Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/03/01 09:36 / 144 Artigos publicados
 

Guia da Copa das Confederações 2009  (Seleções) escrito em domingo 14 junho 2009 11:32

copa das confederações 2009

 

De 14 a 28 de junho será disputada a Copa das Confederações, uma prévia do mundial, que dará ao público uma dimensão do que se pode esperar da Copa do Mundo na África do Sul. Além das confirmações (ou não) em relação às condições do país-sede, também teremos a oportunidade de acompanhar alguns dos maiores favoritos a conquista da taça em 2010 (casos de Brasil, Itália ou Espanha), além de seleções medianas, porém não menos interessantes (como Estados Unidos, Egito, Iraque, Nova Zelândia ou os próprios anfitriões do torneio). Confira uma análise sobre tudo que acontece nessa disputa:

 

Grupo A:

Espanha

Como se classificou: Campeã da Eurocopa 2008

Perspectiva: O título

O cara: Xavi (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: Casillas (goleiro), Villa e Fernando Torres (atacantes)

Fique de Olho: Piqué (defensor), Busquets (meio-campo) e Llorente (atacante)

Confira a lista de convocados

Apontada por muitos como a melhor seleção do momento, a Espanha chega a Copa das Confederações credenciada pela conquista na última Eurocopa e a liderança absoluta no ranking da FIFA há mais de um ano, ostentando uma invencibilidade de 32 jogos. Não bastasse isso, Vicente del Bosque já acumulou dez vitórias consecutivas no comando da Fúria (feito inédito para um início de trabalho em qualquer seleção), desde que substituiu Luis Aragonés (posteriormente a conquista do título continental).

Mantendo a base de seu antecessor, o treinador (que convocou força máxima em busca do título inédito) também abriu espaço para jovens revelações do futebol local (casos de Diego López, Piqué, Busquets, Juan Mata e Llorente), mas continuou ignorando o “ícone” Raúl da mesma forma como já fizera Aragonés. A base do time que deve sobrar nessa 1ª fase (mas que fatalmente irá cruzar com Itália ou Brasil nas semifinais) é composta pelo goleiro e capitão Casillas, garantia de segurança na baliza espanhola, além de defensores gabaritados como Sergio Ramos, Puyol, Marchena e Capdevila. Mesmo assim, o setor defensivo (vale lembrar que os volantes Marcos Senna e Iniesta, ambos titulares e contundidos, não disputam o torneio) pode ser considerado o “calcanhar de Aquiles” de um grupo que do meio para frente esbanja talento.

Começando por Xavi (que vive grande fase no Barcelona e é uma das referências transição entre a defesa e o ataque), passando por Xabi Alonso e Riera (que costumam ser titulares no Liverpool), sem falar em Fàbregas (que aos poucos vem recuperando sua melhor forma, interrompida pelas contusões) ou nos ariscos David Silva e Santi Cazorla, o que não falta a Fúria são opções para a composição do meio-campo, já que no ataque, a dupla Torres e Villa reina absoluta. Bem abastecidos e em grande fase, ambos os jogadores representam perigo a qualquer defesa adversária do mundo, sendo responsáveis por grande parte dos gols do conjunto espanhol. Mas em todo caso, Dani Güiza segue de prontidão na reserva para qualquer eventualidade.

Resta saber se em gramados sul-africanos o país vai continuar confirmando as expectativas otimistas ou retornar a velha sina de amarelar nos momentos decisivos, como costumam reafirmar os pessimistas de plantão!!!

África do Sul

Como se classificou: País-Sede

Perspectiva: Chegar às semifinais

O cara: Pienaar (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: Mokoena (defensor), Sibaya e Modise (meio-campo)

Fique de Olho: Khune (goleiro), Bongani Khumalo e Bryce Moon (defensores)

