De 14 a 28 de junho será disputada a Copa das Confederações, uma prévia do mundial, que dará ao público uma dimensão do que se pode esperar da Copa do Mundo na África do Sul. Além das confirmações (ou não) em relação às condições do país-sede, também teremos a oportunidade de acompanhar alguns dos maiores favoritos a conquista da taça em 2010 (casos de Brasil, Itália ou Espanha), além de seleções medianas, porém não menos interessantes (como Estados Unidos, Egito, Iraque, Nova Zelândia ou os próprios anfitriões do torneio). Confira uma análise sobre tudo que acontece nessa disputa:
Grupo A:
Espanha
Como se
classificou: Campeã da Eurocopa
2008
Perspectiva: O título
O cara: Xavi (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: Casillas (goleiro), Villa e Fernando Torres (atacantes)
Fique de Olho: Piqué (defensor), Busquets (meio-campo) e Llorente (atacante)
Apontada por muitos como a melhor seleção
do momento, a Espanha
chega a Copa das Confederações
credenciada pela conquista na última Eurocopa e a liderança
absoluta no ranking da FIFA há mais de um ano, ostentando uma
invencibilidade de 32 jogos. Não bastasse isso, Vicente del Bosque
já acumulou dez vitórias consecutivas no comando da Fúria (feito
inédito para um início de trabalho em qualquer seleção), desde que
substituiu Luis Aragonés (posteriormente a conquista do título
continental).
Mantendo a base
de seu antecessor, o treinador (que convocou força máxima em busca
do título inédito) também abriu espaço para jovens revelações do
futebol local (casos de Diego López, Piqué, Busquets, Juan Mata e
Llorente), mas continuou ignorando o “ícone” Raúl da
mesma forma como já fizera Aragonés.
A base do time que deve sobrar nessa 1ª
fase (mas que fatalmente irá cruzar com Itália ou Brasil
nas
semifinais) é composta pelo
goleiro e capitão Casillas, garantia de segurança na baliza
espanhola, além de defensores gabaritados como Sergio Ramos, Puyol,
Marchena e Capdevila. Mesmo assim, o setor defensivo (vale lembrar
que os volantes Marcos Senna e Iniesta, ambos titulares e
contundidos, não disputam o torneio) pode ser considerado o
“calcanhar de Aquiles” de um grupo que do meio para
frente esbanja talento.
Começando por Xavi (que vive grande fase
no Barcelona e é uma das
referências
transição entre a defesa e o ataque), passando por Xabi Alonso e
Riera (que costumam ser titulares no Liverpool), sem falar em
Fàbregas (que aos poucos vem recuperando sua melhor forma,
interrompida pelas contusões) ou nos ariscos David Silva e Santi
Cazorla, o que não falta a Fúria são opções para a composição do
meio-campo, já que no ataque, a dupla Torres e Villa reina
absoluta. Bem abastecidos e em grande fase, ambos os jogadores
representam perigo a qualquer defesa adversária do mundo, sendo
responsáveis por grande parte dos gols do conjunto espanhol. Mas em
todo caso, Dani Güiza segue de prontidão na reserva para qualquer
eventualidade.
Resta saber se em gramados sul-africanos o país vai continuar confirmando as expectativas otimistas ou retornar a velha sina de amarelar nos momentos decisivos, como costumam reafirmar os pessimistas de plantão!!!
África do
Sul
Como se classificou: País-Sede
Perspectiva: Chegar às
semifinais
O cara: Pienaar (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: Mokoena (defensor), Sibaya e Modise (meio-campo)
Fique de Olho: Khune (goleiro), Bongani Khumalo e Bryce Moon (defensores)
A Copa das Confederações não será apenas
um ensaio para os sul-
africanos testarem suas
possibilidades de abrigar o Mundial do ano que vem, mas também o
teste definitivo para uma seleção em busca de afirmação no cenário
internacional. Basta lembrar que nas eliminatórias (apesar de já
classificada como país-sede, a equipe disputava uma vaga no próximo
torneio continental) o grupo comandado por Joel Santana fracassou
diante da Nigéria e acabou fora da fase final.
