Nos próximos dias, a principal competição interclubes organizada pela UEFA inicia sua fase final, disputada em etapas eliminatórias. Com o inevitável afunilamento, a tendência é que só os fortes sobrevivam, embora não sejam incomuns duelos que nos remetem a histórias como a de Davi e Golias. De olho nas possibilidades, vamos a uma análise dos confrontos que devem agitar o Velho Continente:
Lyon x Real Madrid
Após investir pesado no início
dessa temporada (ressuscitando inclusive o rótulo de
“Galácticos”), os Merengues precisarão superar
alguns tabus pessoais se quiserem chegar à próxima fase. Primeiro
porque desde a edição 2003-04 a equipe não
consegue alcançar às
quartas-de-final. Além disso, nas duas últimas vezes em que
cruzaram com o Lyon jogando pela Liga dos Campeões (2005-06 e
2006-07), os espanhóis acabaram fracassando fora de casa (derrotas
de 3x0 e 2x0) e também no Santiago Bernabéu (empates por 1x1 e
2x2). Para quebrar essa escrita o time aposta suas fichas na volta
por cima de seus principais jogadores, Kaká e Cristiano Ronaldo,
que recentemente enfrentaram alguns problemas. O português causou
polêmica após ser expulso em um jogo diante do Málaga, válido pela
liga espanhola, quando quebrou o nariz do defensor Mtiliga e
acumulou dois jogos de suspensão. Já o brasileiro teve detectada
uma pubalgia crônica, que segundo a imprensa espanhola precisará
ser tratada pelo resto de sua carreira. Como desgraça pouca é
bobagem, o Real Madrid também não vai poder contar com o defensor
luso-brasileiro Pepe, que rompeu o ligamento cruzado do joelho
direito.
Mesmo assim as perspectivas são as mais otimistas possíveis, já que a equipe fez uma boa campanha na fase de grupos, terminando na liderança da chave com quatro pontos a frente do Milan, seu concorrente mais próximo. Além disso, nos três jogos disputados fora de casa, foram sete pontos conquistados em nove possíveis. Sem falar na motivação pessoal de atacantes como Raúl (maior artilheiro na história da Champions que pode ampliar sua marca atual de 66 gols) e Benzema (que vai ter a chance de reencontrar sua ex-equipe). Apesar de realizar uma campanha muito semelhante a dos espanhóis na fase de grupos (em seis jogos foram 13 pontos, com quatro vitórias, um empate e uma derrota), o Lyon acabou na 2ª colocação de sua chave, atrás da Fiorentina. Nem por isso a campanha pode ser ignorada, já que o clube eliminou com méritos o tradicional Liverpool, franco favorito a uma das vagas. Mesmo assim a desconfiança é grande, já que os franceses não demonstram a mesma consistência de anos anteriores. Prova disso é a campanha morna na Ligue 1, onde o clube tem se esforçado para manter-se entre as quatro primeiras colocações (que valem vaga nas competições européias). Mesmo assim, o sonho do título parece distante, já que a diferença para o líder Bordeaux na tabela de classificação é muito grande.
Realidade que reforça a
importância do jovem arqueiro Lloris, titular da seleção francesa e
sondado pelo Manchester United na última janela de transferências.
Sua inspiração
pode ser decisiva para o êxito
de sua equipe, assim como o talento do argentino Lisandro López,
que chegou nessa temporada e rapidamente se firmou como um dos
maiores ídolos da torcida. Brasileiros como o zagueiro Cris
(capitão da equipe), além dos meias Ederson e Michel Bastos (que só
é lateral na seleção) são igualmente importantes. Já Bafétimbi
Gomis, festejado na pré-temporada como principal reforço para o
ataque, ainda não mostrou todo seu potencial e continua devendo
mais futebol. Grande ambição do Lyon para confirmar a estigma de
“time grande”, a atual edição da Liga dos Campeões será
definida no Santiago Bernabéu. Porém, para chegar até lá, primeiro
os franceses precisarão superar a decisão diante do Real
Madrid.
