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Cultura Futebolística

Victorino Netto na Trivela!!!  (Cultura Futebolística) escrito em sexta 03 abril 2009 05:27

Pessoal... É com grande orgulho que divido com vocês esse texto, publicado na última quinta-feira (02/04) na seção “Conheça o Clube” da Revista Trivela, principal referência sobre futebol internacional no Brasil e um dos veículos mais respeitados do país quando se trata de jornalismo esportivo!!!

Se quiser acessar a matéria no site clique aqui 

Juan Aurich: surpresa que vem de Chiclayo

Entre as equipes que têm chamando a atenção na atual temporada do futebol sul-americano, destaca-se El Ciclón del Norte, modesta agremiação da cidade de Chiclayo (Departamento de Lambayeque), que vêm desbancando os favoritos na liderança do Campeonato Peruano. O sucesso repentino desse alvirrubro de 86 anos é o maior incentivo para a indagação: Afinal, quem seria esse tal de Juan Aurich?

Um dos fazendeiros mais famosos do país, Juan Aurich Pastor sempre foi considerado um visionário por seu respeito à natureza e o cultivo de florestas em suas terras. Empresário e político de família tradicional, foi descrito pelo etnólogo Enrique Brüning como um “fino senhor”, além de ser fonte de inspiração para romance de Carlos Camino Calderón na obra “El Daño” (de 1973). Não por acaso, quando um grupo de trabalhadores da Fazenda Batangrande (de sua propriedade) resolveu fundar um clube que os representasse, o nome escolhido foi o do “patrão”. Tinha início em 3 setembro de 1922 a trajetória do Club Juan Aurich.

O ingresso no futebol profissional e a estréia em Libertadores

Onze anos após sua fundação (em 1933), o time conseguiu sagrar-se Campeão de Chiclayo pela primeira vez, sob a batuta do treinador uruguaio Jorge Domenech. Em 1945, após um período de vacas magras, a equipe retirou-se da liga local retornando apenas em 1952 sob a presidência de Don Guillermo Aurich Bonilla, que procurou montar um time forte na expectativa de disputar os torneios de elite realizados naquela época. No ano seguinte o time protagonizou uma grande tragédia que marcaria o futebol peruano para sempre. Em 5 julho de 1953, na volta de um amistoso disputado em Trujillo, o ônibus que transportava a delegação do Juan Aurich invadiu uma linha férrea e foi atingido por um trem, causando um grave acidente que vitimou 22 pessoas, entre jogadores, familiares e torcedores.

Com o terceiro lugar na Copa Peru (divisão de acesso do país) de 1967, quando o grande destaque foi o atacante Daniel "El Chino" Ruiz (artilheiro dos nacionais de 56, 57 e 59), o time foi convidado a participar da elite peruana e já no ano seguinte conquistou uma surpreendente vice-colocação, quando terminou empatado em número de pontos com o Sporting Cristal, mas acabou derrotado no playoff decisivo por 2x1. Mesmo assim garantiu a classificação para a Libertadores da América de 1969, fato até então inédito para uma equipe de fora da capital. Em sua estréia em competições internacionais, o Juan Aurich acabou terminando na modesta 12ª colocação, mas deu trabalho aos rivais (Sporting Cristal, além dos chilenos Santiago Wanderers e Universidad Católica) na fase de grupos, quando terminou empatado com os demais adversários em número de pontos, fracassando posteriormente na disputa do playoff desempate (que na época era previsto pelo regulamento).

O clube ainda conseguiria manter-se na elite peruana durante toda década 70, quando foi inaugurado o estádio Elías Aguirre, porém com campanhas oscilantes nunca mais repetiu o mesmo sucesso. Durante esse período, diversos ídolos do futebol peruano em final de carreira vestiram a camisa vermelha, entre eles Víctor Calatayud (que disputou a Copa de 66); Pedro León e Orlando de La Torre (que estiveram no mundial de 70); Juan Joya (bicampeão mundial com o Peñarol em 61 e 66) e Julio Meléndez Calderon (ídolo do Boca Juniors e campeão da Copa América de 1975 com a seleção peruana).