Joel continuou dando sequência ao trabalho
iniciado por Carlos
Alberto
Parreira, que vinha em busca de novas opções para compor a base dos
Bafana Bafana. Aos
poucos, figurinhas carimbadas (como o lateral Carnell, o meia
Buckley, além do atacante Zuma) foram perdendo suas “cadeiras
cativas”, cedendo lugar a jovens promissores que atuam na
liga nacional. Como no caso do goleiro Rowen Fernández (do alemão
Arminia Bielefeld), barrado pelo novato Itumeleng Khune (destaque
do Kaizer Chiefs) de apenas 21 anos. O estopim dessa situação se
deu com a divulgação da lista de convocados para a disputa do
torneio, que excluiu o nome do experiente defensor Nasief Morris e
do ídolo Benni McCarthy (atacante do
Blackburn).
O “treinador da prancheta”
aposta nos defensores Mokoena (provável
capitão), Booth e Masilela
como garantia de segurança em um setor ainda questionado. Mais a
frente, uma legião de atletas que atuam no país costumam figurar
entre os titulares, como Davids, Dikgacoi, Modise (eleito como
melhor jogador da última temporada) e Tshabalala. Além deles, van
Heerden (que retorna a seleção), o incansável Sibaya e o destaque
Pienaar (que joga no Everton) dão um toque de qualidade ao
meio-campo. A maior carência está no ataque, onde Fanteni, Mphela e
Mashego ainda estão em busca de afirmação com a camisa da seleção,
enquanto Henyekane (artilheiro do último nacional) ficou de fora
convocação.
Se os resultados não forem positivos
(leia-se passar ao menos da 1ª
fase), ao
contrário do que muita gente na imprensa nacional acredita, Joel
Santana corre riscos de sequer chegar a Copa do Mundo, já que a
pressão da imprensa sul-africana aliada ao amadorismo dos
dirigentes e a irracionalidade dos torcedores locais, pode se
tornar uma situação insustentável. Porém, mesmo com tantos
problemas, a África do Sul e esse conjunto têm tudo para saírem
fortalecidos dessa disputa se fizerem a lição de casa contra Iraque
e Nova Zelândia (adversários teoricamente mais fracos). Daí para
frente, o que vier é lucro...
Iraque
Como se classificou: Campeão da Copa da Ásia 2007
Perspectiva: Ganhar
experiência
O cara: Younis Mahmoud (atacante)
Coadjuvantes de peso: Noor Sabri (goleiro), Nashat Akram e Hawar Mulla Mohammed (meio-campistas)
Fique de Olho: Ali Rehema (defensor), Karrar Jassim (meio-campo) e Alaa Abdul-Zahra (atacante)
Os iraquianos viveram um verdadeiro sonho
em 2007, quando chegaram a Copa da Ásia desacreditados e
surpreenderam o mundo com sua capacidade de superação. Jogo após
jogo, a equipe comandada pelo
brasileiro Jorvan Vieira se uniu
e foi derrubando favoritos (como Austrália, Coréia do Sul e Arábia
Saudita, que estão entre as grandes forças do continente), até
chegar a inédita conquista, fato extremamente importante para uma
nação que há vários anos vêm sendo arrasada pela
guerra. Aliás, esses conflitos influenciaram
diretamente no desempenho da seleção, que durante os anos 80 foi
considerada a grande força do Golfo e uma das maiores potências do
continente, participando da Copa de 1986 e de todas as Olimpíadas
disputadas naquela década. Porém, posteriormente sob o comando de
Uday Hussein (filho do ditador Saddam Hussein), o esporte do Iraque
viveu um período obscuro, aonde atletas chegaram inclusive a serem
torturados.
