Home Data de criação : 08/08/18 Última atualização : 10/03/01 09:36 / 144 Artigos publicados
 

Reforço de Peso

D'Primeira VídeoBlog (Edição Especial): Entrevista com Jorge Kajuru  (Reforço de Peso) escrito em segunda 22 junho 2009 07:09

Taí um sonho que eu nunca pensei em realizar... Ficar frente a frente com Jorge Kajuru, cara de quem eu sou fã desde os tempos da "Rádio K" de Goiânia!!! Que dia após dia (na Rede TV, Bandeirantes, Cultura, ESPN e agora no SBT), tem peito p/ escancarar toda verdade que consome nosso futebol e envolve essa sociedade superficial em que vivemos!!! E que paga (com gosto) o preço por ser honesto e autêntico naquilo que faz!!!

Mas Jorge Kajuru vai além disso... Pessoalmente, é um exemplo de humildade e simpatia... Carisma puro traduzido em palavras fortes (como costumam ser as palavras sinceras), sempre acompanhadas de um largo sorriso no rosto!!!

Só um cara como ele p/ atender um "dublê de repórter" como eu (tremendo mais que "vara verde" pela emoção de estar ao lado de um "craque" como ele) e fazer dessa entrevista um dos maiores feitos dessa curta (porém promissora) trajetória do D'Primeira, da WebTV Assis Notícias e desse jornalista que vos escreve.

Suas palavras em meu livro autografado significam mais do que um formal elogio, mas um lema a ser seguido nessa profissão que escolhi: "Comunicador de Verdade"!!!

Assistam as palavras de um dos maiores exemplos do jornalismo nacional!!! Confiram também a TV Kajuru.com

 

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Campeonato Romeno 2008/2009  (Reforço de Peso) escrito em segunda 05 janeiro 2009 20:50

Pois é, amigos... Voltamos de férias e para começar bem o ano de 2009, nada melhor do que um Reforço de Peso desse nível. Nada mais, nada menos do que Bruno Matos, outra fera que tive o prazer de conhecer no blog da Trivela (grande celeiro de especialistas no assunto). Torcedor do Vitória da Bahia e profundo conhecedor do futebol do Leste Europeu, Matos estará falando sobre uma de suas grandes paixões (provavelmente a maior delas): a Romênia, berço de mitos como Drácula ou o espetacular George Hagi. Após o fechamento do 1º turno do Campeonato Romeno, ele faz um balanço especial sobre o que ocorreu até aqui e as possibilidades dessa reta final de competição. Uma verdadeira aula sobre o assunto...

Valeu Brunão... A casa é sua, mas o prazer é todo nosso:

“A grande marca do Campeonato da Romênia na temporada 2008/2009 tem sido a inconstância das suas equipes. Não há uma aposta segura na disputa pelo título, e essa irregularidade, em alguns momentos, deu espaço para algumas surpresas. Já no rebaixamento, as coisas parecem estar definidas. Vamos ao resumo:

Duas equipes fecham o primeiro turno como principais candidatas ao título, Dinamo Bucareste e Unirea Urziceni. Os Cainilor Roşii são os atuais líderes da competição, e contam com Bodgan Lobont, goleiro titular incontestável da Seleção; o principal queridinho do país, Gabriel Torje; além de outras revelações como Adrian Ropotan. Já o emergente Unirea Urziceni, em sua 3ª temporada na elite, conta com aquele que é considerado o melhor técnico romeno da atualidade, Dan Petrescu, além de jogadores experientes no meio e ataque, casos de Bogdan Mara, Marius Onofras e Marius Bilasco como principais figuras.

Sem a punição de 6 pontos por plágio, o FC Timisoara estaria diretamente envolvido na disputa pelo troféu. Seu grande diferencial é o goleador Gigel Bucur, que já está sendo merecidamente convocado para a Seleção.

Os representantes romenos na atual edição da Liga dos Campeões terminam o primeiro turno pensando em se infiltrar na grande disputa. Após um mau início, os atuais campeões, CFR Cluj, cresceram com a contratação do italiano Maurizio Trombetta, fechando a primeira parte em 4º lugar, tendo como destaques os argentinos do meio campo Juan Culio e Sebastian Dubarbier, e a dupla de zaga formada por Cadu e o brasileiro André Galiassi. Apesar de ter perdido Eugen Trica para o Anorthosis do Chipre, a contratação de Nicolae Dica do Catania não deixa o nível cair. O Steaua Bucareste, maior clube romeno, apesar das fanfarronices de seu polêmico presidente George Becali, que promove um troca-troca de técnicos(Marius Lacatus iniciou a temporada e logo foi substituído por Dorinel Munteanu, que também já foi mandado pra rua, para entrada de... Marius Lacatus!), e após uma seqüência ruim no meio do primeiro turno, mostra força ao bater o Unirea Urziceni em seu último jogo. Entre os destaques, os colombianos Zapata e Dayro Moreno, e o local Nicolita.

