Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Fique ligado:
Futebol Internacional:
Pelos gramados internacionais,
a crise da economia mundial refletiu-se no
desenfreado mercado de
contratações europeu, que desde a última temporada apresenta-se bem
mais discreto que o de costume. O país que mais se destacou nesse
sentido foi a Espanha, graças às aquisições milionárias de
Florentino Pérez, que voltou ao poder no Real Madrid e iniciou uma
nova era de galácticos com Cristiano Ronaldo e Kaká. Mesmo assim,
quem continua dando as cartas em La Liga (mesmo que a diferença
ainda seja pequena) é o Barcelona, que manteve sua base vitoriosa e
continua jogando o futebol mais refinado do Velho Continente
(embora alguns atletas estejam abaixo do rendimento apresentado na
última temporada). E se perdeu o camaronês Eto’o, a equipe
catalã repôs a altura, contratando Ibrahimovic, embora o sueco
ainda esteja se acertando na nova casa.
Ainda nas primeiras posições
está o Valencia, que vive um momento financeiro conturbado e
agradeceu aos céus por conseguir segurar o
artilheiro David Villa por mais
algum tempo. Apostando em velhos conhecidos (Marchena, Albeda,
Baraja e Joaquín) e jovens valores (Banega, David Silva e Juan
Mata), os Murciélagos
têm se mantido na zona de classificação a fase de grupos da UCL. E
a chegada de reforços precisos, como o atacante argentino Alejandro
Domínguez (que teve excelente passagem pelo futebol russo), anima
ainda mais a torcida. Sevilla e Deportivo La Coruña têm se
apresentado competitivos e são sérios candidatos a ficar com as
vagas para a Europa League, ao contrário do Atlético de Madrid, que
faz péssima campanha e tem brigado na metade de baixo da tabela.
Quem também está preocupado com o rebaixamento é o Zaragoza, que
acaba de retornar a elite espanhola. Outra surpresa é a campanha do
Mallorca, que após uma surpreendente 9ª colocação na temporada
passada, vem se superando em 2009 (mesmo com a saída de peças
importantes, como o venezuelano Arango) na disputa pelas primeiras
colocações.
Na Premier League, as
principais equipes também apostaram na manutenção da base,
alterando pouca coisa
em relação ao nível de
competitividade já conhecido pelos ingleses. Chelsea e Manchester
United brigam pela liderança, a exemplo do que ocorreu na última
temporada. Os Blues
vêm prosperando sob o comando de Carlo Ancelotti, que manteve o
excelente desempenho ofensivo, mas acrescentou maior capacidade
defensiva ao esquema do time. Já os Red Devils, que perderam em
talento com a saída de Cristiano Ronaldo e Tévez, têm demonstrado
uma equipe voluntariosa, que faz do jogo coletivo sua maior força.
Nomes como Anderson, Fletcher e Nani têm jogado mais (e melhor!)
sob a batuta de Sir Alex Ferguson, assim como o veterano Giggs ou o
repatriado (e recuperado) Owen. Sem falar que Rooney vive grande
fase... Assim como a garotada do Arsenal, sempre desfalcado pelas
contusões, mas apostando em um futebol alegre e ofensivo. Não por
acaso os Gunners estão sempre brigando pelas primeiras posições,
embora a falta de experiência ainda afete os meninos de Wenger em
momentos cruciais (a derrota para o Mancheter United nesse 1º turno
personifica tal afirmação). Mas a maior decepção fica por conta do
Liverpool, que gerou na torcida a expectativa de colocar fim no
jejum de 19 anos sem um título inglês, mas tem desperdiçado pontos
preciosos em campo, ocupando posição irregular na tabela. Tanto que
os críticos de Rafa Benítez pedem a cabeça do técnico
imediatamente!
