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A verdade que importa em qualquer lugar  (Visão de Jogo) escrito em segunda 14 dezembro 2009 03:51

Visão de Jogo

A imprensa esportiva da minha cidade costuma divergir sobre qual informação realmente importa ao receptor local: as notícias que envolvem o esporte assisense ou o aquilo que acontece em âmbito nacional? Porém, ao invés de uma cobertura equilibrada nesse sentido, valorizando ambos os interesses, ALGUNS jornalistas daqui (ou aqueles que se consideram merecedores desse rótulo) preferem digladiar-se em um mar de ataques pessoais e indiretas...

Um dos motivos que me levaram a escolher o ofício de jornalista foi o fato de possuir uma personalidade extremamente crítica desde a infância. E embora muitas vezes eu ainda seja traído pela atitude impulsiva, nunca deixei de pontuar os motivos que me levam a concordar (ou não) com determinado fato ou situação. Sim, porque considero uma crítica sem argumentos, meramente destrutiva (e consequentemente covarde), um tiro no escuro. Daí a preocupação em oferecer o maior número de informações para que o meu leitor forme sua opinião livremente, mas da forma mais embasada possível. E por isso não posso ignorar palavras disparadas ao vento (propositalmente, acredito eu), mas que respingam no trabalho de gente honesta e trabalhadora.

Desde que comecei no jornalismo esportivo, sempre me pautei pela independência, honestidade e o amor com que encaro a responsabilidade de lidar com tal segmento. Para tanto, considero fundamental a coerência com minha ética e meus valores, além da busca constante pelo aperfeiçoamento. Justamente por isso, sempre concentrei minhas atenções no futebol, modalidade que respiro de forma intensa e posso discutir com relativo embasamento. Apesar de reduzir minhas possibilidades, não acredito que me limitei nesse sentido, até porque confio na minha capacidade para encarar essa responsabilidade. Respeito aqueles que consideram fundamental uma cobertura equilibrada, onde se tenha acesso a todos os esportes, algo que já fiz muito nas passagens por veículos que exigiam tal referência (e me remuneravam por isso). Agora, quando se trata do meu blog ou das minhas colunas, não sinto necessidade de dividir esse espaço com outras modalidades, pois acredito que posso fazer uma cobertura mais aprofundada do futebol em espaços que conquistei (ou inventei) e que são atrativos para aqueles que buscam exatamente isso.

Outro fator que pesou nessa decisão natural é o fato do esporte em Assis ser refém das migalhas financiadas por interesses alheios que reforçam a moral do ditado “melhor que dar um peixe ao homem é ensiná-lo a pescar”. Muito pouco para quem já viveu dias mais gloriosos do que a atual ressaca (causada por bebida fermentada de má qualidade?), onde emprestamos nomenclaturas vitoriosas para vender ilusão. Veja bem, analfabeto funcional... Não estou em nenhum momento direcionando minha crítica aos atletas e esportistas dessa cidade, que merecem total credibilidade pela dignidade com que encaram a profissão. Não tenho o intuito de desmerecer seus esforços e resultados pessoais. Pelo contrário, estou me posicionando por acreditar que seja preciso muito mais do que o amor dessas pessoas para desenvolver o esporte local. Assim como é fundamental uma imprensa honesta, que realize uma cobertura além dos insignificantes releases de assessoria de imprensa!

Aliás, o fato de me importar com as pessoas que realmente contribuíram (e continuam contribuindo) com a história do esporte local (seja como atleta ou como jornalista) só me trouxe experiências positivas, representadas, por exemplo, no curta “VOCEM: Uma história de futebol, fé e religião”, produzido em 2008 em parceria com meu mano Álvaro Loureiro e que me rendeu a oportunidade de ouvir (e retransmitir) a voz de figuras fundamentais na construção de exemplos para os jovens de nossa cidade. Confesso que oportunidades como essa foram raras, mas não ouso desprezar a importância de cada uma delas na reconstrução do meu perfil. E sigo esperando brechas do destino para que personagens como esses continuem cruzando meu caminho, convicto de que não podem ser encontrados. Sim, porque o jornalista não pode ter a ambição de FAZER a notícia e sim a humildade necessária para reconhecê-la quando realmente acontece!!!

