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Retrospectiva 2009 (Parte 3)  (Visão de Jogo) escrito em terça 05 janeiro 2010 10:35

Campeonato Brasileiro, Retrospectiva 2009, Serie A, Serie B, Serie C, Serie D

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Vamos a terceira parte da nossa retrospectiva:

Campeonato Brasileiro - Serie A:

Desde a adoção do sistema de pontos corridos, nunca um Campeonato Brasileiro havia apresentado tanto equilíbrio como na edição 2009. E ainda assim teve quem defendesse o retorno do mata-mata... Após liderar a metade inicial da competição, o Palmeiras despontava como principal candidato ao título, ainda mais após segurar seus principais jogadores e investir na contratação de reforços de peso, como o repatriado atacante Vágner Love. Mas a oscilação dos comandados de Muricy Ramalho coincidiu com a ascensão dos principais adversários e para frustração dos palmeirenses, o time ficou de fora até da zona de classificação a Libertadores, após uma derrota na última rodada diante do Botafogo. O clube da Estrela Solitária, que teve uma campanha irregular durante todo certame, se encaixou na reta final, quando demonstrou muito brio (além de um “elétrico” Jóbson) e conseguiu escapar do rebaixamento.

Outra paulista que se complicou nas mãos dos cariocas foi o São Paulo, que após romper o casamento com Muricy resolveu apostar (literalmente) em Ricardo Gomes. A transição no comando contribuiu para que o Tricolor demorasse a se acertar no Brasileirão e apesar de jogar “mais” futebol do que nos tempos do antigo treinador, os são paulinos não apresentaram a mesma consistência dos anos anteriores, desperdiçando pontos importantes que acabaram pesando nos momentos decisivos. Apesar de assumir a liderança na reta final, o clube do Morumbi não teve forças para se manter e sucumbiu nas rodadas decisivas, deixando escapar o tetracampeonato consecutivo. O Internacional, a exemplo dos últimos anos, iniciou a competição festejado como um dos favoritos e mais uma vez morreu na praia. Dessa vez, porém, sem chamar muito a atenção, chegou à última rodada em condições de ser campeão, superando as críticas pessimistas. Não fosse a indefinição em relação ao trabalho de Tite, que prejudicou bastante as possibilidades coloradas, a surpresa poderia ter sido ainda maior...

Bom para o Flamengo, que se acertou sob o comando de Andrade e mais uma vez apresentou uma reação impressionante durante o 2º turno. O treinador teve méritos por depositar a confiança no artilheiro Adriano, além de redescobrir em Petkovic um jogador capaz de organizar o meio-campo rubro-negro. Apoiado nessa perspectiva, o Flamengo teve forças para vencer duelos chave contra concorrentes diretos (como o emblemático triunfo perante o alviverde em pleno Palestra Itália), agarrando a liderança com os dentes na penúltima rodada. Uma conquista que devolve o orgulho a maior torcida do Brasil e também ao futebol carioca, tão desprestigiado nos últimos anos.

Na sequência, o Avaí foi a grande surpresa da tabela em seu retorno a 1ª divisão nacional. A 7ª colocação foi a coração de um trabalho muito bem executado pelo competente Silas desde a Serie B de 2008. Outra equipe que terminou na zona intermediária da tabela foi o Goiás (9º), do polêmico Hélio dos Anjos. Houve um momento em que o Esmeraldino sonhou alçar vôos maiores, ainda mais após a chegada de Fernandão, mas o decorrer da temporada ensinou ao clube do Serra Dourada que não se pode comemorar antes da hora em um torneio como o Brasileirão. Quem também terminou a competição com um gosto amargo na boca foi o Atlético Mineiro, que iniciou a disputa humildemente sob o comando de Celso Roth, mas passou a sonhar alto após grandes resultados, boas contratações e a excelente fase do artilheiro Diego Tardelli. Faltou ao Galo força para se impor durante a reta final, além de competência para se manter na zona de classificação a Libertadores. E mais uma vez, Celso Roth pagou o pato. A torcida do Grêmio também saiu frustrada desse Brasileirão, já que o time tinha condições de ter feito uma campanha muito melhor. Não fosse o péssimo desempenho jogando fora de casa...