Confira a lista de convocados

A Copa das Confederações não será apenas um ensaio para os sul-africanos testarem suas possibilidades de abrigar o Mundial do ano que vem, mas também o teste definitivo para uma seleção em busca de afirmação no cenário internacional. Basta lembrar que nas eliminatórias (apesar de já classificada como país-sede, a equipe disputava uma vaga no próximo torneio continental) o grupo comandado por Joel Santana fracassou diante da Nigéria e acabou fora da fase final. Joel continuou dando sequência ao trabalho iniciado por Carlos Alberto Parreira, que vinha em busca de novas opções para compor a base dos Bafana Bafana. Aos poucos, figurinhas carimbadas (como o lateral Carnell, o meia Buckley, além do atacante Zuma) foram perdendo suas “cadeiras cativas”, cedendo lugar a jovens promissores que atuam na liga nacional. Como no caso do goleiro Rowen Fernández (do alemão Arminia Bielefeld), barrado pelo novato Itumeleng Khune (destaque do Kaizer Chiefs) de apenas 21 anos. O estopim dessa situação se deu com a divulgação da lista de convocados para a disputa do torneio, que excluiu o nome do experiente defensor Nasief Morris e do ídolo Benni McCarthy (atacante do Blackburn).

O “treinador da prancheta” aposta nos defensores Mokoena (provável capitão), Booth e Masilela como garantia de segurança em um setor ainda questionado. Mais a frente, uma legião de atletas que atuam no país costumam figurar entre os titulares, como Davids, Dikgacoi, Modise (eleito como melhor jogador da última temporada) e Tshabalala. Além deles, van Heerden (que retorna a seleção), o incansável Sibaya e o destaque Pienaar (que joga no Everton) dão um toque de qualidade ao meio-campo. A maior carência está no ataque, onde Fanteni, Mphela e Mashego ainda estão em busca de afirmação com a camisa da seleção, enquanto Henyekane (artilheiro do último nacional) ficou de fora convocação.

Se os resultados não forem positivos (leia-se passar ao menos da 1ª fase), ao contrário do que muita gente na imprensa nacional acredita, Joel Santana corre riscos de sequer chegar a Copa do Mundo, já que a pressão da imprensa sul-africana aliada ao amadorismo dos dirigentes e a irracionalidade dos torcedores locais, pode se tornar uma situação insustentável. Porém, mesmo com tantos problemas, a África do Sul e esse conjunto têm tudo para saírem fortalecidos dessa disputa se fizerem a lição de casa contra Iraque e Nova Zelândia (adversários teoricamente mais fracos). Daí para frente, o que vier é lucro...

Iraque

Como se classificou: Campeão da Copa da Ásia 2007

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Younis Mahmoud (atacante)

Coadjuvantes de peso: Noor Sabri (goleiro), Nashat Akram e Hawar Mulla Mohammed (meio-campistas)

Fique de Olho: Ali Rehema (defensor), Karrar Jassim (meio-campo) e Alaa Abdul-Zahra (atacante)

Confira a lista de convocados

Os iraquianos viveram um verdadeiro sonho em 2007, quando chegaram a Copa da Ásia desacreditados e surpreenderam o mundo com sua capacidade de superação. Jogo após jogo, a equipe comandada pelo brasileiro Jorvan Vieira se uniu e foi derrubando favoritos (como Austrália, Coréia do Sul e Arábia Saudita, que estão entre as grandes forças do continente), até chegar a inédita conquista, fato extremamente importante para uma nação que há vários anos vêm sendo arrasada pela guerra. Aliás, esses conflitos influenciaram diretamente no desempenho da seleção, que durante os anos 80 foi considerada a grande força do Golfo e uma das maiores potências do continente, participando da Copa de 1986 e de todas as Olimpíadas disputadas naquela década. Porém, posteriormente sob o comando de Uday Hussein (filho do ditador Saddam Hussein), o esporte do Iraque viveu um período obscuro, aonde atletas chegaram inclusive a serem torturados.

A retomada começou com a excelente campanha nas Olimpíadas de 2004, quando o selecionado iraquiano treinado pelo ex-atacante Adnan Hamad apresentou uma geração talentosa e promissora, que terminou o torneio em um honroso 4º lugar. Não por acaso, 11 jogadores daquele time faziam parte do grupo que faturou o título continental há dois anos, já sob o comando de Jorvan Vieira. Após a conquista, o brasileiro deixou o cargo, abrindo mão da disputa das eliminatórias para o mundial, onde o Iraque (treinado pelo norueguês Egil Olsen e posteriormente por Adnan Hamad) caiu em um grupo complicado e vivenciou períodos de instabilidade que culminaram com a desclassificação precoce.

