Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/03/01 09:36 / 144 Artigos publicados
 

De olho na Liga dos Campeões da UEFA:  (Futebol Internacional) escrito em segunda 08 fevereiro 2010 23:20

Liga dos Campeões , UEFA Champions League

 

Nos próximos dias, a principal competição interclubes organizada pela UEFA inicia sua fase final, disputada em etapas eliminatórias. Com o inevitável afunilamento, a tendência é que só os fortes sobrevivam, embora não sejam incomuns duelos que nos remetem a histórias como a de Davi e Golias. De olho nas possibilidades, vamos a uma análise dos confrontos que devem agitar o Velho Continente:

Lyon x Real Madrid

Após investir pesado no início dessa temporada (ressuscitando inclusive o rótulo de “Galácticos”), os Merengues precisarão superar alguns tabus pessoais se quiserem chegar à próxima fase. Primeiro porque desde a edição 2003-04 a equipe não consegue alcançar às quartas-de-final. Além disso, nas duas últimas vezes em que cruzaram com o Lyon jogando pela Liga dos Campeões (2005-06 e 2006-07), os espanhóis acabaram fracassando fora de casa (derrotas de 3x0 e 2x0) e também no Santiago Bernabéu (empates por 1x1 e 2x2). Para quebrar essa escrita o time aposta suas fichas na volta por cima de seus principais jogadores, Kaká e Cristiano Ronaldo, que recentemente enfrentaram alguns problemas. O português causou polêmica após ser expulso em um jogo diante do Málaga, válido pela liga espanhola, quando quebrou o nariz do defensor Mtiliga e acumulou dois jogos de suspensão. Já o brasileiro teve detectada uma pubalgia crônica, que segundo a imprensa espanhola precisará ser tratada pelo resto de sua carreira. Como desgraça pouca é bobagem, o Real Madrid também não vai poder contar com o defensor luso-brasileiro Pepe, que rompeu o ligamento cruzado do joelho direito.

Mesmo assim as perspectivas são as mais otimistas possíveis, já que a equipe fez uma boa campanha na fase de grupos, terminando na liderança da chave com quatro pontos a frente do Milan, seu concorrente mais próximo. Além disso, nos três jogos disputados fora de casa, foram sete pontos conquistados em nove possíveis. Sem falar na motivação pessoal de atacantes como Raúl (maior artilheiro na história da Champions que pode ampliar sua marca atual de 66 gols) e Benzema (que vai ter a chance de reencontrar sua ex-equipe). Apesar de realizar uma campanha muito semelhante a dos espanhóis na fase de grupos (em seis jogos foram 13 pontos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota), o Lyon acabou na 2ª colocação de sua chave, atrás da Fiorentina. Nem por isso a campanha pode ser ignorada, já que o clube eliminou com méritos o tradicional Liverpool, franco favorito a uma das vagas. Mesmo assim a desconfiança é grande, já que os franceses não demonstram a mesma consistência de anos anteriores. Prova disso é a campanha morna na Ligue 1, onde o clube tem se esforçado para manter-se entre as quatro primeiras colocações (que valem vaga nas competições européias). Mesmo assim, o sonho do título parece distante, já que a diferença para o líder Bordeaux na tabela de classificação é muito grande.

Realidade que reforça a importância do jovem arqueiro Lloris, titular da seleção francesa e sondado pelo Manchester United na última janela de transferências. Sua inspiração pode ser decisiva para o êxito de sua equipe, assim como o talento do argentino Lisandro López, que chegou nessa temporada e rapidamente se firmou como um dos maiores ídolos da torcida. Brasileiros como o zagueiro Cris (capitão da equipe), além dos meias Ederson e Michel Bastos (que só é lateral na seleção) são igualmente importantes. Já Bafétimbi Gomis, festejado na pré-temporada como principal reforço para o ataque, ainda não mostrou todo seu potencial e continua devendo mais futebol. Grande ambição do Lyon para confirmar a estigma de “time grande”, a atual edição da Liga dos Campeões será definida no Santiago Bernabéu. Porém, para chegar até lá, primeiro os franceses precisarão superar a decisão diante do Real Madrid.