Já classificado para Libertadores, o Corinthians encarou a competição com relativo desdém, em uma participação tão modesta que se resume a falta do que destacar. A negociação de jogadores importantes em meio à disputa certamente prejudicou a equipe de Mano Menezes, mas é fato que após o desempenho do 1º semestre, a expectativa da Fiel era por uma campanha muito melhor. Ainda na zona de classificação a Copa Sul-Americana ficaram Barueri, Vitória e Santos, embora haja pouco para comemorar nesse sentido. O Abelha rompeu seus vínculos com a prefeitura local e perdeu seus principais jogadores para próxima temporada, enquanto os baianos esperavam mais após o retorno de Vágner Mancini (que deixou o clube no final do ano). O Peixe, por sua vez, teve uma campanha morna durante todo campeonato, frustrando-se com o trabalho de Luxemburgo e assistindo ao fim da era Marcelo Teixeira na presidência do clube.

Além do Botafogo, clubes como Atlético Paranaense, Coritiba e Fluminense também estiveram entre o céu e o inferno nesse Campeonato Brasileiro. Após um início preocupante, o Furacão deu sinais de reação sob o comando de Antônio Lopes, ao contrário do arqui-rival, que até parecia se acertar sob a batuta de Ney Franco e Marcelinho Paraíba, mas acabou naufragando no ano de seu centenário em pleno Couto Pereira (o que gerou um dos episódios mais lamentáveis na história do futebol nacional). O algoz do Coritiba foi o Fluminense, que merece tanto destaque quanto o Flamengo nessa revisão do Brasileirão. Isso porque a equipe das Laranjeiras parecia destinada ao rebaixamento ao final do 1º turno. Contratações equivocadas, torcedores agredindo jogadores, constantes trocas de treinadores. Para piorar, a diretoria resolveu apostar em Cuca, que não parecia ser o nome mais indicado para recuperar o tricolor. Mas a custo de muito trabalho, o técnico conseguiu devolver a confiança ao grupo, apostando em jovens valores (como Dalton, Alan e Maicon) e bancando o atacante Fred (muito criticado pelo longo período no departamento médico). Os gols do artilheiro ajudaram o Flu a se livrar do rebaixamento, um pesadelo bem conhecido pelo torcedor pó de arroz.

No fundo do poço, ficaram dois pernambucanos e um paulista: Naútico e Sport evidenciaram a má fase dos clubes nordestinos em âmbito nacional durante a temporada 2009 (que também pode ser constatada na 2ª divisão), enquanto o Santo André pagou o preço por apostar em medalhões. Após investir no elenco (trazendo inclusive Carlinhos Bala, ídolo do rival Sport), o Timbu sonhava com uma campanha mais tranquila do que aquelas que vinha apresentando desde o seu retorno a elite (nos dois últimos anos, havia salvado-se do rebaixamento na reta final graças ao trabalho de Roberto Fernandes). A queda do Leão surpreendeu ainda mais, pois interrompeu um ciclo positivo que havia começado com o título da Copa do Brasil, passando em 2009 pela conquista estadual e a ótima campanha na Libertadores. Sinal de que a saída de Nelsinho Batista no início do Brasileirão deixou sequelas para o restante da disputa...

Campeonato Brasileiro – Séries B:

Em 2009, a segunda divisão foi o caminho da redenção para o Vasco da Gama, que seguiu o exemplo de tantos outros gigantes do futebol nacional (Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians) e garantiu o passaporte de volta a elite sem grandes sustos. É verdade que a equipe de São Januário oscilou em alguns momentos (como refletiu o futebol de Aloísio, uma das maiores contratações dos cariocas e que ficou devendo mais bola na última temporada), mas no final das contas os vascaínos saíram-se muito bem. Dorival Júnior montou um time equilibrado e contou com o excelente futebol do meia Carlos Alberto para garantir a 1ª colocação com sete pontos de vantagem sobre o 2º colocado.

Quem também se garantiu na Serie A do ano que vem foi o surpreendente Guarani, rebaixado no estadual, mas que sob o comando de Oswaldo Alvarez e uma base composta por jovens valores mesclada a alguns medalhões, mostrou uma impressionante capacidade de reação, arrancando entre os líderes logo no início da competição e mantendo-se no G-4 durante todo certame. Posteriormente, o clube ainda teve sua classificação ameaçada devido a uma suposta irregularidade na inscrição de um jogador, fato que acabou não se confirmando. Ceará e Atlético Goianiense, que complementaram a zona de acesso, viveram situações inversas que resultaram no mesmo final. Após um início irregular, os cearenses contaram com a chegada do técnico PC Gusmão, responsável pelo excelente aproveitamento do time no decorrer do torneio que colocou fim a longa espera pelo retorno a vitrine do futebol nacional. Já os goianos, que apostavam desde o começo no bom trabalho desenvolvido por Mauro Fernandes, resolveram mudar o comando técnico em um momento delicado, apostando suas fichas em Artur Neto, que deu conta do recado e garantiu o Dragão entre os quatro primeiros colocados.