A retomada começou com a excelente
campanha nas Olimpíadas de
2004, quando
o selecionado iraquiano treinado pelo ex-atacante Adnan Hamad
apresentou uma geração talentosa e promissora, que terminou o
torneio em um honroso 4º lugar. Não por acaso, 11 jogadores daquele
time faziam parte do grupo que faturou o título continental há dois
anos, já sob o comando de Jorvan Vieira. Após a conquista, o
brasileiro deixou o cargo, abrindo mão da disputa das eliminatórias
para o mundial, onde o Iraque (treinado pelo norueguês Egil Olsen e
posteriormente por Adnan Hamad) caiu em um grupo complicado e
vivenciou períodos de instabilidade que culminaram com a
desclassificação precoce.
De lá para cá, Jorvan já retornou ao
cargo, não resistiu à pressão e
acabou saindo novamente. O
interino Radhi Shenaishil assumiu provisoriamente até que a
federação local finalmente escolhesse um substituto qualificado
para a missão de fazer uma boa campanha nessa Copa das
Confederações: o sérvio Bora Milutinovic (único técnico a ter
participado de cinco Mundiais consecutivos com diferentes
seleções). E sem muito tempo para implantar sua filosofia de
trabalho, o treinador convocou a mesma base que vem jogando junta
nos últimos cinco anos, atualmente com uma média de idade abaixo
dos 25 anos, para mais uma vez tentar
surpreender.
No gol, Noor
Sabri transmite segurança a sua defesa, onde também figuram bons
nomes como Ali Rehema e Bassim Abbas, porém ausência do lateral
Haidar Abdul-Amir não era esperada. O meio-campo não contará com o
volante Qusay Munir (contundido), mas ainda tem diversas opções,
casos de Abu Al-Hail (que aos 32 anos é o atleta mais velho do
grupo), a revelação Karrar Jassim, os ofensivos Mahdi Karim, Salih
Sadir e Hawar Mulla Mohammed, além do talentoso Nashat Akram, que
costuma ditar o ritmo do setor. Na frente, a esperança de gols fica
por conta de Emad Mohammed e a grande estrela do grupo, o capitão
Younis Mahmoud.
Nova Zelândia
Como se
classificou: Campeã da Copa da Oceania
2008
Perspectiva: Ganhar experiência
O cara: Smeltz (atacante)
Coadjuvantes de peso: Vicelich (defensor), Elliott (meio-campo) e Killen (atacante)
Fique de Olho: James (meio-campo), Brockie e Wood (atacantes)
Entre as seleções que compõe a atual Copa
das Confederações, os
neozelandeses (que caminham para
sua terceira disputa) são superados apenas por Brasil e Estados
Unidos em número de participações. Porém, nas edições de 1999 e
2003, o time caiu ainda na 1ª Fase, sem somar um ponto sequer em
seis jogos, além de sofrer 17 gols enquanto anotou apenas
dois. Se o retrospecto não é favorável, ao menos
o momento vivenciado pelo futebol do país é de estabilidade. Desde
a migração da Austrália para a Confederação Asiática, a Nova
Zelândia reina absoluta na Oceania, tanto que conquistou o título
continental do ano passado com um pé nas costas e agora aguarda a
definição do 5º colocado da Ásia para a disputa da repescagem
valendo uma vaga no Mundial. Não por acaso, o treinador Ricki
Hebert (ex-jogador que em 1982 esteve com os All Whites na única
participação do país até hoje em uma Copa do Mundo) já adiantou que
o objetivo durante a competição é dar experiência ao grupo, que
carece de mais rodagem internacional.
A maior parte do elenco atua no
inexpressivo futebol local ou então em ligas menos
badaladas
(como a americana, escocesa, finlandesa ou grega). Para piorar, o
defensor Ryan Nelsen, presença constante entre os titulares do
Blackburn e considerado um dos jogadores mais importantes do país,
acabou se contundido e está fora da disputa. Para seu lugar foi
chamado o experiente Ivan Vicelich, que esteve em todas as
participações do país na competição e renunciou temporariamente de
sua aposentadoria da seleção. A base que deve entrar em campo
também será composta pelo goleiro Paston e os defensores Mulligan e
Lochhead. No meio, Oughton atua como cabeça-de-área, enquanto o
capitão Tim Brown e o talentoso Elliott comandam o setor. Mais a
frente, a dupla de ataque deve ser formada por Smeltz (eleito
melhor jogador da Oceania nas duas últimas temporadas) e o ídolo
Killen (que joga no Celtic).
