Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/03/01 09:36 / 144 Artigos publicados
 

Visão de Jogo

A prata da casa em meio ao garimpo do ouro  (Visão de Jogo) escrito em sexta 15 janeiro 2010 07:29

 

Em 2010, a Copa São Paulo de Futebol Júnior chega a sua 41ª edição, consolidando-se como torneio mais tradicional da categoria, embora o prestígio que sempre caracterizou a disputa diminua a cada ano. Com a criação do Campeonato Brasileiro Sub-20, a Federação Paulista resolveu padronizar a Copinha desde 2008, admitindo apenas atletas com até 18 anos. Mas apesar da cobertura competente realizada por alguns veículos especializados, como o site Olheiros (clique aqui e aqui), a sensação é de que o campeonato não possui a mesma visibilidade e nem empolga o torcedor como em um passado recente. Aliás, o romântico sonho de chegar à vitrine do futebol nacional, que todo garoto projetava no certame, cedeu lugar aos interesses de empresários, preocupados principalmente com negociatas e transações vantajosas. O que já explica muita coisa...

Um dos pontos que prejudica (e muito!) a Copa São Paulo é seu regulamento, que precisa solucionar a vida de um torneio cada vez mais inchado. A edição desse ano conta com 92 participantes, divididos em 23 chaves, onde além dos líderes, classificam-se os nove melhores colocados por índice técnico. As equipes representam estados de todo o país. Mesmo assim, os critérios para a escolha dos participantes não é a ideal (veja mais) e clubes tradicionais acabam cedendo lugar para times “voltados à formação de jogadores” (curiosamente, sempre bancados por algum empresário). Em 2010, Paysandu, Sport, Náutico, Santa Cruz, Criciúma e América de Natal foram algumas das equipes ausentes, enquanto os paulistas Pão de Açúcar, Olé Brasil ou Primeira Camisa (cujo proprietário é o zagueiro Roque Júnior) estiveram na disputa. O nome de outro participante, o Desportivo Brasil Participações Ltda (clube de Barueri) define bem essa realidade. A participação de equipes estrangeiras (uma prática comum durante as décadas de 80 e 90) foi retomada, embora a campanha do saudita Al-Hilal não tenha sido empolgante e assim como todos os gringos que já disputaram a taça, os asiáticos caíram ainda na primeira fase (confira).

A falta de estrutura e fragilidade de alguns participantes também contribui para a queda do nível técnico. A diferença entre alguns times é gritante e pode ser medida através de resultados bizarros, como a goleada de 14x0 aplicada pelo Santo André no Santana do Amapá ou os 8x0 impostos por Paulista e Portuguesa respectivamente a Taubaté e Atlético/RR. Aliás, o clube de Roraima mostra que nem os clubes que deveriam dar exemplo estão livres do amadorismo e das falcatruas existentes nas categorias de base. Maior campeão profissional em seu estado, o Tricolor da Mecejana viu-se envolvido em denúncias feitas pelos seus próprios jogadores. Eles acusam o treinador João Araújo de forçá-los a algumas atividades em troca de chance no time e também de fazer corpo mole na última rodada diante da Portuguesa. Segundo o empresário de 18 dos 22 jogadores do grupo (o time de Roraima sequer possuía uma base com atletas locais, recrutando o elenco em São Paulo e Minas Gerais a poucos dias da disputa), o técnico ainda cobrava uma mensalidade de R$ 500 por atleta (clique aqui). O grande problema é que tais informações só vieram à tona porque João Araújo resolveu comprar uma briga com a equipe do Globo Esportes, proibindo os meninos de dar entrevistas. A resposta veio rapidamente. Mas a questão é: será que se todos os participantes fossem investigados com o mesmo afinco, mais irregularidades não seriam descobertas? Outra denúncia esteve relacionada ao América de Minas Gerais, que estaria utilizando um jogador (Aldeflan) com idade adulterada, segundo denúncias do Americano do Maranhão (confira). Justiça seja feita, esse foi mais um furo de reportagem da galera do Olheiros. A Federação Paulista de Futebol agora investiga o caso, que reascende a polêmica sobre os “gatos” no futebol nacional.

Em campo, a evolução do preparo físico distância ainda mais os garotos. Em muitos jogos foi comum assistir o equilíbrio parcial se desfazer em meio às etapas complementares, onde cãibras vitimaram constantemente meninos que ainda não se tornaram atletas. As equipes com maior estrutura se sobressaíram nesse quesito, embora o excesso de preciosismo por parte de alguns de seus jogadores evidencie a influência negativa da supervalorização precoce. Nem por isso a fase de grupos deixou de apresentar algumas surpresas e gratas revelações. Além de diversas histórias pitorescas que reforçam ainda mais o caráter mambembe do futebol nacional e da Copa São Paulo (veja mais). Mesmo assim fica a sensação de que é preciso resgatar certos valores, comuns a essência do futebol e ainda mais importantes que os interesses alheios envolvidos na modalidade atualmente (principalmente nas categorias de base). Antes de formar o atleta, o ídolo, é preciso formar o cidadão, o homem. Em minha visão, já seria um grande passo na luta por um futebol mais digno!

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Retrospectiva 2009 (Parte 4)  (Visão de Jogo) escrito em quinta 07 janeiro 2010 11:04

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Fique ligado:

Futebol Internacional:

Pelos gramados internacionais, a crise da economia mundial refletiu-se no desenfreado mercado de contratações europeu, que desde a última temporada apresenta-se bem mais discreto que o de costume. O país que mais se destacou nesse sentido foi a Espanha, graças às aquisições milionárias de Florentino Pérez, que voltou ao poder no Real Madrid e iniciou uma nova era de galácticos com Cristiano Ronaldo e Kaká. Mesmo assim, quem continua dando as cartas em La Liga (mesmo que a diferença ainda seja pequena) é o Barcelona, que manteve sua base vitoriosa e continua jogando o futebol mais refinado do Velho Continente (embora alguns atletas estejam abaixo do rendimento apresentado na última temporada). E se perdeu o camaronês Eto’o, a equipe catalã repôs a altura, contratando Ibrahimovic, embora o sueco ainda esteja se acertando na nova casa.

Ainda nas primeiras posições está o Valencia, que vive um momento financeiro conturbado e agradeceu aos céus por conseguir segurar o artilheiro David Villa por mais algum tempo. Apostando em velhos conhecidos (Marchena, Albeda, Baraja e Joaquín) e jovens valores (Banega, David Silva e Juan Mata), os Murciélagos têm se mantido na zona de classificação a fase de grupos da UCL. E a chegada de reforços precisos, como o atacante argentino Alejandro Domínguez (que teve excelente passagem pelo futebol russo), anima ainda mais a torcida. Sevilla e Deportivo La Coruña têm se apresentado competitivos e são sérios candidatos a ficar com as vagas para a Europa League, ao contrário do Atlético de Madrid, que faz péssima campanha e tem brigado na metade de baixo da tabela. Quem também está preocupado com o rebaixamento é o Zaragoza, que acaba de retornar a elite espanhola. Outra surpresa é a campanha do Mallorca, que após uma surpreendente 9ª colocação na temporada passada, vem se superando em 2009 (mesmo com a saída de peças importantes, como o venezuelano Arango) na disputa pelas primeiras colocações.

