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Sobre o futebol internacional...  (Visão de Jogo) escrito em domingo 25 outubro 2009 17:57

visão de jogo

Essa semana, conversando com um aluno da 5º série da escola municipal onde leciono, notei como o mundo da bola anda mesmo globalizado. O garoto discutia comigo sobre Real Madrid e Milan, que seria transmitido posteriormente naquela tarde e em meio a uma empolgada conversa, percebi que quando tinha aquela idade, nunca tive um amigo na escola com quem discutir sobre a modalidade no Velho Continente.

Aqueles que acompanham o futebol europeu há mais tempo, sabem que até o início da década de 90 era muito mais complicado obter informações sobre o futebol internacional. Naqueles tempos, por exemplo, álbuns de figurinha e os jornais de segunda-feira eram minha grande sacada para conhecer as equipes e seus craques, assim como ficar interado nos resultados e na classificação.

Com certeza, os mais velhos começaram com o Campeonato Italiano, transmitido pela TV Bandeirantes nos bons tempos dos “holandeses do Milan” ou dos “alemães da Inter”... Na época em que a Juventus ainda fazia grandes clássicos com o Torino... Que Maradona e Careca quebravam tudo pelo Napoli... Quando o Parma era uma pedra no sapato de muita gente ou que os Silvio’s (Luiz e Lancelotti) ainda eram unanimidades entre a rapaziada.

Os que se apegam ao bom futebol, com certeza migraram suas atenções para a Espanha anos depois, quando Romário (ou Ronaldo... Ou Rivaldo...) faziam a alegria da Catalunha (para não falar em Zubizarreta, Koeman, Guardiola, Stoichkov...). Nos bons tempos em que o Real Madrid não precisava do marketing de “galáctico” para fazer valer o peso de sua história (que Casillas e Raul, o quê? Estamos falando de Buyo ou Hugo Sánchez!). Quando o Atlético de Madrid com Caminero, Kiko e Penev... O Valencia de Rafa Benítez... Ou o La Coruña de Djalminha... Não se contentavam apenas com uma “vaguinha” na UCL!

Pois é...  O tempo passou e nos últimos anos quem entrou na briga pelo status de melhor liga nacional foi à Inglaterra, abastecida de investimento estrangeiro e atletas comuns aos jogadores de vídeo-game. A Premier League virou cult entre os adolescentes, o Chelsea virou time grande (coisa que nem Zola foi capaz de fazer) com Abramovich, o Liverpool virou desculpa para quem queria bancar o tradicional e o Arsenal um talentoso “jardim de infância”. Enquanto isso o Manchester United cansava de levantar troféus... Sim, é claro que houve John Barnes, Lineker, Eric Cantona ou Shearer (campeão nacional com o BLACKBURN!), mas tudo isso apenas para os mais “velhinhos” e não a grande massa que hoje assiste às partidas da Terra da Rainha (e naquela época ainda devia assistir Power Rangers ou Show da Xuxa).

Os mais fanáticos reclamarão: “E os tempos em que o PSG era o time mais simpático de França? Que o Ajax arrebentava com Van der Sar, Litmanen, Overmars e Kluivert? Que o Jardel reinava absoluto na artilharia do Campeonato Português? Ou que Maradona e Caniggia comemoravam gols com beijos no (e na) Boca? Até mesmo quando Zico era freguês de Kazu na J. League, transmitida pela finada Rede Manchete?”

Enfim, o que de fato não se pode negar é que o futebol internacional (principalmente o europeu!) torna-se cada vez mais comum entre os populares nos últimos anos. Uma afirmação dessas em um mundo que atualmente transmite os gols da UEFA Champions League no Jornal Nacional pode parecer “discurso ideológico de gente velha e rabugenta”, mas na verdade tem como objetivo apenas ressaltar o quão acessível tornou-se acompanhar as partidas disputadas fora do Brasil em universo “realista” (leia-se: composto por TV’s abertas!). O que é extremamente positivo para aqueles que gostam de futebol, independentemente das fronteiras... Mas também é preciso excetuar a alienação decorrente desse processo. Afinal, é cada vez maior o número de “especialistas” no assunto, que surgem sabe-se lá de onde, discutindo minuciosamente as questões táticas, mas que ao mesmo tempo se esquecem de dar atenção a um princípio básico (e que também deveria ser obrigatório no futebol) que é o talento. O jogo bem jogado!