Em 1980, o atacante Pedro Aicart retornou do futebol espanhol (onde se sagrou campeão nacional com o Barcelona, além de passar por Hércules e Málaga) para comandar uma impressionante reação da equipe no Campeonato Peruano, quando o Juan Aurich arrancou da lanterna para uma honrosa 6ª colocação. Porém, com a penúltima colocação no nacional de 1983, El Ciclón del Norte chegou ao fundo do poço e acabou rebaixado.

Fusão e ressurgimento

Entre 1988 e 1991, o Juan Aurich limitou-se a participações em torneios regionais do Norte, sem obter grande sucesso. Em 1993, com o apoio da iniciativa privada e a idéia de voltar ao topo do futebol peruano, o clube decide fundir-se com o Deportivo Cañaña, time da província de Lambayeque, dando origem ao Club Aurich-Cañaña. Comandado por Horacio Baldesari, o clube recém-criado conquistou o título da Copa Peru em 1993, retornando a elite nacional onde permaneceria com campanhas irregulares até 1996.

Após a queda, a fusão com o Deportivo Cañaña foi desfeita e o time voltou a pelejar na Copa Peru com sua nomenclatura original. Em 1997, mostrando força nas divisões inferiores, o clube obteve novo sucesso e mais uma vez garantiu seu retorno à Primeira Divisão. Porém, sem grandes investimentos, a equipe continuou limitando-se a participações discretas, resistindo bravamente durante cinco anos até o novo descenso em 2002. Durante esse período, as maiores estrelas a desfilar sua classe pelos lados de Chiclayo foram o meia Alfonso Yáñez (que disputou a Copa América de 1991) e o atacante Andrés Gonzáles (que passou pelo trio de gigantes do futebol peruano e teve uma passagem apagada pelo Real Betis em 1994). No ano seguinte o clube esboçou uma reação na fase regional da Copa Peru, mas acabou superado pelo seu conterrâneo Flamengo FBC. Enfrentando péssimas administrações e grave crise econômica, entrou em profundo declínio e para desespero de seus torcedores acabou desaparecendo lentamente do cenário esportivo local.

Essa situação começou a mudar em 2004, quando o Club Social Deportivo Mariscal Nieto, que participava da Primeira Divisão de Chiclayo, entrou em crise e ficou à deriva, sem dirigentes ou jogadores. Levando em consideração essa oportunidade, o então presidente Juan Merino Aurich utilizou sua influência para mobilizar os amigos mais íntimos e retomar suas tradições familiares, tornando o clube o “novo” Juan Aurich. Nascia assim, em 28 janeiro de 2005, o Club Social Deportivo y Cultural Juan Aurich de la Victoria, nome que deixava para trás qualquer problema jurídico enfrentado pela antiga agremiação.

Em 2007, El Manchester del Norte (como o time também é conhecido) conquistaria mais uma vez seu retorno a 1ª Divisão após vencer a dramática decisão da Copa Peru, contra o Sport Águila, nos pênaltis (5x3). De volta à elite, o Juan Aurich quase foi novamente rebaixado, salvando-se apenas no Playoff contra o Atlético Mineiro (da cidade de Matucana). Porém, na atual temporada tem surpreendido todo país com seu excelente desempenho e a liderança parcial do nacional. O nome mais respeitado do elenco comandado pelo técnico Franco Navarro (que disputou a Copa de 1982 e foi muito contestado enquanto diretor técnico da seleção nacional por seus atritos com Claudio Pizarro) é o do atacante argentino Sergio “El Checho” Ibarra, maior artilheiro na história do Campeonato Peruano com mais de 200 gols. A esperança dos torcedores é que dessa vez o Ciclón não bata novamente na trave e consiga manter por mais tempo sua boa fase...

