultados negativos tem sido atribuída ao técnico Ciro Ferrara, que sofre grande pressão e vê seu cargo ameaçado.

A Roma, que aposta em Claudio Ranieri, voltou a brigar na metade de cima da tabela e ainda trouxe o reforço mais badalado na transição do mercado italiano: o atacante Luca Toni, repatriado do Bayern de Munique. Na disputa pelas vagas da Liga da Europa o equilíbrio é maior. Clubes como Napoli e Palermo fazem boa campanha, assim Parma e Bari (recém promovidos a Serie A). A Sampdoria começou muito bem liderada por Cassano e até despontava como favorita, mas depois decaiu de produção. Os torcedores de Fiorentina e Genoa (que acaba de contratar Suazo) também esperavam um pouco mais de suas equipes. Situação preocupante é a de Udinese e Lazio (que sofreu desfalques importantes durante a janela de transferências), ambas ameaçadas pelo rebaixamento, assim como Bologna e Atalanta.

Na Bundesliga, a temporada também tem sido de recuperação para o Bayern de Munique, maior favorito ao título, mas que começou fraquejando sob o comando do holandês Van Gaal. Aproveitando-se desta perspectiva, outras equipes largaram na frente, como Schalke 04 (que vem respondendo bem ao trabalho de Felix Magath), Hamburgo (onde Zé Roberto mostra que ainda tem “lenha para queimar”) e principalmente o Bayer Leverkusen (que tem opções ofensivas interessantes como Derdiyok, Kroos, Kießling, Helmes, além do brasileiro Renato Augusto). Mas com o tempo, os bávaros têm corrido atrás do prejuízo, encostando novamente nos líderes e recandidatando-se a taça. Borussia Dortmund e Werder Bremen (que descobriu vida pós-Diego) fazem boas campanhas e lutam para ficar ao menos com uma vaga na Europa League. O atual campeão Wolfsburg nem isso parece capaz de fazer, realizando uma temporada extremamente abaixo da expectativa. Quem também faz campanha decepcionante é o Stuttgart, que tem flertado com a zona de rebaixamento. Nada que se compare a incompetência do Hertha, que após terminar na 4ª colocação do último Campeonato Alemão somou apenas uma vitória e três empates nos primeiros 17 jogos da edição 2009/10, apropriando-se com méritos da lanterna.

Na França, após o incessante domínio do Lyon, quem parece destinado ao monopólio da Ligue 1 é o atual campeão Bordeaux, que durante o ano distanciou-se da concorrência, destacando-se na corrida pelo título. Na luta pelas primeiras posições também se destacam duas boas surpresas: o Lille e o Montpellier. Entre os clubes tradicionais, o Olympique de Marseille (que apostou em Lucho González na expectativa de retornar aos tempos áureos), é quem apresenta maior regularidade, embora ainda não tenha demonstrado forças suficientes para disputar a liderança. Auxerre, Lyon e PSG, que não estão muito distantes do concorrente, vivem situações semelhantes. Quem parece não ter aprendido a lição é o Saint-Étienne, que mais uma vez luta contra o fantasma do descenso.

Em Portugal, o surpreendente Braga revela-se disposto a contestar a hegemonia do trio de ferro, mas para isso não pode se acomodar com a liderança provisória do certame. Ainda mais quando o Benfica parece recuperado graças ao futebol de jogadores que vem se reencontrando no clube (a situação de Saviola é um bom exemplo). Porto e Sporting (que faz campanha discreta) também representam pedras no sapato de quem deseja tentar a sorte em território lusitano, como no caso do Nacional, que até aqui luta por uma vaga nas competições continentais do ano que vem. Na Holanda, o Twent também sonha repetir o feito do AZ na última temporada e fugir da rotina estabelecida entre os três maiores clubes do país. E a equipe comandada por Steve McClaren (que fracassou em sua passagem pelo English Team) tem boas chances se considerarmos que apenas o PSV tem mostrado estabilidade suficiente para se manter vivo na disputa. Enquanto isso, Ajax e Feyenoord parecem se contentar com as vagas restantes para a Europa League.

Na Rússia, o Rubin Kazan já faturou o bicampeonato, firmando-se definitivamente entre as grandes forças do país; Em outra ex-república soviética, a Ucrânia, o Dynamo Kiev (que repatriou o atacante Shevchenko) terminou 2009 invicto, embora esteja equiparado na classificação ao rival Shakhtar Donetsk;  Pelos gramados turcos, a briga entre Fenerbahçe e Galatasaray é acirrada, embora surpresas como Bursaspor e Kayserispor ainda estejam no páreo. O Beşiktaş, campeão da última edição, por enquanto corre por fora; Outra disputa equilibrada ocorre na vizinha Grécia, onde Panathinaikos e Olympiacos (do técnico Zico) vêm se revezando na liderança. A decepção fica por conta da fraca campanha do AEK; Na Escócia, o Rangers vive um bom momento e destaca-se na liderança tabela, embora sempre perseguido pelo rival Celtic (que no momento, se preocupa mais com a proximidade do Hibernian); Já em território belga, o Anderlecht ingressou na temporada como grande favorito, embora o Club Brugge venha demonstrando em campo condições de equilibrar essa disputa.