Acreditando nisso, só posso lamentar o fato de que alguém que se julga jornalista usufrua de seu instrumento de trabalho para assumir que não tem capacidade de realizar uma cobertura competente e embasada sobre o futebol nacional e mundial apenas por estar distante dos fatos. Como se quem o fizesse estivesse palpitando, sendo presunçoso, arrogante ou passional. Como se o fato de morar em Assis obrigasse alguém a viver limitado em uma redoma de vidro, ultrapassando as barreiras da estupidez apregoada pelos discursos patriotas e nacionalistas que já renderam regimes como o fascismo e o nazismo... Pelo regionalismo barato que divide aqueles que deveriam se unir... Até chegar ao “municipalismo” como fator de credibilidade! Como se através do computador em que você lê esse texto agora não fosse possível ter acesso ao mundo...

São essas pessoas, meu caro leitor, que dizem realmente entender do assunto (baseados exclusivamente em seu achismo pessoal) ou se denominam ex-atletas (refletindo a inexperiência dos amadores), pautadas sempre por seus interesses pessoais (tanto na crítica destrutiva, quanto na defesa velada), que colaboram para a construção de uma realidade virtual que simplesmente inexiste quando se trata do nosso esporte local. E por isso fica difícil esperar alguma coisa da imprensa esportiva local. Porque antes de encarar o problema... As dificuldades... É preciso reconhecer que elas existem, coisa que aqueles que deveriam ser nossa esperança andam devendo ao se preocupar mais com picuinhas pessoais. E o que é pior: hipócritas que condenam tal atitude como se não fizessem parte dessa corja. Covardes que proclamam sua falsa modéstia no café pequeno, que insiste em deixar um gosto amargo na boca daqueles que não compactuam com tamanha desonestidade. Essa cobertura superficial, arrogante, não justifica tanta propaganda de gente que bate no peito como se fizesse a diferença no esporte local. Não bastasse a perspectiva herdada pelos dinossauros que insistem em não largar o osso, às focas que ambicionam sua fatia do bolo revelam-se dispostas seguir a mesma escola em busca de prosperidade pessoal. Então para que alterar o cenário, não é mesmo?

Por isso é tão importante para essas pessoas acreditar que a nossa realidade se resume a tão pouco e a tanta utopia. Ou argumentar que o leitor não está disposto a ler textos que possuam mais de 20 linhas para não ter de assumir que aquilo que realmente falta é conteúdo para preenchê-las. Sendo simples e honesto, eu diria: Porque limitar-se ou acomodar-se diante de apenas uma versão dos fatos quando existem tantas óticas diferentes a sua disposição? Seria hipócrita se não reconhecesse que isso coloca em cheque sua capacidade de selecionar, filtrar e assimilar o conteúdo disponível. Conteúdo este que se encontra cada vez mais acessível e diversificado. Portanto, muito cuidado com quem você escuta por aí, afinal como já profetizava o ministro da propaganda do partido nazista, Joseph Goebbels: “uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade”.

E o que não falta por aí é gente tentando te convencer...

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Todos os comentários desse artigo:
A verdade que importa em qualquer lugar

  • victorinonetto Qui 07 Jan 2010 11:12
    Não me acho diferenciado de ninguém, mas com certeza dou a cara p/ bater. Por isso assino meu nome, sem me esconder atrás de um pseudônimo que ilustra bem a opinião dos covardes!!! Abraço meu conteúdo, justamente p/ não dar tiro no escuro...

    Agradeço as palavras dos amigos!!!

  • Matheus Cristian mailto

    Ter 05 Jan 2010 04:50

    Entrevistei o Neto da Band em meu blog. Confere lá: http://mattew.zip.net
    Abraço.

  • Philippe Dutra mailto

    Qui 17 Dez 2009 22:34

    Victorino é diferenciado até para discordar. E como já discordamos! Esse tal de "Nulo" aí, só mostra a covardia dos jornalistas adeptos da arte do copiar e colar. Ctrl + c e Ctrl + V. ¬¬

    Parabéns pelas palavras Leonardo.
    Mesmo eu, também estando fora do contexto entendi bem.

    Abraço

  • NULO

    Ter 15 Dez 2009 19:08

    UM TIRO NO ESCURO. QUEM NÃO GOSTA DE INDIRETA VESTE A CARAPUÇA. SE ACHA DIFERENCIADO SO PORQUE DA A CARA PRA BATER

  • Veloso Almeida mailto

    Seg 14 Dez 2009 21:55

    Só quem faz jornalismo de verdade por esse interior de meu Deus , onde ainda impera o cabresto do coronelismo , sabe do que esse rapaz está falando. Só quem faz ! Parabéns por tua hombridade ! Força nessa caminhada !

    Veloso Almeida

  • Matheus mailto

    Seg 14 Dez 2009 12:06

    Mesmo estando eu fora do contexto, o recado foi assimilado.
    Ótimo. Parábéns.