Milan x Manchester United
Um dos duelos mais esperados
dessas oitavas-de-final, Milan e Manchester prometem um confronto
equilibrado, que coloca frente a frente duas realidades semelhantes
na
atual competição. Os italianos
conquistaram sete dos nove pontos que disputaram como visitantes na
fase de grupos, complementando sua campanha com dois empates e uma
derrota no San Siro (o que lhe valeu a 2ª colocação na chave). Já o
United obteve vitória
nos três jogos fora de casa (aliás, não perde uma eliminatória
nessa condição desde as semifinais de 2006/07, quando foi eliminado
justamente pelo Milan). Por outro lado, os ingleses conquistaram
apenas quatro pontos nas partidas diante de sua torcida, desempenho
que pode ser considerado abaixo da média, embora tenha lhe valido a
liderança do grupo.
Após um início de temporada muito ruim, o esquadrão Rossonero foi se encontrando em meio a Serie A, quando o técnico Leonardo apostou em um esquema ofensivo (ao menos para os padrões italianos), bancando compatriotas como Dida e Ronaldinho Gaúcho no time titular. O arqueiro continua cometendo algumas de suas trapalhadas, mas ao menos aparenta ser a melhor opção disponível no elenco, enquanto o camisa 80 recupera sua melhor forma em sintonia com a equipe. Outro brasileiro fundamental no esquema do rubro-negro italiano é Alexandre Pato, que causou grande confusão entre os desinformados ao ser incluído pelo clube em uma lista B. Na verdade, o regulamento oficial da Liga dos Campeões permite que as equipes inscrevam atletas nascidos antes de 1º de janeiro de 1988 e que estejam em condições de jogo por seus respectivos clubes a pelo menos dois anos. Porém, essa lista B (que possibilita inscrições ilimitadas) não exclui a possibilidade de o jogador continuar atuando no torneio, como muitos estavam imaginando.
Um reforço importante para a
sequência da competição será o meia David Beckham, que retorna do
Los Angeles Galaxy em tempo de enfrentar o time que o revelou para
o mundo. Esse “pequeno detalhe” apimenta ainda mais
esse embate, principalmente para os ingleses, que
historicamente tem um
retrospecto desfavorável em relação ao adversário nas partidas
válidas por competições européias. Por outro lado, o time de Alex
Ferguson busca manter a escrita das três últimas edições do
torneio, quando alcançou ao menos as semifinais. A saída de atletas
importantes (como Cristiano Ronaldo e Tévez) colocou em xeque as
possibilidades dos Red
Devils na atual temporada, mas o matuto treinador escocês mais
uma vez soube reinventar seu elenco com as peças que tinha em mãos.
Nomes que vinham sendo pouco aproveitados passaram a contribuir
imensamente nesse sentido, como nos casos emblemáticos de Fletcher
ou Nani. As apostas de Ferguson também surtiram efeito, como revela
o exemplo de Owen (um dos vice-artilheiros do torneio com quatro
gols). Sem contar a espinha dorsal apoiada em Van der Sar, Rio
Ferdinand, Giggs e Rooney (que está jogando o fino da bola e se
destaca como um dos principais jogadores na atual temporada).
Ingredientes para alimentar a teoria de um grande jogo não faltam.
Resta saber se essa receita vai mesmo vingar na
prática...
*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Giggs do Manchester United acabou se contundindo e está fora do confronto.
Bayern de Munique x Fiorentina
Outro gigante europeu que
começou a atual temporada de forma oscilante foi o Bayern, agora
treinado por Louis van Gaal. Após dispensar os serviços de gente
importante, como Lúcio e Luca Toni, o holandês iniciou a
reconstrução
da equipe apostando na mescla de
jovens valores (casos de Badstuber e principalmente Thomas Müller),
novos contratados (Tymoshchuk, Robben e Mario Gómez), além de
velhos conhecidos (Butt, Van Buyten, Demichelis, Lahm, Altintop,
Van Bommel, Schweinsteiger, Olić e Klose). A fórmula demorou
um pouco para surtir efeito, como ficou comprovado nas primeiras
rodadas da Bundesliga, mas posteriormente os bávaros entraram nos
trilhos e passaram a lutar pela liderança na liga nacional. Na fase
de grupos da UCL essa história se repetiu e após uma vitória na
estréia (diante do Maccabi Haifa), os alemães acumularam apenas um
ponto nas três rodadas seguintes. O vacilo custou a 1ª colocação da
chave (alcançada pelo surpreendente Bordeaux), mas a equipe ao
menos acordou a tempo de garantir a segunda vaga com uma atuação de
gala na última rodada, curiosamente diante de um rival italiano (a
Juventus, que acabou eliminada com a derrota por 4x1 em pleno
estádio Olímpico de Turim).