Milan x Manchester United

Um dos duelos mais esperados dessas oitavas-de-final, Milan e Manchester prometem um confronto equilibrado, que coloca frente a frente duas realidades semelhantes na atual competição. Os italianos conquistaram sete dos nove pontos que disputaram como visitantes na fase de grupos, complementando sua campanha com dois empates e uma derrota no San Siro (o que lhe valeu a 2ª colocação na chave). Já o United obteve vitória nos três jogos fora de casa (aliás, não perde uma eliminatória nessa condição desde as semifinais de 2006/07, quando foi eliminado justamente pelo Milan). Por outro lado, os ingleses conquistaram apenas quatro pontos nas partidas diante de sua torcida, desempenho que pode ser considerado abaixo da média, embora tenha lhe valido a liderança do grupo.

Após um início de temporada muito ruim, o esquadrão Rossonero foi se encontrando em meio a Serie A, quando o técnico Leonardo apostou em um esquema ofensivo (ao menos para os padrões italianos), bancando compatriotas como Dida e Ronaldinho Gaúcho no time titular. O arqueiro continua cometendo algumas de suas trapalhadas, mas ao menos aparenta ser a melhor opção disponível no elenco, enquanto o camisa 80 recupera sua melhor forma em sintonia com a equipe. Outro brasileiro fundamental no esquema do rubro-negro italiano é Alexandre Pato, que causou grande confusão entre os desinformados ao ser incluído pelo clube em uma lista B. Na verdade, o regulamento oficial da Liga dos Campeões permite que as equipes inscrevam atletas nascidos antes de 1º de janeiro de 1988 e que estejam em condições de jogo por seus respectivos clubes a pelo menos dois anos. Porém, essa lista B (que possibilita inscrições ilimitadas) não exclui a possibilidade de o jogador continuar atuando no torneio, como muitos estavam imaginando.

Um reforço importante para a sequência da competição será o meia David Beckham, que retorna do Los Angeles Galaxy em tempo de enfrentar o time que o revelou para o mundo. Esse “pequeno detalhe” apimenta ainda mais esse embate, principalmente para os ingleses, que historicamente tem um retrospecto desfavorável em relação ao adversário nas partidas válidas por competições européias. Por outro lado, o time de Alex Ferguson busca manter a escrita das três últimas edições do torneio, quando alcançou ao menos as semifinais. A saída de atletas importantes (como Cristiano Ronaldo e Tévez) colocou em xeque as possibilidades dos Red Devils na atual temporada, mas o matuto treinador escocês mais uma vez soube reinventar seu elenco com as peças que tinha em mãos. Nomes que vinham sendo pouco aproveitados passaram a contribuir imensamente nesse sentido, como nos casos emblemáticos de Fletcher ou Nani. As apostas de Ferguson também surtiram efeito, como revela o exemplo de Owen (um dos vice-artilheiros do torneio com quatro gols). Sem contar a espinha dorsal apoiada em Van der Sar, Rio Ferdinand, Giggs e Rooney (que está jogando o fino da bola e se destaca como um dos principais jogadores na atual temporada). Ingredientes para alimentar a teoria de um grande jogo não faltam. Resta saber se essa receita vai mesmo vingar na prática...

*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Giggs do Manchester United acabou se contundindo e está fora do confronto.