Apesar da média de idade ficar na casa dos
26 anos, muitos jovens, como
os defensores Scott e Old, além
do atacante Brockie (que estiveram com a seleção nos Jogos
Olímpicos de Pequim no ano passado) ganharam uma chance de integrar
o elenco neozelandês. Kris Bright, que passou por todas equipes de
base neozelandesas é outro exemplo. A maior surpresa ficou por
conta da convocação do grandalhão Wood, destaque da seleção sub-17
recém promovido aos profissionais do West
Bromwich.
Adeptos de
um jogo de contato e força física, além de muitas bolas alçadas na
área adversária (o esporte mais popular da Nova Zelândia é o rúgbi,
enquanto a maior referência no futebol são os britânicos), os
All Withes sucumbiram
diante de adversários inexpressivos (como a Tanzânia) na preparação
para essa Copa das Confederações, mas também chegaram a endurecer
contra a Itália (vendendo cara uma derrota por 4x3). A expectativa
da torcida é que durante o torneio essa pegada não diminua, para
quem sabe sonhar com uma inédita classificação a fase
seguinte...
Grupo B:
Brasil
Como se
classificou: Campeão da Copa América
2007
Perspectiva: O título
O cara: Kaká (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: Júlio César (goleiro), Robinho e Luis Fabiano (atacantes)
Fique de Olho: Ramires (meio-campo), Alexandre Pato e Nilmar (atacantes)
Atual campeão do torneio e seleção com
maior número de participações
em Copa das Confederações, o
Brasil chega à África do Sul em busca de afirmação, mas vivendo um
momento raro de estabilidade. Isso porque nas duas últimas rodadas
das eliminatórias, o esquadrão Canarinho emplacou uma
impiedosa goleada de 4x0 contra os uruguaios (jogando em
Montevidéu), além de bater na raça (e de virada) o Paraguai em
Recife, assegurando a liderança na CONMEBOL. Resultados que
garantem parcialmente a tranquilidade aos comandados de
Dunga...
Durante a disputa da competição, o
treinador terá a chance de encontrar as definições que ainda
procura restando um ano para o início do Mundial, além de colocar
suas
convicções a prova contra
adversários do nível de Itália ou Espanha (que poderá cruzar com
nossa seleção nas fases seguintes). Caso volte a apresentar
desempenhos pífios (como nos últimos confrontos contra Bolívia,
Colômbia e Equador), o trabalho de Dunga com certeza voltará a ser
questionado, mas é inegável que um bom desempenho no torneio
(leia-se o título!!!) trará a confiança que esse grupo tanto
precisa. Sem se esquecer é claro, dos erros cometidos em 2005,
quando a seleção então comandada por Carlos Alberto Parreira
garantiu o troféu com sobras, vestindo definitivamente a carapuça
de favorito para a Copa e acabou fracassando em gramados
alemães.
O estilo de jogo implantado por Dunga
lembra muito aquela equipe do tetracampeonato, também comandada por
Parreira e
capitaneada pelo atual técnico
do Brasil. Com um sistema defensivo bem guarnecido e que usufrui da
boa fase vivenciada pelos seus componentes, o time depende de
lampejos do ataque para garantir suas vitórias, acreditando sempre
na velha máxima de que o “futebol brasileiro é o melhor do
mundo e pode resolver qualquer parada”. Uma realidade que
oscila entre bons resultados contra adversários fortes (que
costumam sair para o jogo e abrir espaço para o contra-ataque) e
complicações contra seleções teoricamente inferiores (que se fecham
na defesa e obrigam o Brasil a tomar a
iniciativa).