De lá para cá, Jorvan já retornou ao cargo, não resistiu à pressão e acabou saindo novamente. O interino Radhi Shenaishil assumiu provisoriamente até que a federação local finalmente escolhesse um substituto qualificado para a missão de fazer uma boa campanha nessa Copa das Confederações: o sérvio Bora Milutinovic (único técnico a ter participado de cinco Mundiais consecutivos com diferentes seleções). E sem muito tempo para implantar sua filosofia de trabalho, o treinador convocou a mesma base que vem jogando junta nos últimos cinco anos, atualmente com uma média de idade abaixo dos 25 anos, para mais uma vez tentar surpreender.

No gol, Noor Sabri transmite segurança a sua defesa, onde também figuram bons nomes como Ali Rehema e Bassim Abbas, porém ausência do lateral Haidar Abdul-Amir não era esperada. O meio-campo não contará com o volante Qusay Munir (contundido), mas ainda tem diversas opções, casos de Abu Al-Hail (que aos 32 anos é o atleta mais velho do grupo), a revelação Karrar Jassim, os ofensivos Mahdi Karim, Salih Sadir e Hawar Mulla Mohammed, além do talentoso Nashat Akram, que costuma ditar o ritmo do setor. Na frente, a esperança de gols fica por conta de Emad Mohammed e a grande estrela do grupo, o capitão Younis Mahmoud.

Nova Zelândia

Como se classificou: Campeã da Copa da Oceania 2008

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Smeltz (atacante)

Coadjuvantes de peso: Vicelich (defensor), Elliott (meio-campo) e Killen (atacante)

Fique de Olho: James (meio-campo), Brockie e Wood (atacantes)

Confira a lista de convocados

Entre as seleções que compõe a atual Copa das Confederações, os neozelandeses (que caminham para sua terceira disputa) são superados apenas por Brasil e Estados Unidos em número de participações. Porém, nas edições de 1999 e 2003, o time caiu ainda na 1ª Fase, sem somar um ponto sequer em seis jogos, além de sofrer 17 gols enquanto anotou apenas dois. Se o retrospecto não é favorável, ao menos o momento vivenciado pelo futebol do país é de estabilidade. Desde a migração da Austrália para a Confederação Asiática, a Nova Zelândia reina absoluta na Oceania, tanto que conquistou o título continental do ano passado com um pé nas costas e agora aguarda a definição do 5º colocado da Ásia para a disputa da repescagem valendo uma vaga no Mundial. Não por acaso, o treinador Ricki Hebert (ex-jogador que em 1982 esteve com os All Whites na única participação do país até hoje em uma Copa do Mundo) já adiantou que o objetivo durante a competição é dar experiência ao grupo, que carece de mais rodagem internacional.

A maior parte do elenco atua no inexpressivo futebol local ou então em ligas menos badaladas (como a americana, escocesa, finlandesa ou grega). Para piorar, o defensor Ryan Nelsen, presença constante entre os titulares do Blackburn e considerado um dos jogadores mais importantes do país, acabou se contundido e está fora da disputa. Para seu lugar foi chamado o experiente Ivan Vicelich, que esteve em todas as participações do país na competição e renunciou temporariamente de sua aposentadoria da seleção. A base que deve entrar em campo também será composta pelo goleiro Paston e os defensores Mulligan e Lochhead. No meio, Oughton atua como cabeça-de-área, enquanto o capitão Tim Brown e o talentoso Elliott comandam o setor. Mais a frente, a dupla de ataque deve ser formada por Smeltz (eleito melhor jogador da Oceania nas duas últimas temporadas) e o ídolo Killen (que joga no Celtic).