Portuguesa (que viveu momentos conturbados durante a competição, como a ameaça de um diretor aos jogadores em pleno vestiário) e Figueirense (que apresentou uma das maiores revelações do torneio, o atacante Rafael Coelho) também estiveram na briga pelo acesso, mas acabaram pagando caro pela inconsistência ao longo do ano. O São Caetano, que fez um péssimo 1º turno, mas conseguiu uma boa retomada na sequência do ano (sob o comando de Antônio Carlos Zago), além do Duque de Caxias (que estreava na 2ª divisão e tinha perspectivas modestas), merecem destaque por suas campanhas honrosas, enquanto clubes tradicionais (casos de Paraná, Ponte Preta, Vila Nova e Bahia) apenas reforçaram a necessidade de repensar seu planejamento para 2010. Já a zona de rebaixamento refletiu o momento de fragilidade atravessado pelo futebol do Nordeste: ABC, Campinense e Fortaleza acabaram sucumbindo, enquanto o América de Natal escapou por pouco, empurrando o vexame para o Juventude.

Campeonato Brasileiro – Séries C:

A remodelada 3ª divisão começou comprovando algumas forças e derrubando outros mitos. No grupo A, o Paysandu (campeão paraense) garantiu uma das vagas enquanto o tradicional Sampaio Corrêa acabou na lanterna, amargando o rebaixamento. No grupo B, o Icasa (que havia feito uma boa campanha na Copa do Brasil) e o ASA (campeão alagoano) ficaram com a classificação, enquanto o Confiança, que sagrou-se campeão sergipano nessa temporada, não conseguiu repetir o desempenho e também acabou relegado a 4ª divisão. Nos grupos C e D poucas surpresas, a não ser pelo fracasso do Criciúma, tradicional equipe da região sul. O maior destaque ficou por conta da boa campanha de um revigorado América Mineiro.

A fase final colocou frente a frente os clubes da região norte e nordeste, com ampla vantagem para os nordestinos que assistiram a classificação de ASA e Icasa sobre Rio Branco e Paysandu, respectivamente. Nos confrontos entre os clubes do sudeste contra e os gaúchos, o América levou a melhor sobre o Brasil de Pelotas, enquanto o Guaratinguetá superou o Caxias. Mesmo com os quatro promovidos já definidos, as semifinais não deixaram de esquentar. Após um empate em seus domínios na primeira partida, o ASA foi buscar a classificação no campo do Icasa, enquanto o América só conseguiu superar o Guaratinguetá na cobrança dos pênaltis. Na final, o fato de contar com um elenco mais experiente acabou sendo decisivo para o Coelho. Apoiados no rodado meia Irênio e também nos gols do matador Bruno Mineiro, os americanos conquistaram o título relativa facilidade, assegurando a vitória nos dois jogos (1x0 e 3x1) e a certeza de que a penumbra dos últimos anos (quando chegou a cair para segundona estadual) vem sendo superada.

Campeonato Brasileiro – Séries D:

A desnecessária 4ª divisão nacional herdou toda desorganização mambembe que sempre caracterizou a Serie C. Em sua primeira edição, a competição reuniu 40 equipes divididas em 10 chaves, apontando dois classificados por grupo. Muitos clubes tradicionais do Nordeste acabaram caindo precocemente (como Moto Club, Treze, Flamengo/PI e o CSA) já nessa fase. Porém, o caso mais emblemático foi o do glorioso Santa Cruz de Pernambuco, que apesar da excelente média de público terminou na lanterna do grupo 4, frustrando toda nação tricolor.

Entre os sobreviventes, algumas equipes mais conhecidas, como Londrina, Nacional/AM, Sergipe, Ferroviário/CE e Paulista de Jundiaí, embora nenhuma delas tenha sido capaz de conquistar o acesso. Entre os times que chegaram à reta final estavam Araguaína/TO e Cristal/AP, ilustrando a descentralização da disputa. Porém, quem realmente prosperou (conquistando o acesso) foram Chapecoense e Alecrim, que eram favoritos, mas acabaram superados respectivamente por Macaé e São Raimundo/PA nas semifinais. Na grande decisão, cada mandante fez sua parte, mas os gols fora de casa pesaram a favor dos paraenses, que apesar de representar um estado historicamente dominado por Paysandu, Remo e Tuna Luso, garantiram um titulo de âmbito nacional para sua galeria de troféus.

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