Bayern de Munique x Fiorentina

Outro gigante europeu que começou a atual temporada de forma oscilante foi o Bayern, agora treinado por Louis van Gaal. Após dispensar os serviços de gente importante, como Lúcio e Luca Toni, o holandês iniciou a reconstrução da equipe apostando na mescla de jovens valores (casos de Badstuber e principalmente Thomas Müller), novos contratados (Tymoshchuk, Robben e Mario Gómez), além de velhos conhecidos (Butt, Van Buyten, Demichelis, Lahm, Altintop, Van Bommel, Schweinsteiger, Olić e Klose). A fórmula demorou um pouco para surtir efeito, como ficou comprovado nas primeiras rodadas da Bundesliga, mas posteriormente os bávaros entraram nos trilhos e passaram a lutar pela liderança na liga nacional. Na fase de grupos da UCL essa história se repetiu e após uma vitória na estréia (diante do Maccabi Haifa), os alemães acumularam apenas um ponto nas três rodadas seguintes. O vacilo custou a 1ª colocação da chave (alcançada pelo surpreendente Bordeaux), mas a equipe ao menos acordou a tempo de garantir a segunda vaga com uma atuação de gala na última rodada, curiosamente diante de um rival italiano (a Juventus, que acabou eliminada com a derrota por 4x1 em pleno estádio Olímpico de Turim).

A Fiorentina por outro lado apresentou um aproveitamento impressionante nesse início de Liga dos Campeões, somando 15 pontos em seis jogos (cinco vitórias e apenas uma derrota, justamente na estréia, diante do Lyon), a 2º melhor campanha entre todos os participantes. Um resultado que contradiz a campanha discreta na Serie A, onde o time de Florença mantém-se no meio da tabela. Entre os trunfos do técnico Cesare Prandelli está o confiável arqueiro Sébastien Frey, além de defensores experientes, como o zagueiro Gamberini e o lateral Pasqual (que já vestiram a camisa da seleção italiana). No meio, Cristiano Zanetti e Marchionni (dois ex-jogadores da Juventus envolvidos na negociação por Felipe Melo) também se firmaram como titulares, ao lado de Montolivo e o lateral peruano Vargas (que na Fiorentina joga pela meia-esquerda). O romeno Mutu, que costuma completar o setor chegando à frente como segundo atacante, foi flagrado no exame antidoping pelo uso de substâncias proibidas e será um importante desfalque para a sequência do torneio. Para seu lugar, a diretoria aposta em Keirrison, que estava encostado no Benfica. Mas se o brasileiro ainda é uma incógnita, o montenegrino Jovetić já pode ser considerado uma certeza. Ao lado do matador Gilardino (grande referência ofensiva), ele representa a principal esperança de gols da torcida.

Após alcançar a vitória nas cinco últimas partidas que disputou pela Champions, os italianos agora buscam uma vingança pessoal diante do Bayern de Munique, que levou a melhor no duelo do ano passado, quando ambas as equipes se cruzaram ainda na fase de grupos do torneio. Naquela oportunidade, os alemães venceram em casa (3x0) e conseguiram um empate no estádio Artemio Franchi (1x1), afundando ainda mais a Fiorentina (que acabaria não se classificando). O problema é que desde a temporada 69-70 a Viola não chega às quartas-de-final e ainda por cima, o time nunca conseguiu vencer um rival alemão fora de casa. Mas ao deparar-se com um rival que somou apenas quatro pontos, em nove possíveis, jogando no Allianz Arena, não custa nada sonhar!

Porto x Arsenal

Um reencontro já manjado na Liga dos Campeões acontece entre Gunners e Dragões, que se cruzaram pela fase de grupos em 2006-07 e também na edição passada. Na primeira oportunidade, o Arsenal levou a melhor com uma vitória (2x0) e um empate (0x0), garantindo a 1ª colocação da chave, embora tenha terminado empatado em número de pontos com os portugueses. Já na temporada 2008-09, ambas as equipes fizeram a lição de casa (vitória inglesa por 4x0 no Emirates e derrota fora de casa por 2x0), mas dessa vez foi o Porto quem terminou na liderança com um ponto de vantagem em relação ao adversário.