Como dito antes, a irregularidade das principais equipes, em alguns momentos, deu espaço para surpresas. As duas principais são Universitatea Craiova e Arges Pitesti. Os “Campeões de um grande amor” apostaram em jogadores do eixo Austrália-Nova Zelândia, que acrescentaram qualidade ao elenco. Josh Mitchell e Joshua Rose ajudam na defesa, enquanto Michael Baird garante os gols, juntamente com o selecionável Florin Costea. Já o time de Pitesti concentra sua força no meio campo, com os bons romenos Cristian Tanase e Iulian Tames, preparando jogadas para o marfinense Yossouf Kamara.

O terceiro clube de Bucareste, o Rapid, iniciou fazendo uma campanha péssima, com derrotas para times da parte de baixo, e iniciou uma recuperação, comandada pelo artilheiro do campeonato, o brasileiro Juliano Spadacio, que aqui atuou por Paulista e Atlético-PR. Entretanto, a crise mundial ameaça esse crescimento, já que o time corre risco de perder atletas na janela e não ter reposição. Esse cenário fez com que o treinador José Peseiro pedisse o boné.

No meio da tabela, menção honrosa para o Brasov, que conta com o excelente goleiro Bogdan Stelea, integrante da Seleção Romena que disputou a Copa de 1994. Durante quase todo o primeiro turno, ele liderou a defesa, tornando-a a menos vazada do Campeonato. O time também possui um jogador com imenso potencial, a revelação Sabrin Sburlea.

Entre os candidatos ao rebaixamento, dois já parecem fadados a disputar a segunda divisão em 2009/2010: CS Otopeni e Gloria Buzau. Com apenas 3 pontos e nenhuma vitória, o time de Buzau caminha para uma das piores campanhas da Europa na história. Tentando fugir dos outros 2 lugares, aparecem Poli Iasi, Gaz Metan Medias, Farul Constanta, Pandurii e Gloria Bistrita. Apesar da posição ruim, o Gaz Metan conta com um jogador excelente, Alexandru Curtean, já disputado por Steaua, Dinamo, Vaslui e FC Timisoara. O Gloria Bistrita conta com Ciprian Tatarusanu, que recebe muitos elogios, e o experiente meia Cristian Coroian. Os outros três não contam com nenhum destaque individual e devem ser os outros rebaixados”. 

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Fazendo a diferença!!!  (Reforço de Peso) escrito em quinta 27 novembro 2008 16:29

Como já disse, o mundo do futebol colocou no meu caminho diversos manos que realmente acrescentam em minha trajetória, somando conhecimento e transbordando humildade. A definição de "exemplo"!!! Um desses chapas é o baiano Lui, outro chegado do blog trivelista, torcedor fanático do Bahia e sempre consciente das causas sociais que o cercam. Acredito que o futebol seja um reflexo da vida e até por isso considero o Lui uma mano diferenciado, engajado na luta por um amanhã mais digno. Um reflexo da causa que uma das maiores torcidas do Brasil abraça de maneira tão apaixonada. Conversando com essa galera, percebe-se a indignação por ver um clube tão tradicional sendo "saqueado" por aproveitadores, emperrado na 2º divisão e sem perspectivas de mudanças. Mais do que isso. A ação da rapaziada é um exemplo de amor ao clube, pois essa galera está mobilizada para ao menos não se calar diante dessa injustiça. Eles não são uma torcida organizada, uma facção criminosa... Não são os vagabundos que vão em treinamento agredir jogador... Eles são os trabalhadores que perdem o emprego para ir até a sede do clube, apanhar da polícia para manifestar sua indignação, diferente do padrão "acomodado" do brasileiro. O Lui e um amigo seu, o Ulisses (que inclusive mandou o vídeo da matéria) também me confidenciavam que consideram a imprensa baiana muito omissa!!! Acredito que ela não se diferencie em nada do resto do Brasil, do bairrismo aliado ao sensacionalismo. Ainda mais em um estado onde as TV's, rádios e jornais mais tradicionais pertencem a políticos e suas famílias, que perpetuam a desigualdade e estão ligadas a mesma elite que manipula o clube e não tem interesse em divulgar tal fato.

