No
Campeonato Brasileiro, o Palmeiras mantém a
liderança e persiste
como principal candidato ao
título, mesmo apresentando um desempenho irregular nas últimas
partidas, agravado ainda mais pela convocação de Diego Souza, seu
principal jogador, para seleção brasileira (onde não teve
grandes oportunidades). Um dos grandes méritos do time de Muricy
Ramalho foi ter acumulado gordura em um torneio que se revela cada
vez mais nivelado. O equilíbrio dessa edição reflete-se, por
exemplo, no desempenho do Atlético Mineiro, que chegou a liderar o
torneio, oscilou na tabela, mas voltou a engrenar nesse 2º turno.
Com boas contratações (como Carini, Corrêa, Ricardinho e Rentería),
o Galo ao menos sugere maior consistência do que São Paulo e Inter,
duas grandes incógnitas dessa competição.
Apontados como favoritos no
início do torneio, ambos os clubes trocaram de comandante em meio à
disputa (o Tricolor no início, com Ricardo Gomes, enquanto o
Colorado só fez valer o desejo de seus torcedores nessa reta final,
abdicando de Tite para dar lugar a Mário Sérgio), mas independente
disso reúnem elenco suficiente para buscar a liderança da tabela. O
problema é que por mais que insistam em uma suposta
“perseguição”, ambas as agremiações decepcionam quando
o assunto é aproveitar as brechas do líder e estabilizar-se na
classificação. O fato de ambos os plantéis terem se notabilizado
nos últimos anos em termos de conquistas sugere que pode estar
faltando à motivação necessária para encarar o atual desafio,
anunciando o desgaste de ciclos vitoriosos frente a uma inevitável
renovação.
O Goiás foi outra equipe que começou muito bem, candidatando-se inclusive ao título, segundo seus próprios diretores (para quem a Libertadores parecia já estar no papo). Acontece que “pensar grande” não foi a melhor solução para o Esmeraldino, que entrou em declínio justamente após bancar a contratação do cobiçado Fernandão. Especula-se em Goiânia que o fato de investir muito dinheiro para repatriar o ídolo poderia ter contribuído diretamente para rachar o grupo, que vinha prosperando “humildemente” até então.
Na contramão dessa história toda está o
Flamengo de Andrade, que com
o tempo para trabalhar tem
comprovado que “a sorte dos tempos de interino” era na
verdade indício de sua capacidade profissional. E com Adriano e
Petkovic (apontados por muitos críticos como incógnitas no começo
dessa temporada) alternando grandes exibições, o Rubro-Negro tem
provado em campo que uma vaga no principal torneio interclubes da
América do Sul em 2010 é um objetivo absolutamente possível.
Cruzeiro e Grêmio também ambicionam embalar nessa reta final de
Brasileirão, embora demonstrem menos “lenha na
fogueira” que os cariocas. A Raposa demorou muito tempo para
se recuperar do trauma após a derrota na decisão da Libertadores,
enquanto os gaúchos começam a se perguntar se o trabalho de Paulo
Autuori é realmente tudo aquilo que os gremistas
esperavam.
Vitória, Avaí e Barueri já tiveram altos e
baixos ao longo da competição, complicando a vida de muita gente
importante, mas devem terminar o ano em posição intermediária. E
para quem era apontado como candidato ao rebaixamento por muitos
“especialistas”, beliscar uma vaguinha na Sul-Americana
já pode ser considerado um alento. O que não é o caso dos
alvinegros paulistas Corinthians
e Santos. Campeão estadual e da Copa do Brasil, o Timão entrou na
disputa garantido na Libertadores do ano que vem (sua maior ambição
no ano do centenário) e visivelmente sofreu com o
“relaxamento natural”. Contribuiu para isso o relativo
desmanche promovido durante a competição, que não só enfraqueceu a
base do time como colocou em dúvida as possibilidades para o ano
que vem. Já o Peixe se apegou em Vanderlei Luxemburgo para
acreditar que uma vaga no G-4 seria plausível para um time que tem
boas revelações (como Paulo Henrique e Neymar) e nomes experientes
(casos de Rodrigo Souto ou Kléber Pereira). Mas a má fase de muitos
desses atletas, aliada a contusões cruciais (como a de Emerson, que
requereu alto investimento e gerou a dispensa do ex-titular Roberto
Brum, um dos atletas mais queridos do grupo) prejudicaram muito as
possibilidades do time da Vila Belmiro.
Outro alvinegro que passa um sufoco ainda
maior é o Botafogo, atualmente respirando na luta contra o
rebaixamento. Assim como o
dueto paranaense composto por
Atlético e Coritiba, que parece revigorado sob os respectivos
comandos de Antônio Lopes e Ney Franco. Mesmo assim, uma realidade
cruel para quem começou o Brasileirão pensando em brigar na parte
de cima da tabela. Algo que também deve ter passado pela cabeça de
muitos tricolores, desolados com a atual situação em que se
encontra o Fluminense, lanterna e praticamente rebaixado, uma
realidade que já conhece muito bem desde meados da década de 90. O
Sport, que fez campanha digna na Libertadores desse ano, provoca
desespero proporcional em toda massa rubro-negra pernambucana. O
conterrâneo Náutico, além do Santo André, também estão emparelhados
e dificilmente conseguirão evitar essa sina ao final da
temporada.
Resta saber se as últimas rodadas dessa Série A confirmarão as perspectivas ou trarão consigo maiores novidades. Em se tratando do futebol nacional, tudo é sempre possível...








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