Na Premier League, as principais equipes também apostaram na manutenção da base, alterando pouca coisa em relação ao nível de competitividade já conhecido pelos ingleses. Chelsea e Manchester United brigam pela liderança, a exemplo do que ocorreu na última temporada. Os Blues vêm prosperando sob o comando de Carlo Ancelotti, que manteve o excelente desempenho ofensivo, mas acrescentou maior capacidade defensiva ao esquema do time. Já os Red Devils, que perderam em talento com a saída de Cristiano Ronaldo e Tévez, têm demonstrado uma equipe voluntariosa, que faz do jogo coletivo sua maior força. Nomes como Anderson, Fletcher e Nani têm jogado mais (e melhor!) sob a batuta de Sir Alex Ferguson, assim como o veterano Giggs ou o repatriado (e recuperado) Owen. Sem falar que Rooney vive grande fase... Assim como a garotada do Arsenal, sempre desfalcado pelas contusões, mas apostando em um futebol alegre e ofensivo. Não por acaso os Gunners estão sempre brigando pelas primeiras posições, embora a falta de experiência ainda afete os meninos de Wenger em momentos cruciais (a derrota para o Mancheter United nesse 1º turno personifica tal afirmação). Mas a maior decepção fica por conta do Liverpool, que gerou na torcida a expectativa de colocar fim no jejum de 19 anos sem um título inglês, mas tem desperdiçado pontos preciosos em campo, ocupando posição irregular na tabela. Tanto que os críticos de Rafa Benítez pedem a cabeça do técnico imediatamente!

O Manchester City foi quem mais investiu na atual temporada inglesa, contratando nomes do peso como Adebayor, Kolo Touré, Santa Cruz, Lescott, Barry, além do já supracitado Carlitos. Após resultados animadores no início do ano, os Citizens viveram momentos de instabilidade durante o 1º turno, o que gerou a dispensa do treinador Mark Hughes (substituído pelo italiano Roberto Mancini). Mas com um pouco de boa vontade e uma dose extra de motivação (Robinho que o diga!), brigar por uma das vagas na UCL é o mínimo que uma equipe com a folha de pagamento do City pode almejar... Após uma temporada de recuperação em 2008/09, o Tottenham tem demonstrado um poder de competitividade ainda maior sob a batuta de Harry Redkanapp. Destaque para excelente fase do meia Lennon e do artilheiro Defoe (que briga por posição com Robbie Keane e Crouch). Outra equipe que mantém bom aproveitamento é o Aston Villa, mesmo após a saída de Barry, grande pilar de sustentação do meio-campo. A ascensão de jovens valores (casos de Milner e Agbonlahor) está diretamente ligada a esse desempenho e a meta agora é superar a 6ª colocação do último campeonato. O conterrâneo Birmingham City (recém-promovido a elite inglesa) também faz uma campanha digna, ao contrário de figurões como Everton e Blackburn (que ainda não engrenaram na tabela) ou o West Ham (seriamente ameaçado pelo rebaixamento). Quem já parece fadado a 2ª divisão é o Portsmouth, que deve recordar-se com nostalgia das boas contratações financiadas por Alexandre Gaymak alguns anos atrás.

Na Itália, o cenário apresentado em 2009 indica que a supremacia nerazzurri deverá ser mantida por mais uma temporada. Em campo, reforços como Lúcio, Sneijder e Eto’o estão devidamente adaptados, somando ainda mais qualidade em um elenco altamente capacitado. Não por acaso, os comandados de José Mourinho abriram boa vantagem em relação aos concorrentes, que por sua vez não demonstram consistência suficiente para ameaçar a Internazionale. É o caso do arqui-rival Milan, que teve um início preocupante sob o comando de Leonardo, mas conseguiu mostrar capacidade de reação graças a um esquema ofensivo (ao menos para os padrões italianos), com destaque para os brasileiros Ronaldinho Gaúcho (que voltou a jogar boas partidas) e Alexandre Pato (vivendo boa fase no calcio). Mas no geral, os rossoneri ainda não apresentaram a estabilidade necessária para convencer seu torcedor de que realmente podem entrar na disputa pelo título. Assim como a Juventus, que ingressou na competição cercada de otimismo após a chegada do meia Diego. Ambos começaram muito bem, até o brasileiro se contundir e nunca mais voltar a ser o mesmo. Coincidentemente, o desempenho de La Vecchia Signora também passou a oscilar e a confiança nunca mais foi a mesma. Grande parcela da culpa pelos resultados negativos tem sido atribuída ao técnico Ciro Ferrara, que sofre grande pressão e vê seu cargo ameaçado.

A Roma, que aposta em Claudio Ranieri, voltou a brigar na metade de cima da tabela e ainda trouxe o reforço mais badalado na transição do mercado italiano: o atacante Luca Toni, repatriado do Bayern de Munique. Na disputa pelas vagas da Liga da Europa o equilíbrio é maior. Clubes como Napoli e Palermo fazem boa campanha, assim Parma e Bari (recém promovidos a Serie A). A Sampdoria começou muito bem liderada por Cassano e até despontava como favorita, mas depois decaiu de produção. Os torcedores de Fiorentina e Genoa (que acaba de contratar Suazo) também esperavam um pouco mais de suas equipes. Situação preocupante é a de Udinese e Lazio (que sofreu desfalques importantes durante a janela de transferências), ambas ameaçadas pelo rebaixamento, assim como Bologna e Atalanta.

Na Bundesliga, a temporada também tem sido de recuperação para o Bayern de Munique, maior favorito ao título, mas que começou fraquejando sob o comando do holandês Van Gaal. Aproveitando-se desta perspectiva, outras equipes largaram na frente, como Schalke 04 (que vem respondendo bem ao trabalho de Felix Magath), Hamburgo (onde Zé Roberto mostra que ainda tem “lenha para queimar”) e principalmente o Bayer Leverkusen (que tem opções ofensivas interessantes como Derdiyok, Kroos, Kießling, Helmes, além do brasileiro Renato Augusto). Mas com o tempo, os bávaros têm corrido atrás do prejuízo, encostando novamente nos líderes e recandidatando-se a taça. Borussia Dortmund e Werder Bremen (que descobriu vida pós-Diego) fazem boas campanhas e lutam para ficar ao menos com uma vaga na Europa League. O atual campeão Wolfsburg nem isso parece capaz de fazer, realizando uma temporada extremamente abaixo da expectativa. Quem também faz campanha decepcionante é o Stuttgart, que tem flertado com a zona de rebaixamento. Nada que se compare a incompetência do Hertha, que após terminar na 4ª colocação do último Campeonato Alemão somou apenas uma vitória e três empates nos primeiros 17 jogos da edição 2009/10, apropriando-se com méritos da lanterna.