Apesar da média de idade ficar na casa dos 26 anos, muitos jovens, como os defensores Scott e Old, além do atacante Brockie (que estiveram com a seleção nos Jogos Olímpicos de Pequim no ano passado) ganharam uma chance de integrar o elenco neozelandês. Kris Bright, que passou por todas equipes de base neozelandesas é outro exemplo. A maior surpresa ficou por conta da convocação do grandalhão Wood, destaque da seleção sub-17 recém promovido aos profissionais do West Bromwich. Adeptos de um jogo de contato e força física, além de muitas bolas alçadas na área adversária (o esporte mais popular da Nova Zelândia é o rúgbi, enquanto a maior referência no futebol são os britânicos), os All Withes sucumbiram diante de adversários inexpressivos (como a Tanzânia) na preparação para essa Copa das Confederações, mas também chegaram a endurecer contra a Itália (vendendo cara uma derrota por 4x3). A expectativa da torcida é que durante o torneio essa pegada não diminua, para quem sabe sonhar com uma inédita classificação a fase seguinte...

 

Grupo B:

Brasil

Como se classificou: Campeão da Copa América 2007

Perspectiva: O título

O cara: Kaká (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: Júlio César (goleiro), Robinho e Luis Fabiano (atacantes)

Fique de Olho: Ramires (meio-campo), Alexandre Pato e Nilmar (atacantes)

Confira a lista de convocados

Atual campeão do torneio e seleção com maior número de participações em Copa das Confederações, o Brasil chega à África do Sul em busca de afirmação, mas vivendo um momento raro de estabilidade. Isso porque nas duas últimas rodadas das eliminatórias, o esquadrão Canarinho emplacou uma impiedosa goleada de 4x0 contra os uruguaios (jogando em Montevidéu), além de bater na raça (e de virada) o Paraguai em Recife, assegurando a liderança na CONMEBOL. Resultados que garantem parcialmente a tranquilidade aos comandados de Dunga...

Durante a disputa da competição, o treinador terá a chance de encontrar as definições que ainda procura restando um ano para o início do Mundial, além de colocar suas convicções a prova contra adversários do nível de Itália ou Espanha (que poderá cruzar com nossa seleção nas fases seguintes). Caso volte a apresentar desempenhos pífios (como nos últimos confrontos contra Bolívia, Colômbia e Equador), o trabalho de Dunga com certeza voltará a ser questionado, mas é inegável que um bom desempenho no torneio (leia-se o título!!!) trará a confiança que esse grupo tanto precisa. Sem se esquecer é claro, dos erros cometidos em 2005, quando a seleção então comandada por Carlos Alberto Parreira garantiu o troféu com sobras, vestindo definitivamente a carapuça de favorito para a Copa e acabou fracassando em gramados alemães.

O estilo de jogo implantado por Dunga lembra muito aquela equipe do tetracampeonato, também comandada por Parreira e capitaneada pelo atual técnico do Brasil. Com um sistema defensivo bem guarnecido e que usufrui da boa fase vivenciada pelos seus componentes, o time depende de lampejos do ataque para garantir suas vitórias, acreditando sempre na velha máxima de que o “futebol brasileiro é o melhor do mundo e pode resolver qualquer parada”. Uma realidade que oscila entre bons resultados contra adversários fortes (que costumam sair para o jogo e abrir espaço para o contra-ataque) e complicações contra seleções teoricamente inferiores (que se fecham na defesa e obrigam o Brasil a tomar a iniciativa).

Entre os titulares, Júlio César vive uma fase espetacular que o coloca como um dos melhores do mundo em sua posição e consequentemente titular absoluto da camisa número 1. Ainda na defesa, a dupla de zaga formada por Lúcio e Juan joga junto desde o Mundial de 2006 e merece crédito pela regularidade apresentada desde então. Porém, as laterais seguem indefinidas, já que Maicon parece ter perdido a posição para Daniel Alves na direita, enquanto a esquerda ainda não tem um dono (Gilberto, Marcelo e Juan não corresponderam às expectativas, Kléber ainda não se firmou, André Santos é uma aposta e Fábio Aurélio sequer teve uma chance).