Com uma equipe renovada, os Tripeiros andam em desvantagem em relação a concorrência na luta pelo título português. Mas durante a fase de grupos da Champions, o clube obteve uma classificação tranquila (com nove pontos de vantagem sobre seus concorrentes), o que não assegurou, porém a liderança da chave (que ficou com o Chelsea). O maior mérito da equipe comandada por Jesualdo Ferreira está no oportunismo de sua dupla de ataque, formada pelo colombiano Falcao García e o brasileiro Hulk (que juntos, marcaram seis dos oito gols portistas até aqui). Outros sul-americanos (como Hélton, Álvaro Pereira, Fernando, Guarín e Cristian Rodríguez) também costumam figurar entre os titulares, assim como os portugueses Bruno Alves e Raul Meireles (fundamentais no esquema dos azuis e brancos). O recém-chegado Rúben Micael, uma das grandes revelações da atual temporada portuguesa jogando pelo Nacional, também pode se tornar um importante reforço para essa sequência de Liga dos Campeões.

O Arsenal, como sempre, concentra suas atenções em um time jovem, de futebol ofensivo, mas que ainda convive com constantes contusões. As primeiras rodadas da Premier League revelaram uma equipe técnica, com um toque de bola envolvente e muita velocidade no ataque. Mas bastaram os primeiros confrontos contra adversários realmente gabaritados para se constatar os prejuízos causados pela inexperiência do grupo. Os duelos válidos pelo nacional diante do Manchester United foram emblemáticos nesse sentido. Ao menos na Liga dos Campeões os Gunners não encontraram problemas para garantir a liderança de sua chave (13 pontos em seis jogos), que com Olympiacos, Standard Liège e AZ era considerada uma das mais fracas da competição. Os desfalques também foram responsáveis por um constante revezamento na base da equipe e um total de 29 jogadores foram utilizados na fase de grupos. Alguns atletas que passaram um bom tempo no estaleiro voltam a ser relacionados (casos de Nasri, Rosický e Walcott), embora outros desfalques ainda atormentem o treinador Arsène Wenger (como Gibbs e principalmente Van Persie).

Stuttgart x Barcelona

Atuais campeões do torneio, os espanhóis são francos favoritos no duelo diante dos alemães. Basta ressaltar que os catalães mantêm seu futebol em alto nível, apoiados em estrelas como os laterais Daniel Alves e Abidal (equilibrados entre o apoio e a resguarda), o defensor Puyol (um ícone do clube), os meias Xavi e Iniesta (que ditam o ritmo do setor), além dos atacantes Henry e Ibrahimović (dois dos maiores atacantes da Europa). Apesar de não brilhar com a mesma intensidade da última temporada, Lionel Messi, o grande astro do elenco, continua sobrando em campo (é o atual artilheiro de La Liga) e ganhou a companhia do promissor Pedro Rodríguez. Aliás, a afirmação de jovens valores (o grupo ainda conta com Piqué, Busquets ou Bojan) deixa a torcida blaugrana ainda mais otimista em relação ao futuro dessa equipe.

A força do conjunto espanhol pode ser confirmada tanto na liga nacional (onde o clube está invicto, mantendo a liderança com uma boa margem de diferença em relação aos rivais), quanto na própria Champions (como ficou evidente na fase de grupos, quando o Barça terminou na 1ª posição dois pontos a frente da Inter de Milão). Para complicar ainda mais a vida do Stuttgart, os Culés não perdem há nove jogos fora de casa em partidas válidas pela Liga dos Campeões, muito menos nos seis últimos confrontos contra clubes da Alemanha atuando como visitante.

Para quebrar essa escrita, as esperanças do VfB estão depositadas principalmente na capacidade do talentoso meia bielorrusso Aliaksandr Hleb (que está emprestado ao time justamente pelo Barcelona) e do brasileiro naturalizado alemão Cacau. Quem também pode ser importante é o meia sérvio Kuzmanović, além da dupla de ataque formada pelo romeno Marica e o russo Pogrebnyak, decisivos nas vitórias sobre Rangers e Unirea Urziceni, que marcaram a arrancada do Die Roten nas duas últimas rodadas da 1ª fase e foram fundamentais na conquista do 2º lugar da chave. Outro jogar de frente que conta com a simpatia do treinador suíço Christian Gross é o jovem Schieber, que coleciona passagens pelas seleções de base alemã (assim como o meia Khedira, que também possui ascendência turca). Porém, a partir de agora o sistema defensivo também pode fazer grande diferença e por isso será fundamental que titulares como Boka, Tasci ou o capitão Delpierre estejam inspirados. Apesar da saída do meia Hitzlsperger ser considerada um importante desfalque, as notícias sobre as contusões dos rivais Daniel Alves e Yaya Touré também foram recebidas com otimismo em Stuttgart. Mas fica a pergunta: um time que terminou atrás do Sevilla e que também faz campanha mediana na Bundesliga terá bala na agulha suficiente para desbancar a maior sensação do futebol europeu?