Na França, após o incessante domínio do Lyon, quem parece destinado ao monopólio da Ligue 1 é o atual campeão Bordeaux, que durante o ano distanciou-se da concorrência, destacando-se na corrida pelo título. Na luta pelas primeiras posições também se destacam duas boas surpresas: o Lille e o Montpellier. Entre os clubes tradicionais, o Olympique de Marseille (que apostou em Lucho González na expectativa de retornar aos tempos áureos), é quem apresenta maior regularidade, embora ainda não tenha demonstrado forças suficientes para disputar a liderança. Auxerre, Lyon e PSG, que não estão muito distantes do concorrente, vivem situações semelhantes. Quem parece não ter aprendido a lição é o Saint-Étienne, que mais uma vez luta contra o fantasma do descenso.

Em Portugal, o surpreendente Braga revela-se disposto a contestar a hegemonia do trio de ferro, mas para isso não pode se acomodar com a liderança provisória do certame. Ainda mais quando o Benfica parece recuperado graças ao futebol de jogadores que vem se reencontrando no clube (a situação de Saviola é um bom exemplo). Porto e Sporting (que faz campanha discreta) também representam pedras no sapato de quem deseja tentar a sorte em território lusitano, como no caso do Nacional, que até aqui luta por uma vaga nas competições continentais do ano que vem. Na Holanda, o Twent também sonha repetir o feito do AZ na última temporada e fugir da rotina estabelecida entre os três maiores clubes do país. E a equipe comandada por Steve McClaren (que fracassou em sua passagem pelo English Team) tem boas chances se considerarmos que apenas o PSV tem mostrado estabilidade suficiente para se manter vivo na disputa. Enquanto isso, Ajax e Feyenoord parecem se contentar com as vagas restantes para a Europa League.

Na Rússia, o Rubin Kazan já faturou o bicampeonato, firmando-se definitivamente entre as grandes forças do país; Em outra ex-república soviética, a Ucrânia, o Dynamo Kiev (que repatriou o atacante Shevchenko) terminou 2009 invicto, embora esteja equiparado na classificação ao rival Shakhtar Donetsk;  Pelos gramados turcos, a briga entre Fenerbahçe e Galatasaray é acirrada, embora surpresas como Bursaspor e Kayserispor ainda estejam no páreo. O Beşiktaş, campeão da última edição, por enquanto corre por fora; Outra disputa equilibrada ocorre na vizinha Grécia, onde Panathinaikos e Olympiacos (do técnico Zico) vêm se revezando na liderança. A decepção fica por conta da fraca campanha do AEK; Na Escócia, o Rangers vive um bom momento e destaca-se na liderança tabela, embora sempre perseguido pelo rival Celtic (que no momento, se preocupa mais com a proximidade do Hibernian); Já em território belga, o Anderlecht ingressou na temporada como grande favorito, embora o Club Brugge venha demonstrando em campo condições de equilibrar essa disputa.

Mundial Interclubes:

Disputado pela primeira vez em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o Mundial de clubes da FIFA anunciava desde o início a clássica final entre europeus e sul-americanos. E foi apenas uma questão de tempo para que essa realidade fosse confirmada. Na estréia, o Al-Alhi (representante do país sede que contava com apenas três estrangeiros em seu elenco) sucumbiu diante Auckland City. Interessante destacar que o estilo de jogo dos neozelandeses, inspirado principalmente no futebol inglês, sobressaiu-se mais uma vez diante da escola árabe, a exemplo do que já havia acontecido nas eliminatórias para Copa, quando os All Whites superaram o Bahrein na luta por uma vaga. Mas contra a escola mexicana na fase seguinte a conversa foi outra e o Atlante não encontrou dificuldades para garantir a vitória por 3x0.

Na sequência, Mazembe (do Zaire, que hoje em dia é República Democrática do Congo) e Pohang Steelers (originalmente conhecido como POSCO) fizeram um duelo equilibrado, com tudo aquilo que um bom jogo necessita: as duas equipes buscando a vitória, chances de gol para ambos os lados, belas defesas, bola na trave, além de uma virada emocionante dos asiáticos para cima dos africanos (graças aos dois gols marcados pelo brasileiro Denílson). Enfim, atrativos suficientes para aqueles que não acompanham futebol apenas pela camisa de quem está jogando. Assim como aconteceu posteriormente, na disputa pelo 5º lugar, quando o Auckland surpreendeu novamente ao derrotar o Mazembe em um duelo com direito a duas viradas (o tento que garantiu o triunfo neozelandês saiu no último minuto). Vale uma ressalva aqui, pois essas partidas devem ter sido as mais sacaneadas pelas redes sociais de jornalistas esportivos envolvidos com a cobertura do mundial. Uma pena!!!

Nas semifinais, o Barcelona começou poupando algumas de suas estrelas e sofreu um gol logo aos quatro minutos da partida contra o Atlante. Porém, demonstrou força suficiente para impor sua superioridade e conquistar a virada com três gols (um deles basicamente no primeiro toque de Messi ao entrar em campo), mesmo sem jogar uma grande partida. O Estudiantes também estreou acanhado: abriu 2x0 no placar contra o Pohang Steelers e parecia ter o jogo nas mãos, quando os coreanos resolveram complicar um pouco mais as coisas. O gol do brasileiro Denílson não apenas reforçava a importância do artilheiro como também expunha os Pincharratas à desconfiança dos pessimistas. Mas no final das contas, os asiáticos tropeçaram nas próprias pernas, vitimados pelas expulsões. Restaria o consolo de endurecer diante dos mexicanos na disputa pelo 3º lugar, quando mais um gol de Denílson (que terminou na artilharia da competição com quatro gols) levou a decisão para cobrança dos pênaltis, concluída com êxito pelos sul-coreanos.

Na grande final, o Estudiantes cumpriu com maestria seu objetivo na etapa inicial ao segurar o adversário e ainda encontrar espaços para abrir o placar. As seguidas chances perdidas pelo Barcelona mostravam que o dia poderia não ser dos espanhóis e que a sina catalã de sucumbir nas decisões de mundiais interclubes voltaria a se repetir. Veio o segundo tempo e mesmo martelando, os Blaugranas não conseguiam empatar o jogo. Os argentinos se defendiam de todas as maneiras e nos contra-ataques tiveram mínimas (porém preciosas) chances de definir o confronto. Com Messi, Henry e Ibrahimovic pouco inspirados, além do sentido desfalque de Iniesta, a sorte do Barça só começou a mudar quando Guardiola resolveu apostar nos garotos da base, que mostraram fôlego (Jeffrén) e principalmente estrela (Pedro) para marcar o gol de empate nos minutos finais, em uma saída afobada de Albil (que não por acaso era o reserva de Andújar na época da Libertadores). O gol com menos de um minuto para a conclusão do tempo regulamentar foi um balde de água fria na equipe de Verón, que a cinco minutos do final da prorrogação, assistiu o compatriota Messi garantir o primeiro título da história dos espanhóis. Coroando com lampejos, aquele que é destacado o melhor futebol do mundo na atualidade! 