Entre os titulares, Júlio César
vive uma fase espetacular que o coloca como um dos melhores do
mundo em sua posição e consequentemente titular absoluto da camisa
número 1. Ainda na defesa, a dupla de zaga formada por Lúcio e Juan
joga junto desde o Mundial de 2006 e merece crédito pela
regularidade apresentada desde então. Porém, as laterais seguem
indefinidas, já que Maicon parece ter perdido a posição para Daniel
Alves na direita, enquanto a esquerda ainda não tem um dono
(Gilberto, Marcelo e Juan não corresponderam às expectativas,
Kléber ainda não se firmou, André Santos é uma aposta e Fábio
Aurélio sequer teve uma chance).
Entre os volantes, Gilberto Silva garantiu
um lugar mesmo sendo massacrado pela crítica. Já Felipe Melo pegou
o bonde andando, mas ganhou moral com Dunga e também parece
garantido, embora o reserva
Josué tenha
feito uma excelente temporada pelo Wolfsburg. Quem também tem
crédito com Dunga, mas precisa ficar esperto com a concorrência é
Elano, que terá a sombra do ascendente Ramires. Na condução do
ataque, Kaká é a grande estrela do time e após assinar o Real
Madrid, ganha o status de
“galáctico”. No ataque, Robinho é outro que conta com
cadeira cativa desde o início da “Era Dunga” e mesmo
não vivenciando os bons tempos de Vila Belmiro, tem jogado melhor
na seleção do que no Manchester City. Por outro lado, Ronaldinho
Gaúcho, que passou por uma temporada morna no Milan, parece cada
dia mais longe dos planos. Já Luis Fabiano espera aproveitar o
torneio para garantir definitivamente o posto de matador do time,
não só pela concorrência dos jovens Alexandre Pato e Nilmar, mas
também porque a tendência é que o lobby em torno de medalhões
como Ronaldo e Adriano (repatriados recentemente pelo futebol
nacional) cresça cada vez mais até a Copa.
Enfim, essa Copa das Confederações será o momento ideal para a seleção brasileira se definir rumo ao Mundial da África do Sul. E para o torcedor decidir de vez se abraça ou não a equipe de Dunga!!!
Itália
Como se classificou: Campeã Mundial em 2006
Perspectiva: O título
O cara: Cannavaro (defensor)
Coadjuvantes de peso: Buffon (goleiro), Pirlo (meio-campo) e Luca Toni (atacante)
Fique de Olho: Santon (defensor), Montolivo (meio-campo) e Giuseppe Rossi (atacante)
Desde a conquista da última Copa do Mundo,
a Azurra nunca
mais
conseguiu repetir o futebol
eficiente que garantiu o tetracampeonato ao país em gramados
alemães. Após a conquista, Marcello Lippi resolveu abandonar o
cargo e a escolha de seu substituto seguiu a tendência mundial de
dar oportunidade a um ex-jogador da seleção ainda sem experiência
no cargo (no caso, Donadoni). Porém, os resultados não apareceram e
na última Eurocopa, com exibições irregulares, a Itália acabou
caindo nas quartas-de-final diante da futura campeã Espanha, após
passar sufoco na fase de grupos. Com o fracasso, Donadoni não
resistiu à pressão e acabou entregando o boné para justamente...
Marcello Lippi, que voltou ao comando aclamado pela opinião
pública.
Desde então
o técnico iniciou o processo de reconstrução do time, que já não
conta mais com algumas estrelas do porte de Nesta, Totti e Del
Piero, mas ainda apresenta diversos nomes que estiveram presentes
na conquista de 2006. Aos poucos, Lippi também vem dando chance
para
jovens valores, introduzindo
novas opções ao esquema de jogo italiano.
No gol figura o qualificado Buffon, há
anos entre os melhores do mundo em sua posição e que não tem nos
reservas Amelia e De Santics um sucessor qualificado. O sistema
defensivo ainda conta com caras manjadas como Zambrotta, Grosso e
Cannavaro (que deve perder os primeiros jogos do torneio devido a
uma contusão). Chiellini também já conquistou seu espaço nessa
defesa, que ainda pode apresentar uma revelação: o lateral da Inter
de Milão, Santon, de apenas 18 anos. Dossena, que teve uma
temporada regular no Liverpool é outro que tem chances de
jogar.