Entre os volantes, Gilberto Silva garantiu um lugar mesmo sendo massacrado pela crítica. Já Felipe Melo pegou o bonde andando, mas ganhou moral com Dunga e também parece garantido, embora o reserva Josué tenha feito uma excelente temporada pelo Wolfsburg. Quem também tem crédito com Dunga, mas precisa ficar esperto com a concorrência é Elano, que terá a sombra do ascendente Ramires. Na condução do ataque, Kaká é a grande estrela do time e após assinar o Real Madrid, ganha o status de “galáctico”. No ataque, Robinho é outro que conta com cadeira cativa desde o início da “Era Dunga” e mesmo não vivenciando os bons tempos de Vila Belmiro, tem jogado melhor na seleção do que no Manchester City. Por outro lado, Ronaldinho Gaúcho, que passou por uma temporada morna no Milan, parece cada dia mais longe dos planos. Já Luis Fabiano espera aproveitar o torneio para garantir definitivamente o posto de matador do time, não só pela concorrência dos jovens Alexandre Pato e Nilmar, mas também porque a tendência é que o lobby em torno de medalhões como Ronaldo e Adriano (repatriados recentemente pelo futebol nacional) cresça cada vez mais até a Copa.

Enfim, essa Copa das Confederações será o momento ideal para a seleção brasileira se definir rumo ao Mundial da África do Sul. E para o torcedor decidir de vez se abraça ou não a equipe de Dunga!!!

Itália

Como se classificou: Campeã Mundial em 2006

Perspectiva: O título

O cara: Cannavaro (defensor)

Coadjuvantes de peso: Buffon (goleiro), Pirlo (meio-campo) e Luca Toni (atacante)

Fique de Olho: Santon (defensor), Montolivo (meio-campo) e Giuseppe Rossi (atacante)

Confira a lista de convocados

Desde a conquista da última Copa do Mundo, a Azurra nunca mais conseguiu repetir o futebol eficiente que garantiu o tetracampeonato ao país em gramados alemães. Após a conquista, Marcello Lippi resolveu abandonar o cargo e a escolha de seu substituto seguiu a tendência mundial de dar oportunidade a um ex-jogador da seleção ainda sem experiência no cargo (no caso, Donadoni). Porém, os resultados não apareceram e na última Eurocopa, com exibições irregulares, a Itália acabou caindo nas quartas-de-final diante da futura campeã Espanha, após passar sufoco na fase de grupos. Com o fracasso, Donadoni não resistiu à pressão e acabou entregando o boné para justamente... Marcello Lippi, que voltou ao comando aclamado pela opinião pública.

Desde então o técnico iniciou o processo de reconstrução do time, que já não conta mais com algumas estrelas do porte de Nesta, Totti e Del Piero, mas ainda apresenta diversos nomes que estiveram presentes na conquista de 2006. Aos poucos, Lippi também vem dando chance para jovens valores, introduzindo novas opções ao esquema de jogo italiano. No gol figura o qualificado Buffon, há anos entre os melhores do mundo em sua posição e que não tem nos reservas Amelia e De Santics um sucessor qualificado. O sistema defensivo ainda conta com caras manjadas como Zambrotta, Grosso e Cannavaro (que deve perder os primeiros jogos do torneio devido a uma contusão). Chiellini também já conquistou seu espaço nessa defesa, que ainda pode apresentar uma revelação: o lateral da Inter de Milão, Santon, de apenas 18 anos. Dossena, que teve uma temporada regular no Liverpool é outro que tem chances de jogar.

No meio, mais figurinhas carimbadas, como Gattuso (que retorna após um período inativo devido a uma contusão) e o talentoso Pirlo, que ainda cumprem o papel de volantes, além de Camoranesi e De Rossi, que tem mais liberdade para atacar. Já Montolivo e Pepe (que tem crédito com o treinador) fazem parte da nova safra convocada por Lippi. Na frente, o grandalhão Luca Toni continua marcando presença, assim como Gilardino e Iaquinta (que retornaram a seleção pelas mãos do atual técnico). Quagliarella (sempre em boa fase pela Udinese) e o novato Giuseppe Rossi também ganharam uma chance de disputar essa Copa das Confederações. Enquanto isso, a dupla de ataque da Sampdoria (composta pela promessa Pazzini e o polêmico Cassano), que viveu momentos de gala na última temporada da Serie A, acabou ignorada da lista final.

Apesar do futebol italiano não viver um grande momento e esse torneio servir mais como um laboratório para definir a equipe que defenderá o título no mundial do ano que vem, é bom os adversários abrirem os olhos com a Azurra, que costuma aprontar surpresas sempre que chega desacreditada...