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Retrospectiva 2009 (Parte 3)  (Visão de Jogo) escrito em terça 05 janeiro 2010 10:35

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Vamos a terceira parte da nossa retrospectiva:

Campeonato Brasileiro - Serie A:

Desde a adoção do sistema de pontos corridos, nunca um Campeonato Brasileiro havia apresentado tanto equilíbrio como na edição 2009. E ainda assim teve quem defendesse o retorno do mata-mata... Após liderar a metade inicial da competição, o Palmeiras despontava como principal candidato ao título, ainda mais após segurar seus principais jogadores e investir na contratação de reforços de peso, como o repatriado atacante Vágner Love. Mas a oscilação dos comandados de Muricy Ramalho coincidiu com a ascensão dos principais adversários e para frustração dos palmeirenses, o time ficou de fora até da zona de classificação a Libertadores, após uma derrota na última rodada diante do Botafogo. O clube da Estrela Solitária, que teve uma campanha irregular durante todo certame, se encaixou na reta final, quando demonstrou muito brio (além de um “elétrico” Jóbson) e conseguiu escapar do rebaixamento.

Outra paulista que se complicou nas mãos dos cariocas foi o São Paulo, que após romper o casamento com Muricy resolveu apostar (literalmente) em Ricardo Gomes. A transição no comando contribuiu para que o Tricolor demorasse a se acertar no Brasileirão e apesar de jogar “mais” futebol do que nos tempos do antigo treinador, os são paulinos não apresentaram a mesma consistência dos anos anteriores, desperdiçando pontos importantes que acabaram pesando nos momentos decisivos. Apesar de assumir a liderança na reta final, o clube do Morumbi não teve forças para se manter e sucumbiu nas rodadas decisivas, deixando escapar o tetracampeonato consecutivo. O Internacional, a exemplo dos últimos anos, iniciou a competição festejado como um dos favoritos e mais uma vez morreu na praia. Dessa vez, porém, sem chamar muito a atenção, chegou à última rodada em condições de ser campeão, superando as críticas pessimistas. Não fosse a indefinição em relação ao trabalho de Tite, que prejudicou bastante as possibilidades coloradas, a surpresa poderia ter sido ainda maior...

Bom para o Flamengo, que se acertou sob o comando de Andrade e mais uma vez apresentou uma reação impressionante durante o 2º turno. O treinador teve méritos por depositar a confiança no artilheiro Adriano, além de redescobrir em Petkovic um jogador capaz de organizar o meio-campo rubro-negro. Apoiado nessa perspectiva, o Flamengo teve forças para vencer duelos chave contra concorrentes diretos (como o emblemático triunfo perante o alviverde em pleno Palestra Itália), agarrando a liderança com os dentes na penúltima rodada. Uma conquista que devolve o orgulho a maior torcida do Brasil e também ao futebol carioca, tão desprestigiado nos últimos anos.

Na sequência, o Avaí foi a grande surpresa da tabela em seu retorno a 1ª divisão nacional. A 7ª colocação foi a coração de um trabalho muito bem executado pelo competente Silas desde a Serie B de 2008. Outra equipe que terminou na zona intermediária da tabela foi o Goiás (9º), do polêmico Hélio dos Anjos. Houve um momento em que o Esmeraldino sonhou alçar vôos maiores, ainda mais após a chegada de Fernandão, mas o decorrer da temporada ensinou ao clube do Serra Dourada que não se pode comemorar antes da hora em um torneio como o Brasileirão. Quem também terminou a competição com um gosto amargo na boca foi o Atlético Mineiro, que iniciou a disputa humildemente sob o comando de Celso Roth, mas passou a sonhar alto após grandes resultados, boas contratações e a excelente fase do artilheiro Diego Tardelli. Faltou ao Galo força para se impor durante a reta final, além de competência para se manter na zona de classificação a Libertadores. E mais uma vez, Celso Roth pagou o pato. A torcida do Grêmio também saiu frustrada desse Brasileirão, já que o time tinha condições de ter feito uma campanha muito melhor. Não fosse o péssimo desempenho jogando fora de casa...

Já classificado para Libertadores, o Corinthians encarou a competição com relativo desdém, em uma participação tão modesta que se resume a falta do que destacar. A negociação de jogadores importantes em meio à disputa certamente prejudicou a equipe de Mano Menezes, mas é fato que após o desempenho do 1º semestre, a expectativa da Fiel era por uma campanha muito melhor. Ainda na zona de classificação a Copa Sul-Americana ficaram Barueri, Vitória e Santos, embora haja pouco para comemorar nesse sentido. O Abelha rompeu seus vínculos com a prefeitura local e perdeu seus principais jogadores para próxima temporada, enquanto os baianos esperavam mais após o retorno de Vágner Mancini (que deixou o clube no final do ano). O Peixe, por sua vez, teve uma campanha morna durante todo campeonato, frustrando-se com o trabalho de Luxemburgo e assistindo ao fim da era Marcelo Teixeira na presidência do clube.

Além do Botafogo, clubes como Atlético Paranaense, Coritiba e Fluminense também estiveram entre o céu e o inferno nesse Campeonato Brasileiro. Após um início preocupante, o Furacão deu sinais de reação sob o comando de Antônio Lopes, ao contrário do arqui-rival, que até parecia se acertar sob a batuta de Ney Franco e Marcelinho Paraíba, mas acabou naufragando no ano de seu centenário em pleno Couto Pereira (o que gerou um dos episódios mais lamentáveis na história do futebol nacional). O algoz do Coritiba foi o Fluminense, que merece tanto destaque quanto o Flamengo nessa revisão do Brasileirão. Isso porque a equipe das Laranjeiras parecia destinada ao rebaixamento ao final do 1º turno. Contratações equivocadas, torcedores agredindo jogadores, constantes trocas de treinadores. Para piorar, a diretoria resolveu apostar em Cuca, que não parecia ser o nome mais indicado para recuperar o tricolor. Mas a custo de muito trabalho, o técnico conseguiu devolver a confiança ao grupo, apostando em jovens valores (como Dalton, Alan e Maicon) e bancando o atacante Fred (muito criticado pelo longo período no departamento médico). Os gols do artilheiro ajudaram o Flu a se livrar do rebaixamento, um pesadelo bem conhecido pelo torcedor pó de arroz.