Aqui no nosso blog, não!!! Por isso o Lui, curto e grosso, solta o verbo e convoca a torcida do Bahia (e aqueles que torcem por um futebol mais digno e justo no Brasil) a se juntarem a causa. O blog Victorino Netto apóia essa iniciativa. Avante glorioso Baeeeeeeeeeêa!!!!

“Venho aqui, pedir encarecidamente ao jornalismo em que ainda acredito nesse país, pra divulgar a 2ª grande PASSEATA DA MUDANÇA que nós, torcedores fanáticos do EC BAHIA, estamos organizando. Da 1ª vez em 2006, foram mais de 50 mil nas ruas de Salvador, protestando contra essa diretoria ETERNA que nos humilha e quer falir nosso clube de vez. Eles querem se perpetuar no poder, e de forma NEFASTA. Ontem, na assembléia pra discutir o futuro do clube, eles (Maracajá, Petrônio Barradas e cia), mais uma vez agiram de forma nebulosa pra fraudar a votação. Impediram sócios da OPOSIÇÃO de entrar pra votar e tudo mais. Além de mandar vários laranjas pra votarem a favor deles. Nós queremos DIRETAS. Quem é sócio tem direito de votar e escolher o melhor presidente pra tirar o Bahia do fundo do poço. Estão humilhando demais a maior torcida do Norte/Nordeste do país. Divulguem a passeata, por favor! Abraços e OBRIGADO por fazer jornalismo sério como ninguém aqui no Brasil! Obrigado"

 

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Esse é campeão!!!  (Reforço de Peso) escrito em segunda 03 novembro 2008 22:01

Philippe Dutra é um grande amigo que fiz no futebol... Mas ao contrário do que parece, não nos conhecemos pelos gramados da vida, mas sim no blog da Trivela, que concordamos ser um dos melhores do Brasil... Freqüentador assíduo do site (assim como eu), Dutra é vidrado em futebol alternativo, como ligas do Leste Europeu (principalmente as ex-repúblicas soviéticas), tendo entre suas grandes paixões a Rússia e o Uzbequistão (além de mais um zilhão de nações p/ lá de exóticas!!!). Profundo conhecedor do assunto, tem uma queda pelas zebras da vida, (como por exemplo, o Zenit na Liga dos Campeões), uma característica típica daqueles torcedores que sofrem, mas não abandonam sua paixão... Torcedores fanáticos... Torcedores fiéis... Não é a toa que no Brasil, seu clube do coração é o Corinthians, único tema que faz esse rapaz perder a imparcialidade!!! Em todo caso, conversar sobre futebol (e a vida) com o Philippe é sempre um prazer, não só por sua sabedoria, mas pela sua simplicidade em ser verdadeiro!!! Não porque ele é uma constante atualização sobre os últimos resultados ou as contratações internacionais, mas porque ele é o retrato autêntico do brasileiro: batalhador incansável, guerreiro de fé, trabalhador e apaixonado por futebol!!!

Há tempos o blog esperava uma contribuição desse mano, que nos fala um pouco da boa fase vivida pelo Hoffenheim (ou simplesmente, “o time do Carlos Eduardo”, como a imprensa nacional costuma se referir à equipe), que acaba de estrear na Bundesliga e faz excelente campanha, brigando pela liderança da competição nas primeiras rodadas... Porém, Philippe Dutra considera que as possibilidades do time azul vão além dessa visão e se irrita quando alguém fala do clube como “surpresa”:

Explicando...

“O Carlos Eduardo foi um dos principais jogadores do Grêmio em 2007, chegando a final da Libertadores, além de ter “detonado” contra o São Paulo, para minha alegria. Está jogando muito lá na Alemanha, inclusive vem subindo com o time. Foi criticado por ter deixado o Brasil para atuar num time de segunda na Alemanha. Porém, o que os desinformados de plantão não sabem é que o Hoffenheim tem um magnata por trás de tudo. Dietmar Hopp, um dos fundadores da SAP AG, junto com alguns ex-empregados da IBM. É um dos homens mais ricos do mundo.