Olympiacos x Bordeaux

Enquanto as atenções de toda Europa estavam voltadas para os gigantes do Velho Continente, eis que um clube francês emplaca a melhor campanha na fase de grupos da atual Liga dos Campeões. Trata-se do Bordeaux, atual campeão da Ligue 1 e que caminha a passo largos para faturar também a edição 2009-10. Comandados pelo ex-zagueiro Laurent Blanc, que tem tudo para se tornar um dos treinadores mais bem-sucedidos dessa nova geração, Les Girondins surpreenderam favoritos como Bayern de Munique e Juventus perdendo apenas dois dos 18 pontos que disputaram (graças a um empate fora de casa na estréia contra a Vecchia Signora). Jogando no Chaban-Delmas, os franceses tiveram 100% de aproveitamento, sofrendo apenas um gol. A solidez do sistema defensivo (que foi vazado apenas mais uma vez, obtendo o melhor desempenho da fase inicial) se deve a atletas como o goleiro Carrasso, o defensor Ciani (que joga pela seleção de Guadalupe e já marcou duas vezes na atual competição) e o lateral-esquerdo Trémoulinas (um dos líderes em assistências no campeonato francês), além dos volantes Alou Diarra e Fernando Menegazzo, que contribuiram imensamente para o excelente desempenho apresentado. Mas a qualidade do setor ofensivo também foi fundamental nesse sentido. Pelo meio, figuram as principais engrenagens do Bordeaux, como o tcheco Plašil, o brasileiro Wendel (sempre perigoso nas bolas paradas), além de dois dos jovens mais promissores dessa nova leva de jogadores franceses: a dupla Gouffran e Gourcuff. Mais isolado na frente está o marroquino Chamakh, que vive grande fase e foi uma das principais ausências na última Copa Africana de Nações. Outras opções de ataque são Bellion e o argentino Cavenaghi, que não costumam comprometer quando requisitados.

Em contraste ao clima favorável vivenciado pelos franceses está o momento conturbado que o Olympiacos vem enfrentando. Após um início animador na liga nacional, o clube assistiu a ascensão do arqui-rival Panathinaikos, que assumiu a liderança e desponta como grande favorito para a conquista doméstica. Nessa Champions, mesmo com uma campanha instável (foram três vitórias, duas derrotas e um empate na 1ª fase), o clube conseguiu a segunda vaga do grupo H com cinco pontos de vantagem em relação ao 3º colocado graças a um triunfo sobre o líder Arsenal na última rodada, o que gerou uma falsa expectativa de estabilidade. Mas após uma sequência de quatro partidas sem vitórias no campeonato grego, os dirigentes resolveram demitir o técnico Zico, que curiosamente durou apenas quatro meses no comando do clube. Para seu lugar chegou o ex-defensor bósnio Božidar Bandović (um velho conhecido dos torcedores), que conta com uma base bastante globalizada onde se destacam os brasileiros Dudu Leonardo e Diogo (ambos ex-Lusa), além de Dudu Cearense; os argentinos Ledesma e Galletti (para não falar de Dátolo, recém-contratado junto ao Napoli); os espanhóis Raul Bravo (ex-Real Madrid) e Óscar; o italiano Maresca; o polonês Michał Żewłakow; além do sueco Mellberg. Entre os gregos, os nomes mais conhecidos são os do veterano arqueiro Nikipolidis, o meia Stoltidis (da seleção local), além do jovem atacante Mitroglou, que se aproveitou das contusões dos concorrentes para firmar-se entre os titulares.