A Fiorentina por outro lado apresentou um aproveitamento impressionante nesse início de Liga dos Campeões, somando 15 pontos em seis jogos (cinco vitórias e apenas uma derrota, justamente na estréia, diante do Lyon), a 2º melhor campanha entre todos os participantes. Um resultado que contradiz a campanha discreta na Serie A, onde o time de Florença mantém-se no meio da tabela. Entre os trunfos do técnico Cesare Prandelli está o confiável arqueiro Sébastien Frey, além de defensores experientes, como o zagueiro Gamberini e o lateral Pasqual (que já vestiram a camisa da seleção italiana). No meio, Cristiano Zanetti e Marchionni (dois ex-jogadores da Juventus envolvidos na negociação por Felipe Melo) também se firmaram como titulares, ao lado de Montolivo e o lateral peruano Vargas (que na Fiorentina joga pela meia-esquerda). O romeno Mutu, que costuma completar o setor chegando à frente como segundo atacante, foi flagrado no exame antidoping pelo uso de substâncias proibidas e será um importante desfalque para a sequência do torneio. Para seu lugar, a diretoria aposta em Keirrison, que estava encostado no Benfica. Mas se o brasileiro ainda é uma incógnita, o montenegrino Jovetić já pode ser considerado uma certeza. Ao lado do matador Gilardino (grande referência ofensiva), ele representa a principal esperança de gols da torcida.
Após alcançar a vitória nas
cinco últimas partidas que disputou pela Champions, os italianos agora
buscam uma vingança pessoal diante do Bayern
de Munique, que levou a melhor
no duelo do ano passado, quando ambas as equipes se cruzaram ainda
na fase de grupos do torneio. Naquela oportunidade, os alemães
venceram em casa (3x0) e conseguiram um empate no estádio Artemio
Franchi (1x1), afundando ainda mais a Fiorentina (que acabaria não
se classificando). O problema é que desde a temporada 69-70 a
Viola não chega às
quartas-de-final e ainda por cima, o time nunca conseguiu vencer um
rival alemão fora de casa. Mas ao deparar-se com um rival que somou
apenas quatro pontos, em nove possíveis, jogando no Allianz Arena,
não custa nada sonhar!
Porto x Arsenal
Um reencontro já manjado na
Liga dos Campeões acontece entre Gunners e Dragões, que se cruzaram pela
fase de
grupos em 2006-07 e também na edição passada. Na primeira
oportunidade, o Arsenal levou a melhor com uma vitória (2x0) e um
empate (0x0), garantindo a 1ª colocação da chave, embora tenha
terminado empatado em número de pontos com os portugueses. Já na
temporada 2008-09, ambas as equipes fizeram a lição de casa
(vitória inglesa por 4x0 no Emirates e derrota fora de casa por
2x0), mas dessa vez foi o Porto quem terminou na liderança com um
ponto de vantagem em relação ao
adversário.
Com uma equipe renovada, os Tripeiros andam em desvantagem em relação a concorrência na luta pelo título português. Mas durante a fase de grupos da Champions, o clube obteve uma classificação tranquila (com nove pontos de vantagem sobre seus concorrentes), o que não assegurou, porém a liderança da chave (que ficou com o Chelsea). O maior mérito da equipe comandada por Jesualdo Ferreira está no oportunismo de sua dupla de ataque, formada pelo colombiano Falcao García e o brasileiro Hulk (que juntos, marcaram seis dos oito gols portistas até aqui). Outros sul-americanos (como Hélton, Álvaro Pereira, Fernando, Guarín e Cristian Rodríguez) também costumam figurar entre os titulares, assim como os portugueses Bruno Alves e Raul Meireles (fundamentais no esquema dos azuis e brancos). O recém-chegado Rúben Micael, uma das grandes revelações da atual temporada portuguesa jogando pelo Nacional, também pode se tornar um importante reforço para essa sequência de Liga dos Campeões.