O Manchester City foi quem mais
investiu na atual temporada inglesa, contratando nomes do peso como
Adebayor, Kolo Touré, Santa Cruz,
Lescott, Barry, além do já
supracitado Carlitos. Após resultados animadores no início do ano,
os Citizens viveram
momentos de instabilidade durante o 1º turno, o que gerou a
dispensa do treinador Mark Hughes (substituído pelo italiano
Roberto Mancini). Mas com um pouco de boa vontade e uma dose extra
de motivação (Robinho que o diga!), brigar por uma das vagas na UCL
é o mínimo que uma equipe com a folha de pagamento do City pode
almejar... Após uma temporada de recuperação em 2008/09, o
Tottenham tem demonstrado um poder de competitividade ainda maior
sob a batuta de Harry Redkanapp. Destaque para excelente fase do
meia Lennon e do artilheiro Defoe (que briga por posição com Robbie
Keane e Crouch). Outra equipe que mantém bom aproveitamento é o
Aston Villa, mesmo após a saída de Barry, grande pilar de
sustentação do meio-campo. A ascensão de jovens valores (casos de
Milner e Agbonlahor) está diretamente ligada a esse desempenho e a
meta agora é superar a 6ª colocação do último campeonato. O
conterrâneo Birmingham City (recém-promovido a elite inglesa)
também faz uma campanha digna, ao contrário de figurões como
Everton e Blackburn (que ainda não engrenaram na tabela) ou o West
Ham (seriamente ameaçado pelo rebaixamento). Quem já parece fadado
a 2ª divisão é o Portsmouth, que deve recordar-se com nostalgia das
boas contratações financiadas por Alexandre Gaymak alguns anos
atrás.
Na Itália, o cenário
apresentado em 2009 indica que a supremacia
nerazzurri deverá ser mantida por
mais uma temporada. Em campo, reforços como Lúcio, Sneijder e
Eto’o estão devidamente adaptados, somando ainda mais
qualidade em um elenco altamente capacitado. Não por acaso, os
comandados de José Mourinho abriram boa vantagem em relação aos
concorrentes, que por sua vez não demonstram consistência
suficiente para ameaçar a Internazionale. É o caso do arqui-rival
Milan, que teve um início preocupante sob o comando de Leonardo,
mas conseguiu mostrar capacidade de reação graças a um esquema
ofensivo (ao menos para os padrões italianos), com destaque para os
brasileiros Ronaldinho Gaúcho (que voltou a jogar boas partidas) e
Alexandre Pato (vivendo boa fase no calcio). Mas no geral, os
rossoneri ainda não apresentaram a estabilidade necessária para
convencer seu torcedor de que realmente podem entrar na disputa
pelo título. Assim como a Juventus, que ingressou na competição
cercada de otimismo após a chegada do meia Diego. Ambos começaram
muito bem, até o brasileiro se contundir e nunca mais voltar a ser
o mesmo. Coincidentemente, o desempenho de La Vecchia Signora também
passou a oscilar e a confiança nunca mais foi a mesma. Grande
parcela da culpa pelos resultados negativos tem sido atribuída ao
técnico Ciro Ferrara, que sofre grande pressão e vê seu cargo
ameaçado.
A Roma, que aposta em Claudio
Ranieri, voltou a brigar na metade de cima da tabela e ainda trouxe
o reforço mais badalado na transição do mercado
italiano: o atacante Luca Toni,
repatriado do Bayern de Munique. Na disputa pelas vagas da Liga da
Europa o equilíbrio é maior. Clubes como Napoli e Palermo fazem boa
campanha, assim Parma e Bari (recém promovidos a Serie A). A
Sampdoria começou muito bem liderada por Cassano e até despontava
como favorita, mas depois decaiu de produção. Os torcedores de
Fiorentina e Genoa (que acaba de contratar Suazo) também esperavam
um pouco mais de suas equipes. Situação preocupante é a de Udinese
e Lazio (que sofreu desfalques importantes durante a janela de
transferências), ambas ameaçadas pelo rebaixamento, assim como
Bologna e Atalanta.