*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Alou Diarra do Bordeaux acabou se contundindo e está fora do confronto.

CSKA Moscou x Sevilla

Outro duelo pouco badalado, mas que também promete muito equilíbrio ocorre entre CSKA e Sevilla. Enquanto alguns gigantes do futebol europeu (como Milan, Manchester United, Internazionale e Chelsea) estão sujeitos a uma eliminação precoce já nas oitavas-de-final, russos e espanhóis têm uma chance real de ficar ao menos entre as oito melhores equipes do continente na atual temporada. No caso dos sevillistas, seria mais uma boa chance de peitar os grandes, como tem sido nos últimas edições do campeonato espanhol. Na fase de grupos, o time fez sua parte e liderou um dos grupos mais fracos da competição. Com quatro vitórias e um empate em seis jogos, o maior destaque dos Rojiblancos foram as vitórias fora de casa sobre o Rangers (4x1) e Stuttgart (3x1), quando os comandados de Manolo Jiménez fizeram valer seu poder de contra-ataque. A base que mistura atletas velozes (como Adriano e Romaric), jovens valores (casos de Jesus Navas e Diego Capel), atacantes oportunistas (Luis Fabiano, Kanouté, Negredo), além de figurinhas carimbadas (principalmente no setor defensivo, que abriga Palop, Escudé, Squillaci, Dragutinović, Fernando Navarro, Duscher, Zokora e Renato), precisará superar o desfalque de Konko, que com problemas musculares, é dúvida para o confronto. Mesmo assim tem potencial de sobra para fazer valer sua força (como ocorre na atual Copa do Rei, onde o Sevilla eliminou o Barcelona e deve fazer a final contra o Atlético de Madrid).

Já o clube de Moscou (que pela 1ª vez conseguiu superar a fase de grupos da Liga dos Campeões), sonha em continuar fazendo história, a exemplo do que aconteceu em 2005, quando o CSKA se tornou a primeira equipe da Rússia a faturar uma Copa da UEFA. De certa forma, o desempenho na fase de grupos dessa Champions teve momentos de heroísmo que nos remetem aquela conquista. Depois de somar apenas três dos primeiros nove pontos que disputou (sendo que dois desses jogos foram em casa), o clube do exército fez valer suas origens, superando verdadeiras batalhas, como o empate diante do Manchester United em pleno Old Trafford, a vitória em casa sobre o Wolfsburg (favorito a 2ª vaga da chave), além do triunfo como visitante frente ao Beşiktaş (que definiu a classificação dos russos). Entre os nomes que realmente contribuíram para esse desempenho, destacam-se os meias Krasić e Dzagoev, que juntos foram responsáveis por sete dos dez gols que o CSKA marcou na 1ª fase. No ataque, que conta com Daniel Carvalho (ex-Inter) e Guilherme (revelado no Cruzeiro), outro brasileiro que já fez muito sucesso nos gramados russos seria bem-vindo, mas como Vágner Love prefere o sol carioca, quem se firmou (e abraçou o inverno de Moscou) foi o jovem tcheco Necid. Difícil é explicar o péssimo desempenho defensivo (com dez gols sofridos, foi o pior entre os demais classificados) de uma equipe que conta com os selecionáveis Akinfeev, Ignashevich, Aldonin e os irmãos Aleksei e Vasili Berezutskiy (todos constantemente convocados por Guus Hiddink), assim como o lituano Šemberas e o bósnio Rahimić, além de Schennikov e Mamaev (que integram as seleções de base russa).