O Arsenal, como sempre,
concentra suas atenções em um time jovem, de futebol ofensivo, mas
que ainda convive com constantes contusões. As primeiras rodadas da
Premier League
revelaram uma equipe técnica, com um
toque de bola envolvente e muita
velocidade no ataque. Mas bastaram os primeiros confrontos contra
adversários realmente gabaritados para se constatar os prejuízos
causados pela inexperiência do grupo. Os duelos válidos pelo
nacional diante do Manchester United foram emblemáticos nesse
sentido. Ao menos na Liga dos Campeões os Gunners não encontraram
problemas para garantir a liderança de sua chave (13 pontos em seis
jogos), que com Olympiacos, Standard Liège e AZ era considerada uma
das mais fracas da competição. Os desfalques também foram
responsáveis por um constante revezamento na base da equipe e um
total de 29 jogadores foram utilizados na fase de grupos. Alguns
atletas que passaram um bom tempo no estaleiro voltam a ser
relacionados (casos de Nasri, Rosický e Walcott), embora outros
desfalques ainda atormentem o treinador Arsène Wenger (como Gibbs e
principalmente Van Persie).
Stuttgart x Barcelona
Atuais campeões do torneio, os
espanhóis são francos favoritos no duelo diante dos alemães. Basta
ressaltar que os catalães mantêm seu futebol em alto nível,
apoiados em estrelas como os laterais Daniel Alves e Abidal
(equilibrados entre o apoio e a resguarda), o defensor Puyol (um
ícone do clube), os meias Xavi e Iniesta (que ditam o ritmo do
setor), além dos atacantes Henry e Ibrahimović (dois dos
maiores atacantes da Europa). Apesar de não brilhar com a mesma
intensidade da última temporada, Lionel Messi, o grande astro do
elenco, continua sobrando em campo (é o atual artilheiro de La
Liga) e ganhou a companhia do promissor Pedro Rodríguez. Aliás, a
afirmação de jovens valores (o grupo ainda conta com Piqué,
Busquets ou Bojan) deixa a torcida blaugrana ainda mais otimista em
relação ao futuro dessa equipe.
A força do conjunto espanhol pode ser confirmada tanto na liga nacional (onde o clube está invicto, mantendo a liderança com uma boa margem de diferença em relação aos rivais), quanto na própria Champions (como ficou evidente na fase de grupos, quando o Barça terminou na 1ª posição dois pontos a frente da Inter de Milão). Para complicar ainda mais a vida do Stuttgart, os Culés não perdem há nove jogos fora de casa em partidas válidas pela Liga dos Campeões, muito menos nos seis últimos confrontos contra clubes da Alemanha atuando como visitante.
Para quebrar essa escrita, as
esperanças do VfB
estão depositadas principalmente na capacidade do talentoso meia
bielorrusso Aliaksandr Hleb (que está emprestado ao time justamente
pelo Barcelona) e do brasileiro
naturalizado alemão Cacau. Quem
também pode ser importante é o meia sérvio Kuzmanović, além da
dupla de ataque formada pelo romeno Marica e o russo Pogrebnyak,
decisivos nas vitórias sobre Rangers e Unirea Urziceni, que
marcaram a arrancada do Die
Roten nas duas últimas rodadas da 1ª fase e foram fundamentais
na conquista do 2º lugar da chave. Outro jogar de frente que conta
com a simpatia do treinador suíço Christian Gross é o jovem
Schieber, que coleciona passagens pelas seleções de base alemã
(assim como o meia Khedira, que também possui ascendência turca).
Porém, a partir de agora o sistema defensivo também pode fazer
grande diferença e por isso será fundamental que titulares como
Boka, Tasci ou o capitão Delpierre estejam inspirados. Apesar da
saída do meia Hitzlsperger ser considerada um importante desfalque,
as notícias sobre as contusões dos rivais Daniel Alves e Yaya Touré
também foram recebidas com otimismo em Stuttgart. Mas fica a
pergunta: um time que terminou atrás do Sevilla e que também faz
campanha mediana na Bundesliga terá bala na agulha suficiente para
desbancar a maior sensação do futebol
europeu?