No fundo do poço, ficaram dois pernambucanos e um paulista: Naútico e Sport evidenciaram a má fase dos clubes nordestinos em âmbito nacional durante a temporada 2009 (que também pode ser constatada na 2ª divisão), enquanto o Santo André pagou o preço por apostar em medalhões. Após investir no elenco (trazendo inclusive Carlinhos Bala, ídolo do rival Sport), o Timbu sonhava com uma campanha mais tranquila do que aquelas que vinha apresentando desde o seu retorno a elite (nos dois últimos anos, havia salvado-se do rebaixamento na reta final graças ao trabalho de Roberto Fernandes). A queda do Leão surpreendeu ainda mais, pois interrompeu um ciclo positivo que havia começado com o título da Copa do Brasil, passando em 2009 pela conquista estadual e a ótima campanha na Libertadores. Sinal de que a saída de Nelsinho Batista no início do Brasileirão deixou sequelas para o restante da disputa...

Campeonato Brasileiro – Séries B:

Em 2009, a segunda divisão foi o caminho da redenção para o Vasco da Gama, que seguiu o exemplo de tantos outros gigantes do futebol nacional (Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro e Corinthians) e garantiu o passaporte de volta a elite sem grandes sustos. É verdade que a equipe de São Januário oscilou em alguns momentos (como refletiu o futebol de Aloísio, uma das maiores contratações dos cariocas e que ficou devendo mais bola na última temporada), mas no final das contas os vascaínos saíram-se muito bem. Dorival Júnior montou um time equilibrado e contou com o excelente futebol do meia Carlos Alberto para garantir a 1ª colocação com sete pontos de vantagem sobre o 2º colocado.

Quem também se garantiu na Serie A do ano que vem foi o surpreendente Guarani, rebaixado no estadual, mas que sob o comando de Oswaldo Alvarez e uma base composta por jovens valores mesclada a alguns medalhões, mostrou uma impressionante capacidade de reação, arrancando entre os líderes logo no início da competição e mantendo-se no G-4 durante todo certame. Posteriormente, o clube ainda teve sua classificação ameaçada devido a uma suposta irregularidade na inscrição de um jogador, fato que acabou não se confirmando. Ceará e Atlético Goianiense, que complementaram a zona de acesso, viveram situações inversas que resultaram no mesmo final. Após um início irregular, os cearenses contaram com a chegada do técnico PC Gusmão, responsável pelo excelente aproveitamento do time no decorrer do torneio que colocou fim a longa espera pelo retorno a vitrine do futebol nacional. Já os goianos, que apostavam desde o começo no bom trabalho desenvolvido por Mauro Fernandes, resolveram mudar o comando técnico em um momento delicado, apostando suas fichas em Artur Neto, que deu conta do recado e garantiu o Dragão entre os quatro primeiros colocados.

Portuguesa (que viveu momentos conturbados durante a competição, como a ameaça de um diretor aos jogadores em pleno vestiário) e Figueirense (que apresentou uma das maiores revelações do torneio, o atacante Rafael Coelho) também estiveram na briga pelo acesso, mas acabaram pagando caro pela inconsistência ao longo do ano. O São Caetano, que fez um péssimo 1º turno, mas conseguiu uma boa retomada na sequência do ano (sob o comando de Antônio Carlos Zago), além do Duque de Caxias (que estreava na 2ª divisão e tinha perspectivas modestas), merecem destaque por suas campanhas honrosas, enquanto clubes tradicionais (casos de Paraná, Ponte Preta, Vila Nova e Bahia) apenas reforçaram a necessidade de repensar seu planejamento para 2010. Já a zona de rebaixamento refletiu o momento de fragilidade atravessado pelo futebol do Nordeste: ABC, Campinense e Fortaleza acabaram sucumbindo, enquanto o América de Natal escapou por pouco, empurrando o vexame para o Juventude.

Campeonato Brasileiro – Séries C:

A remodelada 3ª divisão começou comprovando algumas forças e derrubando outros mitos. No grupo A, o Paysandu (campeão paraense) garantiu uma das vagas enquanto o tradicional Sampaio Corrêa acabou na lanterna, amargando o rebaixamento. No grupo B, o Icasa (que havia feito uma boa campanha na Copa do Brasil) e o ASA (campeão alagoano) ficaram com a classificação, enquanto o Confiança, que sagrou-se campeão sergipano nessa temporada, não conseguiu repetir o desempenho e também acabou relegado a 4ª divisão. Nos grupos C e D poucas surpresas, a não ser pelo fracasso do Criciúma, tradicional equipe da região sul. O maior destaque ficou por conta da boa campanha de um revigorado América Mineiro.

A fase final colocou frente a frente os clubes da região norte e nordeste, com ampla vantagem para os nordestinos que assistiram a classificação de ASA e Icasa sobre Rio Branco e Paysandu, respectivamente. Nos confrontos entre os clubes do sudeste contra e os gaúchos, o América levou a melhor sobre o Brasil de Pelotas, enquanto o Guaratinguetá superou o Caxias. Mesmo com os quatro promovidos já definidos, as semifinais não deixaram de esquentar. Após um empate em seus domínios na primeira partida, o ASA foi buscar a classificação no campo do Icasa, enquanto o América só conseguiu superar o Guaratinguetá na cobrança dos pênaltis. Na final, o fato de contar com um elenco mais experiente acabou sendo decisivo para o Coelho. Apoiados no rodado meia Irênio e também nos gols do matador Bruno Mineiro, os americanos conquistaram o título relativa facilidade, assegurando a vitória nos dois jogos (1x0 e 3x1) e a certeza de que a penumbra dos últimos anos (quando chegou a cair para segundona estadual) vem sendo superada.

Campeonato Brasileiro – Séries D:

A desnecessária 4ª divisão nacional herdou toda desorganização mambembe que sempre caracterizou a Serie C. Em sua primeira edição, a competição reuniu 40 equipes divididas em 10 chaves, apontando dois classificados por grupo. Muitos clubes tradicionais do Nordeste acabaram caindo precocemente (como Moto Club, Treze, Flamengo/PI e o CSA) já nessa fase. Porém, o caso mais emblemático foi o do glorioso Santa Cruz de Pernambuco, que apesar da excelente média de público terminou na lanterna do grupo 4, frustrando toda nação tricolor.

Entre os sobreviventes, algumas equipes mais conhecidas, como Londrina, Nacional/AM, Sergipe, Ferroviário/CE e Paulista de Jundiaí, embora nenhuma delas tenha sido capaz de conquistar o acesso. Entre os times que chegaram à reta final estavam Araguaína/TO e Cristal/AP, ilustrando a descentralização da disputa. Porém, quem realmente prosperou (conquistando o acesso) foram Chapecoense e Alecrim, que eram favoritos, mas acabaram superados respectivamente por Macaé e São Raimundo/PA nas semifinais. Na grande decisão, cada mandante fez sua parte, mas os gols fora de casa pesaram a favor dos paraenses, que apesar de representar um estado historicamente dominado por Paysandu, Remo e Tuna Luso, garantiram um titulo de âmbito nacional para sua galeria de troféus.