Na Bundesliga, a temporada
também tem sido de recuperação para o Bayern de Munique, maior
favorito ao título, mas que começou fraquejando
sob o comando do holandês Van
Gaal. Aproveitando-se desta perspectiva, outras equipes largaram na
frente, como Schalke 04 (que vem respondendo bem ao trabalho de
Felix Magath), Hamburgo (onde Zé Roberto mostra que ainda tem
“lenha para queimar”) e principalmente o Bayer
Leverkusen (que tem opções ofensivas interessantes como Derdiyok,
Kroos, Kießling, Helmes, além do brasileiro Renato Augusto). Mas
com o tempo, os bávaros têm corrido atrás do prejuízo, encostando
novamente nos líderes e recandidatando-se a taça. Borussia Dortmund
e Werder Bremen (que descobriu vida pós-Diego) fazem boas campanhas
e lutam para ficar ao menos com uma vaga na Europa League. O atual
campeão Wolfsburg nem isso parece capaz de fazer, realizando uma
temporada extremamente abaixo da expectativa. Quem também faz
campanha decepcionante é o Stuttgart, que tem flertado com a zona
de rebaixamento. Nada que se compare a incompetência do Hertha, que
após terminar na 4ª colocação do último Campeonato Alemão somou
apenas uma vitória e três empates nos primeiros 17 jogos da edição
2009/10, apropriando-se com méritos da
lanterna.
Na França, após o incessante
domínio do Lyon, quem parece destinado ao monopólio da Ligue 1 é o
atual campeão Bordeaux, que durante o ano
distanciou-se da concorrência,
destacando-se na corrida pelo título. Na luta pelas primeiras
posições também se destacam duas boas surpresas: o Lille e o
Montpellier. Entre os clubes tradicionais, o Olympique de Marseille
(que apostou em Lucho González na expectativa de retornar aos
tempos áureos), é quem apresenta maior regularidade, embora ainda
não tenha demonstrado forças suficientes para disputar a liderança.
Auxerre, Lyon e PSG, que não estão muito distantes do concorrente,
vivem situações semelhantes. Quem parece não ter aprendido a lição
é o Saint-Étienne, que mais uma vez luta contra o fantasma do
descenso.
Em Portugal, o surpreendente
Braga revela-se disposto a contestar a hegemonia do trio de ferro,
mas para isso não pode se
acomodar com a liderança provisória do certame. Ainda mais quando o
Benfica parece recuperado graças ao futebol de jogadores que vem se
reencontrando no clube (a situação de Saviola é um bom exemplo).
Porto e Sporting (que faz campanha discreta) também representam
pedras no sapato de quem deseja tentar a sorte em território
lusitano, como no caso do Nacional, que até aqui luta por uma vaga
nas competições continentais do ano que vem. Na Holanda, o Twent
também sonha repetir o feito do AZ na última temporada e fugir da
rotina estabelecida entre os três maiores clubes do país. E a
equipe comandada por Steve McClaren (que fracassou em sua passagem
pelo English Team)
tem boas chances se considerarmos que apenas o PSV tem mostrado
estabilidade suficiente para se manter vivo na disputa. Enquanto
isso, Ajax e Feyenoord parecem se contentar com as vagas restantes
para a Europa League.
Na Rússia, o Rubin Kazan já
faturou o bicampeonato, firmando-se definitivamente entre as
grandes forças do país; Em outra ex-república
soviética, a Ucrânia, o Dynamo
Kiev (que repatriou o atacante Shevchenko) terminou 2009 invicto,
embora esteja equiparado na classificação ao rival Shakhtar
Donetsk; Pelos
gramados turcos, a briga entre Fenerbahçe e Galatasaray é acirrada,
embora surpresas como Bursaspor e Kayserispor ainda estejam no
páreo. O Beşiktaş, campeão da última edição, por enquanto
corre por fora; Outra disputa equilibrada ocorre na vizinha Grécia,
onde Panathinaikos e Olympiacos (do técnico Zico) vêm se revezando
na liderança. A decepção fica por conta da fraca campanha do AEK;
Na Escócia, o Rangers vive um bom momento e destaca-se na liderança
tabela, embora sempre perseguido pelo rival Celtic (que no momento,
se preocupa mais com a proximidade do Hibernian); Já em território
belga, o Anderlecht ingressou na temporada como grande favorito,
embora o Club Brugge venha demonstrando em campo condições de
equilibrar essa disputa.