Mundial Interclubes:

Disputado pela primeira vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o Mundial de clubes da FIFA anunciava desde o início a clássica final entre europeus e sul-americanos. E foi apenas uma questão de tempo para que essa realidade fosse confirmada. Na estréia, o Al-Alhi (representante do país sede que contava com apenas três estrangeiros em seu elenco) sucumbiu diante Auckland City. Interessante destacar que o estilo de jogo dos neozelandeses, inspirado principalmente no futebol inglês, sobressaiu-se mais uma vez diante da escola árabe, a exemplo do que já havia acontecido nas eliminatórias para Copa, quando os All Whites superaram o Bahrein na luta por uma vaga. Mas contra a escola mexicana na fase seguinte a conversa foi outra e o Atlante não encontrou dificuldades para garantir a vitória por 3x0.

Na sequência, Mazembe (do Zaire, que hoje em dia é República Democrática do Congo) e Pohang Steelers (originalmente conhecido como POSCO) fizeram um duelo equilibrado, com tudo aquilo que um bom jogo necessita: as duas equipes buscando a vitória, chances de gol para ambos os lados, belas defesas, bola na trave, além de uma virada emocionante dos asiáticos para cima dos africanos (graças aos dois gols marcados pelo brasileiro Denílson). Enfim, atrativos suficientes para aqueles que não acompanham futebol apenas pela camisa de quem está jogando. Assim como aconteceu posteriormente, na disputa pelo 5º lugar, quando o Auckland surpreendeu novamente ao derrotar o Mazembe em um duelo com direito a duas viradas (o tento que garantiu o triunfo neozelandês saiu no último minuto). Vale uma ressalva aqui, pois essas partidas devem ter sido as mais sacaneadas pelas redes sociais de jornalistas esportivos envolvidos com a cobertura do mundial. Uma pena!!!

Nas semifinais, o Barcelona começou poupando algumas de suas estrelas e sofreu um gol logo aos quatro minutos da partida contra o Atlante. Porém, demonstrou força suficiente para impor sua superioridade e conquistar a virada com três gols (um deles basicamente no primeiro toque de Messi ao entrar em campo), mesmo sem jogar uma grande partida. O Estudiantes também estreou acanhado: abriu 2x0 no placar contra o Pohang Steelers e parecia ter o jogo nas mãos, quando os coreanos resolveram complicar um pouco mais as coisas. O gol do brasileiro Denílson não apenas reforçava a importância do artilheiro como também expunha os Pincharratas à desconfiança dos pessimistas. Mas no final das contas, os asiáticos tropeçaram nas próprias pernas, vitimados pelas expulsões. Restaria o consolo de endurecer diante dos mexicanos na disputa pelo 3º lugar, quando mais um gol de Denílson (que terminou na artilharia da competição com quatro gols) levou a decisão para cobrança dos pênaltis, concluída com êxito pelos sul-coreanos.

Na grande final, o Estudiantes cumpriu com maestria seu objetivo na etapa inicial ao segurar o adversário e ainda encontrar espaços para abrir o placar. As seguidas chances perdidas pelo Barcelona mostravam que o dia poderia não ser dos espanhóis e que a sina catalã de sucumbir nas decisões de mundiais interclubes voltaria a se repetir. Veio o segundo tempo e mesmo martelando, os Blaugranas não conseguiam empatar o jogo. Os argentinos se defendiam de todas as maneiras e nos contra-ataques tiveram mínimas (porém preciosas) chances de definir o confronto. Com Messi, Henry e Ibrahimovic pouco inspirados, além do sentido desfalque de Iniesta, a sorte do Barça só começou a mudar quando Guardiola resolveu apostar nos garotos da base, que mostraram fôlego (Jeffrén) e principalmente estrela (Pedro) para marcar o gol de empate nos minutos finais, em uma saída afobada de Albil (que não por acaso era o reserva de Andújar na época da Libertadores). O gol com menos de um minuto para a conclusão do tempo regulamentar foi um balde de água fria na equipe de Verón, que a cinco minutos do final da prorrogação, assistiu o compatriota Messi garantir o primeiro título da história dos espanhóis. Coroando com lampejos, aquele que é destacado o melhor futebol do mundo na atualidade! 

permalink