Estados Unidos

Como se classificou: Campeões da Copa Ouro 2007.

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Donovan (meia/atacante)

Coadjuvantes de peso: Howard (goleiro), Bocanegra (defensor) e Beasley (meio-campo)

Fique de Olho: Bradley e Freddy Adu (meio-campistas) e Altidore (atacante)

Confira a lista de convocados

Tudo ia bem com a seleção americana até o início dessa Copa das Confederações. Além de cair em um grupo dificílimo, que conta com duas potências como Brasil e Itália, os ianques ainda foram desbancados pelos rivais costa-riquenhos na liderança das eliminatórias da CONCACAF a uma semana do torneio. Mesmo assim, a situação dos Estados Unidos na tabela ainda é confortável e o time deve marcar presença na próxima Copa do Mundo com folgas (assegurando assim sua 6ª participação consecutiva em mundiais). O grupo comandado pelo treinador Bob Bradley é relativamente jovem (média de 24 anos), mas tem se sobressaído em termos continentais, ainda mais com a crise enfrentada pelo futebol mexicano (reconhecidamente a maior força da CONCACAF). A maior parte dos atletas atua fora do país (apenas cinco jogadores jogam em clubes locais), o que também fornece ao conjunto americano maior rodagem internacional.

Entre os titulares que devem começar o torneio, figuram o goleiro Tim Howard, que disputa a Premier League com o Everton. Seu reserva imediato, Brad Guzan, também vem do futebol inglês, onde defende o Aston Villa. Na defesa, que estará desfalcada de Hejduk, brilham o capitão Bocanegra (que joga no Rennes) e o grandalhão Onyewu (zagueirão do Standard Liège). O meio também não irá contar com o experiente Mastroeni, embora seja o setor mais abastecido de talentos: o veloz DaMarcus Beasley e o ídolo local Donovan são as grandes estrelas, enquanto nomes como Michael Bradley (filho do treinador), o brasileiro naturalizado Benny Feilhaber e a eterna promessa Freddy Adu, ainda buscam um lugar ao sol...

No ataque, mesmo com apenas 26 anos, Clint Dempsey é um dos nomes mais experientes, com mais de 50 partidas com a camisa da seleção. Porém, quem vem chamando a atenção nos últimos jogos é a revelação Jozy Altidore, que atua no futebol espanhol e tem apenas 19 anos. Como opções ainda restam Casey e Davies, que venceram a concorrência contra Brian Ching e Eddie Johnson (convocados com maior frequência) por uma vaga no elenco que vai a campo na África do Sul. Sem grandes ambições na competição, os ianques ao menos jogarão sem a pressão por resultados contra brasileiros e italianos, o que teoricamente pode ser favorável ao time. Afinal, em caso de fracasso, as lições assimiladas por muitos desses jovens que compõe a base americana (e que vão estrear em um mundial no ano que vem) podem ser de grande valor.

Egito

Como se classificou: Campeão da Copa da África em 2008

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Ahmed Hassan (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: El-Hadary (goleiro), Aboutrika (meio-campo) e Zidan (atacante)

Fique de Olho: Fathy (defensor), Hosny Abd Rabo e Shawky (meio-campistas)

Confira a lista de convocados

Maior campeão continental com seis conquistas e considerado uma das grandes forças da África, o Egito insiste na sina de tropeçar em eliminatórias para a Copa do Mundo. Atualmente, mesmo ostentando o rótulo de bicampeão africano e contando com jogadores renomados que atuam no futebol europeu, os Faraós estão em situação complicada no grupo 3, somando apenas um ponto e ocupando a lanterna da chave, atrás de Argélia e Zâmbia, além de Ruanda (pelos critérios de desempate). Para piorar a situação, o polêmico treinador Hassan Shehata perdeu um de seus principais jogadores para a disputa dessa Copa das Confederações, o atacante Amr Zaki (que atua no futebol inglês), contundido. A expectativa com o corte de Zaki era pela convocação de Mido Hossan (que também atua na Premier League), mas o fato é que desde o episódio protagonizado pelo atacante nas semifinais da Copa da África de 2006 (quando o atleta discutiu asperamente com Shehata após ser substituído e acabou suspenso da seleção por seis meses pela federação egípcia), as chances têm sido cada vez mais escassas.