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Retrospectiva 2009 (Parte 2)  (Visão de Jogo) escrito em domingo 03 janeiro 2010 10:07

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Fique ligado na segunda parte da nossa retrospectiva:

Copa do Brasil:

É inegável que a ausência das principais equipes da temporada anterior (o atual campeão, além dos quatro melhores classificados do Brasileirão) enfraquece consideravelmente o nível técnico da Copa do Brasil. Mas ainda assim a edição 2009 contou com grandes clubes, como Corinthians e Internacional, que apresentaram o futebol mais convincente do 1º semestre e fizeram a final do torneio.

Alguns clubes como Portuguesa, Ceará, América/RN e Campinense (todos da 2ª divisão nacional) acabaram decepcionando e caíram já na primeira rodada.Na sequência, o Botafogo (sempre ele) acabou sendo surpreendido no duelo caseiro diante do Americano. O Santos também frustrou seus torcedores após ser surpreendido pelo CSA.  Na contramão, o Vasco superou as expectativas e chegou até as semifinais, vendendo cara sua derrota para o Corinthians. O Coritiba eliminou a Ponte Preta e também chegou às semifinais, como maior candidato a “zebra” desta Copa do Brasil (competição que consagrou diversos “azarões” ao longo se sua história). Apesar de endurecer diante do Inter (que já havia eliminado o Flamengo), a equipe então comandada por Renê Simões não teve forças para seguir adiante.

Ao assimilar as lições da derrota perante o Sport em 2008, o Timão teve forças para superar o Colorado em uma verdadeira guerra de nervos, alimentada por polêmicas declarações extra-campo (principalmente após o resultado da 1ª partida, quando os gaúchos insinuaram que os paulistas haviam sido beneficiados pela arbitragem). Com a bola rolando, brilhou a estrela de Ronaldo (que marcou na vitória por 2x0 no Pacaembu), mas principalmente a de Jorge Henrique, que além de definir o triunfo inicial, ainda anotou no empate por 2x2 em pleno Beira-Rio. Um resultado que valeu ao Alvinegro o tão sonhado passaporte para a Libertadores da América no ano de seu centenário, mas que também acabaria interferindo no desempenho da equipe no restante da temporada...

Libertadores:

São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras, além de um surpreendente Sport, representavam as chances de uma conquista brasileira na edição 2009 da Libertadores, onde apenas Boca Juniors e River Plate pareciam capazes de estragar a festa verde-amarela (pelo menos na cabeça da imprensa tupiniquim). Na fase preliminar, o Verdão (único brasileiro que teve de passar pelo qualificatório) não deu chances ao Real Potosí da Bolívia, vencendo ambas as partidas (5x1 e 2x0). Outras equipes tradicionais da América do Sul não tiveram a mesma sorte. O Estudiantes sofreu para superar o Sporting Cristal e só conseguiu a vaga graças a um gol marcado fora de casa, enquanto o Peñarol acabou eliminado de forma impiedosa pelo Independiente Medellín.

Na 1ª fase, os brasileiros fizeram seu dever de casa. No grupo 1, o Sport foi heróico ao estrear vencendo o Colo-Colo fora de casa e terminar na liderança do chamado “grupo da morte”. Quem também se deu bem em Santiago foi o Palmeiras, que começou oscilando, mas reagiu a tempo de conquistar sua vaga nos minutos finais da última rodada, graças a um chute certeiro de Cleiton Xavier. A grande decepção da chave ficou por conta da então campeã LDU, que terminou na lanterna. No grupo 4, o São Paulo terminou em 1º embora tenha encontrado dificuldades diante do Independiente Medellín, que sequer conseguiu a classificação, conquistada quase que por acaso pelo “desinteressado” Defensor. Na chave 5, o Cruzeiro também passeou na liderança diante dos rivais jogando no Mineirão, mas revelou seus pontos fracos no empate com o Deportivo Quito e principalmente na goleada sofrida contra o Estudiantes em La Plata. O Grêmio foi a equipe mais bem sucedida da 1ª fase, mesmo tendo demitido Celso Roth e abraçado o auxiliar Marcelo Rospide em meio ao torneio. Em seis jogos, foram cinco vitórias (incluindo as três partidas disputadas fora de casa) e um empate, com 11 gols marcados e apenas um sofrido.

Outras equipes também se apresentavam como candidatas ao título. O Boca Juniors correspondeu as expectativas e fez sua parte no grupo 2, classificando-se com cinco pontos de vantagem em relação ao 2º colocado. No grupo 3, o Nacional uruguaio também fez valer o peso de sua camisa apostando em uma equipe jovem, representada pelo futebol da revelação Nicolás Lodeiro. Já os peruanos da Universidad San Martín aproveitaram-se da bobeada do River Plate e ficaram com a segunda vaga da chave. Outros argentinos que fizeram campanhas decepcionantes foram Lanús e San Lorenzo, que terminaram na lanterna de seus grupos, onde se classificaram respectivamente Caracas e Guadalajara, além de Libertad e San Luis.

Iniciava-se aí um impasse gigantesco, culminando na exclusão das equipes mexicanas devido ao surto do vírus H1N1 que começava a assolar o mundo. Beneficiados com o resultado, os tricolores São Paulo e Nacional não precisaram nem entrar em campo para garantir sua vaga. O Palmeiras deu sequência a sua saga e com uma vitória e uma derrota por 1x0, conquistou a classificação de forma heróica, nos pênaltis, diante do Sport na Ilha do Retiro. Já Grêmio e Cruzeiro não encontraram grandes dificuldades, vencendo ambos os confrontos perante seus adversários. O surpreendente Caracas continuou avançando ao derrotar o Deportivo Cuenca, enquanto o Estudiantes mostrava sinais de que estava se acertando, batendo com relativa tranquilidade o Libertad. A maior surpresa dessa fase ficou por conta da eliminação do Boca Juniors, derrotado pelo Defensor em pleno La Bombonera (aliás, nos dois jogos) por 1x0.

As quartas-de-final começaram a mostrar quem era quem na competição e os gremistas que suaram para eliminar o Caracas seriam os adversários dos cruzeirenses, algozes de um São Paulo irregular e cada vez mais acostumado a sucumbir diante de seus compatriotas na Libertadores. O Estudiantes aprendeu com os erros xeneizes e não deu sopa para o azar diante do Defensor, enquanto seu adversário nas semifinais, o Nacional, teve forças para empatar duas vezes com o Palmeiras, sendo beneficiado pelos gols marcados fora de casa (além de erros da arbitragem). No duelo brasileiro, destaque para a Raposa, que apostou única e exclusivamente no futebol para superar um confronto tenso diante do Grêmio. Já no clássico sul-americano entre Estudiantes e Nacional, Verón e companhia mostraram a importância da tarimba argentina em jogos catimbados como os da Libertadores, vencendo ambas as partidas diante dos uruguaios.