Olympiacos x Bordeaux
Enquanto as atenções de toda
Europa estavam voltadas para os gigantes do Velho Continente, eis
que um clube francês emplaca a melhor campanha na fase de grupos da
atual Liga dos Campeões. Trata-se do Bordeaux, atual campeão da
Ligue 1 e que caminha a passo largos para faturar também a
edição 2009-10. Comandados pelo
ex-zagueiro Laurent Blanc, que tem tudo para se tornar um dos
treinadores mais bem-sucedidos dessa nova geração, Les Girondins surpreenderam
favoritos como Bayern de Munique e Juventus perdendo apenas dois
dos 18 pontos que disputaram (graças a um empate fora de casa na
estréia contra a Vecchia
Signora). Jogando no Chaban-Delmas, os franceses tiveram 100%
de aproveitamento, sofrendo apenas um gol. A solidez do sistema
defensivo (que foi vazado apenas mais uma vez, obtendo o melhor
desempenho da fase inicial) se deve a atletas como o goleiro
Carrasso, o defensor Ciani (que joga pela seleção de Guadalupe e já
marcou duas vezes na atual competição) e o lateral-esquerdo
Trémoulinas (um dos líderes em assistências no campeonato francês),
além dos volantes Alou Diarra e Fernando Menegazzo, que
contribuiram imensamente para o excelente desempenho apresentado.
Mas a qualidade do setor ofensivo também foi fundamental nesse
sentido. Pelo meio, figuram as principais engrenagens do Bordeaux,
como o tcheco Plašil, o brasileiro Wendel (sempre perigoso
nas bolas paradas), além de dois dos jovens mais promissores dessa
nova leva de jogadores franceses: a dupla Gouffran e Gourcuff. Mais
isolado na frente está o marroquino Chamakh, que vive grande fase e
foi uma das principais ausências na última Copa Africana de Nações.
Outras opções de ataque são Bellion e o argentino Cavenaghi, que
não costumam comprometer quando
requisitados.
Em contraste ao clima favorável
vivenciado pelos franceses está o momento conturbado que o
Olympiacos vem enfrentando. Após um início animador na liga
nacional, o clube assistiu a ascensão do arqui-rival Panathinaikos,
que
assumiu a liderança e desponta
como grande favorito para a conquista doméstica. Nessa Champions, mesmo com uma
campanha instável (foram três vitórias, duas derrotas e um empate
na 1ª fase), o clube conseguiu a segunda vaga do grupo H com cinco
pontos de vantagem em relação ao 3º colocado graças a um triunfo
sobre o líder Arsenal na última rodada, o que gerou uma falsa
expectativa de estabilidade. Mas após uma sequência de quatro
partidas sem vitórias no campeonato grego, os dirigentes resolveram
demitir o técnico Zico, que curiosamente durou apenas quatro meses
no comando do clube. Para seu lugar chegou o ex-defensor bósnio
Božidar Bandović (um velho conhecido dos torcedores), que
conta com uma base bastante globalizada onde se destacam os
brasileiros Dudu Leonardo e Diogo (ambos ex-Lusa), além de Dudu
Cearense; os argentinos Ledesma e Galletti (para não falar de
Dátolo, recém-contratado junto ao Napoli); os espanhóis Raul Bravo
(ex-Real Madrid) e Óscar; o italiano Maresca; o polonês Michał
Żewłakow; além do sueco Mellberg. Entre os gregos, os
nomes mais conhecidos são os do veterano arqueiro Nikipolidis, o
meia Stoltidis (da seleção local), além do jovem atacante
Mitroglou, que se aproveitou das contusões dos concorrentes para
firmar-se entre os titulares.
*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Alou Diarra do Bordeaux acabou se contundindo e está fora do confronto.
CSKA Moscou x Sevilla
Outro duelo pouco badalado, mas
que também promete muito equilíbrio ocorre entre CSKA e Sevilla.