No meio, mais figurinhas carimbadas, como
Gattuso (que retorna após um período inativo devido a uma contusão)
e o talentoso Pirlo, que
ainda cumprem o papel de
volantes, além de Camoranesi e De Rossi, que tem mais liberdade
para atacar. Já Montolivo e Pepe (que tem crédito com o treinador)
fazem parte da nova safra convocada por Lippi. Na frente, o
grandalhão Luca Toni continua marcando presença, assim como
Gilardino e Iaquinta (que retornaram a seleção pelas mãos do atual
técnico). Quagliarella (sempre em boa fase pela Udinese) e o novato
Giuseppe Rossi também ganharam uma chance de disputar essa Copa das
Confederações. Enquanto isso, a dupla de ataque da Sampdoria
(composta pela promessa Pazzini e o polêmico Cassano), que viveu
momentos de gala na última temporada da Serie A, acabou ignorada da
lista final.
Apesar do futebol italiano não viver um grande momento e esse torneio servir mais como um laboratório para definir a equipe que defenderá o título no mundial do ano que vem, é bom os adversários abrirem os olhos com a Azurra, que costuma aprontar surpresas sempre que chega desacreditada...
Estados
Unidos
Como se classificou: Campeões da Copa Ouro 2007.
Perspectiva: Ganhar
experiência
O cara: Donovan (meia/atacante)
Coadjuvantes de peso: Howard (goleiro), Bocanegra (defensor) e Beasley (meio-campo)
Fique de Olho: Bradley e Freddy Adu (meio-campistas) e Altidore (atacante)
Tudo ia bem com a seleção americana até o
início dessa Copa das
Confederações. Além de cair em
um grupo dificílimo, que conta com duas potências como Brasil e
Itália, os ianques ainda foram desbancados pelos rivais
costa-riquenhos na liderança das eliminatórias da CONCACAF a uma
semana do torneio. Mesmo assim, a situação dos Estados Unidos na
tabela ainda é confortável e o time deve marcar presença na próxima
Copa do Mundo com folgas (assegurando assim sua 6ª participação
consecutiva em mundiais). O grupo comandado pelo treinador Bob
Bradley é relativamente jovem (média de 24 anos), mas tem se
sobressaído em termos continentais, ainda mais com a crise
enfrentada pelo futebol mexicano (reconhecidamente a maior força da
CONCACAF). A maior parte dos atletas atua fora do país (apenas
cinco jogadores jogam em clubes locais), o que também fornece ao
conjunto americano maior rodagem
internacional.
Entre os titulares que devem
começar o torneio, figuram o goleiro Tim Howard, que disputa a
Premier League com o Everton. Seu reserva imediato, Brad Guzan,
também vem do futebol inglês, onde defende o Aston Villa. Na
defesa, que estará desfalcada de Hejduk, brilham o
capitão Bocanegra (que joga no
Rennes) e o grandalhão Onyewu (zagueirão do Standard Liège). O meio
também não irá contar com o experiente Mastroeni, embora seja o
setor mais abastecido de talentos: o veloz DaMarcus Beasley e o
ídolo local Donovan são as grandes estrelas, enquanto nomes como
Michael Bradley (filho do treinador), o brasileiro naturalizado
Benny Feilhaber e a eterna promessa Freddy Adu, ainda buscam um
lugar ao sol...
No ataque, mesmo com apenas 26 anos, Clint
Dempsey é um dos nomes mais experientes, com mais de 50 partidas
com a camisa da seleção. Porém,
quem vem chamando a atenção nos últimos jogos é a revelação Jozy
Altidore, que atua no futebol espanhol e tem apenas 19 anos. Como
opções ainda restam Casey e Davies, que venceram a concorrência
contra Brian Ching e Eddie Johnson (convocados com maior
frequência) por uma vaga no elenco que vai a campo na África do
Sul. Sem grandes ambições na competição, os
ianques ao menos jogarão sem a pressão por resultados contra
brasileiros e italianos, o que teoricamente pode ser favorável ao
time. Afinal, em caso de fracasso, as lições assimiladas por muitos
desses jovens que compõe a base americana (e que vão estrear em um
mundial no ano que vem) podem ser de grande
valor.