E o Edu, não é sozinho o grande responsável pela ascensão do Hoffenheim. Os maiores destaques do time são mesmo os bósnios Sejah Salihović e Vedad Ibišević. O primeiro não se destacou em duas temporadas pelo Hertha Berlim. O segundo foi descoberto por um treinador do Paris Saint-Germain em uma excursão pelos Estados Unidos. Ele estudava na Universidade de St. Louis, onde jogava, além de ter uma rápida passagem pelo Chigaco Fire. No PSG ele não teve muito espaço. Depois de passar pelo Dijon, da Ligue 2, fez uma boa temporada pelo Alemannia Aaachen ao lado do Jan Schlaudraff. Lamentei muito a queda deste time, equipe simpática da divisa entre Holanda e Alemanha. Ibišević ainda jogou no Basel (Suíça) pelas categorias de base.

Com a boa fase dessas caras, a técnica do Edu e mais a habilidade e velocidade dos africanos Demba Ba (senegalês), Chinedu Ogbuke Obasi (nigeriano) e Isaac Vorsah (ganense), as perspectivas são boas. Além de fazer algumas contratações cirúrgicas como o lateral russo/germânico Andreas Beck, que nasceu em Kemerovo (Rússia), mas se naturalizou alemão; Jochen Seitz, jogador bastante experiente na Bundesliga; o hungaro Zsolt Löw e o goleiro austríaco Ramazan Özcan, que já foi convocado algumas vezes para seleção.

Por todos estes motivos o Hoffenheim está entre os líderes da Bundesliga. Ninguém surge do nada!!!”.

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Ao mestre com carinho...  (Reforço de Peso) escrito em sábado 30 agosto 2008 22:12

Desde que decidi me tornar um jornalista, sempre tive muitas dúvidas e incertezas em relação ao meu futuro... Sobre os meus caminhos... A minha história... As minhas crenças!!! Tinha dúvidas sobre a distância entre o que eu era e aquilo que eu queria ser!!! A faculdade, teoricamente, me ajudaria a fortalecer algumas idéias que facilitariam o entendimento sobre meu próprio espelho, tudo aquilo que está a minha volta e tudo o que essa profissão nos reserva... Infelizmente (ou não!!!), esses conceitos muitas vezes foram ignorados, graças ao formalismo acadêmico instituído há tanto tempo e aplicado vigorosamente por alguns professores... Mas o instinto e a sinceridade sempre me afastaram desse tipo de gente e me levaram a seguir a corrente que caminha na contra-mão dessa vertente.  O que aprendi foi uma conseqüência da convivência junto a pessoas como o mestre Oswaldo Miguel... Ou simplesmente, Niva!!! O negro, magro e alto que anda pelos corredores da faculdade há algum tempo. Que é o que é em qualquer lugar do mundo e por isso caminha de cabeça erguida, conversando com todos, demonstrando sorrisos sinceros além da alegria, satisfação e prazer em estar diante de alguém. Um mestre que transparece a sinceridade nos olhos e faz de suas palavras, verdadeiras manifestações!!! O cara que não diz o que você quer escutar, mas o que você precisa ouvir!!! As lições que aprendi com essa figura ajudaram a moldar a face daquilo que me tornei... A acreditar até o fim nos meus sonhos e lutar com todas as forças por eles!!! Porém, a maior das lições que aprendi com o mestre é que a vida é como um jogo de futebol. Muitas vezes ao invés de se lançar ao ataque desesperado por um gol, é melhor tocar a bola no meio-campo, praticando o bom e velho “arroz com feijão”, esperando a hora certa para arriscar um chute ou emendar um contra-ataque!!!

A imensa satisfação que sinto por caminhar ao lado de pessoas como o Niva, divido com vocês nesse texto, chamado “Um dia ainda chego lá....”, que foi escrito por ele mesmo em 2000 e que narra a história desse grande “capitão”. Um "Reforço de Peso" que merece muito mais do que a camisa 10...

 

 

Ainda chego lá...

Niva Miguel


            Ainda na infância ganhei o apelido de Niva, nunca soube explicar bem o porque desse nome. Costumava dizer que era por causa da semelhança entre o meu verdadeiro nome Oswaldo e Nivaldo, daí ficou Niva, abreviatura de Nivaldo. Entretanto, quando mais velho vou ficando mais a incerteza vai crescendo.