Enquanto alguns gigantes do futebol europeu (como Milan, Manchester
United, Internazionale e Chelsea) estão sujeitos a uma eliminação
precoce já nas oitavas-de-final,
russos e espanhóis têm uma chance real de ficar ao menos entre as
oito melhores equipes do continente na atual temporada. No caso dos
sevillistas, seria
mais uma boa chance de peitar os grandes, como tem sido nos últimas
edições do campeonato espanhol. Na fase de grupos, o time fez sua
parte e liderou um dos grupos mais fracos da competição. Com quatro
vitórias e um empate em seis jogos, o maior destaque dos Rojiblancos foram as vitórias
fora de casa sobre o Rangers (4x1) e Stuttgart (3x1), quando os
comandados de Manolo Jiménez fizeram valer seu poder de
contra-ataque. A base que mistura atletas velozes (como Adriano e
Romaric), jovens valores (casos de Jesus Navas e Diego Capel),
atacantes oportunistas (Luis Fabiano, Kanouté, Negredo), além de
figurinhas carimbadas (principalmente no setor defensivo, que
abriga Palop, Escudé, Squillaci, Dragutinović, Fernando
Navarro, Duscher, Zokora e Renato), precisará superar o desfalque
de Konko, que com problemas musculares, é dúvida para o confronto.
Mesmo assim tem potencial de sobra para fazer valer sua força (como
ocorre na atual Copa do Rei, onde o Sevilla eliminou o Barcelona e
deve fazer a final contra o Atlético de
Madrid).
Já o clube de Moscou (que pela
1ª vez conseguiu superar a fase de grupos da Liga dos Campeões),
sonha em continuar fazendo história, a exemplo do que aconteceu em
2005, quando o CSKA se tornou a primeira equipe da Rússia a faturar
uma Copa da UEFA. De certa forma, o desempenho na fase de grupos
dessa Champions teve
momentos de heroísmo que nos remetem aquela conquista. Depois de
somar apenas três dos primeiros nove pontos que disputou (sendo
que
dois desses jogos foram em
casa), o clube do exército fez valer suas origens, superando
verdadeiras batalhas, como o empate diante do Manchester United em
pleno Old Trafford, a vitória em casa sobre o Wolfsburg (favorito a
2ª vaga da chave), além do triunfo como visitante frente ao
Beşiktaş (que definiu a classificação dos russos). Entre
os nomes que realmente contribuíram para esse desempenho,
destacam-se os meias Krasić e Dzagoev, que juntos foram
responsáveis por sete dos dez gols que o CSKA marcou na 1ª fase. No
ataque, que conta com Daniel Carvalho (ex-Inter) e Guilherme
(revelado no Cruzeiro), outro brasileiro que já fez muito sucesso
nos gramados russos seria bem-vindo, mas como Vágner Love prefere o
sol carioca, quem se firmou (e abraçou o inverno de Moscou) foi o
jovem tcheco Necid. Difícil é explicar o péssimo desempenho
defensivo (com dez gols sofridos, foi o pior entre os demais
classificados) de uma equipe que conta com os selecionáveis
Akinfeev, Ignashevich, Aldonin e os irmãos Aleksei e Vasili
Berezutskiy (todos constantemente convocados por Guus Hiddink),
assim como o lituano Šemberas e o bósnio Rahimić, além
de Schennikov e Mamaev (que integram as seleções de base
russa).
Internazionale x Chelsea
Complementando essa disputa,
Inter e Chelsea realizam o “clássico azul”, uma das
disputas mais interessantes da atual Liga dos Campeões e que também
recoloca frente a frente velhos conhecidos. Ex-treinador dos
Blues, com quem
fracassou na Champions
em três
oportunidades, o português José
Mourinho agora estará do outro lado, unindo um de seus maiores
objetivos a uma obsessão dos interistas. Porém, vencer o torneio
com a equipe de Milão, que nas últimas três edições caiu nas
oitavas-de-final (sendo duas delas diante de clubes ingleses),
poderia ser considerado tão surpreendente como o título do Porto em
2003-04 (quando o próprio Mourinho era quem comandava os Dragões). O italiano Carlo
Ancelotti, agora no Stamford Bridge, também vai reencontrar um
velho inimigo, já que durante oito anos treinou o Milan, eterno
rival da Inter. Nesse período, o treinador obteve bom
aproveitamento nos confrontos diretos, conquistando dez vitórias e
três empates em 18 jogos. Uma retrospectiva favorável para quem
também precisa lidar com o sonho de consumo de Roman Abramovich: um
título que coloque o Chelsea no mesmo patamar dos gigantes
europeus.