 

 

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Amkar Perm  (Cultura Futebolística) escrito em segunda 08 dezembro 2008 00:51

Essa semana estréia aqui no blog a coluna Cultura Futebolística, que vai falar sempre sobre clubes e personalidades do futebol brasileiro e internacional. E para dar o pontapé inicial em mais uma empreitada do nosso blog, ninguém mais indicado do que o parceiro Philippe Dutra, especialista em futebol russo e que nesse post estará falando um pouco mais sobre o Amkar Perm, que surpreendeu muita gente na Rússia durante a atual temporada. Confiram:

 

Do Fertilizande Mineral para a Europa League

 

O Amkar Perm foi fundado em 5 de maio de 1993 e surgiu por meio de trabalhadores de uma empresa chamada Perm Mineral Fetilizers. A equipe rubro-negra manda seus jogos no estádio Amkar Zvezda Stadium, com capacidade para 20 mil pessoas e que usa um gramado artificial desde 2005. Após o rebaixamento do Luch-Energiya nesta temporada, o Amkar é uma das poucas equipes do lado oriental russo a se manter na elite. A outra equipe oriental é o FC Tom Tomsk, que terminou o campeonato na décima terceira posição, apenas duas acima do rebaixamento.

 

No começo da última temporada do campeonato russo, ninguém esperava algo mais do que uma briga contra o rebaixamento, mas felizmente não foi o que se viu na cidade de Perm. O maior destaque do time é seu treinador, o montenegrino Miodrag Božović, que apesar de jovem (40 anos), conta com a experiência de quem já passou por vários clubes europeus e asiáticos. Quando ainda era jogador (começou no FK Budućnost Podgorica, clube por onde passaram Predrag Mijatović e Dejan Savićević), rodou por clubes como Avispa Fukuoka do Japão e o Pelita Jaya da Indonésia. Božović também defendeu equipes holandesas (RBC Roosendaal e RKC Waalwjik), o APOP Kinyras Peyias do Chipre, mas foi defendendo o Estrela Vermelha de Belgrado que ele viveu sua melhor fase, chegando a ser convocado uma vez para a seleção Sub-21 da antiga Iugoslávia. Como treinador, iniciou sua carreira no FK Beograd na temporada 2000/2001. Nas temporadas seguintes passou por Consadole Sapporo (do Japão), FK Borac Cacak, FK Hajduk Beograd, AEP Paphos FC (do Chipre), até retornar para o Borac na temporada 2005/2006. Depois disso passou por seu clube formador, o Budućnost Podgorica, onde ficou até a metade da temporada 2006/2007, saindo para treinar o FK Grbalj (de Montenegro).

No Amkar Perm vem realizando um belo trabalho, conseguindo ficar em quarto lugar na liga local, mesmo brigando com as potências de Moscou: Spartak, Dynamo, Lokomotiv, FK Moscou e CSKA, além do Zenit e toda a grana da Gazprom, que é uma das maiores e mais ricas empresas de gás natural do mundo. Podemos dizer que o Amkar se aproveitou bem da ressaca “zenitista” e teve uma campanha equilibrada e consistente. Em 30 jogos disputados, conseguiu 14 vitórias, 9 empates e 7 derrotas. O time fez uma campanha melhor fora de casa, vencendo oito partidas longe de seus domínios, além de conseguir boas vitórias e empates contra adversários diretos pela vaga. Por outro lado, em casa (onde venceu 6 partidas), os empates contra CSKA e Zenit não foram resultados tão bons, mas as vitórias contra FK Moscou e Krylya Sovetov foram importantíssimas para a classificação final. Outro ponto a se destacar é que o Amkar Perm não bobeou contra nenhum time da parte de baixo da tabela.

A equipe contou com 46 jogadores das mais variadas nacionalidades. A média de idade é de apenas 21,96 anos, enquanto a média de altura é de 1,83 cm e a de peso é de 77 Kg. Um time jovem é muito forte fisicamente como dá para notar pelas medidas. A obediência tática dos jogadores, entrosamento e conjunto também foram primordiais nessa ascensão rubro-negra. A espinha dorsal do time foi formada pelo goleiro Gabulov (convocado algumas vezes para seleção russa) e o zagueiro espanhol Antonio Soldevilla, mas o time ainda conta com jogadores das repúblicas que formavam a antiga Iugoslávia, entre eles montenegrinos, sérvios e croatas. Além deles, o elenco também conta com jogadores da antiga União Soviética, como o camisa 10, Mikhail Afanasyev (nascido na Bielorússia)  e o turcomeno Vyacheslav Krendelev.

 

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