A modalidade atual, centrada no preparo físico intensivo e verdadeiras estratégias de guerra, precisa na verdade é de menos teoria e (muito) mais prática! De mais dribles e menos jogadas ensaiadas. De mais paixão e menos modismo. E não se trata de nostalgia, mas de simplesmente gostar de futebol. Não é preciso chegar ao extremo de torcer pelos Red Devils ou dizer que na Europa só existem “João’s” que não jogariam nem na Série C do Brasileirão. Mas de constatar o quanto é preciso publicidade para encobrir a chatice em que esse jogo vem se tornando. Nada contra a disciplina tática dos demais continentes, mas vender Real Madrid e Milan como um “jogaço de bola” é tapar o sol com a peneira. Assistir Kaká e Ronaldinho Gaúcho fora de suas características, sem arriscar uma jogada individual e mesmo assim serem exaltados na “assessoria de imprensa” que rola nas manchetes esportivas é enjoativo. Saber que foi preciso contribuição direta dos goleiros para ver 5 gols em uma partida é o cúmulo...

E por mais que Real e Milan tenha sido um bom jogo para os padrões atuais (não, eu não sou da turma do Calazans, que acha que Pelé e Garrincha ainda jogam ao comentar futebol!), espero de coração que a atual geração tenha fatos e ídolos inesquecíveis (como os que saltaram de nossa memória durante o texto) para se lembrar daqui alguns anos. E não dormir achando que um carrinho bem dado já valeu o ingresso!!!

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Todos os comentários desse artigo:
Sobre o futebol internacional...

  • victorinonetto Qua 25 Nov 2009 04:33
    Tomei a liberdade de reproduzir os comentários do Yuri e do Leportista nos blogs do Philippe Dutra, que também publicou esse texto. Aliás, agradeço muito o amigo por essa força e pelas palavras de apoio em relação ao material. Fico feliz que a discussão tenha ganhado essa proporção, já que ao contrário da maioria dos textos desse blog, esse post é uma crônica meramente reflexiva, sem qualquer caráter informativo...

    Mas acho que minha posição não ficou muito clara p/ alguns. Apenas relembrei com relativa nostalgia dos meus tempos de moleque, quando acompanhava as equipes e jogadores citados com grande entusiasmo... O que aconteceu por volta da década de 90... Por isso, Leportista, não citei nomes como George Best e Bobby Charlton (que não são da minha época) ou levei em consideração no quesito simpatia os bons tempos do Saint-Éttiene e do Marseille (Bernard Tapie ferrou com tudo, mermão!). Quanto ao Jardel, me desculpe amigo, mas ele brilhou PRIMEIRAMENTE foi é no Ferroviário do Ceará, de onde surgiu para o mundo. “A Cesar o que é de Cesar”!!!

  • victorinonetto Qua 25 Nov 2009 04:33
    ...Penso que a discussão está mais p/ a ilusão vendida por alguns “jornalistas” do que para o nível do futebol praticado atualmente. Assim como o Yuri, não considero uma partida interessante apenas por seu nível técnico. As particularidades do futebol o tornam tão especial e nesse caso, a rivalidade é um quesito que apenas acrescenta ao espetáculo (Vélez e Huracán foi um jogão... Acho que os últimos duelos entre Argélia e Egito estiveram no mesmo patamar). E como o Michel destacou, é importante estar de olhos abertos para a história que está sendo construída diante de nossos olhos (rapaz, o Barcelona atual é um “oásis” em meio ao futebol moderno, mas com Romário e Stoichkov inspirados, boto mais fé naquele time de 92-93!). Outra discussão importante levantada pelo Michel: hoje em dia as informações estão muito mais acessíveis do que nos nossos tempos de garoto (ainda bem!), embora pouca gente saiba o que fazer com esse conteúdo atualmente...
    Enfim, sempre bom falar de futebol com vocês galera!!! Grande abraço!!!