Filho de um lustrador de móveis, depois técnico de laboratório, e de uma empregada doméstica, depois enfermeira, passei boa parte da minha infância na rua, enquanto meus pais trabalhavam. Vivia jogando futebol nos terrenos baldios e sonhando com o dia em que trocaria esses velhos campinhos pelos estádios famosos do Brasil. Criança sonha com coisas que quando cresce não vê jamais. Nesse período, tomei contato com o primeiro jornal na minha vida. Meu pai que gosta de futebol, comprava todos os dias a Gazeta Esportiva. Eu lia alguma coisa quando ele terminava de ler.

Na escola, cursei o primário sem muito brilhantismo. Era um aluno normal, um pouco tímido, que gostava de sentar no fundo da classe. Eu gostava mesmo era de esporte. Tanto que terminei o primário, fiz até a 6a. série , e abandonei os estudos para ajudar meu pai no trabalho.

Só voltei à escola com 19 anos para terminar o ginásio, terminei e cursei o 2o. grau, fiz Técnico em Edificações, mas não gostava. Dos 17 aos 26 anos, vivi grande fase no esporte, praticava atletismo, era velocista e defendia Piracicaba em competições oficiais. Também fui jogador de futebol profissional, não cheguei a jogar nos grandes estádios como sonhava quando criança, mas era respeitado pelos adversários, isso era o suficiente para mim. Até que uma operação no menisco do joelho esquerdo encerrou minha carreira.

Em 83, era funcionário público municipal com quase dez anos de profissão, não via futuro se continuasse como estava, resolvi pedir as contas e cuidar da minha vida. Foram dois anos trabalhando ora aqui ora acolá, até que em 85 conheci umas pessoas e fui trabalhar como contra-regra na companhia de teatro Circo Voador, aqui em Piracicaba. O contato com esse grupo me despertou de que era necessário fazer uma faculdade, afinal, a maioria deles ou já tinha terminado ou estava cursando alguma coisa.

Na fase do teatro comecei a escrever algumas poesias, lia um pouco de tudo e gostava de muita conversa, mas gostava mesmo era de ouvir. Por isso, estava indeciso se faria vestibular para Jornalismo ou para Psicologia. Como o curso de Psicologia era noturno e o tempo mínimo para conclusão era de cinco anos, optei por Jornalismo que poderia ser concluído em quatro anos.

Para poder pagar a faculdade consegui um emprego de carteiro, também não gostava do que fazia, aliás, detestava. Mas trabalhar era preciso, e assim dei o melhor de mim durante nove meses subindo e descendo ruas e avenidas do centro de Piracicaba. No final de 1986, com 30 anos de idade, fiz inscrição para o vestibular da Unimep. Havia decidido que se não passasse faria cursinho. Estava há seis anos sem estudar. Passei! Começava uma nova fase na minha vida.

Trajetória Acadêmica O primeiro semestre na faculdade, em 1987, foi um verdadeiro deslumbramento, pelo glamour de estar na faculdade, pelos amigos e, sobretudo, pela oportunidade de ser alguém: um jornalista.

Não tive nomes famosos na área como professores para me espelhar, mas sabia que teria que me dedicar ao máximo. Estava apostando minha vida nesse curso. Em uma prova de Filosofia após minha avaliação, o professor Heitor Gaudence, me chamou e disse: “Não te conheço, mas vejo você todos os dias com aquela bolsa dos Correios nas costas entregando cartas, para mim você não gosta do que faz, tenho a impressão que sua vontade era jogar essa sacola no rio, colocar fogo ou fazer qualquer coisa – era tudo aquilo que eu realmente sentia – vou lhe dar um toque – com a palma da mão direita levantada na altura do meu rosto – quando você ver ou ouvir qualquer coisa, lembre-se que sempre existirá alguma coisa atrás daquilo que estão te passando”. Isso foi uma observação importante que nunca mais esqueci.

Durante o curso fui um aluno do fundão, mas atento às aulas. No Projeto Experimental, no último semestre da faculdade, desenvolvi uma pesquisa intitulada: “O papel do negro na imprensa piracicabana”, no qual produzi um vídeo, com duração de 12 minutos, um programa de rádio, com 20 minutos, uma reportagem jornalística e uma monografia. Com isso, ganhei primeiro lugar e o prêmio Losso Netto de Jornalismo.

O vínculo com a faculdade me possibilitou participar como pesquisador/bolsista do NPDR –Núcleo de Pesquisa e Documentação Regional da Unimep – Universidade Metodista de Piracicaba. Realizamos a pesquisa: “A fala, o texto e a imagem negra na região de Piracicaba”. Ainda como pesquisador/bolsista do NPDR, participei do projeto: “13 de Maio – Memória e Cidadania”, no qual, além de pesquisar, produzi um vídeo de 15 minutos, contando os quase cem anos da história do mais tradicional clube da raça negra de Piracicaba e região.