Internazionale x Chelsea

Complementando essa disputa, Inter e Chelsea realizam o “clássico azul”, uma das disputas mais interessantes da atual Liga dos Campeões e que também recoloca frente a frente velhos conhecidos. Ex-treinador dos Blues, com quem fracassou na Champions em três oportunidades, o português José Mourinho agora estará do outro lado, unindo um de seus maiores objetivos a uma obsessão dos interistas. Porém, vencer o torneio com a equipe de Milão, que nas últimas três edições caiu nas oitavas-de-final (sendo duas delas diante de clubes ingleses), poderia ser considerado tão surpreendente como o título do Porto em 2003-04 (quando o próprio Mourinho era quem comandava os Dragões). O italiano Carlo Ancelotti, agora no Stamford Bridge, também vai reencontrar um velho inimigo, já que durante oito anos treinou o Milan, eterno rival da Inter. Nesse período, o treinador obteve bom aproveitamento nos confrontos diretos, conquistando dez vitórias e três empates em 18 jogos. Uma retrospectiva favorável para quem também precisa lidar com o sonho de consumo de Roman Abramovich: um título que coloque o Chelsea no mesmo patamar dos gigantes europeus.

A campanha inglesa na fase de grupos realmente foi mais convincente e por enquanto o time ainda se mantém invicto na competição. Em seis jogos, foram quatro vitórias e dois empates, o último deles em casa, frente ao modesto APOEL (lanterna da chave). Na Premier League, o clube tem se firmado cada vez mais na corrida pelo título, o que reforça a confiança dos torcedores para a disputa continental. Sob o comando de Ancelotti, os Blues apresentam um sistema defensivo ainda mais consistente, além de uma diversificação maior no revezamento de jogadores. A defesa conserva velhos conhecidos como o goleiro Čech ou os defensores Ricardo Carvalho e Ashley Cole, mas trás caras novas, como Ivanović (que assumiu a lateral direita). O sérvio preencheu uma lacuna aberta com a contusão de Bosingwa e mais recentemente, Belletti (que também vinha sendo aproveitado pelo meio). Mas os problemas enfrentados pelo o capitão John Terry (envolvido em mais um escândalo, que dessa vez lhe custou à braçadeira do English Team) ainda preocupam. O volante Essien, espécie de “dínamo” do setor, retornou contundido da Copa Africana das Nações e pode representar um sério desfalque para este confronto. Mas opções são o que não faltam ao Chelsea para compor seu meio-campo, entre elas Ballack, Joe Cole, Deco, Malouda, Obi Mikel ou Zhirkov. No ataque, Drogba vive excelente fase e até aqui, tem mostrado grande sintonia com Anelka nessa Champions League (cada um já marcou três gols). O suplente Salomon Kalou também anda afiado e vem logo atrás com dois tentos anotados. Juntos esse trio marcou oito dos onze gols do clube nessa 1ª fase e precisará continuar funcionando se quiser alcançar as quartas-de-final.

A Inter não fez uma campanha muito empolgante na faze de grupos, sucumbindo perante o Barcelona na briga pela liderança e encontrando dificuldades nas partidas do Giuseppe Meazza (onde obteve apenas uma vitória). Perspectiva muito diferente da vivenciada na atual temporada da Serie A, onde os Nerazzurri caminham a passos largos para mais um título nacional. Os destaques começam pelas traves, onde Júlio César vive grande fase e pode ser facilmente incluído na lista dos melhores arqueiros do mundo. A defesa nessa Liga dos Campeões tem se baseado em uma combinação de laterais e zagueiros sul-americanos: os brasileiros Maicon e Lúcio, além dos argentinos Samuel e Javier Zanetti. Com a saída de Vieira (que vinha sendo pouco aproveitado), Cambiasso e Thiago Motta formam outro dueto “portenho-tupiniquim” na contenção do meio-campo, aliados ao ganês Muntari. Porém, quem dita o ritmo do setor são os “motores” Stanković (que impressiona pela regularidade) e Sneijder (em grande fase desde que trocou Madrid por Milão). Na frente, a revelação Balotelli ganhou oportunidade em cinco dos seis jogos da Inter até aqui, mas precisa abrir os olhos (e não perder mais suas lentes de contato) se não quiser queimar-se com Mourinho. Sorte dos torcedores que a dupla formada por Diego Milito (um dos artilheiros do campeonato italiano) e Eto’o (decisivo para o Barcelona na campanha dos títulos continentais) parece sempre pronta para decidir qualquer parada. Como se já não bastasse, Pandev ainda desembarcou em Milão na última janela de transferências e parece totalmente adaptado ao novo clube. Se repetir o desempenho apresentado na Serie A, será um grande reforço para o confronto de duas equipes que lutam conta sua própria sina no torneio continental!