Mundial Interclubes:
Disputado pela primeira vez em
Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o Mundial de clubes da FIFA
anunciava desde o início a
clássica final entre europeus e sul-americanos. E foi apenas uma
questão de tempo para que essa realidade fosse confirmada. Na
estréia, o Al-Alhi (representante do país sede que contava com
apenas três estrangeiros em seu elenco) sucumbiu diante Auckland
City. Interessante destacar que o estilo de jogo dos neozelandeses,
inspirado principalmente no futebol inglês, sobressaiu-se mais uma
vez diante da escola árabe, a exemplo do que já havia acontecido
nas eliminatórias para Copa, quando os All Whites superaram o Bahrein
na luta por uma vaga. Mas contra a escola mexicana na fase seguinte
a conversa foi outra e o Atlante não encontrou dificuldades para
garantir a vitória por 3x0.
Na sequência, Mazembe (do
Zaire, que hoje em dia é República Democrática do Congo) e Pohang
Steelers (originalmente conhecido como POSCO) fizeram um duelo
equilibrado, com tudo aquilo que um bom jogo
necessita: as duas equipes
buscando a vitória, chances de gol para ambos os lados, belas
defesas, bola na trave, além de uma virada emocionante dos
asiáticos para cima dos africanos (graças aos dois gols marcados
pelo brasileiro Denílson). Enfim, atrativos suficientes para
aqueles que não acompanham futebol apenas pela camisa de quem está
jogando. Assim como aconteceu posteriormente, na disputa pelo 5º
lugar, quando o Auckland surpreendeu novamente ao derrotar o
Mazembe em um duelo com direito a duas viradas (o tento que
garantiu o triunfo neozelandês saiu no último minuto). Vale uma
ressalva aqui, pois essas partidas devem ter sido as mais
sacaneadas pelas redes sociais de jornalistas esportivos envolvidos
com a cobertura do mundial. Uma pena!!!
Nas semifinais, o Barcelona
começou poupando algumas de suas estrelas e sofreu um gol logo aos
quatro minutos da partida contra o Atlante. Porém,
demonstrou força suficiente para
impor sua superioridade e conquistar a virada com três gols (um
deles basicamente no primeiro toque de Messi ao entrar em campo),
mesmo sem jogar uma grande partida. O Estudiantes também estreou
acanhado: abriu 2x0 no placar contra o Pohang Steelers e parecia
ter o jogo nas mãos, quando os coreanos resolveram complicar um
pouco mais as coisas. O gol do brasileiro Denílson não apenas
reforçava a importância do artilheiro como também expunha os
Pincharratas à
desconfiança dos pessimistas. Mas no final das contas, os asiáticos
tropeçaram nas próprias pernas, vitimados pelas expulsões. Restaria
o consolo de endurecer diante dos mexicanos na disputa pelo 3º
lugar, quando mais um gol de Denílson (que terminou na artilharia
da competição com quatro gols) levou a decisão para cobrança dos
pênaltis, concluída com êxito pelos
sul-coreanos.
Na grande final, o Estudiantes cumpriu com maestria seu objetivo na
etapa inicial ao segurar o adversário e ainda encontrar espaços
para abrir o
placar. As seguidas chances
perdidas pelo Barcelona mostravam que o dia poderia não ser dos
espanhóis e que a sina catalã de sucumbir nas decisões de mundiais
interclubes voltaria a se repetir. Veio o segundo tempo e mesmo
martelando, os Blaugranas não conseguiam empatar o jogo. Os
argentinos se defendiam de todas as maneiras e nos contra-ataques
tiveram mínimas (porém preciosas) chances de definir o confronto.
Com Messi, Henry e Ibrahimovic pouco inspirados, além do sentido
desfalque de Iniesta, a sorte do Barça só começou a mudar quando
Guardiola resolveu apostar nos garotos da base, que mostraram
fôlego (Jeffrén) e principalmente estrela (Pedro) para marcar o gol
de empate nos minutos finais, em uma saída afobada de Albil (que
não por acaso era o reserva de Andújar na época da Libertadores). O
gol com menos de um minuto para a conclusão do tempo regulamentar
foi um balde de água fria na equipe de Verón, que a cinco minutos
do final da prorrogação, assistiu o compatriota Messi garantir
o primeiro título da história dos espanhóis. Coroando com lampejos,
aquele que é destacado o melhor futebol do mundo na
atualidade!









Comentários