Apesar de afirmar não temer nenhum dos gigantes de seu grupo, o técnico do Egito sabe que as chances de surpreender Brasil ou Itália no torneio são muito pequenas e por isso mesmo o maior objetivo durante essa disputa será dar um pouco mais de rodagem internacional aos Faraós (que estão afastados das grandes competições desde a Copa de 90), em uma espécie de preparação de luxo. Caso consiga alguma coisa contra um desses favoritos, os egípcios gastarão todas as suas fichas no confronto contra os norte-americanos, que poderá assegurar uma eventual (e surpreendente) classificação as semifinais.

Para isso, a fanática torcida acredita no potencial do goleiro El-Hadary, um dos melhores do continente e que atua no futebol suíço. Entre os defensores, destaque para os zagueiros Hany Saïd e Gomaa, além dos laterais Fathy e Moawad, todos presença constante entre os titulares. No meio-campo, os jovens Hosny Abd Rabo e Shawky são responsáveis pela contenção, enquanto o capitão Ahmed Hassan é quem dita o ritmo das jogadas. O talentoso Aboutrika (uma das grandes estrelas do Egito) completa o setor, embora nas últimas partidas o atleta tenha frequentado o banco de reservas. Algumas ausências também causaram surpresa, entre elas a não inclusão de nomes como Ghaly e Barakat, que estão entre os melhores jogadores do país nessa posição. O mesmo pode-se dizer do atacante Motaeb, preterido na lista final dos convocados que vão a campo na África do Sul. Fator que deve gerar ainda mais expectativas em relação ao desempenho de Zidan, que atua na Bundesliga e é reconhecidamente o melhor jogador do enfraquecido ataque egípcio. Atuando dentro de seu continente, a seleção ao menos deve encontrar apoio nas arquibancadas. Só não se sabe se os comandados de Shehata mais uma vez irão apresentar um desempenho próspero em gramados africanos ou voltarão a tropeçar em competições internacionais...

 

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- Clique aqui e confira tudo sobre a história da Copa das Confederações na excelente matéria de Ubiratan Leal no site da Trivela

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Todos os comentários desse artigo:
Guia da Copa das Confederações 2009

  • Hellerson-Azzurri

    Qua 17 Jun 2009 01:52

    Em primeiro lugar queria te parabenisar pelo exelente texto. Mas, eu não acho que a Itália vem desacreditáda. Em 2006, fugindo da dá "místiaca" de sempre aprontar quando chega em uma competição desacreditáda, a Azzurra venceu sendo favorita. E apósto nisso mais uma vez.

  • Philippe Dutra

    Ter 16 Jun 2009 06:01

    Fala LVN!!!

    Esse seu guia ficou simplesmente PERFEITO.
    Parabéns irmão.

    Foi muito bom ter te conhecido, mesmo que seja virtualmente. É bom demais poder conversar com alguém que entende e até sabe mais do que eu. Siga firme neste seu caminho que com certeza você irá cobrir a Copa de 2014 com a maestria de sempre. Não tenho dúvidas.

    Abraço

  • Michel Costa

    Ter 16 Jun 2009 03:04

    Ótimo trabalho, Victorino. Alías, como de costume.
    Hoje mais cedo, estava justamente conversando com um amigo, fanático torcedor da Itália, sobre suas análises. Quando li que Cannavaro era 'o cara' cheguei a discordar. Mas, bastou lembrar dos outros convocados e pesar o momento que vivem para concordar com você.
    No fim, acho que ele sentiu muitas saudades de Baggio...

    Abraço.

  • Dudu "Zurawski"

    Ter 16 Jun 2009 00:35

    Orra mano, muito bem feito esse seu blog! Essa matéria da Copa das Confederações então nem se fala! Não vi nada igual ainda em toda 'prensa brasilenã'. Tá doido! Onde conseguiste tantas informações assim sobre Iraque e Nova Zelandia? Deves ser um daqueles malucos doidos por futebol, que assiste até terceira divisão da Conxixina!

    Abs!