Em 92, já era um jornalista profissional e trabalhava no Jornal de Piracicaba como repórter. Também participei como bolsista do CNPq através do NPDR, do projeto: “60 anos da Rádio Difusora”.

Trajetória profissional Foram cinco anos como repórter do Jornal de Piracicaba. Comecei trabalhando no Jornal de Domingo, um suplemento com reportagens especiais, tendo como chefe a jornalista Ana Lúcia Kazan, uma grande professora, que me batizou com o pseudônimo de Niva Miguel. Um dia depois de ter escrito uma reportagem não muito boa, ela me disse: “Niva, vou lhe dizer uma coisa, para ser um bom jornalista é preciso ter feeling, e feeling você tem, só precisa ler alguns livros – e me passou um monte deles – acredite no seu potencial que um dia você vai chegar lá”.

Dois anos depois, Ana Kazan deixou o jornal e comecei a andar sozinho na profissão. Comecei a fazer, até então, reportagens inéditas em quase um século do jornal. Fazia reportagens nas quais eu encarnava personagens. Com isso, fui indigente, sorveteiro, entregador de gás, catador de papelão, saltei de pára-quedas, presidiário etc. A preocupação era mostrar para os leitores as questões sociais, os problemas e ao mesmo tempo colocar pessoas humildes no jornal de domingo que pelos meios convencionais nunca seriam notícias. Essas reportagens tinham boa repercussão em Piracicaba e região, recebia cartas, telefonemas e era reconhecido e cumprimentado nas ruas.

Paralelamente, fazia assessoria de imprensa para a Uniodonto e para a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas – Regional de Piracicaba (APCD). Enquanto repórter do Jornal de Piracicaba recebi alguns prêmios pela produção de reportagens. Da Câmara Municipal de Piracicaba recebi dois, em novembro de 97, Diploma de Mérito, esse prêmio é recebido por personalidades que se destacam junto à comunidade negra piracicabana e Moção de Aplausos, em outubro de 95, pela reportagem ‘Um amor diferente na noite piracicabana’, reportagem sobre os travestis piracicabanos. Em março de 97, recebi do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Rio das Pedras, Saltinho e Região, um cartão de prata pela reportagem: “Na fila do INSS: que humilhação meu Deus”, reportagem que mostrou as dificuldades das pessoas que precisam desse órgão público.

Os cinco anos que passei como repórter do Jornal de Piracicaba foram bons, mas também não havia futuro. Não existia um plano de carreira na empresa, não havia possibilidade de crescer enquanto profissional. Por isso, resolvi pedir a contar e ir trabalhar em outro lugar. Fui para a cidade de Americana ser repórter no jornal TodoDia. Uma experiência boa, um ritmo forte de trabalho, conheci gente nova, aprendi como se trabalha em um grande jornal, mas foram só três meses e voltei para Piracicaba para trabalhar em um semanário de amigos, A Folha Piracicabana, que iria começar a circular. O jornal teve vida curta, cinco meses e depois fechou. Passei, então, a fazer quase tudo (elaborava pautas, fazia entrevistas, fotografava, redigia e revisava) no Jornal do Bairro, que circulava no bairro Vila Rezende. Paralelo a isso, também dei aulas de comunicação para alunos do curso Técnico em Turismo, no Senac de Piracicaba.

Fazendo o jornal de bairro, voltou à antiga idéia de cursar um mestrado e fazer um estudo sobre o assunto. Comecei a amadurecer o projeto, enquanto saia do jornal para ser assessor de imprensa do prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos. Trabalhei na prefeitura de 1998 a agosto de 1999, quando já estava na metade do curso e ganhei bolsa de estudo.

Agora, aqui estou tentando cumprir mais uma etapa da minha caminhada. Sinto-me uma pessoa de sorte por vir da onde vim e chegar aonde cheguei, iluminada (guiada) pelos bons espíritos – acredito em Deus e em outras coisas invisíveis – e tentando transformar mais um sonho em realidade, acreditando no meu potencial e que um dia ainda chego lá...

 

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* E chegou mesmo!!!

Atualmente o mestre Oswaldo Miguel caminha para seu Doutorado. E podem ter certeza: Ele ainda chega lá...

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