*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Ashley Cole do Chelsea acabou se contundindo e está fora do confronto.

 Agora é sua vez de palpitar, meu caro leitor. Quem são seus favoritos nos confrontos da UEFA Champions Legue? Contribua com sua opinião deixando um comentário!!! 

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Todos os comentários desse artigo:
De olho na Liga dos Campeões da UEFA:

  • Michel Costa mailto

    Qua 10 Fev 2010 09:35

    Salve, Victorino.

    Bom, em primeiro lugar, parabéns por esse ótimo trabalho que poderia estar, tranquilamente, abrilhantando as páginas de alguma revista esportiva.
    Agora, os meus palpites:
    Madrid, United, Bayern, Arsenal, Barça, Bordeaux, Sevilla e Chelsea.
    No entanto, mesmo apontando os Blues no duelo contra os Nerazzurri, não acho que um título interista seria tão surpreendente quanto foi aquele do Porto. Aquilo sim soou como zebra!!!
    Sobre a formação da equipe comandada por Mourinho, a chegada de Pandev e o retorno de Eto'o da CAN pode relegar o marrento Balotelli à reserva absoluta. A boa notícia está na adoção do 4-3-3, esquema preferido do português. Com isso, Santon deve ficar na lateral esquerda, Zanetti e Cambiasso estão na volância, Sneijder na armação e o trio Pandev, Eto'o e Milito à frente.

    Grande abraço.

  • Júlio Aguiar mailto

    Ter 09 Fev 2010 22:25

    Meus parabéns por mais uma matéria campeã. Textos detalhados e informativos, sempre coerentes e bem escritos. Como você solicitou, deixo aqui meus palpites: Real, Milan, Bayern, Porto, Barça, Bordeaux, Sevilla e Chelsea. E tenho dito. Tudo de bom e um abraço.

  • victorinonetto Ter 09 Fev 2010 06:48
    Saudações Lui!!!

    Você tem toda razão, irmão!!! A informação já está atualizada. Depois de três anos de vacas magras (que culminaram com o fracasso de 2005/06, quando os Red Devils cairam na fase de grupos), os comandados de Alex Ferguson sempre estiveram entre os quatro melhores da Europa.
    Agradeço pelos elogios!!! Não ouso me comparar a nenhum veículo de comunicação, mas fico realmente feliz em saber que você aprecia os textos "daqui como os de lá"!!!
    Sobre os pitacos: no começo do ano, apostei na Inter como campeã da UCL (?!?) lá no "A4L", do amigo Michel Costa!!! Mas sei não... O Chelsea de Ancelotti é "casca"!!! E também acho que o Bayern não pipoca diante da Viola, não. Mas no restante, concordo plenamente!!!

    Abração!!!

  • Lui Moreno

    Ter 09 Fev 2010 04:55

    Chelsea é favorito? É.

    Mas eu bato pé firme: é a redenção de MOURINHO!

    Inter passa em dois duelos emocionantes.

    Real Madrid

    Man Utd

    Bordeaux

    Barcelona

    Arsenal

    Fiorentina (ousado?)

    e Sevilla

    Mano, mais uma vez, parabenzaço pelo trabalho.

    Falar mais que o óbvio não é exclusividade da Trivela não.

    Só queria fazer uma pequena observação: nas últimas 3 edições o Man Utd alcançou pelo menos as SEMI.

    As quartas sempre ficam pra trás, haha!

    Abrazo, mano!