  • leportista

    Qua 25 Nov 2009 02:27

    Do Man. United e para os velhinhos houve um fantastic Jhon Best e the King Boby Charlton. Em França o clube mais simpatico de todos os tempos é o ST. Etienne, depois Marselha. Quanto a Jardel ele brilhou primeiramente no FC Porto, equipa que se bate com os maiores da Europa, inclusivamente conseguindo-lhes rebatar os mais importantes trofeus continentais e mundiais com um budjet infinitament inferior.
    A Cesar o que é de Cesar.

  • Yuri

    Qua 25 Nov 2009 02:23

    Gostei do texto. Mas discordo dele.

    Concordo com o fato da menção à propaganda, realmente o show de transmissão e a audiência das mesmas influencia e muito, mas não creio que todos estejam atrás de um jogo muito bonito.

    Para mim, por exemplo, são MUITOS fatores que fazem-me ver um jogo. Depende muito das circunstâncias, da torcida, da grandeza (ou pequenez) do time, do fantasy, da simpatia, da emoção se este ou aquele resultado vai deixar o campeonato mais emocionante, da dramaticidade, da pancadaria (afinal, "treino é jogo e jogo é guerra" e eu concordo muito com essa frase), do querer sucesso deste ou daquele jogador... para mim a qualidade é apenas UM dos muitos motivos de eu ver e gostar de uma partida.

    Por exemplo: qual o melhor jogo que você viu esse ano??

    Para mim, respondo sem chiar: VÉLEZ SARSFIELD 1 X 0 HURACÁN foi até agora, e provavelmente até o fim do ano, o jogo mais legal que eu assisti. E o melhor ainda foi que eu vi pela internet, e não tive a transmissão cortada como os que acompanhavam pelo Sportv... hehehe. Teve qualidade? Pouca. Mas teve porrada, sangue (literalmente), eventos absurdos, dramaticidade (de praxe na Argentina), emoção e loucuras... foi excelente.

  • Philippe Dutra mailto

    Seg 02 Nov 2009 00:52

    Nossa!!!
    Sensacional!!
    Nã discordei de nada!!!
    Onde eu assino?!

    Descupa por tantas exclamações.
    Mas é o que senti depois de ler essa maravilha de texto. Posso salvar aqui no meu PC?

  • Michel Costa mailto

    Sex 30 Out 2009 17:03

    Grande post, Victorino.
    Uma autêntica viagem no tempo. Ao ler seu texto, lembrei-me de um jovem Michel desesperado por informações do futebol internacional e que só chegavam aqui a conta gotas.
    Me lembro de passar horas na biblioteca da UFSJ lendo textos do Rodrigo Bueno na Folha, vendo as tabelas, conhecendo novos jogadores. Mas, não sinto saudade daquela dificuldade toda, Disso não.
    Olha, concordo que existem muitos vendedores de ilusão na imprensa. O canal IE está cheio deles. No entanto, penso que, no geral, o futebol praticado no Velho Continente até melhorou em alguns aspectos. O Barcelona, por exemplo, está ainda melhor do era na época de Cruyff. O United idem.
    Sou da teoria que os ídolos do passado devem ser respeitados e reverenciados, mas gosto de ver a renovação, os novos nomes surgindo e a história se escrevendo. Isso também faz parte das coisas legais do futebol.

    Grande abraço e ótimo fim de semana. Saiba que você me proporcionou uma gostosa viagem no tempo. Valeu!