A campanha inglesa na fase de grupos realmente foi mais convincente e por enquanto o time ainda se mantém invicto na competição. Em seis jogos, foram quatro vitórias e dois empates, o último deles em casa, frente ao modesto APOEL (lanterna da chave). Na Premier League, o clube tem se firmado cada vez mais na corrida pelo título, o que reforça a confiança dos torcedores para a disputa continental. Sob o comando de Ancelotti, os Blues apresentam um sistema defensivo ainda mais consistente, além de uma diversificação maior no revezamento de jogadores. A defesa conserva velhos conhecidos como o goleiro Čech ou os defensores Ricardo Carvalho e Ashley Cole, mas trás caras novas, como Ivanović (que assumiu a lateral direita). O sérvio preencheu uma lacuna aberta com a contusão de Bosingwa e mais recentemente, Belletti (que também vinha sendo aproveitado pelo meio). Mas os problemas enfrentados pelo o capitão John Terry (envolvido em mais um escândalo, que dessa vez lhe custou à braçadeira do English Team) ainda preocupam. O volante Essien, espécie de “dínamo” do setor, retornou contundido da Copa Africana das Nações e pode representar um sério desfalque para este confronto. Mas opções são o que não faltam ao Chelsea para compor seu meio-campo, entre elas Ballack, Joe Cole, Deco, Malouda, Obi Mikel ou Zhirkov. No ataque, Drogba vive excelente fase e até aqui, tem mostrado grande sintonia com Anelka nessa Champions League (cada um já marcou três gols). O suplente Salomon Kalou também anda afiado e vem logo atrás com dois tentos anotados. Juntos esse trio marcou oito dos onze gols do clube nessa 1ª fase e precisará continuar funcionando se quiser alcançar as quartas-de-final.
A Inter não fez uma campanha
muito empolgante na faze de grupos, sucumbindo perante o Barcelona
na briga pela liderança e encontrando dificuldades nas partidas do
Giuseppe Meazza (onde obteve apenas uma vitória). Perspectiva muito
diferente da vivenciada na atual temporada da Serie
A, onde os Nerazzurri caminham a passos
largos para mais um título nacional. Os destaques começam pelas
traves, onde Júlio César vive grande fase e pode ser facilmente
incluído na lista dos melhores arqueiros do mundo. A defesa nessa
Liga dos Campeões tem se baseado em uma combinação de laterais e
zagueiros sul-americanos: os brasileiros Maicon e Lúcio, além dos
argentinos Samuel e Javier Zanetti. Com a saída de Vieira (que
vinha sendo pouco aproveitado), Cambiasso e Thiago Motta formam
outro dueto “portenho-tupiniquim” na contenção do
meio-campo, aliados ao ganês Muntari. Porém, quem dita o ritmo do
setor são os “motores” Stanković (que impressiona
pela regularidade) e Sneijder (em grande fase desde que trocou
Madrid por Milão). Na frente, a revelação Balotelli ganhou
oportunidade em cinco dos seis jogos da Inter até aqui, mas precisa
abrir os olhos (e não perder mais suas lentes de contato) se não
quiser queimar-se com Mourinho. Sorte dos torcedores que a dupla
formada por Diego Milito (um dos artilheiros do campeonato
italiano) e Eto’o (decisivo para o Barcelona na campanha dos
títulos continentais) parece sempre pronta para decidir qualquer
parada. Como se já não bastasse, Pandev ainda desembarcou em
Milão na última janela de transferências e parece totalmente
adaptado ao novo clube. Se repetir o desempenho apresentado na
Serie A, será um grande reforço para o confronto de duas equipes
que lutam conta sua própria sina no torneio
continental!
*Atenção: Após o fechamento desta edição, o jogador Ashley Cole do Chelsea acabou se contundindo e está fora do confronto.
Agora é sua vez de palpitar, meu caro leitor. Quem são seus favoritos nos confrontos da UEFA Champions Legue? Contribua com sua opinião deixando um comentário!!!









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