Na decisão, o Cruzeiro vestiu a carapuça de favorito após um excelente empate na casa do adversário por 0x0. A excelente fase vivida por jogadores como Ramirez e Kléber era motivo suficiente para que os torcedores celestes se animassem com as possibilidades de conquistar o tricampeonato da América. E após o gol de Henrique, o entusiasmo que tomou conta do Mineirão contrastou com o brio de Andújar, Schiavi, Verón, Benítez, Boselli e Gastón Fernández, destaques de uma virada que remeteu os brasileiros a tragédia do Maracanzo, evidenciando a dificuldade que os clubes do país têm encontrado nos momentos decisivos da Libertadores, principalmente diante dos argentinos.

Recopa e Copa Sul-Americana:

Na Recopa Sul-Americana, a LDU começou sua retomada em termos continentais frente ao Internacional, utilizando o fator casa como principal arma, algo que se revelaria fundamental no decorrer do ano. Após surpreender os gaúchos no Beira-Rio com uma vitória por 1x0, os equatorianos foram a forra com a goleada por 3x0 na altitude de Quito, que sacramentou definitivamente a conquista. Restaria ao time então comandado por Tite o esdrúxulo título da Copa Suruga, disputado no Japão contra o Oita Trinita...

Já a Sul-Americana, só para variar, começou sem interesse algum dos clubes brasileiros. O desfile de equipes reservas (aliado ao desdém) foi responsável pela eliminação precoce de alguns dos principais postulantes a taça, como os Atléticos Mineiro e Paranaense, o Internacional e o Flamengo, além dos argentinos Boca e River. Outros clubes que possuíam ambições maiores, como Goiás e Vitória, não tiveram competência para seguir adiante e sucumbiram pelo caminho. A expectativa brasileira ficou por conta dos cariocas Fluminense e Botafogo, que enxergaram alguma graça na competição e poderiam acabar se cruzando nas semifinais. Porém, o alvinegro não teve forças para se impor frente ao Cerro Porteño, que por sua vez, só foi cair diante dos tricolores a custo de muita porrada. Do outro lado da tabela, a LDU chegava novamente a mais uma final continental em 2009 após massacrar em casa o surpreendente River Plate uruguaio por 7x0.

As equipes que fizeram a final da Libertadores 2008 estavam novamente frente a frente. O Fluminense, que vinha em ascensão no Brasileirão e enxergava na Sul-Americana uma possibilidade de salvar sua temporada, esperava se vingar dos equatorianos, mas repetiu os mesmos erros daquele revés ao ignorar os perigos da altitude. Apesar de sair na frente jogando em Quito, Fred e companhia assistiram a um inspirado Méndez comandar a virada por 5x1, onde os chutes de fora da área se mostraram fatais para as pretensões cariocas. As esperanças de uma redenção no duelo do Maracanã eram pequenas, mas aquele brio que faltou na primeira partida da decisão (e naquele momento sobrava no Campeonato Brasileiro) fez com que o Tricolor marcasse três gols e devolvesse a esperança ao seu torcedor. Porém, o placar não foi suficiente e mais uma vez ficou a sensação de que o Flu bateu na trave diante da LDU, sucumbindo por muito pouco. Mas ao contrário da temporada 2008, quando a derrota nos pênaltis fez com que a torcida fosse embora com a sensação de ter perdido o ano, dessa vez a certeza era de que o time das Laranjeiras tinha condições de superar as adversidades restantes. Prova de que a Sul-Americana teve algum valor...

 

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Retrospectiva 2009 (Parte 1)  (Visão de Jogo) escrito em sexta 01 janeiro 2010 09:46

Esse início de ano novo inevitavelmente nos remete aos fatos marcantes ocorridos em 2009. Com o futebol não poderia ser diferente e como a correria do dia a dia nem sempre nos permite abordar o tema com a profundidade idealizada, nada mais justo do que repensar (com a cabeça no lugar) a última temporada, revendo os prós e contras pelos gramados do mundo todo, para tentar entender um pouco melhor a “caixinha de surpresas” que representa tão bem o futebol! Fique ligado:

Estaduais:

Parte da cultura do nacional e maior responsável pelas rivalidades que apimentam o futebol tupiniquim, os campeonatos estaduais ganham mais inimigos a cada dia sob o argumento de que servem apenas para sustentar as federações e inchar o calendário. Mas nem por isso deixam de valorizar os clubes que acabam obtendo êxito na disputa. Um exemplo claro dessa afirmação se aplica ao Corinthians, que durante o Campeonato Paulista resgatou definitivamente a auto-estima e lavou a alma do torcedor após superar com sobras a disputa caseira. O Santos de Vagner Mancini e Neymar foi o adversário da final, mas não conseguiu fazer frente ao Timão, comandado por um Ronaldo extremamente inspirado. No Rio de Janeiro, mesmo sem uma grande referência no ataque (Obina e Josiel brigavam pela posição com Emerson) e ainda sob o comando de Cuca, o Flamengo bateu pelo terceiro ano consecutivo o Botafogo na decisão e superou o Fluminense em termos de conquistas estaduais. O último troféu erguido pelo capitão Fábio Luciano, que se aposentou dos gramados após a conquista. Mas um título que reforça ainda mais a superioridade rubro-negra em seu estado, assim como acontece em Minas Gerais, onde o Cruzeiro fechou a década com seis títulos goleando o Atlético por impiedosos 5x0 na 1ª partida da final (assim como já havia feito em 2008).

No Rio Grande do Sul, a campanha do Internacional foi inquestionável: em 15 jogos, a equipe então comandada por Tite somou 12 vitórias e três empates, marcando 47 gols, além de finalizar a competição com 12 pontos de vantagem na classificação geral sobre o Grêmio, 2º colocado. A emblemática vitória sobre o Caxias na final do 2º turno por 8x1 (mesmo placar obtido na final de 2008 diante do Juventude) fechou com chave de ouro o título colorado. Ainda no sul do país, o Avaí retornou ao lugar mais alto do pódio em Santa Catarina após um jejum de 11 anos. Um prenúncio do bom trabalho realizado pelo técnico Silas. No Paraná, beneficiado por um erro de digitação no regulamento, o Atlético levou a melhor na fase final da disputa e deixou o rival Coritiba para trás no ano de seu centenário (situação que só iria piorar ao longo do no). Porém, o maior prejudicado com o erro estapafúrdio da Federação Paranaense foi o futebol brasileiro!

