Nos últimos dias falou-se muito (com justiça) na equipe de futebol feminino do Santos, que venceu a Libertadores da categoria. Em alta, "as meninas da Vila" ganharam cobertura da TV aberta e nos principais veículos do jornalismo esportivo. Mas não se engane. O futebol feminino precisa de muito mais do que apenas "cinco minutos de fama" para prosperar no Brasil. O esquecimento natural que ocorre após algum resultado positivo não é novidade para Marta e companhia, que sabem o quanto é difícil manter essa atenção, fundamental para uma continuidade na estruturação da categoria em gramados brasileiros.
Muitos adeptos não simpatizam com a versão feminina do futebol. Alegam que se trata de um jogo "sem graça", vide as limitações das jogadoras, principalmente das goleiras. Esse preconceito reflete-se nas declarações do treinador Vanderlei Luxemburgo, que comanda a categoria masculina do Santos e alegou que a disputa da Libertadores feminina prejudicou o gramado da Vila Belmiro. Entendo que o gramado realmente não está em suas melhores condições (historicamente nunca esteve!), mas então que a diretoria definisse um planejamento mais inteligente nesse sentido. Os jogos do Peixe no Pacaembu já provaram que são viáveis e como as meninas chegaram a levar mais público a Vila Belmiro que o clássico Santos e Palmeiras desse Brasileirão, que se usasse o bom senso...
Respeito essas mulheres desde os tempos de Sissi e como sou fã exclusivo de bom futebol, nunca tive preconceito em acompanhar uma partida da modalidade (desde que ela não me desestimulasse ao contrário). Em um futebol virulento e de preparo físico, onde atualmente as questões táticas e a forte marcação prevalecem sobre a técnica, considero um "oásis" algumas jogadas protagonizadas pelas craques, que ainda possuem um futebol "mais primitivo", no sentido de privilegiar o ataque, as jogadas individuais, como era o futebol masculino em um passado recente. Veja bem, não estou dizendo que as garotas do Santos praticam o futebol dos tempos de Pelé, mas que protagonizam diversas jogadas capazes de nos empolgar.
Me recordava deste lance pitoresco, com o qual cruzei hoje acidentalmente e que é digno de registro dado a raiz "folclórica/tupiniquim", que nos remete aquelas jogadas típicas das peladas dos tempos de moleque. Ou vai falar que você não gostaria de ver seu time ser campeão com um gol desses?
Comentários