Egito
Como se
classificou: Campeão da Copa da África
em 2008
Perspectiva: Ganhar experiência
O cara: Ahmed Hassan (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: El-Hadary (goleiro), Aboutrika (meio-campo) e Zidan (atacante)
Fique de Olho: Fathy (defensor), Hosny Abd Rabo e Shawky (meio-campistas)
Maior campeão continental com seis
conquistas e considerado uma das
grandes forças da África, o
Egito insiste na sina de tropeçar em eliminatórias para a Copa do
Mundo. Atualmente, mesmo ostentando o rótulo de bicampeão africano
e contando com jogadores renomados que atuam no futebol europeu, os
Faraós estão em
situação complicada no grupo 3, somando apenas um ponto e ocupando
a lanterna da chave, atrás de Argélia e Zâmbia, além de Ruanda
(pelos critérios de desempate). Para piorar a situação, o polêmico
treinador Hassan Shehata perdeu um de seus principais jogadores
para a disputa dessa Copa das Confederações, o atacante Amr Zaki
(que atua no futebol inglês), contundido. A expectativa com o corte
de Zaki era pela convocação de Mido Hossan (que também atua na
Premier League), mas o fato é que desde o episódio protagonizado
pelo atacante nas semifinais da Copa da África de 2006 (quando o
atleta discutiu asperamente com Shehata após ser substituído e
acabou suspenso da seleção por seis meses pela federação egípcia),
as chances têm sido cada vez mais
escassas.
Apesar de afirmar não temer
nenhum dos gigantes de seu grupo, o técnico do Egito sabe que as
chances de surpreender Brasil ou Itália no torneio são muito
pequenas e por isso mesmo o maior objetivo durante essa disputa
será dar um pouco mais de rodagem internacional aos Faraós (que estão afastados das
grandes competições desde a Copa de 90), em uma espécie de
preparação de luxo. Caso consiga alguma coisa contra um desses
favoritos, os egípcios gastarão todas as suas fichas no confronto
contra os norte-americanos, que poderá assegurar uma eventual (e
surpreendente) classificação as
semifinais.
Para isso, a fanática torcida acredita no
potencial do goleiro El-Hadary,
um dos melhores do continente e
que atua no futebol suíço. Entre os defensores, destaque para os
zagueiros Hany Saïd e Gomaa, além dos laterais Fathy e Moawad,
todos presença constante entre os titulares. No meio-campo, os
jovens Hosny Abd Rabo e Shawky são responsáveis pela contenção,
enquanto o capitão Ahmed Hassan é quem dita o ritmo das jogadas. O
talentoso Aboutrika (uma das grandes estrelas do Egito) completa o
setor, embora nas últimas partidas o atleta tenha frequentado o
banco de reservas. Algumas ausências também causaram surpresa,
entre elas
a não inclusão de nomes como
Ghaly e Barakat, que estão entre os melhores jogadores do país
nessa posição. O mesmo pode-se dizer do atacante Motaeb, preterido
na lista final dos convocados que vão a campo na África do Sul.
Fator que deve gerar ainda mais expectativas em relação ao
desempenho de Zidan, que atua na Bundesliga e é reconhecidamente o
melhor jogador do enfraquecido ataque egípcio.
Atuando dentro de seu continente, a
seleção ao menos deve encontrar apoio nas arquibancadas. Só não se
sabe se os comandados de Shehata mais uma vez irão apresentar um
desempenho próspero em gramados africanos ou voltarão a tropeçar em
competições internacionais...
- Clique aqui e confira o site oficial da Copa das Confederações 2009
- Clique aqui e confira o calendário das partidas
- Clique aqui e confira tudo sobre as sedes da competição









Comentários