Pelos principais centros do futebol nordestino, as equipes mais tradicionais confirmaram o peso de suas camisas. O Bahia começou o estadual dando indícios de que 2009 poderia ser um ano promissor, mas com o decorrer do tempo, a mesma realidade dos últimos anos voltou a se confirmar. No final das contas o Vitória acabou confirmando sua 8º conquista nessa década, queimando mais um pouco da gordura que o arqui-rival ainda possui na somatória dos títulos (43 tricolores contra 25 rubro-negros).  Em Pernambuco, o Sport também sobrou em campo, conquistando o tetracampeonato por antecipação após garantir os dois turnos da competição. Ao Santa Cruz, que enfrentou um dos piores anos de sua história, restou o consolo de faturar a Copa Pernambuco...

No Campeonato Cearense, mais um clássico entre os rivais Fortaleza e Ceará decidiu a disputa, com vantagem para o Tricolor, que além do tricampeonato, obteve seu 38º título, encostando no Vovô (que chegou a 39 conquistas graças a uma decisão do Tribunal de Justiça Desportiva do Ceará, que por sua vez, reconheceu os torneios realizados pela antiga Liga Metropolitana Cearense de Futebol). Ao longo do ano, os alvinegros comprovariam literalmente o sentido da expressão “quem ri por último, ri melhor”! Em Sergipe, o Confiança faturou o bicampeonato, enquanto em Alagoas, o ASA terminou como o “rei da década”, faturando sua 5ª conquista nos últimos dez anos (antes, só havia vencido um estadual, no longínquo ano de 1960). Enquanto isso, os tradicionais CRB e CSA (que nos últimos anos chegou a cair para 2ª divisão) conseguiram apenas um título cada. Outra equipe tradicional que recentemente esteve na segundona estadual foi o Flamengo do Piauí, que em 2009 se reergueu após a conquista do estadual e da Copa do Piauí.

Mas o Nordeste também assistiu a ascensão de novas forças, como por exemplo, a Associação Sportiva Sociedade Unida, ou simplesmente ASSU, que foi fundada em 2002 e nessa temporada faturou o Campeonato Potiguar. Seguindo o exemplo do Corinthians de Caicó, além de Baraúnas e Potiguar (ambos de Mossoró), o ASSU entrou no seleto grupo das equipes que interromperam a hegemonia dos gigantes ABC e América durante a última década. Na Paraíba, o Sousa relembrou 1994 (ano de sua primeira e até então única conquista estadual), elevando novamente o nome do sertão dentro de seu estado. No Maranhão, o futebol brasileiro reforça seu teor mambembe com a conquista do JV Lideral, uma equipe que até pouco tempo atrás pertencia ao futebol amador de Imperatriz e chegou ao 1º título de sua história no mesmo ano em que estreava na elite local. Para se ter uma idéia, o nome da equipe é uma homenagem ao filho e a empresa de seu presidente/proprietário. Levando em conta as imagens da armação ocorrida na 2ª divisão local, não dá mesmo para levar o futebol maranhense muito a sério.

Outra vergonha nacional ocorreu na decisão do campeonato capixaba, onde o Rio Branco (maior campeão do estado, mas que não conquista uma taça desde 1985) chegou à decisão diante do São Mateus e venceu a primeira partida por 2x1. Porém, a partida final disputada no Estádio Sernamby (em São Mateus) foi encerrada após o jogador Helder machucar-se de forma bizarra na cobrança de um lateral, deixando sua equipe com menos de sete atletas (uma batalha campal já havia resultado na expulsão de quatro integrantes de cada time). Como o Rio Branco não podia mais fazer substituições, o árbitro Dervaly do Rosário encerrou a partida antes do término do tempo regulamentar, com o placar em 2 a 2. Após vinte dias, o título foi homologado pela Federação Capixaba a favor do São Mateus, baseando-se no regulamento geral que aplicado confere como resultado da partida 2 a 0 para o São Mateus. O Rio Branco ainda recorreu da decisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, mas o título foi mantido a favor do São Mateus, não cabendo assim mais recursos.

Ainda no Centro-Oeste, o Brasiliense conquistou o hexacampeonato no Distrito Federal, comprovando que a fórmula baseada no investimento de seu patrono aliado ao futebol de alguns “velhinhos” (como o simbólico Iranildo) é mais do que suficiente para superar as disputas internas. No Campeonato Goiano, destaque para a equipe comandada por Hélio dos Anjos, que sobrou diante de um decadente Vila Nova e foi superior ao ascendente Atlético. Com a conquista, o Goiás voltou ao topo do certame estadual e foi a forra após dois vice-campeonatos consecutivos. Já no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, duas equipes emergentes marcaram seu nome na história do futebol nacional: respectivamente, Luverdense e Naviraiense (impossível fugir da rima!). Resultados que confirmam o fim da hegemonia de clubes como Mixto, Comercial ou os Operários (tanto o do MS, quanto o do MT) naquela região.

No Norte do país também tivemos gratas surpresas. No Amazonas, o folclórico América voltou a figurar na 1ª colocação, o que não acontecia desde 1994. O emblemático Amadeu Teixeira, que permaneceu durante 50 anos como técnico da equipe continua ligado ao clube, agora como presidente. No Acre, o Juventus voltou aos holofotes após a conquista estadual (que não vinha desde 1996). Pelos lados do Pará, o Paysandu manteve a galeria de campeões limitada aos mesmos clubes de sempre (além do Papão, apenas Remo, Tuna Luso e o já extinto União Sportiva conseguiram triunfar), mas é inegável a força das equipes consideradas menores nesses últimos anos. Depois de Castanhal, Ananindeua e Águia de Marabá já terem beliscado um vice-campeonato na última década, 2009 foi a vez do São Raimundo se “intrometer” entre os grandes do estado. Em Roraima, o Atlético local confirmou sua força e agora abriu dez títulos de vantagem em relação ao Baré, 2ª equipe com mais conquistas no estado. No Amapá, o São José relembrou as excelentes temporadas de 2005 e 2006 (quando faturou o bicampeonato) e sagrou-se campeão pela 6ª vez em sua história. Quem também sobe as escadas do futebol nacional são Vilhena (RO) e Araguaína (TO), que na temporada 2009 asseguraram o segundo título estadual de seus currículos.

As divisões inferiores também coroaram o retorno de equipes conhecidas a elite do futebol nacional. O exemplo mais clássico foi o América, que faturou a segundona carioca com direito a Romário no plantel. Em Minas Gerais, o Ipatinga começou a juntar os cacos após o “bi-rebaixamento” de 2008 ao garantir seu retorno a Serie A do estadual. As copas estaduais também foram um alento para ex-campeões como Fluminense de Feira de Santana (BA), Joinville (SC), Sampaio Corrêa (MA) ou o Vitória (ES). No estado de São Paulo essa realidade não se confirmou e a camisa de equipes tradicionais (como Juventus, América, Ferroviária, XV de Piracicaba, Rio Branco, entre outros) não bastou para superar os investimentos de equipes como Monte Azul (campeão da A-2) e o Votoraty (que além da A-3, também faturou a Copa Paulista).

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